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Quem é Júlia Holanda
Proprietária e gestora da Holanda Centro de Educação Musical , maior escola de música do Estado de Goiás; docente no Centro de Educação Infantil do Tribunal de Justiça de Goiás desde 1999 com aulas de música para crianças de 1 a 5 anos de idade. Formada em Pedagogia e Música, especialista em Neuropedagogia, Psicomotricidade, Musicalização Infantil, Neuroeducação Musical e Musicoterapia. Com trabalhos publicados na ABEM e ISME, revistas de educação, jornais, artigos e congressos, a professora faz do caminho musical sua jornada em busca da excelência.
Júlia Holanda, em fase final da especialização em ABA, desenvolve um trabalho de excelência com alunos e pacientes com transtornos (TEA), deficiências ou síndromes. Trabalha com gestantes e bebês há mais de 20 anos. Atualmente, é coordenadora e tutora na Pós Graduação em Musicalização Infantil e Neuroeducação Musical da Faculdade Tecnológica de Palmas.
Ministra cursos de Capacitação em Musicalização Infantil e Baby Class, Teclado, Piano, Neuroeducação Musical e Inclusão para educadores de todo o país. Júlia Holanda é autora do Livro de Teclado – volume 1 e 2, da rede de escolas de Música Holanda na cidade de Goiânia – GO.
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Esta pesquisa ocupou se em mostrar as relações que existem entre a musicalização e a educação infantil e constatou que a musicalização é de extrema importância para o desenvolvimento e aprendizagem da criança porque propicia progressos e ou evoluções em todos os aspectos de formação: afetivo, cognitivo, social e motor.
Para esta constatação é necessário o conhecimento dos benefícios da música para o desenvolvimento da criança; dos aspectos e ou pontos que a criança atinge em diferentes fases da sua vida na infância; dos elementos fundamentais da música: timbre, ritmo, e para que sejam trabalhados em diferentes e diversificadas atividades lúdicas.
A construção de instrumentos musicais também é de fundamental importância. A metodologia adotada para a realização desse estudo é concernente com os preceitos da pesquisa bibliográfica que possibilita a seleção de obras para a leitura, análise e reflexo do assunto na ótica de autores renomados no assunto. Musicalização é uma possibilidade de ação e participação da criança em seu desenvolvimento e aprendizagem.
Palavras chaves: Participar. Atuar e Desenvolver.
A infância é uma das etapas mais importantes para a formação do indivíduo. Durante este período acontece a formação subsídios básicos para a aprendizagem e o desenvolvimento dos diferentes aspectos: cognitivos, afetivo, social e motor.
Neste processo, a musicalização pode ser uma valiosa contribuição para o progresso infantil, uma vez que, é um conjunto de práticas, com objetivo de estabelecer uma relação entre a música e a criança que estimula o desenvolvimento.
O estudo das relações entre a musicalização e o progresso infantil é de considerável relevância por ser uma possibilidade de favorecer e ampliar o desenvolvimento global da criança.
Para isso, iniciar –se –á este estudo tratando dos benefícios e da importância da musicalização para o desenvolvimento e aprendizagem da criança, mostrando na sequencia considerações sobre os aspectos que devem ser observados nas crianças no trabalho da musicalização.
Por fim, tratar se a dos elementos fundamentais da música e de como deve acontecer a prática em sala de aula.
Esta prática pode envolver jogos, atividades lúdicas e construções com sucatas dos instrumentos musicais para que as crianças realmente participem das aulas e possam entender ritmo, timbre e melodia na prática.
Neste contexto, discutir –se á sobre as possibilidades de contribuições da musicalização para o desenvolvimento da criança nos diferentes aspectos de formação.
Este estudo vai ser realizado de acordo com os preceitos da pesquisa bibliográfica que subsidia o levantamento, leitura e análise de diferentes obras sobre a temática na ótica de autores renomados sobre o assunto.
O trabalho com a música pode ser uma oportunidade ímpar para integração, expressão, e criação que serão relevantes para o percurso educacional e de convivência do indivíduo.
O período da educação infantil é uma etapa do desenvolvimento responsável pela formação da base do indivíduo que deve ser global envolvendo os diferentes aspectos. Neste contexto, a musicalização tem um papel relevante no processo educativo por permear um trabalho de aprendizagem e expressão de comportamentos, conhecimentos e sentimentos que possibilitam os progressos do desenvolvimento com a alegria.
“Em todo o processo educativo confunda –se dois aspectos necessários e complementares: por um lado a noção de desenvolvimento e crescimento (o conceito atual de educação está intimamente ligado aideia de desenvolvimento); por outro lado, a noçãode alegria, de prazer, num sentido amplo. Educar –se na música é crescer plenamente e com alegria. Desenvolver sem dar alegria não ésuficiente. Dar alegria sem desenvolver tampouco é educar”. (Gainza, 1988, p.95)
Considerando esta concepção a respeito da importância da musicalização na educação infantil, Bréscia(2003) trata o trabalho com a música como uma possibilidade de desenvolvimento das expressões, do pensamento e emoções da criança.
“O trabalho de musicalização deve ser encarado sob dois aspectos : os aspectos intrínsecos á atividade musical, isto é, inerentes à vivência musical:alfabetização musical e estética e domínio cognitivas das estruturas musicais ;e os aspectos extrínsecos a’ atividade musical ; isto é decorrentes de uma vivência musical orientada por profissionais conscientes, de maneiras a favorecer a sensibilidade , a criatividade , o senso rítmico , o ouvido musical ,o prazerde ouvir música ,a imaginação ,a memória , a concentração ,a atenção ,a autodisciplina ,o respeito ao próximo , o desenvolvimento psicológico , a socialização e a afetividade , além de originar a uma efetividade , além de originar a uma efetiva consciência corporal e de movimentação”.(p.15)
Tavares (2008), salienta que a música é uma possibilidade de propulsionar o desenvolvimento infantil através das diferentes atividades que podem ser aplicadas com as crianças, oportunizando também evoluções na criatividade, expressão oral e física.
Voltando a Bréscia (2003), a aprendizagem da criança desenvolve, junto com o aspecto cognitivo, o afetivo e o social.
“(…)o aprendizado de música, além de favorecer o desenvolvimento afetivo da criança, amplia a atividade cerebral, melhora o desempenho escolar dos alunos e contribui para integrar socialmente o indivíduo”. (p.81)
A musicalização, de acordo com Penna (1990), é o processo de contribuição do conhecimento musical que possibilita para as crianças o desenvolvimento do gosto pela música, juntamente com o desenvolvimento da concentração, coordenação motora, acuidade auditiva, destreza no raciocínio e na compreensão, dentre outros aspectos importantes a formação do sujeito.
Conforme Brasil (1998), a musicalização é um processo significativo para a interação da criança com seus pares e com o mundo adulto, envolvendo a cultura e o convívio social.
“O ambiente sonoro, assim como presença da música em diferentes e variadas situações do cotidiano fazem com que os bebês e crianças iniciem seu processo de musicalização de forma intuitiva. Adultos cantam melodias curtas, cantigas de ninar, fazem brincadeiras cantadas, com rimas, parlendas, reconhecendo o fascínio que tais jogos exercem”. (p.51)
Na concepção de Nogueira (2003), a musicalização é uma prática que através da música amplia as formas de comunicação entre as pessoas e se faz presente na história de cada um.
“(…)acompanha os seres humanos em praticamente todos os momentos de sua trajetória nesse planeta. E, particularmente nos tempos atuais, deve ser vista como uma das mais importantes formas de comunicação. A experiência musical não pode ser ignorada, mas sim compreendida, analisada e transformada criticamente”. (p.01).
A prática da musicalização e ou do trabalho com música na educação infantil deve acontecer de maneira que esta prática contribua com o desenvolvimento da criança. Para isso, precisa ser uma atividade contextualizada e planejada.
“Ensinar música, a partir dessa óptica, significa ensinar a reproduzir e interpretar músicas, desconsiderando as possibilidades de experimentar, improvisar, inventar como ferramenta pedagógica de fundamental importância no processo de construção do conhecimento musical. ” (Brito, 2003, p.52)
Sendo assim, o desenvolvimento musical da criança não é somente uma aprendizagem da música sem que este esteja atrelado as expressões. No decorrer do processo da musicalização, a criança deve aprender a interpretar a música como um todo, envolvendo seus elementos, básicos que são a melodia, timbre e ritmo.
Nesta perspectiva o trabalho com a música deve ter seus princípios e seus objetivos próprios sem vinculação exclusiva com as datas comemorativas.
O ensino e aprendizagem da música devem contribuir com a formação da criança.
Conhecido os benefícios e a importância da musicalização para a educação infantil, antes de tratar as atividades musicais, é imprescindível compreender o que deve ser observado no desenvolvimento musical das crianças. De acordo com Deckert (2012), nas crianças do início da educação infantil, dos três aos quatros anos é preciso atentar ‘as seguintes questões:
“melhora na imitação de canções, cada vez mais próximas do modelo; representação de papeis de personagens em canções; adaptação gradual a prática musical coletiva, como cantar em grupo; aprendizado de canções na seguinte sequência :movimento, palavras, ritmos, frase; diminuição da variedade dos movimentos corporais (as crianças tornam –se mais seletivas em ralação aos movimentos); prática e exploração de movimentos conhecidos ; melhora sensível da coordenação motora; surgem padrões rítmicos, a repetição é fundamental; o senso de tonalidade começa a emergir”.(p29)
Já no ano final da educação infantil, com as crianças de cinco anos, é importante observar os seguintes pontos conforme as próprias palavras de Deckert(2012):
“As estruturas do pensamento tornam – se cada vez mais aptas a perceber os paramentrosdo som; a música é assimilada por imagens, depois imagens – símbolos, seguida de representações; senso de totalidade mais estável; consegue cantar, de maneiras cuidadosa, a maioria das canções aprendidas; respostas mais comuns ao ritmo: palmas e movimento mais curtos são mais fáceis de controlar; pulso correto e firme; repetições rítmicas e melódicas são comuns nessa fase. ” (p.30)
Na prática de trabalho com a musicalização, o ritmo, a melodia e o timbre são elementos fundamentais e devem ser desenvolvidos, de acordo com a autora em questão, de maneira gradativa que possibilite a compreensão e expressão da criança.
Para o desenvolvimento rítmico, as atividades devem ser apresentadas com os instrumentos musicais que devem ser exploradas pelas crianças, deixando que inicialmente cada uma expresse seu tempo próprio. Posteriormente a esta fase inicial, deve ser começada a ordenação temporal através de movimentos em série, iniciadas com uma e depois aumentadas gradativamente. Porfim, a criança será capaz de compreender a ordenação no tempo e nos acontecimentos que permeará a fase representativa.
O outro elemento é a melodia, constituída por diferentes alturas do som: graves e agudos. A aprendizagem da melodia pode ser iniciada pela observação e percepção dos sons da natureza e do meio social.
“A altura é a qualidade que nos permite diferenciar os sons agudos dos sons graves.No dia a dia percebemos esses sons a nossa volta. O canto de um pássaro, o apito de um guarda no trânsito, gritos de crianças na escola são sons de altura aguda. O som de um trovão, da voz masculina, do motor de um ônibus são sons de altura grave “ (Deckert,2012, p.44)
É importante nesse processo a criança aprender a diferenciar o som fino (agudo), do grosso (grave) para apropriar – se da melodia compreendendo as relações entre os sons e os intervalos.
O terceiro elemento é o timbre, responsável pela qualidade do som que tem sua prática desenvolvida inicialmente pela percepção e reconhecimento de timbres presentes nos objetos, na natureza e os produzidos naturalmente como sons do vento, da chuva, palmas, instrumentos dentre outros.
De acordo com Deckert (2012), existem diferentes atividades para o desenvolvimento da musicalização infantil, que devem ser claras, simples, objetivas e com participação e ação das crianças.
Zagonel (2012), aposta no desenvolvimento de jogos de criação musical com usos da voz, do corpo e do movimento para a aprendizagem musical, onde a criação e expressão são relevantes.
“O gesto corporal pode ser um elemento importante para a emissão do som. A partir dele é que se chega a fazer música, sempre considerando a capacidade criativa e a espontaneidade da pessoa, incitando a inversão sonora e gráfica por meio da expressão e seus gestos. A criação musical deve ser o ponto central do processo de ensino aprendizagem ou da prática musical” (p.17).
A mesma autora apresenta como jogos musicais de gesto e voz a bola sonora, dominó, som quem do gesto e a música da dança que possibilitam sons e movimentos de acordo com ritmo.
Para o desenvolvimento do timbre, Zagonel(2012), apresenta jogos musicais que envolvem expressões do corpo e diferentes tipos de emissão vocal para expressão, composição dos sons e mesmo melodia.
Com a prática dos jogos de criação musical, Zagonel (2012), aborda sobre a importância de a criança descobrir e aprender sobre o mundo sonoro por meio de práticas lúdicas que envolva no processo para que sinta a música e seus elementos formadores, ou seja, o ritmo, melodia e timbre.
Para Brito (2003), a musicalização com as crianças deve ser desenvolvida considerando dois eixos subsidiários, o da criação e da reprodução que promovem a interpretação, improvisação e a composição.
Nesta perspectiva a interpretação não e simplesmente a compreensão da música, ela refere –se, de acordo com Brito (2003) a:
“(…)interpretar significa ir além da imitação por meio da ação expressiva do interprete. Somos interpretes quando cantamos ou tocamos uma obra musical. ” (p.57)
A improvisação é pertinente a criação musical a partir de alguns critérios já existentes. Já a composição é a criação musical propriamente dita a partir de um conhecimento consolidado.
Para o ensino da musicalização na educação infantil é preciso que as crianças experiênciem atividades variadas que envolvam os sentidos, a percepção e a acao dos pequenos de forma lúdica e com contato com objetos como as lutadas a seguir:
“Trabalho vocal;
Interpretação e criação de canções;
Brinquedos cantados e rítmicos;
Jogos que reúnem som, movimento e dança;
Jogos de improvisação;
Sonorização de histórias;
Elaboração e execução de arranjos (vocais einstrumentais);
Construção de instrumentos e objetos sonoros;
Registros e notação;
Escrita sonora e musical: escrita atenta, apreciação musical;
Reflexões sobre a produção e a escrita. ” (Brito, 2003, p. 58)
Das diferentes praticas abordadas por Brito (2003), a construção de instrumentos musicais e objetos sonoros é uma importante oportunidade para o desenvolvimento musical e aprendizado. Dentre elas destacam –se os tambores, o reco reco, as baquetas e as baterias que podem ser feitas de sucatas.
Os tambores podem ser feitos de caixas de papelão com bexiga ou balão e vai permitir a produção de diferentes tipos de sons e seus ritmos, timbres e melodias.
Para a confecção do reco reco pode ser utilizado o papelão ondulado ou um bambu que produzirão sons fantásticos e parecidos.
As baquetas para tocar os instrumentos podem ser de palitos de churrasco ou de sorvete, usando um pedaço de rolha, uma semente, algodão ou lã na ponta para produzir o som desejado.
Para a construção das baterias podem ser usadas diferentes tipos de latas que serão responsáveis pelos diferentes timbres. A seleção das latas também vai contribuir para a acuidade auditiva e o reconhecimento dos diferentes tipos de sons.
“No caso das baterias de latas as crianças devem ser orientadas para escolher aquelas que formem uma série interessante de sons, explorando contrastes… Essa etapa de pesquisa e seleção dos materiais é ótima oportunidade para exercício auditivo das diferentes qualidades dos sons e também para inserir a necessária reflexão sobre essas questões. ” (Brito, 2003, p.74)
Silva (2001), apresenta sugestões para o desenvolvimento do ritmo no trabalho com a música com o seguinte roteiro: colocar as crianças enfileiradas, formando duas filas, uma do lado da outra. Após as crianças estarem posicionadas, pede – se que levantem uma perna, podendo ser à direita ou a esquerda e o professor contará um, depois as crianças devem colocar as pernas juntas e contar dois. Esta atividade pode ser variada, solicitando que as crianças levem a perna para frente e fazer a contagem, um quando a perna for levada para frente e dois quando voltarem a posição inicial.
Deckert(2012), apresenta importantes sugestões para o trabalho com a melodia: brincadeira do morto vivo musical, estátua, dança das representações, dentre outras.
Na brincadeira do morto vivo musical, é preciso que os alunos formem uma roda e fiquem em pé, e que tenham um instrumento que produza sons graves e agudos.
A regra da brincadeira é a seguinte: quando as crianças ouvirem o som agudo devem ficar em pé, e quando ouvirem o som grave, devem agachar,
A brincadeira estátua é muito conhecida, para o desenvolvimento da melodia, a regra do jogo é a percepção do som, conforme as palavras de Deckert (2012):
“Alunos de pé, em um espaço determinado pelo professor. Tocar alternadamente trechos de sons graves e agudos. Nas sequências graves, as crianças se movimentam pela sala no andamento do som percebido.Nas sequências agudas, ficam imóveis: viram estatuas “ (p.50)
A dança das representações é uma brincadeira em que se fazem fichas com marcas que representem o som, definido que se os símbolos se descolocam para cima, representam um som agudo e para baixo, um som grave. Feitas as fichas, estas devem ser colocadas em um lugar visível e ao som do professor, a criança deve identifica –ló nas fichas.
Deckert (2012), salienta sobre a importância de a criança cantar para o desenvolvimento e aprendizagem da musicalização. Esta prática deve ser trabalhada em sala de aula para que a criança tenha essa oportunidade com frequência.
“ Há várias pesquisas sobre o ato de cantar no desenvolvimento infantil, constatando que por meio do canto a criança expressa sentimentos e desenvolve a imaginação, que o cantar auxilia seu desenvolvimento linguístico e, principalmente, promove seu desenvolvimento musical. ” (p.74)
Com a prática do canto, a criança aprende a cantar e a fazer movimentos corporais, desenvolvendo também o ritmo, a melodia e o timbre. Segundo a autora em questão a cânone é uma prática relevante para o trabalho com as vozes, apesar de ser cantado em uma única melodia, quando as crianças ficam separadas em grupos fazem a harmonização de vozes e ou coral.
No entanto, para que o canto seja uma valiosa oportunidade do desenvolvimento musical, é preciso que seja planejado e tenha seus objetivos definidos de acordo com o público alvo.
“(…)escolha a música de acordo coma faixa etária de seus alunos. Crianças menores requerem músicas com a letra, mas apreciam a oportunidade de se expressarem corporalmente. Crianças maiores são capazes de cantar músicas com letras mais extensas, mas que tenham um significado para elas, e também podem fazer percussão corporal e acompanhamento com instrumentos. ” (Deckert, 2012, p.75).
A musicalização é um processo que precisa ser vivenciado e experienciado pelas crianças de maneira alegre e significativa para que tenham prazer na aprendizagem e assim possamse expressar e se desenvolverem inteiramente.
Considerações Finais
A realização deste estudo contribui imensamente com o aumento do cabedal de conhecimento a respeito da temática desenvolvida.
A musicalização está intimamente relacionada com o desenvolvimento integral da criança por envolver em sua pratica os sentidos e os aspectos de formação, ou seja, o emocional cognitivo, físico e social na realização das atividades.
Com a prática da musicalização a criança desenvolve naturalmente sua atenção, concentração, coordenação motora, acuidade auditiva, destreza, raciocínio, compreensão e outros para participar das atividades com seus pares.
Outra questão importante, é a preservação cultural e a interação com o mundo adulto, através da vivencia e conhecimento musical com respeito a diversidade.
A partir do conhecimento da importância da música para o desenvolvimento infantil, foi de relevância conhecer os principais pontos e ou aspectos que a criança vai apresentar com seus progressos.
No trabalho com a musicalização é preciso que o professor conheça e domine os elementos fundamentais da música que são o timbre, o ritmo e a melodia, para que possa propiciar para as crianças atividades que desenvolvam esses elementos e consequentemente a ela própria.
Estas atividades devem ser lúdicas, com materiais concretos e de construção que possibilitam as crianças a participação e ação de maneira espontânea, envolvente e coletiva.
Como recomendação, este estudo deixa a adoção da prática da musicalização na infância para otimizar e potencializar o desenvolvimento infantil.
Enfim, além do aumento do conhecimento pessoal, este estudo é de grande importância para todos que se ocupam e preocupam –se com a educação de qualidade da base do sujeito.
A musicalização, neste processo, é uma pratica que deve ser desenvolvida no período da educação infantil para contribuir com o desenvolvimento integral e harmônico do indivíduo.
Referências Bibliográficas
BRASIL. Referencial Curricular Nacional para a educação infantil. MEC. SEF. BRASILIA, V. 3, 1988
BRESCIA, V.L.P. Educação Musical: bases psicológicas e ação preventiva. São Paulo: Átomo, 2003.
BRITO, T.A. Música na educação infantil: propostas para formação integral da criança.
São Paulo: Petrópolis, 2003.
DECKERT, M. Educação musical: da teoria a pratica na sala de aula: São Paulo: Moderna, 2012.
GAINZA, V.H. Estudos de psicopedagogia musical.
NOGUEIRA, M. A. A música e o desenvolvimento da criança. Revista UFG, vol. 5, n 2, 2003.
PENNA, M. Reavaliações e buscas em musicalização. São Paulo: Loyola, 1990.
São Paulo: Summus,1988.
SILVIA, P. A canção na pré-escola.São Paulo: Paulinas, 2001.
TAVARES, F.M.M. Estrutura e funcionamento o ensino fundamental. Ceara:UVA, 2008.
Cibele de Jesus Batista da Luz – Pedagoga; Pós Graduada em Musicalização Infantil; Professora na Educação Infantil e professora de apoio à crianças com TEA, pelo município de Monte Sião MG.
A Música é uma linguagem complexa e rica em detalhes, a música desenvolve e traz liberdade de expressão, fazendo com que a criança se comunique e se socialize com o mundo a sua volta. Na Educação Infantil a música tem o forte papel de favorecer descobertas e possibilitar vivências na aprendizagem, proporcionando facilidade no desenvolvimento e no processo de educação. A música está em praticamente tudo na vida e sabemos que o conhecimento da música desde o início de maneira correta, irá contribuir para a formação de seres humanos sensíveis, criativos e reflexivos. A música na educação pode envolver outras áreas de conhecimento, através do desenvolvimento da autoestima por exemplo, a criança aprende a se aceitar com suas capacidades e limitações. A musicalização é uma ferramenta para ajudar os alunos a desenvolverem seus sentimentos e emoções, além de conseguirem expressar suas ideias e valores culturais, auxiliando também na comunicação com o mundo exterior e seu universo interior.
Devemos fazer bom uso da música na educação infantil como um instrumento facilitador do processo de ensino e aprendizagem.
Palavras – chave: Educação, Música, Desenvolvimento Infantil, Aprendizagem.
INTRODUÇÃO
O primeiro capítulo: “O que é música”, foi dividido em dois subtítulos para mostrar um breve relato sobre a história da música e a sua importância para as crianças. Já o segundo capítulo: “A música na educação infantil”, trata da música no ambiente escolar, de como vem sendo trabalhada em sala de aula, a sua importância no desenvolvimento infantil e o seu uso como ferramenta no processo de ensino-aprendizagem.
A música tem uma importância significativa na educação infantil, ela desenvolve várias capacidades na criança, como o desenvolvimento da linguagem, raciocínio, concentração e movimento. Sabemos que a criança que vivencia a musicalização no seu dia-a-dia poderá expressar-se mais facilmente, por exemplo, quando a criança canta, ela se movimenta ajudando assim na expressão corporal, na concentração, na disciplina e na atenção.
As crianças aprendem de formas diferentes dos adultos e para que a aprendizagem aconteça elas necessitam de metodologias diferenciadas e ferramentas que estimulem a criatividade e o envolvimento pedagógico. A música tem se tornado uma ferramenta importantíssima para o processo cognitivo da criança na educação infantil, pois está presente em todas as etapas da vida, desde sua formação no útero da mãe até atingir a vida adulta.
[…] a música é um tipo de arte com imenso potencial educativo já que, a par de manifestações estéticas por excelência, explicitamente ela se vincula a conhecimentos científicos ligados à física e à matemática além de exigir habilidade motora e destreza que a colocam, sem dúvida, como um dos recursos mais eficazes na direção de uma educação voltada para o objetivo de se atingir o desenvolvimento integral do ser humano. (SAVIANI, 2003, p.40).
Na educação infantil os alunos estão em fase de transição, por isso é uma fase de suma importância para o desenvolvimento mental, motor e emocional das crianças. A musicalização nesta etapa pode beneficiar no desenvolvimento integral das crianças, não só apenas como mais uma linguagem, mas como socialização e descoberta de novos conhecimentos, melhorando as suas funções motoras e psicológicas.
Bréscia (2003) acredita que há uma relação positiva entre a música e o desenvolvimento motor da criança no que diz respeito ao cantar, acompanhar o ritmo com as mãos, com os pés, com o movimento de todo o corpo e tocar instrumentos. Além disso, constitui um exercício das capacidades mentais e das habilidades cognitivas humanas.
A criança em contato com a música desenvolve várias habilidades, como; pular, cantar, dançar, imitar, entre outros. Sendo assim, a necessidade de utilizarmos a música na educação infantil é de fundamental importância, pois sabemos que o desenvolvimento cognitivo deve ser sempre estimulado.
A linguagem musical é um fator importantíssimo para o desenvolvimento expressivo da criança no meio social, gerando interação em várias áreas como por exemplo, na autoestima, no processo motor, no equilíbrio, autoconhecimento, entre outros, a música, no geral, é um meio facilitador para as crianças e é fundamental ter início na educação infantil, quando se está no início de descobertas e aprendizagens.
A educação infantil é a melhor etapa para estimular o senso ritmo e a audição, despertando a sensibilidade da criança e a interação no canto coletivo, aprendendo a analisar algo, a diferenciar coisas e ter a noção de ordenação do tempo, através da música. A importância desse estímulo desde cedo é de extrema importância para auxiliar no momento de ensino/aprendizagem.
Esta monografia tem como objetivo geral mostrar a contribuição da música no favorecimento do desenvolvimento cognitivo/linguístico, psicomotor e sócio afetivo da criança. Para Piaget, a criança em fase escolar encontra‐se num período de desenvolvimento do pensamento concreto, aprendizagens rápidas, na maioria dos casos, parecem ser realizadas com entusiasmo, perseverança e curiosidade, encarando o pensamento e a aprendizagem como um desafio intelectual. Percebemos com isso a importância da linguagem musical em vários aspectos da vida de uma pessoa, tanto no início da vida quando criança, até a sua morte, essa linguagem é fortemente destacada e observada em diversas situações do nosso cotidiano.
Abordar a importância da música na educação infantil. Mostrar como a música pode contribuir com a aprendizagem, favorecendo o desenvolvimento cognitivo/linguístico, psicomotor e sócio afetivo da criança.
Mostrar de que maneira a música favorece o desenvolvimento do potencial criativo e da sensibilidade da criança, traz estímulo à sua concentração e disciplina.
O tema foi escolhido no sentido em que procuramos demonstrar a importância da música para a formação da criança. A música contribui para que os diversos conhecimentos sejam mais facilmente aprendidos pelos alunos.
Segundo SCAGNOLATO, 2006:
A música não substitui o restante da educação, ela tem como função atingir o ser humano em sua totalidade. A educação tem como meta desenvolver em cada indivíduo toda a perfeição de que é capaz. Porém, sem a utilização da música não é possível atingir a esta meta, pois nenhuma outra atividade consegue levar o indivíduo a agir. A música atinge a motricidade e a parte sensorial por meio do ritmo e do som, e por meio da melodia, atinge a afetividade.
A importância da linguagem musical em vários aspectos da vida de uma pessoa, tanto no início da vida quando criança, até a sua morte, é fortemente destacada e observada em diversas situações.
Para BRÉSCIA (2003):
A musicalização é um processo de construção do conhecimento, que tem como objetivo desenvolver e despertar o gosto musical, cooperando para o desenvolvimento da sensibilidade, senso rítmico, criatividade, do prazer de ouvir música, da imaginação, memória, concentração, autodisciplina, atenção, do respeito ao próximo, da socialização e afetividade, também contribuindo para uma efetiva consciência corporal e de movimentação.
BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR – BNCC
A BNCC está prevista na Constituição Federal de 1988, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 (LDB, Lei nº 9.394/1996) e no Plano Nacional de Educação de 2014 (PNE, Lei nº 13005/2014). A BNCC se constitui em uma referência nacional para reformulação dos currículos e das propostas pedagógicas das instituições escolares em ação conjunta com os Estados, Distrito Federal e Municípios. Ao longo da educação básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio), a BNCC estipula que deve ser assegurado ao estudante o desenvolvimento de dez competências gerais:
Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.
Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. (BRASIL, BNCC, 2017, p. 9-10).
A BNCC deverá nortear a formulação dos currículos dos sistemas e das redes escolares de todo o Brasil, indicando as competências e habilidades que se espera que todos os estudantes desenvolvam ao longo da escolaridade. “O documento está estruturado em: Textos introdutórios (geral, por etapa e por área); Competências gerais que os alunos devem desenvolver ao longo de todas as etapas da Educação Básica; Competências específicas de cada área do conhecimento e dos componentes curriculares; Direitos de Aprendizagem ou Habilidades relativas a diversos objetos de conhecimento (conteúdos, conceitos e processos) que os alunos devem desenvolver em cada etapa da Educação Básica — da Educação Infantil ao Ensino Médio”. (Portal do MEC, 2017).
A Base Nacional Comum Curricular – BNCC define os direitos de aprendizagens de todos os alunos do Brasil e o seu principal objetivo é o de promover a igualdade educacional. Os currículos de todas as redes públicas e particulares devem ter a BNCC como referencial, isso quer dizer, que todos os alunos terão a oportunidade e o direito de aprender o que é considerado essencial para sua formação global inclusive como um cidadão brasileiro em formação.
PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS – PCN
Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN foram escritos como referenciais e orientações pedagógicas para os profissionais docentes da educação. Sua função é contribuir com as políticas e programas de educação, socializando informações, discussões e pesquisas, subsidiando o trabalho educativo de técnicos, professores e demais profissionais da educação e ainda apoiando os sistemas de ensino estaduais e municipais. Os PCN apresentam as informações de que os currículos e conteúdos não devem servir apenas como transmissão de conhecimentos e sim como base para uma prática educativa voltada para a aprendizagem real e efetiva do aluno.
Segundo o Portal do MEC, os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN possuem os indicadores do ensino que os alunos sejam capazes de:
compreender a cidadania como participação social e política, assim como exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, adotando, no dia a dia, atitudes de solidariedade, cooperação e repúdio às injustiças, respeitando o outro e exigindo para si o mesmo respeito;
posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais, utilizando o diálogo como forma de mediar conflitos e de tomar decisões coletivas;
conhecer características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais, materiais e culturais como meio para construir progressivamente a noção de identidade nacional e pessoal e o sentimento de pertinência ao País;
conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro, bem como aspectos socioculturais de outros povos e nações, posicionando-se contra qualquer discriminação baseada em diferenças culturais, de classe social, de crenças, de sexo, de etnia ou outras características individuais e sociais;
perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente, identificando seus elementos e as interações entre eles, contribuindo ativamente para a melhoria do meio ambiente;
desenvolver o conhecimento ajustado de si mesmo e o sentimento de confiança em suas capacidades afetiva, física, cognitiva, ética, estética, de inter-relação pessoal e de inserção social, para agir com perseverança na busca de conhecimento e no exercício da cidadania;
conhecer e cuidar do próprio corpo, valorizando e adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação à sua saúde e à saúde coletiva;
utilizar as diferentes linguagens — verbal, matemática, gráfica, plástica e corporal — como meio para produzir, expressar e comunicar suas ideias, interpretar e usufruir das produções culturais, em contextos públicos e privados, atendendo a diferentes intenções e situações de comunicação;
saber utilizar diferentes fontes de informação e recursos tecnológicos para adquirir e construir conhecimentos;
questionar a realidade formulando-se problemas e tratando de resolvê-los, utilizando para isso o pensamento lógico, a criatividade, a intuição, a capacidade de análise crítica, selecionando procedimentos e verificando sua adequação.
O QUE É MÚSICA?
A palavra música vem do grego – “musiké téchne” e quer dizer “Arte das Musas”. Trata-se de uma combinação de sons agradáveis ao ouvido.
A música é uma forma de arte que se constitui na combinação de vários sons e ritmos, seguindo uma pré-organização ao longo do tempo, ou seja, podemos definir música como uma sucessão de sons combinados a fim de se produzir melodia ou “arte” de combinar sons, e formar com eles melodia e harmonia. A linguagem musical pode ser um meio de ampliação da percepção e da consciência, porque permite vivenciar e conscientizar fenômenos e conceitos diversos” (BRITO, 2003, p. 26).
Existem várias formas de se conceituar “música”, isso vai depender do ponto de vista e da perspectiva teórica que se aborda.
A música é a linguagem que se traduz em formas sonoras capazes de expressar e comunicar sensações, sentimentos e pensamentos, por meio da organização e relacionamento expressivo entre o som e o silêncio. A música está presente em todas as culturas, nas mais diversas situações: festas e comemorações, rituais religiosos, manifestações cívicas, políticas, etc. Faz parte da educação desde muito tempo, na Grécia antiga era considerada como fundamental para a formação dos futuros cidadãos ao lado da matemática e da filosofia. (BRASIL, 1998, p. 45).
Segundo Teca Brito (2003, p.17):
A música é uma linguagem universal. Tudo que o ouvido percebe sob a forma de movimentos vibratórios. Os sons que nos cercam são expressões da vida, da energia, do universo em movimento e indicam situações, ambientes, paisagens sonoras: a natureza, os animais, os seres humanos traduzem sua presença, integrando-se ao todo orgânico e vivo deste planeta.
Na opinião de Weigel (1988, p. 10) são quatro os elementos que compõem a música, a saber: 1- Som: são as vibrações audíveis e regulares de corpos elásticos, que se repetem com a mesma velocidade, como as do pêndulo do relógio. As vibrações irregulares são denominadas ruído. 2- Ritmo: é o efeito que se origina da duração de diferentes sons, longos ou curtos. 3- Melodia: é a sucessão rítmica e bem ordenada dos sons. 4- Harmonia: é a combinação simultânea, melódica e harmoniosa dos sons.
A MÚSICA NO BRASIL
A música é um das expressões mais importantes da cultura brasileira. A música no Brasil foi fortemente influenciada por elementos das culturas europeia, africana e indígena, tendo como fontes históricas os registros dos padres jesuítas que por aqui passaram. A música foi usada como instrumento de catequização dos povos indígenas. Os primeiros professores de música do Brasil foram os padres jesuítas, responsáveis pela catequese dos indígenas, a partir de 1549. No sul do Brasil os jesuítas construíram as “Missões”, que era um projeto que além de levar cultura aos índios, também os ensinava a religião católica.
As primeiras manifestações musicais genuinamente brasileiras surgiram por volta de 1550, nas plantações de cana e nos engenhos de Pernambuco. Pela primeira vez, ali se reuniram o branco, o negro e o índio. (JEANDOT, 1990 p. 120).
Segundo a Wikipédia (Enciclopédia Livre), até o século XIX, Portugal foi a principal porta de entrada para a maior parte das influências que construíram a música brasileira, tanto a erudita como a popular. A maior contribuição do elemento africano foi a diversidade rítmica e algumas danças e instrumentos que tiveram um papel maior no desenvolvimento da música popular e folclórica. O indígena praticamente não deixou traços seus na corrente principal, salvo em alguns gêneros folclóricos de ocorrência regional.
A música indígena, por exemplo, desenvolveu-se em cada tribo de modo diferente, de acordo com sua maneira de se expressar musicalmente e com os instrumentos que lhe são próprios. Ela está presente nos ritos de caça, pesca, plantação, colheita, bem como nos de passagem, como nascimento, adolescência, casamento e morte. (JEANDOT, 1990 p. 120).
A partir do século XVII começam a chegar em território nacional ritmos musicais como “as valsas, polcas, tangos e outras diversas manifestações musicais estrangeiras”, Segundo ALMEIDA (1926, p.107), “…que se misturando a elementos da cultura indígena e principalmente africana dá-se origem a música popular brasileira”.
MUSICALIZAÇÃO NA INFÂNCIA
Conforme a WIKIPÉDIA, musicalização é o processo de construção do conhecimento musical, cujo principal objetivo é despertar e desenvolver o gosto pela música, estimulando e contribuindo com a formação global do ser humano.
A musicalização nas escolas não é para formar músicos, mas sim alunos que possam estar inseridos no mundo cultural no qual vivemos, pois os ganhos com a musicalização, vão muito além do aprendizado da música em si. Hoje a neurociência comprova que atividades musicais integram experiências sensoriais, motoras, de percepção e execução. Assim, quem experimenta a musicalização pode passar simultaneamente por diferentes processos – emocionais, cognitivos e sociais.
Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017, p. 154):
A Música é a expressão artística que se materializa por meio dos sons, que ganham forma, sentido e significado no âmbito tanto da sensibilidade subjetiva quanto das interações sociais, como resultado de saberes e valores diversos estabelecidos no domínio da cultura. A ampliação e a produção dos conhecimentos musicais passam pela percepção, experimentação, reprodução, manipulação e criação de materiais sonoros diversos, dos mais próximos aos mais distantes da cultura musical dos alunos. Esse processo lhes possibilita vivenciar a música inter-relacionada à diversidade e desenvolver saberes musicais fundamentais para a sua inserção e participação crítica e ativa na sociedade.
As atividades de musicalização permitem que a criança se conheça melhor, ajudando a dominar melhor o seu corpo, aprimorando a coordenação motora ampla, com grandes movimentos e a fina, com pequenos movimentos. Sempre que a coordenação motora é desenvolvida na criança acaba por aprimorar a sua expressividade rítmica. O desenvolvimento rítmico prepara naturalmente a criança para a fase da leitura e da escrita, que fazem parte do processo de alfabetização e a música representa uma importante fonte de estímulo e equilíbrio para a criança nessa fase.
Conforme WEIGEL (1988), a música incentiva o desenvolvimento da criança em muitos aspectos e ao mesmo tempo garante a aquisição de novos conhecimentos. Ela se configura como uma instância no processo de socialização e escolarização.
Musicalizar uma criança nada mais é do que despertar nela à sua expressão espontânea. A musicalização é feita através de atividades lúdicas visando o desenvolvimento e aperfeiçoamento da percepção auditiva, imaginação, coordenação motora, memorização, socialização, expressividade e percepção do espaço.
Segundo Andréa Oliveira (2018), o desenvolvimento da criança quanto à musicalização se dá através da: Manifestação artística: a educação musical pretende desenvolver na criança uma atitude positiva para a música e procura capacitá-la para expressar e captar sentimentos de beleza da criação artística. A Autoestima: é por meio da música e do processo de criação, em que a música é apropriada, adaptada e alterada de múltiplas maneiras, que a criança se torna criadora e se sente autora, e assim se satisfaz, o que é positivo para o desenvolvimento da autoestima. A Criatividade: a presença da arte na educação torna a criança mais capaz de criar, inventar e reinventar o mundo à sua volta. Devemos considerar que a criatividade é essencial, pois a criança criativa raciocina melhor, tem mais facilidade para inventar meios para resolver problemas e dificuldades. E isso é fundamental em um mundo em que a tecnologia busca soluções cada vez mais elaboradas para seus problemas. O Sentido estético: por meio da música, que tem seus próprios valores estéticos, acaba sendo resgatado o verdadeiro sentido do belo. Para motivar o consumo, muitas vezes a mídia influencia negativamente o senso estético, especialmente nas crianças. E a Ética: ao mesmo tempo, o desenvolvimento do sentido estético acaba sendo acompanhado do desenvolvimento do sentido ético, ou seja, de uma escolha mais correta do que realmente pode ser bom, bonito e útil para as pessoas.
O objetivo principal da Musicalização Infantil é fazer com que a criança tenha um contato bem elaborado e estruturado com a música. Com o passar do tempo a criança inicia um processo de percepção, tornando-se sensível à música e amplia o seu universo sonoro. O resultado de todo este processo é o desenvolvimento da musicalidade.
A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA PARA AS CRIANÇAS
Estudos afirmam que o envolvimento das crianças com o universo sonoro começa ainda antes do nascimento, na fase intrauterina os bebês já convivem com um ambiente de sons provocados pelo corpo da mãe, como o sangue que flui nas veias, a respiração e a movimentação dos órgãos da mãe.
Jeandot (1990, p.18), também afirma que, “Na verdade, antes mesmo de nascer, ainda no útero materno, a criança já toma contato com um dos elementos fundamentais da música, como o ritmo, através das pulsações do coração de sua mãe”.
A receptividade à música é um fenômeno corporal. Antes ainda de começar a falar, podemos ver o bebê cantar ou balbuciar experimentando os sons que podem ser produzidos com a boca.
As crianças gostam de acompanhar as músicas com movimentos do corpo, tais como palmas, sapateados, danças, volteios de cabeça, mas, inicialmente, é esse movimento bilateral que ela irá realizar. (JEANDOT, 1990 p. 19).
Segundo Leda Osório (2011) a infância é um período de grande percepção do ambiente que nos cerca, pois a criança é influenciada pelo que acontece a sua volta. A música é uma linguagem que comunica e expressa sensações, a criança desde o nascimento vive em um meio onde descobre coisas a todo tempo e sua interação com o mundo a permite desenvolver essa percepção.
A música possui um papel muito importante para as crianças. Ela contribui para o desenvolvimento psicomotor, sócio afetivo, cognitivo e linguístico, além de ser facilitadora do processo de aprendizagem. A partir do momento em que a criança entra em contato com a música, seus conhecimentos se tornam mais amplos e este contato vai envolver também o aumento de sua sensibilidade, além de fazê-la descobrir o mundo a sua volta de forma prazerosa. A música contribui também para reforçar todas as áreas do desenvolvimento infantil, representando um inestimável benefício para a formação e o equilíbrio da personalidade da criança. A contribuição da música não fica limitada somente na infância mas também na fase da adolescência e da vida adulta, influenciando com benefícios a personalidade do indivíduo em questão.
“O ritmo, a melodia, o timbre e a harmonia, elementos constituintes da música, são capazes de afetar todo o organismo humano, de forma física e psicológica. Através de tais elementos o receptor da música responde tanto afetiva quanto corporalmente. (FERREIRA, 2005 p. 25).
A música é um elemento sempre presente em nossa vida. Sendo imprescindível na formação da criança para que ela, ao se tornar adulta, atinja a capacidade de pensar por conta própria e exerça sua criatividade de maneira crítica e livre. A música tem importância fundamental na formação do corpo, da alma e do caráter das crianças contribuindo para a sua formação integral.
Rosa (1990) afirma que a simples atividade de cantar uma música proporciona à criança o treinamento de uma série de aptidões importantes. A musicalização é importante na infância porque desperta o lado lúdico aperfeiçoando o conhecimento, a socialização, a alfabetização, inteligência, capacidade de expressão, a coordenação motora, percepção sonora e espacial e matemática.
Quando a criança ouve uma música recebe estímulos que a despertam para o gosto musical, fazendo florescer o gosto pelo som, ritmo e pelo movimento. Cantando ou dançando, a música proporciona diversos benefícios para as crianças e é uma grande aliada no desenvolvimento saudável da mesma.
Na criança, cada idade reserva um aspecto particular com relação à música. A atividade sensório-motora do bebê, por exemplo, é o embrião de um gesto musical. Já na fase do jogo simbólico, o som tem função de ilustração, de sonoplastia. Posteriormente, o gosto pelos jogos de regra e a socialização preparam a expressão musical coletiva. (JEANDOT, 1990 p. 132).
A MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
A Música na Educação Infantil tem o forte papel de favorecer descobertas e possibilitar vivências na aprendizagem.
“[…] para atender ao interesse da criança e em consonância com o desenvolvimento de seu pensamento, a música na Pré-Escola deve possibilitar vivências e descobertas, constituindo-se numa experiência concreta.” (WEIGEL,1988, p.18).
Portanto, para despertar o interesse da criança na educação infantil, é preciso que a criança tenha experiências concretas.
Musicalizar significa desenvolver o senso musical das crianças, sua sensibilidade, expressão, ritmo, “ouvido musical”, isso é, inseri-la no mundo musical, sonoro. O processo de musicalização tem como objetivo fazer com que a criança torne-se um ouvinte sensível de música, com um amplo universo sonoro. (OLIVEIRA, 2001 p. 99).
A musicalização é um processo de construção do conhecimento, ela favorece o desenvolvimento da sensibilidade, criação, senso rítmico, imaginação, memória, concentração, escuta e gosto musical, favorece o ato de compartilhar, o respeito ao próximo, socialização e afetividade, contribui também para uma verdadeira consciência corporal e de movimentação.
Na educação infantil, as atividades musicais são muito trabalhadas e focadas. Existe uma grande diversidade nesta área musical tanto em brinquedos, brincadeiras e outros, algumas atividades ficam tão famosas no meio das crianças se tornando favoritas, que prevalecem no ambiente escolar, tornando-se tradição de gerações. “O cotidiano da Educação Infantil é repleto de atividades musicais, algumas tão conhecidas que já fazem parte do repertório usual das escolas”. (MAFFIOLETTI apud, CRAYDY, 2001, p.123).
A música na educação pode envolver outras áreas de conhecimento, através do desenvolvimento da auto estima a criança aprende a se aceitar com suas capacidades e limitações. A musicalização é uma ferramenta importantíssima para que a criança aprimore sua habilidade motora, aprenda a controlar seus músculos e mova-se com desenvoltura. A criança aos poucos vai formando sua identidade, percebendo-se diferente dos outros e ao mesmo tempo buscando integrar-se com os outros.
A música é uma linguagem tão rica em todos os aspectos, que desperta libertação na vida do ser humano, na liberdade de expressão, comunicação, socialização, na criação de algo novo, tornando-se um recurso forte na área educativa, no processo de desenvolvimento desde a sua existência, que é a infância, na sua primeira etapa de ensino e social: a Pré-Escola. “Por seu poder criador e libertador, a música torna-se um poderoso recurso educativo a ser utilizado na Pré-Escola.” (WEIGEL,1988, p.12).
A importância da música é inegável em vários aspectos, principalmente na formação da criança, na facilidade que proporciona para o desenvolvimento e no processo de educação. Vale destacar também que a música abrange várias áreas, podendo ser trabalhada também como meio facilitador para formar hábitos e comportamentos, ensinar valores para ter higiene, respeito, agradecimento a Deus e assim por diante, portanto vemos que a música é uma ferramenta muito utilizada nas questões de formação de hábitos, atitudes e comportamentos.
Pode-se incorporar a educação musical como parte integrante da formação do indivíduo desde a infância, atendendo a vários propósitos, como a formação de hábitos atitudes e comportamentos: ao lavar as mãos antes do lanche, ao agradecer a “papai do céu” por mais um dia de estudo, ao escovar os dentes, na memorização de conteúdos, de números, de letras e etc.” (BUENO, 2012, p.55).
Um dos objetivos da música na educação infantil é incentivar e possibilitar que a criança consiga expressar aquilo que não consegue falar, emoções e sentimentos que ela não sabe explicar, e em ambos os casos, a criança está aprendendo a lidar com o seu emocional através da música.
A música é uma fonte riquíssima de ensino-aprendizagem, e quando ela é percebida e recebe a devida importância pelos educadores, as ações mais comuns realizadas no dia a dia transformam-se em vivências capazes de estimular o desenvolvimento efetivo da criança. Portanto, a música na educação infantil torna-se mais uma ferramenta para o educador mediar o educando a desenvolver-se de forma plena e consciente.
Ao receber os estímulos musicais, através das músicas infantis como “Roda-roda”, “O sapo não lava o pé” e outras, em que as sílabas são rimadas e repetitivas, a criança passa a entender o significado das palavras através dos gestos que fazem ao cantar; Portanto, a criança se alfabetiza mais rápido, além de melhorar seu vocabulário. (BUENO,2012, p.54).
Na educação infantil as cantigas são rimadas e repetitivas com o propósito de facilitar a compreensão e o significado das palavras. Ao cantar as crianças fazem os gestos conforme as palavras da canção, que como consequência, facilitará no processo de alfabetização.
Segundo SCAGNOLATO, 2006:
A música não substitui o restante da educação, ela tem como função atingir o ser humano em sua totalidade. A educação tem como meta desenvolver em cada indivíduo toda a perfeição de que é capaz. Porém, sem a utilização da música não é possível atingir a esta meta, pois nenhuma outra atividade consegue levar o indivíduo a agir. A música atinge a motricidade e a sensorialidade por meio do ritmo e do som, e por meio da melodia, atinge a afetividade.
É muito importante a utilização da música na educação infantil, pois a criança além de aprender brincando, o ambiente escolar se torna mais agradável e estimula cada vez mais à vontade dela participar das aulas. Introduzir conteúdos através da música para as crianças de 0 a 6 anos desenvolve relações afetivas e de socialização e consequentemente torna o aprendizado de qualquer área de conhecimento ainda mais fácil de ser absolvido.
A MÚSICA COMO FERRAMENTA NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM
A música pode ser utilizada em vários momentos no processo de ensino-aprendizagem, sendo de grande importância na busca do conhecimento, permitindo avanços no desenvolvimento lúdico, criativo, emotivo e cognitivo.
Bréscia (2003, p. 15) afirma:
O trabalho de musicalização deve ser encarado sob dois aspectos: os aspectos intrínsecos à atividade musical, isto é, inerentes à vivência musical: alfabetização musical e estética e domínio cognitivo das estruturas musicais; e os aspectos extrínsecos à atividade musical, isto é, decorrentes de uma vivencia musical orientada por profissionais conscientes, de maneira a favorecer a sensibilidade, a criatividade, o senso rítmico, o ouvido musical, o prazer de ouvir música, a imaginação, a memória, a concentração, a atenção, a auto disciplina, o respeito ao próximo, o desenvolvimento psicológico, a socialização e a afetividade, além de originar uma efetiva consciência corporal.
Os autores CHIARELLI e BARRETO (2005), destacam a importância da musicalidade para o desenvolvimento cognitivo e linguístico na educação infantil, classificando sua influência através de fases ou períodos:
Desenvolvimento cognitivo / linguístico: a fonte de conhecimento da criança são as situações que ela tem oportunidade de experimentar em seu dia a dia. Nesse sentido, as experiências rítmico musicais que permitem uma participação ativa favorecem o desenvolvimento dos sentidos das crianças. Ao trabalhar com os sons ela desenvolve sua acuidade auditiva; ao acompanhar gestos ou dançar ela está trabalhando a coordenação motora e a atenção; ao cantar ou imitar sons ela está descobrindo suas capacidades e estabelecendo relações com o ambiente em que vive.
Desenvolvimento psicomotor: as atividades musicais oferecem inúmeras oportunidades para que a criança aprimore sua habilidade motora, aprenda a controlar seus músculos e mova-se com desenvoltura. O ritmo tem um papel importante na formação e equilíbrio do sistema nervoso. Isto porque toda expressão musical ativa age sobre a mente, favorecendo a descarga emocional, a reação motora e aliviando as tensões. Atividades como cantar fazendo gestos, dançar, bater palmas, pés, são experiências importantes para a criança, pois elas permitem que se desenvolva o senso rítmico, a coordenação motora, fatores importantes também para o processo de aquisição da leitura e da escrita.
Desenvolvimento sócio afetivo: a criança aos poucos vai formando sua identidade, percebendo-se diferente dos outros e ao mesmo tempo buscando integrar-se com os outros. Através do desenvolvimento da autoestima ela aprende a se aceitar como é, com suas capacidades e limitações. As atividades musicais coletivas favorecem o desenvolvimento da socialização, estimulando a compreensão, a participação e a cooperação. Dessa forma a criança vai desenvolvendo o conceito de grupo. Além disso, ao expressar-se musicalmente em atividades que lhe deem prazer, ela demonstra seus sentimentos, libera suas emoções, desenvolvendo um sentimento de segurança e auto realização. (CHIARELLI; BARRETO, 2005).
Assim pode-se afirmar que a música possui forte influência na formação humana e consequentemente no desenvolvimento infantil. As escolas devem incentivar a interdisciplinaridade e suas várias possibilidades, pois a música auxilia em todas as etapas do ensino.
A música, é uma grande ferramenta, importante para a assimilação dos diversos conteúdos na rotina dos alunos, pois transporta para o universo dos mesmos, de forma lúdica, os conceitos científicos de diversas matérias. (BUENO, 2012, p.49).
A utilização da música é muito interessante na educação infantil em todos os aspectos, no geral, para o desenvolvimento das crianças, abrangendo várias áreas como recurso facilitador e estimulador para uma aprendizagem eficaz. A linguagem musical é uma linguagem lúdica e muito apreciada por todos, principalmente pelas crianças na fase de descobertas e conhecimentos, despertando alegria e prazer de forma descontraída, seja através do cantar, tocar um instrumento ou movimentar-se livremente. Portanto, a música é um meio facilitador muito eficiente para a aprendizagem.
A criança que participa das atividades musicais desenvolve mais habilidades para aprender outras disciplinas, para se interagir em grupos e também cria mais facilidades para resoluções de problemas diversos, afirma Bueno, (2011, p.189).
A participação da criança em atividades musicais aumenta sua habilidade para aprender por exemplo, matemática básica e leitura. Desenvolve também habilidades primordiais para uma vida social bem sucedida, como por exemplo, a autodisciplina. Desenvolve ainda o trabalho em grupo e habilidades para a resolução de problemas.
Bueno (2011) afirma que a música na educação funciona não apenas como experiência estética, mas também como facilitadora do processo de aprendizagem, como instrumento para tornar a escola um lugar mais alegre e receptivo e também ampliando o conhecimento musical do aluno.
A música realmente tem sua própria linguagem o seu próprio contexto, mas ela abrange muito mais que isso, ela pode ser um instrumento facilitador em vários aspectos do ensino-aprendizagem, gerando assim um desenvolvimento construtivo e completo para a criança. Possui uma linguagem tão importante quanto às demais áreas do conhecimento e dessa forma, a música tornou-se uma ferramenta indispensável para o processo cognitivo da criança na educação infantil.
A linguagem musical é um recurso de significativa importância no processo metodológico e pedagógico, pois além das vantagens já descritas acima, traz a interdisciplinaridade, com a qual se potencializa todo o processo de ensino-aprendizagem. Sendo assim, a educação musical auxilia todo o processo de formação do ser humano, pesquisas científicas comprovam que crianças, jovens e adultos que estudam música possuem um melhor desempenho na aprendizagem escolar.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998) menciona que a música é fundamental para o desenvolvimento de uma identidade, pois auxilia na autonomia do indivíduo, trabalha imaginação, criatividade, capacidade de concentração, fixação de dados, experimentação de regras e papéis sociais, desenvolve a expressão, o equilíbrio, a autoestima, autoconhecimento e a integração social (BRASIL, 1998). Os estímulos que a música proporciona como; senso ritmo, percepção auditiva, a sensibilidade, entre outros, são necessários serem explorados desde cedo, para uma melhor aprendizagem e desenvolvimento.
A Educação Infantil é a etapa em que a criança encontra-se na fase de conhecimentos e descobertas essenciais no processo de desenvolvimento, a área cognitiva, afetiva e social, linguística e psicomotora, são áreas importantíssimas que a música contribui para o seu desenvolvimento.
A musicalização é sem dúvida uma grande aliada no desenvolvimento global da criança. O trabalho musical com as crianças deixa o ambiente mais alegre e afetivo, permitindo que a criança se expresse, brinque, entre em contato com as vivências do dia a dia, com a família, e desenvolva seu vocabulário com mais segurança, ajudando assim no processo de aprendizagem da escrita e da leitura. Vemos então que a música é indiscutivelmente de grande importância no mundo. Além do fator cultural, a música hoje faz parte do dia-a-dia de uma forma tão abrangente que torna-se difícil imaginar um lugar onde não seja utilizado esse valioso instrumento/meio de satisfação para toda a humanidade. Acredito na importância da música, por isso conto com a maior valorização deste campo dentro dos espaços escolares pois além de trazer alegria e bem estar, ela proporciona crescimento emocional, afetivo, cognitivo e motor.
REFERÊNCIAS
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BRASIL, Ministério da Educação. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, Brasília: Mec, 1998.
BRITO, Teca Alencar de. Música na educação infantil – Propostas Para a Formação Integral da Criança São Paulo; Peirópolis, 2003.
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ILARI, Beatriz / BROOCK, Angelita (orgs). Música e educação infantil. Campinas, SP; Papirus, 2013.
JEANDOT, Nicole. Explorando o Universo da Música. São Paulo: Scipione, 1990.
LE BOULCH, J. O desenvolvimento psicomotor: do nascimento até os 6 anos. 7°ed. Porto alegre: Artes Médicas, 1992.
MÁRSICO, LEDA OSÓRIO. A Criança e a Música. Porto Alegre, 1982.
MÁRSICO, Leda Osório. A criança no mundo da música: Uma metodologia para educação musical das crianças. Porto Alegre, 2011.
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OLIVEIRA, d. a. Musicalização na educação infantil. Campinas, 2001.
POLLARD, Michael. Maria Montessori. Rio de Janeiro, Globo, 1993.
SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia. São Paulo, Cortez – Autores Associados, 2003.
WEIGEL, Anna Maria Gonçalves, Brincando de música. Porto Alegre RS, Kuarup, 1988.
Wikipédia, Enciclopédia livre <Acesso em 20/08/2019>
Raquel Lins Rodrigues Marinho; Graduada em Pedagogia e Administração de Empresas; Pós Graduada em Educação Musical e Musicalização Infantil; Coral Infantil, Juvenil e Adulto com Maestrina: Lucy M. Schimidt; Coral Américo Lima com o Maestro Jailton Santana; Curso de Teclado Popular com a Professora Danielle Montuleze; Curso de Piano Popular com o Professor Gilberto de Queiróz; Coral da UNIFIL com a Maestrina: Elizângela Garcia (Participação como soprano); Participação nos Festivais de Música de Londrina; Coral Rhema; Vocal 7 Kantu´s; Projeto Toque sua Vida –Aulas de Teclado e Técnica Vocal – Projeto Social da IEAB-Lindóia; Integrante do Grupo Chorus em Londrina; Professora de Educação Musical e Musicalização.
A música foi criada a tempos remotos e desde então sofreu diversas modificações culturais e sociais, afetando o ser humano em suas emoções e sentimentos. Este trabalho objetiva analisar teoricamente como o professor não especializado pode vir a proporcionar os benefícios da música para o desenvolvimento infantil, visto que a música enquanto utilizada como meio auxiliador de ensino, contribui para o desenvolvimento e para a aprendizagem da criança. Considerando as caracterizas que a música possui, ela se torna excelente elemento para o processo de ensino e aprendizagem, contudo o docente necessita estar preparado e instruído para utilizar esses elementos de forma que abranja todos seus aspectos e qualidades, visando sempre a construção de um ambiente educativo e atrativo para os alunos da educação infantil, tornando a criança mais interessada e motivada no âmbito escolar, formando assim cidadãos críticos e pensantes na sociedade. Visto os professores, em sua grande maioria, não serem especializados no tocante ao ensino de música e suas particularidades, espera-se ao final deste estudo poder vir a contribuir de forma positiva, para que os mesmos entendam o quão importante é a busca por uma melhor qualificação, dentro de formações continuadas.
É de conhecimento que a música consiste em expressão artística e dependendo de cada região do país, cidade e bairro, expressa um movimento e uma linguagem diversificada. Ela está presente desde quando o bebê está no ventre da sua mãe, a batida do coração e os demais sons emitidos no funcionamento do nosso corpo já fazem com que a criança tenha um contato sonoro, dizem alguns autores como Brito (2003), quando a mãe canta para o bebê estimula também a criança, sendo que este contato com o som da música irá percorrer toda sua infância.
Constata-se que a música existe desde o tempo mais remoto, existem estudos que apontam que as músicas no Brasil já eram utilizadas na educação dos jesuítas, na catequese, bem como as demais artes. De acordo com Beyer (apud LOUREIRO, 2007, p.43), os jesuítas “[…] trouxeram ao elemento indígena um repertório vigente naquela época na Europa. Ou seja, os jesuítas educaram os indígenas musicalmente, para o desempenho musical destes nas missas”.
Ao brincar, a criança expressa o seu lado musical, por meio de emissão de sons e cantigas colocando todo o seu sentimento, este contato acontece bem antes da alfabetização. Trabalhar com música, não é fazer com que os alunos se tornem verdadeiros músicos e sim estimular ludicamente o raciocínio e a criatividade, bem como outros estímulos que serão relatados no decorrer do artigo. Faria (2001, p.24), aponta que “A música como sempre esteve presente na escola, para dar vida ao ambiente escolar e favorecer a sociabilização dos alunos, além de despertar neles o senso de criação e recreação”.
Perante a pesquisa efetuada para o presente estudo, verificou-se que, a história nos mostra que mesmo a música já sendo utilizada no Brasil, seu ensino ainda não era obrigatório nas escolas. Em 18 de agosto de 2008 na lei 11.769 que altera a lei de diretrizes e bases da educação (LDB), o ensino de música passou a ser obrigatório no ensino de arte, no Art. 26 afirma que “ A música deverá ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo do componente curricular”.
O Ministério da Educação – MEC disponibilizou para conhecimento dos educadores os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (RCNEI), vindo este documento embasar teoricamente o professor para uma melhor atuação, pois aponta objetivos, conteúdos e fundamentos da música para ser trabalhado em sala de aula.
Mesmo o ensino de música sendo obrigatório e o MEC., disponibilizando documentos norteadores para o professor, visualiza-se que em nossa contemporaneidade, muitas escolas não inseriram este conteúdo de forma adequada. Pensando-se nesta questão, aponta-se como problema desta pesquisa, procurar entender o porquê muitas vezes é trabalhado o conteúdo de forma mecanizada, sem se preocupar com o desenvolvimento da criança e o que este conhecimento/ linguagem pode proporcionara criança?
Perante a problemática apresentada, justifica-se a feitura do presente estudo, procurando-se como finalidade, atestar a importância da presença da música na Educação Infantil, mostrando que o ato de cantar utilizando a linguagem musical e fazer movimentos e gestos ao cantar pode vir a contribuir para que as crianças se desenvolvam integralmente. Espera-se que o estudo contribua para que profissionais pedagogos se conscientizem e ressignifiquem suas práticas musicais.
A música está presente na sala de aula, porém nem sempre a uma escolha de repertório apropriado, pois, algumas das que são utilizadas podem ser classificadas como de baixa qualidade ou fruto da indústria cultural, não contribuindo de forma eficiente no processo de ensino e aprendizagem. É de conhecimento que o professor deve explorar o conhecimento de mundo que o aluno traz para a escola de seu cotidiano, mas o papel do educador é de ampliar repertórios, trazendo músicas de outras culturas, muitas vezes estigmatizadas, citando como exemplo as músicas africanas ou indígenas, bem como a erudita. Reforçando-se que isso não quer dizer que devemos esquecer aquilo que a criança já aprendeu e sim aumentar o seu repertório musical.
A música é uma linguagem com características próprias, e a atuação do profissional de educação é no sentido de aproximar a criança desta linguagem. Outra coisa é utilizar a música somente para “acalmar” as crianças. Esta visão também não é adequada. Ela deve proporcionar a criança uma escuta ativa, e ao cantar o educador deve demonstrar toda a sua empolgação, para que as crianças sintam prazer ao cantar, pois se o professor não gosta, não tem o hábito de cantar ou não tem esta relação com a música, ela acaba desmotivando a criança.
Pensando-se nos pormenores apresentados, e, a procura de uma elucidação do problema apresentado elencou-se como Objetivo Geral: Analisar teoricamente a importância e os benefícios da música para o desenvolvimento infantil.
Com o intuito de melhor explanar sobre o tema do estudo, subdividiu-se o objetivo geral em Objetivos Específicos, sendo os mesmos: Conhecer o histórico do Ensino de Música;Identificar a relação entre Música e desenvolvimento da criança;explicitar como o pedagogo pode vir a inserir o conteúdo musical em sala de aula, considerando que não possui formação específica nesta linguagem, apontando caminhos que viabilizem seu ensino. Como metodologia de pesquisa para o presente estudo científico, efetuou-se uma pesquisa bibliográfica, focando-se na revisão de literatura, utilizando-se para este fim autores condizentes à temática apresentada, dentre os quais se destacam,:Bréscia (2003), Loureiro (2003) e Elmerich (1977).
Ao final do estudo, serão apresentadas as considerações finais, acreditando-se que os objetivos alcançados com esse trabalho possibilitarão a abertura de novas possibilidades de investigação de conhecimentos sobre a temática, assim como uma melhor compreensão sobre o tema do presente estudo por parte dos profissionais da área educacional.
2. BREVE HISTÓRICO SOBRE O ENSINO DE MÚSICA
Conforme Houaiss apud Bréscia (2003), a música apresentada “como a arte de se exprimir por meio de sons, seguindo regras variáveis conforme a época, a civilização etc.”, está presente em todo o meio social desde a antiguidade e em diversos povos. Através do tempo histórico, nota-se que a mesma vem desempenhando um papel importante no desenvolvimento moral, social e cognitivo, contribuindo para a aquisição de hábitos e valores indispensáveis ao exercício da cidadania. Aponta Ferreira (2017, p.24) que “Assim, não é descabido, mesmo que improvável, considerarmos mesmo que, já nos primórdios da humanidade, a música tenha servido de subsídio para as primeiras manifestações verbais orais da humanidade”.
A palavra música vem do grego “Mousiki” que significa a ciência de compor melodia, sendo os gregos os responsáveis por difundir a linguagem musical na educação e promover o seu ensino entre os Romanos. Durante os primórdios da civilização grega, o ensino da música era obrigatório e de extrema importância para a formação dos cidadãos, iniciando durante a infância e se perpetuando ao longo da vida das pessoas.
De acordo Loureiro (2003, p.34):
A paixão dos gregos pela música fez com que, desde os primórdios da civilização, se tornasse para eles uma arte, uma maneira de pensar e de ser. Desde a infância eles aprendiam o canto como algo capaz de educar e civilizar. O músico era visto por eles como o guardião de uma ciência e de uma técnica e seu saber e seu talento precisava ser desenvolvido pelo estudo e pelo exercício. O reconhecimento do valor formativo da música fez com que surgissem, naquele país, as primeiras preocupações com a pedagogia da música.
Todavia, durante a idade média, o ensino da música era restrito, e se apresentava de forma exclusiva aos mosteiros. Os registros que datam as primeiras escolas responsáveis pelo ensino do desenho, do canto e da tecelagem, remetem ao ano de 1770, nas escolas de origem Espanhola, demonstrando o gigantesco lapso temporal até que este método pudesse ser pensado e implementado em nosso pais (LOUREIRO, 2003).
A música entre o século XVIII e XIX foi classificada como música clássica, sendo esta expressão utilizada para toda produção musical europeia, considerada agradável e produzida para aristocratas. O período musical clássico era complexo voltando à atenção dos compositores a qualidade das melodias. Nesse período, era padronizado o formato da orquestra sinfônica definindo a tonalidade (Frenda, Gusmão e Bozzano, 2013).
Segundo Frenda, Gusmão e Bozzano (2013, p.269). “A expressão “música clássica” também é usada para se referir a toda produção musical tradicional de origem europeia, desde o final do renascimento até hoje, e que é diferente da música popular e regional”.
Tanto é recente tal discussão, que a música erudita chegou ao Brasil através dos portugueses por intermédio dos jesuítas, cujo principal objetivo consistia em catequizar e conquistar novos servos para Deus, e para tanto, utilizavam-se das músicas, mas somente aquelas simples e singelas, de fácil compreensão (ELMERICH, 1977).
Por se tratar de elemento comum em ambas as culturas, a catequização dos indígenas tornou-se facilitada, todavia são quase inexistentes os registros da história brasileira neste período, temos alguns relatos que são descrições curtas, que nos permitem entrever esse cenário. Muito embora o Padre Anchieta tenha alcançado êxito com a aplicação de tal método, as tarefas não foram assim tão fáceis, existia na época uma considerável divergência entre a educação e a música no país, cabendo a ele a missão de se tornar um dos precursores da aplicação deste método de ensino no Brasil, utilizando a música como veículo de educação geral.
Por possuir forma universal, e ser uma combinação harmoniosa e expressiva de sons, a música era o elemento comum, que poderia facilitar o ensino religioso que objetivava o Padre Anchieta, visto que se tratavam de diferentes povos, de diferentes culturas e de idiomas distintos, não havia outro recurso capaz de possibilitar a compreensão dos assuntos explanados pelos jesuítas, senão pela utilização da música, assim como acontece com diversas crianças que encontram na melodia e no ritmo a compreensão da mensagem que se busca transmitir (ELMERICH, 1977).
A partir de então, a música foi se difundindo no meio social e educacional. Com a vinda de D. João para o Brasil (1808), as recepções de chegada para família Real estavam preparadas na Igreja Nossa Senhora do Monte do Carmo, lá havia um conjunto Musical dirigido pelo Padre José Mauricio, contudo, por um longo período a música ficou ofuscada no país, neste período apenas Francisco Manuel da Silva (compositor do Hino Nacional) zelou pela conservação da musicalidade (ibidem, 1977).
Por outro lado, no reinado de D. Pedro II um decreto federal estabelecido por ele (Decreto Nº 630, de 17 de setembro de 1851) autoriza o governo para reformar o ensino primário e secundário do município da corte, entre as mudanças estabelecidas no decreto constava a inserção do ensino da música e exercícios de canto. Com o decorrer do tempo, este sistema educacional continuou evoluindo, e com a primeira república o país teve a oportunidade de permitir que cada estado desenvolvesse características próprias de acordo com cada região, cultura e costumes.
Por volta do século XIX, foi incluído nos currículos escolares do ensino Público pelo Decreto Federal nº 331 A, de 17 de novembro de 1854. Designava “noções de música” e “exercícios de canto” em escolas primárias de 1º e 2º graus e normais (magistério). (JORDÃO, ALUUCCI, MOLINA, TERAHATA, 2012, p. 19)
Conforme os mesmos autores, através da reforma de Rangel Pestana, homologada esta pela lei nº 81, de abril de 1887, ficou obrigatório em São Paulo, o canto coral nas escolas públicas. Sendo que através da reforma Benjamim Constant, regulamentou-se que o ensino de música passaria a ser ministrado por professores de música admitidos através de concursos e que fossem habilitados para tal ensino, sendo a Lei responsável por este decreto instituída em 8 de novembro de 1890, levando o número 981 (JORDÃO, ALUUCCI, MOLINA, TERAHATA, 2012).
Mas foi durante a Segunda República, nas décadas de 1910 e 1920, que puderam ser notadas, no Brasil, as primeiras manifestações de um ensino mais organizado, caracterizado como canto orfeônico. Muitos acreditam que Heitor Villa-Lobos foi pioneiro nesta prática no Brasil. Mas foram os educadores João Gomes Júnior e Carlos Alberto Gomes Cardim, que atuaram na Escola Caetano de Campos, na capital paulista, e os irmãos Lázaro e Fabiano Lozano, com atividades junto à Escola Complementar (posteriormente, Escola Normal) em Piracicaba, os primeiros a estabelecerem o canto orfeônico no ensino. (JORDÃO, ALUUCCI, MOLINA, TERAHATA, 2012, p. 19)
Em 1922, ocorreu a semana da arte moderna, que buscou nacionalizar as artes, dentre elas a música, ou nas palavras de Andrade (apud RIEGO, 2006):
O que caracteriza esta realidade que o movimento modernista impôs é a fusão de três princípios fundamentais: o direito permanente à pesquisa estética; a atualização da inteligência artística brasileira; e a estabilização de uma consciência criadora nacional. (RIEGO, 2006, p. 69)
Nas décadas de 1930 e 1940, foi implantado o ensino de música em âmbito nacional, sendo orientado e auxiliado em seu planejamento pela Superintendência de Educação Musical e Artística criada por Villa-Lobos (JUNIOR, 2011).
Outro fator relevante ao ensino de música, voltado tanto para a área educacional como social, deu-se no ano de 1942, através do Decreto Lei nº 4545, datado este em 31 de julho, no qual ficou especificado em seu Capítulo VII, que:
Art. 34º – É obrigatório o ensino do desenho da Bandeira Nacional e do canto do Hino Nacional em todos os estabelecimentos, públicos ou particulares, de ensino primário, normal, secundário e profissional. Art. 39° – Ninguém poderá ser admitido ao serviço público sem que demonstre conhecimento do Hino Nacional (BRASIL, apud JUNIOR, 2011, p. 39)
Segundo o mesmo autor, no mesmo ano foi fundado o Conservatório Brasileiro de Canto Orfeônico com o objetivo de capacitar profissionais para ministrar aula de canto, diante do crescimento desse estilo musical nas escolas. A partir de 1945, os professores tinham que ter credenciamento no Conservatório para dar aula de canto orfeônico.
Avançando-se no tempo histórico, contata-se que no ano de 1960, foi criado o curso de formação de professores de música, pela Comissão Estadual de Música e em 1961, A LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, 4024/61 iniciou uma substituição do canto orfeônico pela educação musical, se transformando em disciplina curricular (JUNIOR, 2011).
As evoluções da música como disciplina integrante da base curricular, foram cada vez mais notórias, a música acompanhou todo o período histórico vivenciado pelo Brasil, inclusive durante a ditadura Militar (1964-1985) devido a censura aplicada pelo sistema, encontrou-se na música a forma de expressar a indignação do povo, de forma culta, minuciosamente elaborada e intelectualmente engajada, era a forma de muitas pessoas se expressarem e tantas outras serem conscientizadas e compreenderem que um golpe estava eclodindo. (ELMERICH, 1977)
Segundo Elmerich (1977), a música na Ditadura foi utilizada como instrumento para manifestar as opiniões e indignações das barbáries existentes. Como na música haviam censuras, os cantores protestavam através de metáforas, expressando suas insatisfações sobre a discriminação, gênero, etnia, religião, ética, entre outros.
Em 1971, a nova LDBEN (5692/71) estabeleceu que o ensino música seria ministrado junto com artes plásticas, artes cênicas e desenho, compondo apenas uma disciplina chamada de Educação Artística, de matrícula obrigatória para os Ensinos Fundamental e Médio. O ensino superior subdividiu-se em licenciatura de Educação Artística, abrangendo música, artes plásticas, desenho e artes cênicas e bacharelado em Música, abrangendo canto, instrumentos, regência e composição. A secretaria da Educação de São Paulo, devido à falta de professores formados em Educação Artística, criou um guia curricular para estas aulas e convocaram professores que ministraram as aulas de desenho, música e artes industriais, disciplinas estas que foram substituídas pela Educação Artística (BRASIL, 1971).
Elaborada no ano de 1996, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9394/96, erroneamente, reforçou a importância e a obrigatoriedade das aulas de Educação Artística, mas não apontou tal importância para o ensino da música como componente curricular específico (BRASIL, 1996). Com a aprovação, em 18 de agosto de 2008, da Lei número 11.769, alterou-se esta falha, passando a ser obrigatório que as escolas ofereçam aulas de músicas com professores especializados na área, especificando ainda, que a música deveria ser conteúdo obrigatório do componente curricular da Educação Básica, devendo esta obrigatoriedade ser implementada no prazo de 3 (três) anos (BRASIL, 2008)
Nos dias atuais a música tem ganho cada vez mais espaço, sendo aplicada nos diferentes contextos e culturas, se tornando algo inerente à sociedade e se difundindo de forma fugaz.
Hoje sabemos a relação íntima que a música tem, por exemplo, com disciplinas como a arte (em geral), a língua (portuguesa, inglesa, italiana, latina etc.), a história, a matemática, a física, a biologia, a psicologia, a sociologia, a religião etc., mas isso não a limita, pois ela mantém sempre alguma afinidade com outras tantas, mesmo que não estejam diretamente ligadas ao campo da sonoridade.
Conforme Brito (2003, p. 9) “O Universo vibra em diferentes frequências, amplitudes, durações, timbres e densidades, que o ser humano percebe e identifica, conferindo-lhes sentidos e significados”. Desta forma a utilização da música em escolas passou a ser cada vez mais frequente, com o intuito de auxiliar os alunos no processo de aprendizagem.
Em diversas áreas do conhecimento, a música se apresenta de forma enraizada, como forma de assimilação e fixação de conteúdos que por vezes apresentam-se complexos, como é o caso de cursinhos pré-vestibulares em que são criadas paródias, jingles e até mesmo novas composições para que o conteúdo em estudo possa ser memorizado, demonstrando que cada dia mais, a música desempenha um importante papel na educação, pois de geração em geração ela vem ganhando forças e garantindo a sua difundida aplicabilidade.
3 MÚSICA e DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA: uma relação harmoniosa
A música é uma linguagem com características próprias, e a atuação do adulto deve vir a ser no sentido de aproximar a criança desta linguagem. A inserção da criança no mundo musical começa antes mesmo de seu nascimento:
O envolvimento das crianças com o universo sonoro começa ainda antes do nascimento, pois na fase intrauterina os bebês já convivem com um ambiente de sons provocados pelo corpo da mãe, como o sangue que flui nas veias, a respiração e a movimentação dos intestinos. A voz materna também constitui material sonoro especial e referência afetiva para eles. (BRITO,2003, p.35)
Neste contexto, conforme Salles e Faria:
Dependendo da forma como o adulto atua nesse processo de reinvenção do mundo, as crianças podem apenas se apropriar mecanicamente das conquistas culturais da humanidade, como se tudo já tivesse pronto, ou podem ser autoras, redescobrindo e transformando esse mundo, à sua maneira e de acordo com as possibilidades de seu momento de desenvolvimento, guiadas pela curiosidade e pelo desejo de aprender. (SALLES, FARIA, 2012, p. 108).
Diferentemente de outrora, onde a criança era vista como uma miniatura do adulto, onde não havia “[…] respeito às características e peculiaridades infantis”, em que “caracterizava-se infância como um vir a ser” (BRUSCATO, 2006), em nossa contemporaneidade consideram-se as crianças como novas construções socioculturais na transformação do mundo, pois:
As diversas mudanças ocorridas nos últimos 50 anos levam-nos a observar grandes transformações nos modos como às crianças vivem as suas infâncias, sendo essas entendidas como construções socioculturais que diferem profundamente a partir do modo como as crianças se inserem no mundo. (BARBOSA, HORN, 2008, p. 28).
Desta maneira; é mudada a posição da criança de um ser que precisava de proteção para assumir um papel principal na construção do seu desenvolvimento.
Passou-se de uma concepção segundo a qual as crianças eram vistas como seres em falta, incompletos, apenas a serem protegidos, para uma concepção das crianças como protagonistas do seu desenvolvimento, realizada por meio de uma interlocução, ativa com seus pais, com os adultos que as rodeiam, com os ambientes ao qual estão inseridas. (BARBOSA, HORN, 2008, p. 28).
Assim, a criança assume uma postura ativa na sociedade em que está inserida, sendo a protagonista do seu desenvolvimento. Ao passo que o processo de musicalização dos bebês e crianças começa por meio dos sons cotidianos, apresentados pelos adultos que apresentam a música. “As crianças também têm contato, desde pequenas, com diferentes expressões do mundo da dança em festas da cultura popular (carnaval, festas folclóricas, bailes), através da televisão, do cinema e do teatro”. (CHIOCHETA, REIS, 2016, p. 12)
Pode-se dizer que o processo de musicalização dos bebês e crianças começa espontaneamente, de forma intuitiva, por meio do contato com toda a variedade de sons do cotidiano, incluindo aí a presença da música. Nesse sentido, as cantigas de ninar, as canções de roda, as parlendas e todo tipo de jogo musical têm grande importância, pois é por meio das interações que se estabelecem que os bebês desenvolvam um repertório que lhes permitirá comunicar-se pelos sons; os momentos de troca e comunicação sonoro-musicais favorecem o desenvolvimento afetivo e cognitivo, bem como a criação de vínculos fortes tanto com os adultos quanto a música. (CHIOCHETA, REIS, 2016, p. 11)
A partir daí a música de forma lúdica traz diversos desenvolvimentos na educação infantil. Segundo a revista Pais& Filhos (2014), há benefícios que a música proporciona à criança: musicalização, expressão corporal, coordenação motora, foco, contato com outras culturas, criatividade, memória e desenvolvimento da linguagem. Assim, a música também, além no sentido artístico, desenvolve habilidades no criativo:
A criança consegue perceber os variados tipos de sons existentes no seu ambiente, desperta emoções podendo ser trabalhados a expressão, ritmos e os diferentes sons, habilidades não só no sentido artístico, mas também criativo estimulando a construção do seu conhecimento. Assim como se utiliza da palavra ou gestos para manifestar suas ideias, terá como meio de expressão mais uma forte ferramenta na construção de seus argumentos – a música. (MULLER, TAFNER, 2007, p. 102).
Assim, são trabalhados as emoções, a expressão e o ritmo. “A Rítmica, sistema de educação musical criado por Jaques-Dalcroze, que visa a musicalização do corpo, é uma disciplina na qual os elementos da música são estudos através do movimento corporal”. (MATEIRA, ILARI, 2011, p. 27). O ritmo envolve a questão do movimento. “O ritmo é trabalhado na orientação temporal, que é um dos elementos básicos da psicomotricidade. ” (MULLER, TAFNER, 2007, p. 102).
Desenvolver o ritmo contribui, também, para a aquisição do sentido rítmico, adaptação do ouvido a compassos e ritmos diferentes; conservação de um determinado ritmo com o corpo e a voz; memorização e reprodução de um determinado som; identificação dos tempos fortes e fracos; verbalização do ritmo mediante palavras; e promoção do controle dos movimentos, regularizando o gesto impulsivo e coordenando-o. (MULLER, TAFNER, 2007, p. 102).
Perante o aqui exposto, verifica-se a importância da Música ser inserida no processo educacional, no processo de ensino e aprendizagem, visto que uma das melhores metodologias de ensino a ser utilizada vem ao encontro com o aprender de maneira prazerosa.
3.1 A INSERÇÃO DA MÚSICA ENQUANTO AUXILIADOR DO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM
Um dos maiores problemas no tocante a utilização de música no contexto educacional, vem a ser que a mesma não é utilizada como meio auxiliador de metodologias, mas surge como costumes folclóricos, na escola como formação de hábitos ou para contemplar datas comemorativas, conforme constata-se em BRASIL (2013):
Sendo assim, a presença da música nas escolas tem, em muitos casos, sido reduzida à realização de atividades pontuais, projetos complementares ou extracurriculares, destinados a apenas alguns estudantes; relegada a uma ferramenta de apoio ao desenvolvimento de outras disciplinas; utilizada muitas vezes como rituais pedagógicos de rotinização do cotidiano escolar, tais como marcação dos tempos de entrada, saída, recreio, bem como das festas e comemorações do calendário escolar. (BRASIL, 2013, p. 5).
Faz-se necessário destacar ainda, outro fator errôneo, tratando-se da utilização da música, fator este, que vem a ser quando se utiliza a mesma somente para “acalmar” as crianças. Esta visão também não é adequada, visto que a mesma deve vir a proporcionar a criança uma escuta ativa, e ao cantar o educador deve demonstrar toda a sua empolgação, para que as crianças sintam prazer ao cantar, pois, se o professor não gosta, não tem o hábito de cantar ou não tem relação com a música, ele acaba desmotivando a criança, acaba ainda, retirando o encantamento da música.
A atual educação precisa de novos transformadores para facilitar e melhorar o contexto educacional em novas linguagens:
A sociedade contemporânea globalizada está organizada em rede, constituindo-se em um sistema aberto, capaz de expandir-se de maneira ilimitada integrando novos nós que permitem a comunicação dentro dessa malha, ou seja, formam-se elos que compartilham os mesmos códigos de comunicação. Para poder participar dessa rede, é preciso que os atores se apropriem desses códigos e é nesse espaço, na oferta de diferentes linguagens simbólicas, que reside o importante papel da instituição educacional na sociedade contemporânea, a qual assim construída, precisa de novos tipos de agentes. (BARBOSA, HORN, 2008, p. 28)
Neste caso, os agentes transformadores são os professores que precisam inovar, utilizando novas linguagens simbólicas para o ensino dentro das escolas. “Assim, a escola deve sair da sua função de transmissora de conhecimentos a serem acumulados para assumir a capacidade de atuar e organizar os conhecimentos em função das questões que se levantem. ” (BARBOSA, HORN, 2008, p. 28).
Diante do exposto, vale acrescentar que as escolas devem se reorganizar e perder a postura de só transmitir conhecimentos e reutilizar os conhecimentos para novas abordagens da educação que vão surgindo, fugindo de paradigmas. Desse modo a criança também pode assumir o papel de transformação, guiadas pelo desejo de aprender.
Portanto, a música é inserida na criação de hábitos de modo cantado e dançado.Assim, na educação infantil, a música traz as funcionalidades para o desenvolvimento da criança:
Existem várias possibilidades para trabalhar com linguagem musical podemos destacar: estímulo ao desenvolvimento do instinto rítmico (com ordens para andar, correr, rolar, balançar); marcação da pulsação com palmas e com os pés, dramatizações simples como imitação de animais (seus movimentos e sons); relacionamento do pulso musical à pulsação do coração, fazendo a criança ouvir o coração do amigo, em repouso e depois de correr; apresentação de canções que sugiram movimentos de acordo com a pulsação da música. (KREUSCH, 2014, p.02).
Então, pode-se dizer que por meio do ritmo, sons, movimentos, é estimulado o desenvolvimento infantil. No modo tradicional, crianças cantam músicas populares, como cantigas de roda, cantos folclóricos e representam em forma de gestos e movimentos:
A música na educação alia-se com o brincar, a vivência com a música desenvolve expressões de gestos e movimentos, o canto, a dança e em especial apreciação musical. O que favorece o processo de socialização, a aproximação com o saber artístico, o lazer, prazer em interagir e experimentar, encontrar significados para suas necessidades emocionais, socioculturais, físicas e intelectuais, a música favorece na respiração, pois quando canta a criança desenvolve a linguagem verbal. (KREUSCH, 2014, p.02).
Desta forma a música no contexto escolar da educação infantil ajuda a criança no seu aprendizado.Entretanto, há diversas representações musicais na escola que favorece a socialização da criança e o saber artístico, que produz benefícios culturais e habituais, mas observa-se a pouca utilização de instrumentos de ensino, resgatando a origem da música e a utilização no planejamento escolar, ou seja, criação de projetos voltados para a música e cultura.
É de conhecimento que o educador, quando de sua formação acadêmica, vem a ter em sua grade curricular o ensino de artes, mas não especificamente o ensino de música. Segundo Iavelberg:
As disciplinas de Arte oferecidas nos cursos de Pedagogia precisam formar o futuro profissional para saber dar aulas de arte, conhecer arte e os processos de ensino e aprendizagem. É importante também que cada pedagogo em formação inicial possa ter experiências de criação artística para saber orientar os processos criativos dos alunos. Isto requer para a Arte uma carga didática substantiva nos cursos de Pedagogia. (IAVELBERG apud BOJUNGA, 2015, p.1)
Diante do exposto, salienta-se que o educador, enquanto não especialista para o ensino específico de música, deve vir a ser um sujeito aprendiz, inserido em uma constante busca de novos conhecimentos, intuindo práxis pedagógica, capaz de auxiliar e mediar o processo de ensino e aprendizagem de seus alunos.
4 O ENSINO DE MÚSICA POR PROFESSORES NÃO ESPECIALISTAS
Para Ferraz e Fusari (1992, p. 41): “O professor de arte constrói e transforma seu trabalho nas suas práxis cotidianas, na síntese entre a ação e a reflexão. É neste sentido que precisa saber arte e saber ser professor de arte; saber os conteúdos e os procedimentos para que o aluno deles se aproprie”.
Como apontado anteriormente, os cursos de graduação em Pedagogia, não formam especialistas para o ensino de música, devendo então o profissional buscar uma capacitação para tal, visto que a formação de professores deve focar o desenvolvimento profissional diferenciado ao exercício das profissões, na qual haja abertura para habilidades comunicativas, cognitivas e instrumentais, pois aos cursos de formação organizar espaços e tempos para uma formação plena, é dever das instituições de ensino superior desenvolver o comprometimento do futuro profissional com a função social de seu ofício, viabilizando assim transformações reais. “Na formação revela-se e se potência o movimento real do mundo vivido, da cultura, das ciências, das artes, na reconstrução desse patrimônio comum em novas circunstâncias e por outros atores e na ampliação de seus horizontes teóricos, práticos-operativos e emancipatórios” (MARQUES, 2000, p. 53)
Com relação ao exposto acima, destaca-se a Proposta de Diretrizes para a Formação de Professores da Educação Básica em Cursos de Nível Superior (BRASIL, 2000) itens que devem estar em constante desenvolvimento como: compreensão do papel social da escola, ao domínio dos conteúdos, à interdisciplinaridade, ao conhecimento dos processos de investigação, ao gerenciamento do próprio desenvolvimento profissional e ao comprometimento com os valores estéticos, políticos e éticos inspiradores da sociedade democrática.
Salienta-se que, ao mencionarmos o termo Formação Profissional de Professores, não devemos pensar unicamente no professor como um técnico especialista em determinada área, visto que, em sua práxis diária, este se depara com situações que fogem de seu domínio, devido ao fato de o mesmo tratar com seres humanos, o que, por si só, vem a tornar-se um ato complexo. O educador envolve-se em questões que transpassam desde o lado psicológico, culturais, sociais de seus alunos. Jeandot (1993), ao falar sobre o profissional educador, aponte que:
Além da competência técnica, o professor dever ser criativo. A necessidade de criar é comum a todas as crianças, que, ao interagirem com o mundo, constroem seu conhecimento. O educador não deve perder a oportunidade de aproveitar essa disposição. (JEANDOT, 1993, p. 133)
No tocante ao tema do presente estudo, deve-se ter o conhecimento de que nada melhor do que a música para atuar sob a mediação e, com isso, pode-se analisar que: “A música é uma linguagem que traduz essas formas sonoras capazes de expressar e comunicar sensações, sentimentos, pensamentos por meio da organização e relacionamentos expressivos entre som e silêncio”. (BRASIL, 1998, p. 45)
Percebe-se o quanto de fato é necessário exercitar na criança questões de relação às expressões comunicativas e, sobretudo, torná-las capazes de compreender a importância das sonoridades. Sendo assim, é válido destacar que:
[…] professores, compreendamos que somos capazes de fazer da música, arriscando-se a descobri-la, a investigá-la, a viver a experiência sonora. Afinal, a música é uma linguagem e, como tal, um meio de comunicação. O fundamental é que se tenha a paixão de aprender e ensinar música. (CUNHA, 2012, p.204)
A prática de um profissional de sala de aula tem como essência a aprendizagem, logo, ensinar mediante o recurso música faz do seu trabalho ainda mais qualitativo e, sobretudo, aplicado em grandes descobertas, curiosidades e, sobretudo, o prazer que tanto se gera a cada criança como ao próprio professor. Em concordância, Freire (1998, p. 09), aponta que: “Ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo”. (FREIRE, 1998, p. 09)
Mas, como educar sem ter o conhecimento necessário para tal, ou seja, como educar sem ser um especialista em música? Neste prisma, acredita-se ser de suma importância um preparo dentro da formação docente, assim como no contexto de uma formação continuada, isto no tocante à utilização de conteúdos musicais, visto que um trabalho que lide com a variedade musical, possibilitará descobertas estéticas, técnicas, perceptivas e culturais, fatores indispensáveis a serem utilizados na prática docente, visando à expansão de conhecimentos por parte dos alunos.
É verídico que qualquer professor licenciado pode vir a ministrar o ensino de música, mas o número de educadores verdadeiramente capacitados para este fim torna-se ínfimo, como comprovado por um estudo feito em Porto Alegre – RS, onde ficou comprovado que:
[…] 86,2% do total de professores que atuam com música nas escolas possuem formação em nível superior, mas somente 60,34% deles possuem formação específica para atuar na área de artes (todos licenciados em educação artística) e apenas 13,79% dos docentes informaram serem licenciados em educação artística com habilitação em música. (DEL-BEN, 2006, p. 115).
Através da Lei nº 11.769, sancionada no dia 18 de agosto de 2008, ficou estabelecida a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas de educação básica. Exalta-se tal Lei visto o valor dispensado a este conteúdo, vir de encontro ao anseio de muitos educadores que já a utilizavam ou a outros que passaram a utiliza – lá, assim como começa a ser dada a importância devida a esta arte como fonte auxiliadora dentro do processo de ensino e aprendizagem.
Igualmente, ressalta-se que o preparo dentro de uma formação de professores se faz de suma importância, não devendo ser este preparo somente efetuado em breves encontros, onde somente cita-se a obrigatoriedade de tal disciplina. Faz-se necessário que, os discentes dos cursos de formação de professores, obtenham o maior número possível de possibilidades e técnicas de utilização do ensino de música, que dentro dos currículos dos cursos de formação esteja contemplado não a obrigatoriedade, mas a importância da utilização desta ferramenta, que seja demonstrado em exercícios práticos às vantagens da utilização deste recurso didático dentro do processo de ensino e aprendizagem, assim como demonstrado o valor que este ensino tem dentro da conquista de criticidade e na busca de novos conhecimentos por parte dos alunos.
Para Nóvoa (2003, p.23) “O aprender contínuo é essencial e se concentra em dois pilares: a própria pessoa, como agente, e a escola como lugar de crescimento profissional permanente”. Para este estudioso a formação continuada se dá de maneira coletiva e depende de experiência, reflexões como instrumentos de análise. Portanto para esse autor a formação constante e continuada acontece de maneira coletiva. Por certo, o professor constrói sua formação, fortalece seu aprendizado, muda atitudes, troca experiências.
Conforme pode ser constatado nas mais variadas mídias, a música atualiza-se a todo o momento, e são estes ritmos ou estilos de músicas e sons que os alunos trazem como conhecimento de mundo para o interior da escola, devendo o professor saber como utilizar este conhecimento em prol de uma educação de qualidade, em prol do processo de ensino e aprendizagem. Assim como a música e os alunos se atualizam, igualmente o professor deve fazê-lo, construindo um aprendizado constante. Para Nóvoa (2003 p.23) “O aprender contínuo é essencial e se concentra em dois pilares: a própria pessoa, como agente, e a escola como lugar de crescimento profissional permanente”. Através de uma formação contínua, por certo, o professor construirá sua formação, fortalecendo seu aprendizado, mudando atitudes, trocando experiências, modificando seu jeito de ser ou sua própria práxis pedagógica.
A formação continuada do professor deve ser um compromisso dos sistemas de ensino comprometidos com a qualidade do ensino que, nessa perspectiva, devem assegurar que sejam aptos a elaborar e a implantar novas propostas e práticas de ensino para responder às características de seus alunos, incluindo aquelas evidenciadas pelos alunos com necessidades educacionais especiais. (PRIETO, 2006, p. 57).
Em complemento aos dizeres do acima citado autor, aponta-se BRASIL (2005, p. 5), quando esclarece que “[…] a formação do educador deve ser permanente e não apenas pontual; formação continuada não é correção de um curso por ventura precário, mas necessária reflexão permanente do professor”.
Como pode ser observado, no tocante ao ensino de música, não se afirmou em nenhum momento dentro desta pesquisa, que o professor tenha que ser necessariamente um especialista no ensino de música, mas aponta-se a necessidade de que esta temática seja tratada dentro dos currículos dos cursos de formação de professores, tanto inicial como em formação continuada.
4.1 A IMPORTÂNCIA DE UM PROFESSOR MEDIADOR
Esta pesquisa busca relatar a importância do ensino de música na educação infantil, porém para que haja uma valorização das produções infantis se torna necessário que o professor mediador tenha um olhar diferenciado para os desenhos, pinturas, colagens, modelagens e outras formas de expressões, auxiliando e refletindo as imagens de forma construtiva, cabendo assim ao professor estingar seus alunos a terem um diálogo interno buscando enriquecer o conhecimento de seus alunos pois a criança é um ser que está sendo moldado e sua aprendizagem será tida como base a vida toda.
Como mediador do conhecimento, o professor é essencial para incentivar o aluno pelo caminho da arte ou por outra área do conhecimento, oferecendo os melhores suportes, de forma que venha a somar no seu crescimento e na sua formação” (SILVA, SCARABELLI E OLIVEIRA, 2010, p.102).
Segundo Vygotsky:
[…] na instituição chamada escola ensinar e aprender é fruto de um trabalho coletivo. Aprendizes e mestre celebram o conhecimento a cada dia, quando ensinam e quando aprendem, cabe ao professor mediador organizar estratégia que permitam a manifestação das concepções prévias dos alunos (VYGOTSKY, 1984, p.18).
Para que o professor tenha essa visão de mediador em sua formação de docente se faz necessário ampliar os conhecimentos artísticos desse professor liberando o seu lado infantil e ao mesmo tempo estabelecendo um olhar mais crítico e reflexivo sobre os desenhos e expressões de seus alunos visto que será através desses que o aluno expressa a imaginação e criatividade, mas também se revelam na realidade. O professor deverá ter em mente que estará ajudando a moldar as personalidades de seus alunos tanto no aspecto intelectual como no moral, físico e afetivo, formando o seu aluno para a vida, como relata Libâneo: “O processo de ensino deve estimular o desejo e o gosto pelo estudo, mostrando assim a importância do conhecimento para a vida e o trabalho” (LIBÂNEO, 1994 p.18).
Isto remete ao contexto de que o professor mediador deve ter uma educação de qualidade, implicando na forma que a gestão escolar é exercida, sendo mais coerente, deixando o espaço dos gabinetes, e buscando o profundo conhecimento do que realmente ocorre nas salas de aula participando ativamente (LIBÂNEO, 1994).
O professor deve ser um mediador entre a criança e o objeto de conhecimento nas aulas de música, despertando a curiosidade e o interesse da criança tornando assim um ambiente com experiências educativas prazerosas. Para isso ele deve proporcionar um ambiente de criatividade para a sua criança, com atividades lúdicas e materiais diversificados que ajudem seu aluno a construir habilidades de ver o trabalho e saber dizer se o mesmo está bom ou em que pode ser melhorado ou reconstruído: Quando o educador sabe intermediar os conhecimentos, ele é capaz de incentivar a construção e habilidades: do ver, do observar, do ouvir, do sentir, do imaginar e do fazer da criança” (Ferraz; Fusari, 1999, p. 84).
Vale ressaltar ainda, que o professor mediador deverá ter um novo olhar sobre as produções artísticas de seu aluno tais como os desenhos, pinturas, colagens e recortes, cerâmicas e qualquer outra expressão artística apropriando se desse universo de imagens, auxiliando o seu aluno na construção de uma reflexão que seja mais crítica e construtiva ao mesmo tempo. Conforme aponta Perenoud:
[…] ser mediador entre o aprendiz e o conhecimento é torná-lo sanável no sentido de ajudar na mobilização da aprendizagem cultural através da arte, é encontrar essas brechas de acesso, tangenciando assim os desejos, os interesses e as necessidades das crianças “antenadas” aos saberes, aos sentimentos e as informações que elas trazem consigo (PERRENOUD, 1993, p. 20).
De acordo com as pesquisas realizadas para a sustentação teórica deste estudo científico, ressalta-se que historicamente, a musicalização enquanto recurso mediador da aprendizagem em contexto educacional é muito importante para que as crianças tenham a oportunidade de vivenciar novas experiências e possibilite a construção do saber, mesmo o ensino de música ter sido visto em grande parte da história como hora de lazer e sendo ministradas apenas com cantigas de distração sem direcionamentos no qual o aluno faria o que tivesse vontade no passado essa atitude não mais se encaixa na sociedade atual onde à democratização do processo educacional propõe um ensino de qualidade, amparado por documentos como o próprio referencial curricular nacional.
Deste pressuposto, afirmar-se que o ensino de música na educação necessita de um professor mediador que seja capaz de aprender, apreciar e valorizar as produções das crianças, criando assim alunos críticos e capazes de desenvolver as suas habilidades em uma sociedade contemporânea.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Perante a pesquisa bibliográfica efetuada para o presente estudo, constatou-se que o curso de graduação em Pedagogia, não forma um especialista para o ensino de música, mas a área de formação vem abranger uma variedade de conteúdos de maneira teórica. Sendo assim, depois de formado o profissional quando adentra em uma sala de aula, não estará especializado para tal ensino.
Conforme apontado por estudiosos, somos todos seres inacabados, em uma permanente procura, inseridos em uma permanente construção de novos conhecimentos significativos, sendo que neste contexto aponta-se a necessidade de que o professor esteja inserido em uma permanente formação, em uma formação continuada, para que venha a adquirir as habilidades e competências necessárias, não como um especialista, mas como um mediador facilitador no processo de aprendizagem.
O processo de ensino e aprendizagem vem a transformar-se significante, quando é aplicado de maneira prazerosa, não sendo diferente com o ensino de música. Ao tratar-se desta modalidade de ensino, utilizando-se a ludicidade como ferramenta metodológica, o aluno sentirá prazer em aprender, sentirá vontade de estar em uma sala de aula e desta maneira o educador poderá trabalhar de maneira interdisciplinar.
Afirma-se que a escola ao longo dos anos mudou, não cabendo mais a utilização de um ensino tradicional, no qual o aluno é considerado apenas como uma conta bancária, apenas recebendo os ensinamentos transmitidos. Em nossa contemporaneidade, a dinâmica e interação entre os alunos e professores também fazem parte desse progresso. A pedagogia evoluiu como forma de eliminar o obsoleto e ultrapassado dando lugar ao compartilhamento de informações e conhecimentos, por meio da interação.
A Música faz parte da vida da criança, antes mesmo deste nascer, em sua fase intrauterina. É importante que o educador utilize este aprendizado de mundo, pois proporcionará uma maior gama de saberes e informações.
Compreende-se que a música ocupa seu espaço como sendo uma ferramenta muito importante na disseminação do conhecimento, porém sozinha não serve, é preciso que o professor adquira a capacidade, aproprie dentro de formações continuadas, das diversas linhas pedagógicas metodológicas, para que a criança possa se apropriar dos conteúdos apresentados, preparando-as para o futuro, e motivando interagir e aprender cada vez mais.
Compreende-se que a música tem como finalidade propiciar o desenvolvimento de habilidades relacionadas à linguagem oral e escrita por ser de fácil entendimento, proporcionando reflexões por meio das músicas com rimas, cantigas de roda, brincadeiras e jogos musicais. Essa diversidade de ritmos e gêneros amplia as potencialidades de aprendizagem por meio das repetições presentes e facilita o processo de alfabetização e letramento na educação infantil, ampliando o vocabulário da criança.
Igualmente compreende-se que a música se apresenta como elemento fundamental para o desenvolvimento da identidade da criança, pois se expressa de forma ampla na autonomia do indivíduo, trabalhando a imaginação, criatividade, capacidade de concentração, fixação de dados, experimentação de regras e papeis sociais, desenvolvendo a expressão, o equilíbrio, a autoestima, autoconhecimento e integração social.
Portanto, conclui-se que a musicalização é importante no processo de alfabetização e letramento infantil, a música contribui na aprendizagem e desenvolvimento da criança como um todo. Nesse sentido essa prática pedagógica é de fundamental importância para o desenvolvimento de outras habilidades que serão objeto de trabalhos futuros. Contudo ainda se encontra a necessidade de uma especialização dos profissionais da educação para que utilizem a música de forma concreta, conhecendo suas propriedades.
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* Valdir de Oliveira , Licenciado em Letras – Franco-Portuguesas pela Universidade Estadual de Londrina (2008), Pedagogia pelo Instituto Superior de Educação do Paraná (2011), Artes Visuais pela Faculdade Mozarteum de São Paulo e em Letras – Língua Portuguesa e Espanhola pelo instituto Superior de Educação Alvorada Plus (2013). Atualmente é Professor de Educação Infantil e do Ensino Fundamental I na Prefeitura Municipal de Londrina, atuando como Coordenador Pedagógico do CMEI Valéria Veronesi e Professor do Curso de Pedagogia do Instituto de Ensino Superior de Londrina. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Administração de Unidades Educativas, atuando principalmente nos seguintes temas: Contação de Histórias, Brinquedos Cantados, Formação de Professores, Literatura infantil Juvenil e Danças Circulares.
Público alvo: professores, psicólogos, fonoaudiólogos, T.O, psicomotricista, pais, professores de educação física, música, brincantes, interessados em geral no uso da música como Recurso Didático na Educação formal ou informal.
Este trabalho apresentará uma pesquisa sobre a importância da música na sala de aula, um breve histórico sobre a trajetória da música antes e após a vinda da mesma para o Brasil, mostrando seu desenvolvimento e desafios perante as leis criadas, as lutas dos educadores no decorrer dos anos comprovando as melhorias do desenvolvimento em cada fase do aprendizado infantil, e as mudanças no currículo escolar. Mostrará também a falta de profissionais na educação artística, na educação musical e musicalização. Esta pesquisa foi escrita mediante informações bibliográficas e pesquisa de campo realizada nas escolas do município de Uruará como entrevista relatando a importância da musicalização na vida pessoal e escolar da criança e os desafios enfrentados dentro de cada realidade.
Palavras chave: musicalização, desenvolvimento infantil e currículo.
INTRODUÇÃO
Todo trabalho relatado foi baseado em pesquisas bibliográficas e pesquisas de campos em forma de entrevista,que conta em seu primeiro capítulo a história da música na escola, sua chegada ao Brasil e de que forma vem se desenvolvendo até os dias de hoje. A partir daí, algumas questões foram esclarecidas em relação à musicalização, o seu papel na educação e no desenvolvimento de uma criança em vários sentidos e fases, observando que através de estudos e pesquisas pode-se perceber que é de nossa natureza aprender a distinguir sons desde a barriga da mãe, ou quando o bebê aprende diferenciar a voz dos familiares, observar os diferentes sons da natureza ou até mesmo fazer barulho com objetos.
Neste sentido, será apresentado nos próximos capítulos as dificuldades e desafios da obrigatoriedade da musicalização e educação musical no currículo escolar desenvolvido no Brasil durante anos tornando-se obrigatória como disciplina de Artes deixando alguns questionamentos para serem discutidos em outro momento. (CARVALHO 2005)
É relatado também nas considerações finais deste trabalho,a importância da musicalização no aprendizado escolar, suas fases na infância e toda a sua capacidade de extrair a melhor qualidade de aprendizado das crianças em todos os sentidos, e por consequência trazendo grandes benefícios para seu aprendizado pessoal, aprendendo os valores morais. (BRÉSCIA 2003).
Concluindo assim com as seguintes indagações : quais benefícios a música pode proporcionar no aprendizado diante o ensino-aprendizado e socialização? Que incentivos e valores podem trazer? Que ações a música exerce para na psique e na coordenação motora da criança?
RETROSPECTIVA DA EDUCAÇÃO MUSICAL NAS
ESCOLAS
A música vem do grego mousiké e designava a “arte das musas” fundindo-se em uma só a dança e a poesia. Desde a infância, os gregos aprendiam que a música era a formação do caráter, um meio de educar e civilizar, era uma forma de trabalhar o espírito purificando-o, buscando equilíbrio, preparando os alunos não apenas nos livros, mas na experiência de vida como cidadãos para participar e usufruir dos benefícios da sociedade. Uma pessoa educada por meio da música tendo o sentido de ritmo e harmonia tem facilidade e sensibilidade de sentir dentro de si a satisfação pelo belo e de rejeição pelo feio. Assim ela foi sendo reconhecida e surgiram as primeiras preocupações com a pedagogia da música tornando-a uma disciplina escolar.
Pouco a pouco a música foi sendo considerada como um incentivo a inteligência cultivando as artes liberais, o desenho, a escrita, a matemática e claro o canto em um grupo de coro ou tocando pelo menos um instrumento musical.
Segundo LOUREIRO, na Grécia se desenvolveu um elemento chamado: raciocínio matemático, onde as disciplinas por serem ensinadas com música tornaram-se mais atraentes e agradáveis. Segundo o matemático Pitágoras, o primeiro a organizar o som de uma escala musical por meio de frações matemáticas com a ajuda de um monocórdio, a música e a matemática eram uma só, e era considerada fonte de sabedoria.
Na época, o ensino de música funcionava de acordo com a idade das crianças. Dos 7 aos 14 anos,os conteúdos previam ginástica e principalmente música para a qual era destinada a maior parte do tempo, desenvolvendo conhecimentos de poesia, história, drama, oratória, ciência, princípios de som, grafia e as leis que regem a construção melódica e rítmica.
Pouco antes dos 20 anos até os 30 anos de idade iniciava-se o segundo nível,o do conhecimento musical.Era mais teórico e entendido como estudo do ethos musical. Com mais 5 anos de estudos se concluía o terceiro nível na educação musical levando o aluno ao estudo da dialética, que só estudavam aqueles que fossem mais capazes para uma educação mais apurada e os demais,sem essa aptidão, seriam militares.
Com a invasão do Império Romano em Grécia notou-se a formação dos soldados romanos, que eram educados para serem duros, rígidos, disciplinados e severos,e dos homens gregos de serem sensíveis e de se deixarem levar pela emoção, tudo isso foram sendo alterados. Os ideais e propósitos do povo romano restringiam-se à conquista do mundo e ao domínio dos povos conquistados. Assim, sob a influência grega, as artes e as letras começaram a despertar em Roma. Com o tempo a educação musical vai ganhando espaço entre os romanos, sendo estudada como um saber científico, valorizando seu aspecto teórico. (LOUREIRO, 2010).
Sob essa influenciada Igreja Católica inseriu o ensino da música como disciplina no domínio das ciências matemáticas fundando capelas, colégios, bibliotecas, entre outros, estimulando a formação de cantores, compositores e musicólogos, porque acreditava que a música fosse capaz de exercer forte influência sobre os homens. Dessa forma, as canções assumem o caráter de oração cantada, símbolo da fé cristã.
A escola Normal criada em 1835, foi fundida ao Liceu Provincial em 1847 que visa à preparação de professores para o ensino inicial e médio, com o currículo simples, mas enriquecido com a inclusão de novas disciplinas, entre elas a música. (LOUREIRO, 2010).
A música tinha um papel importante na organização escolar, e desde então, observava-se problemas em relação ao professor, a forma com que eles conduziam o ensino da música era muito pobre e por fim eram criticados. Segundo (Gazeta Musical1891, 1892, 1893, apud Fuks 1991a, p. 29) os professores mais antigos não sabiam música e os mais novos não davam importância.
Em 1841 a classe dominante fez com que fosse fundado o Conservatório Musical do Rio de Janeiro, a primeira do Brasil, hoje chamada Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro,fundada por Francisco Manoel da Silva.
O século XIX termina com mudanças tanto nos planos culturais, sociais, políticos e econômicos, culminando com a Proclamação da República, apontando o início de uma nova fase no ensino das artes até então influenciada pela Europa.
O Rio de Janeiro era a capital do país, um dos principais focos do ensino musical para o Brasil. A educação musical no século XIX, segundo Freire (1996, pp. 187-201), apresenta duas formas de ensino principais: a formal, praticado dentro do contexto escolar para o desempenho de funções específicas, como atuar na igreja e no teatro e a informal praticada fora do contexto escolar como salões e salas da sociedade carioca da época.
E novamente o ensino da música sofre mudanças no início do século XX e músicos e pedagogos Edgar Willems (1890-1978), Jacques Dalcroze (1865-1950), entre outros, elaboram propostas para o ensino de música, como uma alternativa para a escolarização de crianças vindas de classes sociais mais humildes. E esse movimento se intensifica graças as mudanças no plano político, social e econômico que culminam com a Revolução de 30. (LOUREIRO, 2010).
João Gomes Júnior introduz um novo modelo para o ensino de música, que é apresentada no livro O ensino da música pelo méthodo analytico, publicado em 1915 em parceria com Carlos A. Gomes Cardim. Destaca o canto coletivo, com várias vozes, com ou sem acompanhamento de instrumentos musicais e focando na formação da cidadania e na construção da nacionalidade. Surge então, Heitor Villa-Lobos o qual tem raízes na tradição folclórica, que praticava o canto orfeônico em todas as escolas do país. Sua proposta era veiculada por Gomes Júnior que criam em uma nova forma de ver a música na escola que se inicia na Primeira República e atinge seu ponto alto no Estado Novo.
A partir da Revolução de 30, o ensino da música cresce com grande importância nas escolas, sendo considerado um dos principais meios de exaltação da nacionalidade, determinando sua difusão por todo o país. Nesse mesmo período o ensino da música se intensificava cada vez mais com o auxilio de três músicos-educadores modernistas Heitor Villa-Lobos, Liddy Chiaffarelli Mignone e Antônio Sá Pereira, os mesmos introduziram dois métodos a serem desenvolvidas no ensino da música em instituições diferentes : o canto orfeônico e a iniciação musical, o ponto em comum é a exacerbação nacionalista, ambas apresentam um repertório musical nacionalista com ligação ao momento político do país, havendo a preocupação em atender às diferenças individuais dos alunos no processo de musicalização. (LOUREIRO, 2010).
Com a ajuda do governo Getúlio Vargas, Villa-Lobos dedicou-se as pesquisas sobre a educação cívico-musical, avaliando sempre os melhores métodos para serem aplicados às crianças brasileiras nas escolas primárias e normais nas massas urbanas. No entanto, Getúlio Vargas assinou um decreto nº 18.890, de 18 de abril de 1932, considerando o canto orfeônico obrigatório nas escolas públicas do Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, foi criado o Curso de Pedagogia de Música e Canto Orfeônico e o Orfeão dos Professores do Distrito Federal para facilitar o educador do magistério público a prática da teoria musical e a técnica dos processos orfeônicos que depois foram colocados em prática nas escolas sociais. Os alunos realizavam verdadeiros espetáculos corais apresentando e marcando todos os feriados nacionais.
Em 1936, Villa-Lobos participa de um congresso de educação musical e artística do Rio de Janeiro expondo numa conferência seu trabalho e diz num dos trechos de sua fala :
Nenhuma arte exerce sobre as massas uma influência tão grande quanto a música. Ela é capaz de tocar os espíritos menos desenvolvidos, até mesmo os animais. Ao mesmo tempo, nenhuma arte leva às massas mais substâncias. Tantas belas composições corais, profanas ou litúrgicas, têm somente esta origem – o povo. Loureiro (apud Schwartzman et al. 2000, p. 108).
O projeto de Villa-Lobos não foi o único. Outros projetos foram apresentados na época. Segundo Loureiro, a constituição de 1937, o governo, afim de favorecer a divulgação da música brasileira, adota uma série de medidas como a criação de Escolas de Música, Conservatórios, Universidades, dando importância à música e visando a formação dos professores para o ensino do canto orfeônico nos níveis primário e secundário, promovendo a gravação de discos do hinário nacional e de músicas patrióticas e populares.
Nesse projeto, havia a necessidade de formar novos professores com urgência deixando de lado a qualidade dos profissionais. Nesse contexto, a pedido da Sema (Superintendência de Educação Musical e artística), foram criados órgãos filiados para a implantação do projeto em todo o país. Mesmo assim, não havia professores suficientes para atender a demanda das escolas públicas. Contudo, a Sema criou cursos rápidos de pedagogia da música e de canto orfeônico, com duração de um mês.
De acordo com LOUREIRO (Funks 1994a, p. 173),
Estes professores, forjados em somente um mês de aulas, tinham que continuar a ser orientados durante toda a sua prática pedagógica. Estabeleceu-se, então, entre os professores de música e o Sema uma relação-pedagógico-realimentadora e fiscalizadora. Objetivava-se fazer com que toda a escola pública participasse cantando das gigantescas concentrações orfeônicas que ocorriam na época. O Sema, por intermédio desta ação centralizadora que priorizava a disciplina e o civismo, passaria a controlar o fazer musical da escola pública.
Apesar de tantos projetos sendo aplicados, a educação musical encontrou muitas dificuldades como a vinda dos professores ao Rio de Janeiro para os cursos, a saída de Villa-Lobos da direção do Sema, em 1944, e com a queda de Vargas, o fim do Estado Novo, em 1945, aos poucos essa prática foi sendo podada. Segundo Loureiro, na visão de Fuks (1991b, p. 124), o curso de música aos professores foi se tornando relapsa e consequentemente diminuindo a qualidade de ensino.
Mesmo com o desaparecimento do canto escolar, criou-se a Comissão Consultiva Musical, cujo objetivo era manter o bom nível pedagógico-musical dando sinais de modernização.
De acordo com LOUREIRO (apud Fuks 1991b, p. 124),
…pouco a pouco as escolas, principalmente as escolas públicas, foram calando o seu canto. Mas este silêncio musical também expressava o término do modernismo, de cuja efervescência viera o brilho que a educação musical dos ano 30 e parte dos 40 tivera.
Nos últimos anos da década de 40,com o fim da ditadura Vargas,vem o término do movimento modernista e junto a educação musical. Surge então um novo movimento das artes, o da criatividade e consequentemente uma nova forma de ensinar música, desenvolvida por Antônio Sá Pereira e Liddy Chiaffarelli Mignome, baseada no novo, na criação, no experimentar, que aos poucos foi tomando espaço.
Para o ensino de música, seria introduzida uma nova metodologia baseada num ensino intuitivo e ativo, com ênfase no aluno, encontradas nas ciências que explicam o comportamento e o processo de aprendizagem humanos. Assim, a música cede lugar aos sentimentos, buscando a liberdade.
Segundo LOUREIRO (apud Fuks 1991b, p. 135),
Pelas próprias características internas, passaria por um processo de metarmorfose que faria absorver este novo que (…) será fortemente marcado pela idéia da criatividade. Dentro desta atmosfera de mudanças, os educadores de iniciação musical voltar-se-iam para uma procura de formas de musicalização mais coerentes com as transformações por que estavam passando o Brasil e o mundo.
Pode-se afirmar que a educação musical no Brasil buscava uma ampliação no seu espaço. O movimento artístico representou até os anos 60 uma nova ideia estética, rompendo com o tradicional. Mas na década de 70, o ensino da música sofre novas consequências com o processo de redemocratização no inicio da queda do Estado Novo. Em 1971, o governo cria uma nova lei de ensino (lei nº 5.692/71), para uma nova organização à educação escolar. As aulas de música passam a integrar junto com as artes plásticas e o teatro, na disciplina educação artística. Desde então, até a década de 1990, a formação musical voltou a se dar quase que exclusivamente nas escolas especializadas – escolas livres de música, conservatórios,cursos técnicos e superiores, nas modalidades licenciatura e bacharelado – permanecendo apenas em algumas escolas públicas e privadas de educação infantil, nível fundamental e médio.
1.1 O desenvolvimento da educação musical das escolas no Brasil e
seus desafios
A Arte/Educação é epistemologia da arte. É a ciência do ensino de arte. Dessa forma a Arte/Educação tem se mostrado um campo amplo de conhecimento em que durante sua trajetória vem apresentando diferentes estudos, pesquisa científica na área da arte com diversos tipos de atuação, PEREIRA (2011).
Há muitos anos o ensino de música vem se ausentando do currículo escolar brasileiro o qual começa a perder identidade como disciplina. A educação musical é entendida como ciência ou área de conhecimento. Ao longo dos anos a prática de educação musical tem sido fundamentada com os seguintes valores: sociais, estéticos, multicultural, psicológico e tradicional. Há diferentes práticas e propostas espalhadas pelo país com a intenção de amenizar as necessidades pedagógicas musicais. São muitos os problemas enfrentados na área de educação musical dentre eles a de sistematização do ensino de música nas escolas e a falta de conhecimento do valor da educação musical como disciplina.
No que se refere à educação musical dentre a sociedade brasileira em pleno desenvolvimento sociocultural e desenvolvimento acelerado da tecnologia, surge à necessidade de fazê-la interagir com este mundo globalizado prevenindo o declínio de sua importância social.
A arte tem sua importância devida ser um instrumento de desenvolvimento da personalidade e da criatividade, o que é um meio de educação indispensável e deve ser considerado da mesma forma que outras áreas de conhecimento como matemática, história, etc.
Verifica-se que, a profissão artística trás muitos benefícios, para todos em qualquer idade ou contexto, da convivência com as artes e a psicologia da música. Daí surge à necessidade de definir os níveis de idade do ensino musical, uma vez que a responsabilidade mais específica reside nos Educadores Musicais. Na década de 70 surgem os primeiros cursos superiores de Educação Artística no Brasil.A Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 5.692/71 instituiu a Educação Artística como atividade educativa e a necessidade de criação de cursos de graduação para formação do professor polivalente, em apenas dois anos e seja “capaz de lecionar música,teatro, artes visuais, desenho, dança e desenho geométrico, tudo ao mesmo tempo, sem nenhuma garantia de conhecimento profundo em algumas das matérias da primeira a oitava série e, em alguns casos, até o segundo grau”, COSTA (2011).
Quando se discute “Educação Musical”, é importante lembrar as Licenciaturas, previstos pela Lei nº 9394/96, nos remete às Universidades brasileiras e aos Cursos atualmente oferecidos. O que se vem buscando, em encontros(Encontros regionais e nacionais da ABEM – Associação Brasileira de Educação Musical.) é o resgate da especificidade e a qualidade da formação musical. Como exemplo, o Curso de Licenciatura em Educação Musical, esse curso, como tantos outros no Brasil, visa a formação do professor de música para o ensino fundamental e médio, capacitando também Professores- Regentes de bandas e corais, que atuam em escolas, em empresas e igrejas, bem como Professores de instrumentos musicais e canto que trabalham em escolas específicas de música (públicas e privadas).
Como já foi citado no primeiro capítulo o ensino da música já existia no Brasil desde a vinda dos Jesuítas por volta de 1549, mas só na década de 30 do século passado que foram criadas as primeiras escolas especializadas em arte para crianças e adolescentes. Logo, na década de 40 o estado político ditatorial implantou a pedagogização da arte na escola e logo dá início a utilização instrumental da arte na escola para treinar a visão e liberar as emoções fazendo com as expressões das crianças se manifestassem espontaneamente. Mas em 1964, com início da ditadura militar, os professores foram perseguidos e as escolas foram fechando as portas, BARBOSA (2003).
A música é uma prática social, pois nela estão inseridos os valores e significados atribuídos aos indivíduos e à sociedade que dela se ocupam (LOUREIRO)
Segundo Loureiro (apud FONTERRADA 1994, p. 41),
O aprendizado da música envolve a constituição do sujeito musical, a partir da constituição da linguagem da música. O uso dessa linguagem irá transformar esse sujeito, tanto no que se refere a seus modos de perceber, suas formas de ação e pensamento, quanto em seus aspectos subjetivos. Em consequência, transformará também o mundo deste sujeito, que adquira novos sentidos e significados, modificando também a própria linguagem musical.
Loureiro destaca (apud Koellreutter, 1990, p. 6) que a educação musical nos atrai para uma revisão de valores, ideias, metodologias e práticas de ensino musical no momento da contemporaneidade.
Somente o ensino da música como arte ambiental e socialmente funcional […] contribuirá para a conscientização do homem brasileiro e para o desenvolvimento da população. […] A arte, e a música em particular, deverão ser o meio de prevenção e fortalecimento da comunicação pessoa a pessoa. […] E a educação musical deve transformar-se num instrumento de progresso, de surgimento da personalidade e do estímulo à criatividade.
Os problemas existentes até hoje são muitos e precisam ser enfrentados pelas universidades, como por exemplo, a realidade das salas de aula sem acústica e das cadeiras das orquestras em relação a questões acadêmicas, a remuneração digna de professores de música, o espaço específico para aulas de Música nas escolas das redes pública e privada. Dessa forma, discute-se uma nova legislação de benefícios coletivamente para oferecer um curso de música de qualidade aos estudantes procurando levar música para todos, SILVA CY (2008).
2.MUSICALIZAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA
2.1O que é musicalização?
Antes de iniciar sobre o conceito de musicalização abordemos um pouco sobre música. Segundo os significados na Wikipédia, enciclopédia livre, para a definição de música, ela está ligada a arte de combinar os sons de maneira agradável aos ouvidos, composta por três elementos que são melodia: sequência de notas musicais ou aquilo que pode ser cantado, harmonia: é a base da melodia, quando duas ou mais notas são reproduzidas ao mesmo tempo, e o ritmo: que dita o tempo da pulsação e marcação regular e a duração de cada som. A música é tão antiga quanto a linguagem e as artes visuais, é uma manifestação folclórica comum em todas as culturas, de acordo com BRÉSCIA (2003) é a linguagem universal de toda a humanidade, vivenciadas desde antes do nascimento do bebê.
De acordo com a Wikipédia, musicalização é o processo de construção do conhecimento musical, despertando e desenvolvendo o gosto pela música transformando o conhecimento e contribuindo para a formação do ser humano. Para BRÉSCIA (2003), a música favorece o desenvolvimento da sensibilidade, criatividade, senso rítmico, da imaginação, concentração, respeito ao próximo, socialização e afetividade, contribuindo também para a consciência corporal e de movimento.
Entende-se que a musicalização é em si como um estimulante constante de curiosidade em conhecer o mundo dos sons, despertando a criatividade, desenvolvendo a sensibilidade, o senso musical, a expressão, ritmo e a compreensão sonora, percebendo assim, que as crianças usam a música espontaneamente em seu dia a dia brincando, mas com o tempo vai se perdendo este habito, é aí então que entra a musicalização para potencializar a musicalidade ou dar continuidade para um desenvolvimento mais preciso, trabalhando de maneira lúdica.
A música está ligada a vários tipos de arte, como, a pintura, teatro ou dança, entende-se assim que ela deve estar presente em todas as áreas de conhecimento desde a educação infantil, sendo adaptada ao tempo e a realidade de cada um como uma aula de ciências ou uma brincadeira fazendo parte da rotina escolar. Nas séries iniciais é comum as canções de roda, as palmas ritmadas, as pausas, soltar o corpo, movimento ou soltar a voz já faz parte do dia a dia das crianças permitindo o autoconhecimento e desenvolvendo a noção de limite corporal.
Pensar em musicalizar está associado em despertar ou desenvolver o gosto musical desde o nascimento, contribuindo do mesmo modo para a formação física e emocional do indivíduo e principalmente o estimulo da memória como atividades de exploração sonora inicialmente no convívio familiar de objetos ou sons naturais estimulando a curiosidade, observando os tipos de sons e identificando-os, trabalhando a música em cada fase da criança. O educador musical ou musicalizador pode perceber e ajudar a desenvolver essas fases:
Nos primeiros meses de vida o bebê inicia o processo de musicalização através da imitação, por brincadeiras cantadas, observando as pessoas ao seu redor, ouvindo objetos sonoros, iniciando uma forma de comunicação, estimulando o exercício sensorial e motor. (ILARI, 2002).
De um a três anos de vida, a criança adquire um maior número de sons vocais e movimentos desenvolvendo a capacidade de ouvir nas músicas trabalhadas organizadamente cantando letras simples ou através de objetos sonoros. (SOARES, 2008 E MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO, 1998).
A criança de quatro a seis anos, já consegue desenvolver as atividades musicais com mais precisão e amplitude, reproduzem ritmos simples, são capazes de explorar e identificar elementos musicais expressando seus sentimentos. (PARIZZI, 2006).
2.2O papel da música na educação
Após toda a trajetória da história e a importância da música para o desenvolvimento da criança, pesquisas realizadas por grandes nomes apresentam cientificamente que a música estimula o cérebro e facilitando o aprendizado.
Rosa (1990) acredita que em meio à educação escolar a música pode trazer para a criança um aprendizado mais favorável,com uma função importante no desenvolvimento psicológico e cultural, proporcionando aos alunos um ambiente alegre, afinal, ao chegar à escola se canta uma canção, na hora do lanche, numa historinha ou no fim da aula, tudo se envolve música. Por exemplo, cantar uma canção depois da educação física, ou antes, de uma prova pode acalma-los reduzindo a tensão da agitação, isso pode ser atrativo para os alunos. Percebe-se que é bastante utilizado ensinar as letras do alfabeto cantando canções e trabalhar uma disciplina cantando com ritmos do momento pode ser tão mais interessante e se obter mais resultados positivos numa prova, por exemplo, ajudando a lembrar de algumas informações do que utilizar somente o quadro e o giz.
O período preparatório à alfabetização beneficia-se do ensino da linguagem musical quando as atividades propostas contribuem para o desenvolvimento da coordenação visomotora, da imitação de sons e gestos, da atenção e percepção, da memorização, do raciocínio, da inteligência, da linguagem e da expressão corporal. Essas funções psiconeurológicas envolvem aspectos psicológicos e cognitivos, que constituem as diversas maneiras de adquirir conhecimentos, ou seja, são as operações mentais que usamos para aprender, para raciocinar. A simples atividade de cantar uma música proporciona à criança o treinamento de uma série de aptidões importantes (ROSA, 1990, p. 21).
Bréscia, (2003) afirma que “[…] a música pode melhorar o desempenho e a concentração, além de ter um impacto positivo na aprendizagem de matemática, leitura e outras habilidades linguísticas nas crianças”. Dessa forma, a música desenvolve a sensibilidade, concentração, memória, coordenação motora, socialização, dentre outros fatores. De acordo com Barreto (2000, p.45), a música pode contribuir também para crianças em situações difíceis na escola, como, a inibição psicomotora, debilidade psicomotora, entre outros fatores, por isso é importante a escola se tornar um ambiente favorável ao desenvolvimento.
A música na educação escolar,pode contribuir em partes do cérebro nos fatores como sentir, ouvir, imitar, criar, perceber e refletir, sendo muito importante na formação do ser,desenvolvendo a concentração, o aprendizado da matemática, a leitura, entre outros fatores, podendo mexer com nossos sentidos e interferindo nas atitudes e pensamentos. Vasconcellos (2013) por meio de estudos mostra que, o ensino musical ou atividades não-musicais comprovam o desenvolvimento intelectual através da audição, ativando um espaço no cérebro para guardar informações através do código sonoro.
Na visão de Penna (2012)a música pode ser trabalhada também como uma forma lúdica, esse fator torna-se favorável a qualidade de comunicação entre professor e aluno oferecendo aos alunos habilidades como: ler, escrever, falar e ouvir, sendo facilitadora do processo de ensino-aprendizagem associada à música.
Bréscia (2003) relata que a musicalização na escola é um processo de construção de conhecimento podendo oportunizar aos alunos o contato direto com a música como disciplina mesmo nas séries iniciais, trabalhando com instrumentos musicais na prática e não só nas canções ouvidas, para que possam ter conhecimento dos estilos musicais e suas origens e culturas, permitindo uma análise mais crítica sobre o tema, além de contribuir como citado antes a sensibilidade, expressão, movimento, coordenação motora, memória, criatividade, consciência corporal, movimento, entre outros.
O trabalho de musicalização nas séries iniciais, segundo Gomes (1996), além dos benefícios do aprendizado em si e desenvolvimento físico como a coordenação motora por exemplo, contribui também em fatores psíquicos como a comunicação e expressão de sentimentos e o equilíbrio emocional, refletindo em sua postura como ser em meio a sociedade.
2.3 A música como meio de integração do ser
A música sempre uniu famílias e manteve tradições, e pode-se observar que em meio a música em grupos familiares sempre esteve a alegria, participação, colaboração de todos podendo promover a sociabilidade, a expressividade entre outros. É um elemento fundamental para a formação humana. Brito (2003).
Conforme alguns estudos, percebe-se que a música tem afinidade com a saúde em termos psicológicos, nas empresas, hospitais ou escolas. Nos hospitais, por exemplo, a música tem ajudado no processo de cirurgias amenizando a ansiedade, diminuindo o estado emocional do paciente. Na Faculdade de Medicina do Centro de Ciências Médicas e Biológicas da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo revela em pesquisa que a musicoterapia pode contribuir positivamente para a recuperação de pacientes com câncer e outras deficiências.
Em grupos como a de empresas, segundo a revista Uningá Review, 2017, a música pode trabalhar o social permitindo a interação e a colaboração de todos para um grupo de canto coral, por exemplo, trabalhando a melhora da respiração, ansiedade, concentração, trazendo benefícios nos resultados do ambiente, buscando aumentar a produtividade dos colaboradores. Na escola pode-se trabalhar com a música o lado social fazendo grupos de canto coral para apresentações em festas comemorativas, podendo promover também a concentração para realizar as provas, concentração no aprendizado do dia a dia escolar, a memória, a criatividade, acalmando e diminuindo a ansiedade dos alunos. E na musicalização, o canto é um excelente aliado para a aprendizagem, ajudando a equilibrar as energias, desenvolvendo a autodisciplina, socialização, promovendo vínculos.
2.4 A música e o desenvolvimento cognitivo da criança
Há anos pesquisadores vêm estudando e apontando que a música desenvolve a parte intelectual da criança e tem uma grande influência no desenvolvimento da mesma,sendo um músico autentico ou simplesmente um ouvinte apreciador da música. Nogueira (apud SHARON, 2000), comparou crianças que não estudam música e outras que estudam, estas apresentaram uma grande quantidade de massa cerebral que são responsáveis pela audição, visão e psicomotor. Assim, a criança que estuda música ou toca algum instrumento apresenta muito mais coordenação motora do que pessoas comuns, porque está trabalhando várias partes do cérebro de uma vez só como: o visual lendo a partitura, o tato executando o instrumento e audição observando se está certo ou errado.
Outra pesquisa foi realizada com crianças em desenvolvimento escolar que passaram a ouvir música clássica em nível lento, trazendo para elas uma grande diferença de aprendizado, a criança passa do nível de agitação para relaxados e mais atentos, facilitando a concentração. Nogueira(apoud OSTRANDER e SCHOEDER, 1978). Vários outros estudos foram feitos e comprovado que a música ajuda sim no desenvolvimento cognitivo da criança em fase de aprendizagem, principalmente no raciocínio lógico ou memória.
2.5 A música e o desenvolvimento afetivo da criança
Há anos a música vem se mostrando aliada ao ser humano trabalhando com as emoções. Nogueira (apoud Sandra Trehub (apoud CAVALCANTE, 2004)aponta o fato demonstrado em pesquisas que as melodias mais serenas acalmam os bebês e conforme a aceleração da música elas vão ficando mais alertas. Isso já se percebia desde muito tempo quando se cantava músicas de ninar para as crianças demonstrando afeto. Percebe-se que é na Educação Infantil a fase mais importante de se trabalhar a linguagem musical, que ao tornassem adultas percebem o quanto a fizeram bem e emocionaram-se ao lembrar.
Estudos também mostram que certos estilos de músicas causam efeito no cérebro que trazem profundas emoções alertando a mesma região que causa a euforia. Na área da saúde, desde a 2ª Guerra Mundial e em hospitais foram realizadas as primeiras experiências e foi observado que a música traz o controle da ansiedade e a recuperação dos pacientes. Daí surge o reconhecimento acadêmico consolidado na área da musicoterapia observando-se assim, que a música vem trazendo efeitos positivos e grande ajuda para humanidade, Souza (2006).
2.6 A música e o desenvolvimento social da criança
Quem não se lembra das canções de roda como “Ciranda cirandinha ou Teresinha de Jesus” trazidas por gerações e gerações em que as crianças davam as mãos para tantas outras e cantarolavam por horas? Canções que falam de amor, trabalho, tristeza preparando-as para a vida adulta. É por meio da música que a criança também se desenvolve socialmente, cantando em brincadeiras de roda aprendendo as regras e a conviver com os demais, Abramovich (1985).
Já na adolescência há músicas temáticas muito educativas para seu aprendizado. As canções que falam sobre a realidade das grandes periferias, a miséria, as drogas, que abrem oportunidade de estabelecer um diálogo em relação ao assunto, enfim, há um mundo lá fora que os jovens precisam conhecer e interpretando as músicas ela consegue entender de certa forma, o mundo e as causas que nele existe, Nogueira (2004).
É importante ressaltar que o bebê ainda sendo gerado reage aos estímulos sonoros externos, por essa razão é bom que a mãe ouça músicas calmas, cante canções de ninar, ou até mesmo pratique um instrumento musical. Após o nascimento, é bom continuar com as canções infantis e educativas nos momentos diários para tornar momentos prazerosos e estimulantes para o bebê, assim ela terá uma vivência de sensibilização musical, se envolverá melhor em meio a sociedade, e inúmeros pontos positivos benéficos para a criança crescer saudável e feliz, Nogueira (2004).
2.7 Breves conceitos e métodos de como ensinar música ou musicalizar
Na área musical a palavra método geralmente se refere a um material bem tradicional que traz diversos exercícios sequenciais e seguida de repertórios de um determinando instrumento, em que todos são muito parecidos, com a finalidade de um domínio técnico de um fazer musical.
Segundo Mateiro e Ilari (2012), na definição da palavra método significa, organizar de acordo com um plano. Na música é representado por um conjunto de ideias, exemplos e sequencias pedagógicas com características distintas. Alguns pesquisadores e autores elaboraram ao longo de anos de estudos um material didático inovador, buscando o aperfeiçoamento das aulas e entendimento dos alunos, propondo um novo desenvolvimento da prática da educação musical, ampliando a ideia de que a música deve ser ensinada à todos fugindo dos modelos tradicionais. Vem surgindo, então uma reorganização de conteúdos que envolve a questão metodológica de como ensinar. Segue alguns deles:
– Émile Jaques Dalcroze: teve ideias inovadoras surgiram na primeira metade do século XX, relacionando a educação musical ao movimento corporal, que visa a musicalização do corpo estudando os elementos musicais, propondo em suas metodologias o estímulo do desenvolvimento da pessoa física, intelectual e social. E também no aspecto musical o ritmo, solfejo e improviso.
– Edgard Willems: este contribui para a educação musical no início do século XX, a base essencial para a educação musical para ele era escuta, uma proposta feita para crianças a partir dos três anos de idade estabelecendo relações entre som e natureza humana, chamando de princípios psicológicos.
– Zoltán Kodály: pedagogo musical durante o século XX, sua proposta na educação musical era expandir para todos, metodologia voltada para audição e solfejo dando importância as experiências musicais anteriores do aluno, visando a cultura de cada um. Em seu conceito, a música deveria ser ensinada e praticada na escola tornando parte da vida do cidadão assim como a alfabetização. Para ele a alfabetização musical é a junção da linguagem da música tradicional e o pensar, ouvir, expressar ler ou escrever. Kolály defendia uma educação musical que tornasse parte da vida do ser humano, e não como um meio de ganhar a vida atuando como profissionais.
– Carl Orff: sua metodologia também surgiu por volta do século XX, era marcada pelo movimento, da mesma forma para o campo do teatro, voltada à combinação de música e dança, trabalhando com o ritmo da fala, instrumental e criação em grupo.
– Shinichi Suzuki: o método Suzuki, criado na década de 30, baseia-se, partindo do seu talento inato, no aprender a língua e um instrumento musical, que não é de uma forma de genética, e sim despertado na criança desde bebê na forma de imitação, a memória e estimulando a execução por consequência de um estudo sistemático e consecutivo. Ele defende a ideia de que toda criança pode aprender música desde que o ambiente o qual ela vive sirva de estímulos contínuos.
A OBRIGATORIEDADE DA MÚSICA NO CURRÍCULO
ESCOLAR
Desde a vinda dos Jesuítas em 1549, foram criadas escolas e catequeses, a cartilha musical em 1759 chamada Artinha, várias culturas se misturaram. Mas o que se entende sobre currículo? O que ensinar? Como ensinar? Para que ensinar? E quando ensinar?
A partir dessas questões surgem vários posicionamentos em relação ao currículo. O currículo vem se transformando de acordo com cada época, no século XIX, por exemplo, o currículo era tido como um instrumento de controle social num processo de racionalização de resultados educacionais, onde as finalidades da educação eram dadas pela vida ocupacional adulta. (MOREIRA; SILVA, 2001; SILVA 2007)
A busca pela definição de currículo vem sendo conceituada por muitos estudiosos com diferentes concepções apresentadas pela literatura e esta palavra vem assumindo desde sua emergência como principal objeto de estudo da Sociologia da Educação até o sentido que lhe é dado hoje. ( MOREIRA ; SILVIA, 2001 ; SILVIA, 2007)
Segundo o modelo de Pedra (1992, p.03) ao analisar a literatura atual o currículo é classificado da seguinte forma : a) como resultados esperados : Currículo é uma série de estrutura de resultados buscados na aprendizagem ; b) como conjunto de experiências sob o comando da escola : Currículo são todas as experiências que os estudantes desenvolvem sob a tutela da escola ; c) como princípios essenciais de uma proposta educativa : O currículo é um intento de comunicar os princípios essenciais de uma proposta educativa de tal forma que fique aberta ao exame crítico e possa ser traduzida efetivamente para a prática.
Considerando o significado da palavra currículo, movimento progressivo, percebe-se que até hoje não houve alteração profunda, havendo sim variações no vocábulo. É difícil esquematizar de forma coerente as funções e formas adotadas pelo currículo considerando as diferentes visões de cada sistema educativo. Moreira (2001) afirma que mesmo com a crescente valorização deste campo ainda não há um consenso do que se deve entender pela palavra currículo.
O desenvolvimento do currículo no Brasil pode ser compreendido por diferentes pesquisas e a ampliação e diversificação deste campo de estudos no Brasil é crescente e regular, contudo, os especialistas consideram que o campo do currículo no Brasil desfruta hoje de visibilidade e prestígio crescentes. Segundo eles, isso se deve tanto as recentes discussões sobre políticas oficiais de currículo, quanto ao desenvolvimento de pesquisas e de uma relevante produção teórica que atualmente aborda novos temas e reflete novas influências, tais como orientação sexual e pluralidade cultural. (MOREIRA, 2001;)
Em várias civilizações foi acrescentado artes no currículo escolar. Nessas civilizações, a música sempre foi um componente curricular importante, acompanhada pela literatura que historicamente vem se afirmando desde produção de pintura, teatro ou músicas na rotina escolar. Na Grécia antiga a música era um componente curricular tão importante como a leitura e a literatura. Na Idade Média também se verifica tamanha importância atribuída a música, SIMÕES (2016).
O Ensino da Arte no Brasil mostra que em vários momentos, a Arte era dada a uma camada dominante para deixar evidente as diferenças de classe ou para atender as necessidades da indústria e da ciência. Assim, entende-se como os espaços de tempo são organizados na escola com interesses diferentes, que marcam a história da Arte no espaço escolar e a própria história da escola. (CARVALHO, 2005)
Segundo Carvalho (2005) no Brasil, os currículos escritos não eram de fato colocados em prática na escola. Como por exemplo a autora cita o currículo do período Imperial, onde as aulas de desenho e música eram obrigatórias na primeira fase escolar, mas essa obrigatoriedade só fica registrado no papel, porque esses ensinamentos não eram realizados. A partir desses fatos, Carvalho (2005) questiona : O que acontece nas escolas de hoje é o que de fato está registrado nos documentos oficiais ?
Desde o descobrimento do Brasil, o ensino de Arte passou por vários momentos e tendências, sendo vinculada à situação política, social e ideológica de cada época. Mas, como vem se organizando a Arte no currículo escolar do Brasil após a promulgação da Lei nº 4.024/61 até a atual Lei nº 9.394/96?
Em 1960, segundo (FERRAZ ; FUSRI, 1993, p. 37) desenvolveu-se no Brasil uma nova tendência pedagógica tecnicista formada por : objetivos, conteúdos, estratégias, técnicas e avaliação, que visava um acréscimo de eficiência da escola, tanto em nível médio quanto em superior.
Com essas novas tendências foi sancionada em 20 de dezembro de 1961 a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), Lei nº 4.024/61, Lei esta que estabeleceu uma nova estrutura para os currículos do primário e ensino médio.
A Lei citada acima, apresenta em seu texto nos Art. 38, inciso IV, do capítulo I, Título VII, a Arte como mera atividade complementar, sem deixar claro quais seriam os aspectos abordados na iniciação artística, COSTA (2011).
Título VII – Da Educação de Grau Médio
Art. 38 – Na organização do ensino do grau médio serão observadas as seguintes normas:
IV – Atividades complementares de iniciação artística. (CORRÊA, 2007)
Nessa mesma época foi criada a Universidade de Brasília, ainda com uma política voltada para o desenvolvimento, se destacou por ter como maior característica um modelo de ensino humanista voltado para a arte e para a cultura, COSTA (2011).
Por conta da política, a ditadura iniciada em 1964, muitos professores foram perseguidos e as escolas experimentais foram fechando as portas. Em 1965 houve o primeiro encontro de Arte/Educação em uma universidade brasileira. E por volta de 1969 a arte foi inserida no currículo escolar, mas, somente nas escola particulares, enquanto que nas escolas públicas não se encontrava esse trabalho.
A partir da Lei nº 5692/71 criada em 11 de agosto de 1971, estabeleceu um novo conceito de ensino de Arte – tornando obrigatória o que se passou a ser chamado de Educação Artística no 1º e 2º graus. Essa Lei inclui a área de Comunicação e Expressão, Língua Portuguesa, Educação Física e a Língua Estrangeira Moderna, COSTA (2011).
No ano de 1973 o governo criou cursos de Educação Artística nas Universidades para capacitar o professor a desenvolver música, teatro, artes visuais, desenho e outros. Nos anos 80, com a redemocratização no Brasil, surgiram novas reflexões em relação ao ensino de Arte. Já em 1988, foi retirada a obrigatoriedade do ensino de Arte nas escolas, dessa forma, os educadores se reuniram para protestar alegando a importância da Arte para a formação dos alunos. A partir daí, iniciou-se uma uma longa luta política para o retorno da obrigatoriedade da Arte como disciplina no currículo escolar, COSTA (2011).
Anos depois, em 20 de dezembro de 1996, os educadores em Artes conseguiram conquistar a obrigatoriedade do ensino de Arte para a educação básica, por meio da Lei nº 9394/96.
Art. 35 – O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, para desenvolver a criatividade, a percepção e a sensibilidade estética, respeitadas as especificidades de cada linguagem artística, pela habilitação em cada uma das áreas sem prejuízo de integração das artes com as demais disciplinas. (COSTA, 2011, apoud SAVIANI, 2008, P. 32)
Ao longo dos anos, mesmo com a obrigatoriedade da Educação Artística, percebe-se que ainda hoje não existem profissionais especializados suficientes que possam dar conta de todas as áreas específicas apresentadas na Lei nº 9394/96 para suprir as necessidades : Artes Visuais, Dança, Música ou Teatro.Ainda existem profissionais despreparados e poucos com habilitação específica para o ensino.
Falando especificamente no ensino da música nas escolas, em 18 de agosto de 2008, a Lei nº 11.769/08 sendo alterada, foi sancionada, com o ensino da música obrigatório, tornando a formação do professor indispensável, LIMA (2012).
Segundo a LDB Artigo 62 “A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nos 5 (cinco) primeiros anos do ensino fundamental, a oferecida em nível médio na modalidade normal.”
A LDB é clara, mesmo assim, com a conquista da obrigatoriedade ainda se tem muitas dúvidas sobre sua aplicação. Há indagações sobre quem vai administrar as aulas de música ou qual é a formação exigida para o ensino da Música na Escola com tão poucos profissionais?
3.1 Os desafios da educação musical no município de Uruará
A música como disciplina inserida no currículo das escolas ainda hoje é um termo distante e desprovido de apoio e informações, para uns a música é inserida apenas como meio de divertimento, recreações ou festas. Assim, a música na maioria das vezes sempre fica em segundo plano, ou é executada por um professor de Educação Artística ou qualquer outro professor de outra disciplina.
Enquanto algumas escolas de cidades consideradas interiores desempenham a prática musical de maneira treinada, outras duas escolas de rede pública do município de Uruará no estado do Pará, em uma pesquisa realizada com doze professores pedagogos, mas que ministram artes,do ensino fundamental menor, nem um dos entrevistados tem se quer formação, curso de capacitação ou experiência na área musical e muitos desconhecem a importância da música na sala de aula. Cerca de 70%dos professores formados em pedagogia, sabem da obrigatoriedade do ensino musical na grade curricular no ensino básico, porém relatam a carência de estrutura e materiais para as aulas práticas, a falta de conhecimento e apoio com oficinas de educação musical, o que torna mais difícil conduzir e implantar o tema com os alunos de forma satisfatória.
Em uma análise geral, percebe-se que o ensino da música é escasso e ao mesmo tempo desafiador para os docentes do município de Uruará, a ausência de apoio pelos gestores e administradores os deixam acomodados e não dão a devida importância ao ensino musical.
Por outro lado, com a insegurança e despreparo dos docentes das escolas regulares, o município conta com o apoio de uma Escola de Música pública desde o ano de 1999 que tem por nome Escola Municipal de Música Diego Cotes de Moraes, atende cerca de quatrocentos alunos anualmente,e oferecem para as crianças e jovens cursos de musicalização com flauta doce, violão, teclado, percussão e banda, com recursos e instrumentos da própria escola de música. E conta com um corpo docente de pedagogos capacitados na área musical tanto como regente de banda, músicos, monitores e musicalizadores,além das aulas teóricas. Mesmo com a pequena estrutura física, não suportando tamanha demanda de alunos de todo o município, a escola de música é parceira direta no ensino da escola regular.
3.2A importância da musicalização no processo ensino aprendizagem
das séries iniciais e direcionados também a crianças portadoras de
necessidades especiais
Para auxiliar na construção de conhecimentos, trazer de volta a cultura num país movido pela arte da música, nos vemos diante de indagações para entendermos a importância e o significado da música na educação escolar. Para tanto, quais benefícios a música pode proporcionar no aprendizado diante o ensino-aprendizado e socialização? Que incentivos podem trazer? Que ações a música exerce para na psique e na coordenação motora da criança?
Todo ser humano gosta de apreciar um som, seja ele da natureza ou produzido por nós mesmos, qualquer tipo de som pode ser música para nossos ouvidos. Percebe-se que o som organizado pode exprimir algum sentimento de outras pessoas. A comunicação verbal é a primeira na escala comunicativa humana, é por meio da voz que os professores, locutores e outros comunicam ou ensinam, mas quando se tem a música como aliada ganha força. Porém é mais eficaz um pensamento transmitido pelo canto que pela escrita num papel, pois, a música é um som ordenado assim como é uma linguagem universal e facilita o entendimento. Por exemplo, as gerações de monges orientais, tribos de povos primitivos africanos, brasileiras, por séculos entoaram palavras que aprenderam cantando desde a infância.
A música é a linguagem que se traduz em formas sonoras capazes de expressar e comunicar sensações, sentimentos e pensamentos, por meio da organização e relacionamento expressivo entre o som e o silêncio. A música está presente em todas as culturas, nas mais diversas situações: festas e comemorações, rituais religiosos, manifestações cívicas, políticas etc, BRÈSCIA (2003).
A prática de associar qualquer disciplina à música sempre foi bastante utilizada e demonstrou muitas potencialidades como auxiliar no aprendizado. Barreto (2000) (apud Brèscia (2003)) destaca que “[…] a música pode melhorar o desempenho e a concentração, além de ter um impacto positivo na aprendizagem de matemática, leitura e outras habilidades linguísticas nas crianças”. Porém grande parte dos sistemas educacionais vem esquecendo sua aplicação na prática de ensino, mesmo assim ainda há por parte de poucos professores isolados e de maneira inadequada, mas apreciam e valorizam a música como ela merece.
Dessa forma, antes da aplicação de qualquer atividade, o professor tem que gostar de música, terá que ouvir todos os tipos de músicas e variados ritmos deixando de lado também os preconceitos, assim formará sua opinião a respeito e saberá separar o material adequado para si e para o aprendizado de seus alunos. A música deve ser usada para ensinar e não para atormentar e seu valor verdadeiro dentro de uma sala de aula, é preciso que os esforços dos alunos sejam estimulados, deve ser um elemento auxiliar na formação do indivíduo. É possível também despertar nos alunos a sensibilidade mais aguçada na observação de questões próprias à disciplina estudada, BARRETO (1992) (apud SNYDERS).
É preciso que o professor se dedique aos estudos da música, compreendê-la em sua amplitude, se for possível até praticá-la, isso ajudará seu domínio em sala de aula e terá mais discernimento para elaborar trabalhos mais bem adaptados à realidade de seus alunos. Por tanto, utilizar a música em sala de aula ou em seu cotidiano harmoniza a vida das pessoas e é por isso que sempre damos razão à antiga frase: “quem canta, seus males espanta”. Cantar é vibrar, e vibrar é viver.
Os seres humanos, a vida e tudo que cerca a todos, podiam ser considerados como música, pois simplesmente estamos inseridos numa “estrutura musical”, somos essencialmente musicais, ou seja, os batimentos cardíacos, o piscar de olhos, os sons, as vibrações, as ondas sonoras, tudo acontece num tempo e num espaço, o corpo vibra e a matéria toda vibra à sua volta. Fazemos parte de uma organização de vibrações chamada natureza.
Compreender a combinação de fonemas para chegar às palavras, ou átomos para chegar às moléculas, o mesmo vale para a música combinando sons que chegando a algum resultado pode ser agradável ou não aos ouvintes. A música além da arte de combinar os sons ela também é uma forma de interagir com o outro, do mesmo modo as células quando combinadas adequadamente seu resultado é um tecido ou organismo.De acordo com Barreto (apud Gainza 1988), os aspectos musicais correspondem a algum aspecto humano, mobilizando-o com exclusividade, como exemplo: o ritmo corresponde o movimento do corpo, a melodia estimula a afetividade, a harmonia corresponde a ordem musical e mental do homem.
A combinação sonora é utilizada constantemente como suporte para a memorização e para o aprendizado de qualquer coisa em nossa vida. Por ser uma arte antiga e particular, a música passou a ser estudada pelos cientistas durante a evolução da humanidade, e tais aspectos demonstraram em que medida ela era uma disciplina que envolvia referenciais de outra disciplina. Assim, diversos estudiosos provaram por meio da música aquilo que afirmavam dentro da área em que atuavam. Percebe-se que a música tem uma relação íntima com disciplinas como, arte, língua, história, matemática, física, biologia, psicologia, sociologia, religião etc., e é óbvio que se trabalhadas junto com a música levarão certa vantagem e melhor desenvolvimento dos trabalhos.
Para Guilherme (2006);
“A música é um dos estímulos mais potentes para ativar os circuitos do cérebro na infância. Os estudos atuais apontam que a janela de oportunidade musical, ou a inteligência musical, abre-se aos 3 anos e começa a se fechar aos 10 anos”(p. 158).
Assim sendo, essa faixa etária torna-se o momento ideal para que ocorram os primeiros estudos musicais por meio do processo de musicalização com as crianças. De acordo com Joly (2003):
A criança, por meio da brincadeira, relaciona-se com o mundo que descobre a cada dia e é dessa forma que faz música: brincando. Sempre receptiva e curiosa, ela pesquisa materiais sonoros, inventa melodias e ouve com prazer a música de diferentes povos e lugares. (p. 116).
É por meio de brincadeiras com objetos sonoros, imitando com sua voz o que ouve que a criança irá descobrir categorizar e dar significado aos sons e ao mesmo tempo compreender os sons de sua cultura. Para as crianças, a música deve ser apresentada de forma lúdica. Ao apresentarem os elementos básicos, o professor poderá oferecê-las, por intermédio dessa recreação, conhecimentos básicos de música como: ritmo (utilizando o relógio, os pingos da chuva) altura (agudo, médio, grave), intensidade (forte, fraco) e timbre do som (a característica de cada som, o que nos faz diferenciar as vozes e os instrumentos); duração dos valores proporcionais (longo curto). Uma compreensão dos símbolos que representam à música. A criança brinca voltando-se para aquilo que faz apelo ´à sua atividade lúdica e a sua sensibilidade. O brinquedo musical liberta e afirma, socializa, equilibrando e fortalecendo sua personalidade.Com tudo, VASCOCELLOS (2018), destaca a ligação entre instrução musical na infância e o crescimento intelectual, ajudando as crianças que são instruídas musicalmente a assimilarem as disciplinas escolares com mais eficácia do que as não instruídas.
Essa “recreação” pode acontecer com brincadeiras, jogos, histórias, danças, bandinha rítmica (conjunto de percussão), canto e movimentos corporais. E através da improvisação de ritmos e melodias, o aluno desenvolve sua criatividade. O primeiro passo objetiva estimular a socialização das crianças. Para isso, canções que faz parte de sua herança musical são utilizadas como, por exemplo, Ciranda cirandinha e Marcha soldado.
A criança começa a ter contato com a música desde o ventre de sua mãe, nas canções de ninar e no ambiente escolar, pois é nessa fase que ela constrói os saberes que irá utilizar para o resto de sua vida.Gordon (2000) ressalta que:
Através da música, as crianças aprendem a conhecer-se a si próprias, aos outros e à vida. E, o que é mais importante, através da música as crianças são mais capazes de desenvolver e sustentar a sua imaginação e criatividade ousada. Dado que não se passa um dia sem que, duma forma ou doutra, as crianças não ouçam ou participem em [sic] música, é-lhes vantajoso que a compreendam. Apenas então poderão aprender a apreciar, ouvir e participar na música que acham se boa, e é através dessa percepção que a vida ganha mais sentido. (p. 6).
Na escola pode-se trabalhar o corpo tornando-se um aliado no processo de ensino aprendizagem musical, proporcionando por meio dos diferentes movimentos oportunidades para o aprendizado. Por meio desse recurso podemos desenvolver atividades que envolvam a percepção e interiorização do ritmo, intensidade e altura, trabalhar com a forma musical e também desenvolver a expressividade das crianças.
Para GOMES (1996), o ensino de música nas escolas pode contribuir não só para a formação musical dos alunos, mas principalmente como uma ferramenta eficiente de transformação social, onde o ambiente de ensino e aprendizagem pode proporcionar o respeito, a amizade, a cooperação e a reflexão tão importantes e necessárias para a formação humana. Contudo, nas aulas de música em grupo pode ser trabalhados aspectos como, por exemplo, o respeito pelos colegas, a cooperação que as atividades realizadas em coletivo exigem e a união da turma na busca de alcançar objetivos que sejam comuns a todos, como por exemplo, cantar e dançar em roda ao mesmo tempo, sem esquecer das habilidades estéticas e artísticas, o desenvolvimento da imaginação e criatividade, desenvolvimento cognitivo, efetivo e psicomotor, desenvolvimento de comunicação, sensibilidade, dentre outros.
A música na vida do ser humano é tão importante, por ser um elemento que auxilia no bem estar das pessoas. A criança aos poucos vai formando sua identidade, percebendo-se diferente dos outros e ao mesmo tempo buscando integrar-se com os outros. Nesse processo a auto-estima e a auto-realização desempenham um papel muito importante. Através do desenvolvimento da auto-estima ela aprende a se aceitar como é, com suas capacidades e limitações.No contexto escolar a música tem a finalidade de ampliar e facilitar a aprendizagem do educando, pois ensina o indivíduo a ouvir e a escutar de maneira ativa e refletida. A criança que consegue desenvolver pouco a pouco a apreciação sensorial aprende a gostar ou não de determinados sons e passa a reproduzi-los e a criar novos desenvolvendo sua imaginação, MÁRSICO (1992).
A música afeta o corpo do indivíduo de duas formas: diretamente, com o efeito do som sobre as células e os órgãos, e indiretamente, agindo sobre as emoções, que apresentam numerosos processos corporais provocando a ocorrência de tensões e relaxações em várias partes do corpo. A música é um elemento de fundamental importância, pois movimenta, mobiliza e por isso contribui para a transformação e o desenvolvimento, GAINZA (1988).
As atividades musicais oferecem várias oportunidades para que a criança aprimore sua coordenação motora, aprenda a controlar seus músculos e mova-se com desenvoltura. O ritmo tem um papel importante na formação e equilíbrio do sistema nervoso. Isto porque toda expressão musical ativa age sobre a mente, favorecendo a descarga emocional, a reação motora e aliviando as tensões. Qualquer movimento adaptado a um ritmo é resultado de um conjunto completo de atividades coordenadas. Por isso atividades como cantar fazendo gestos, dançar, bater palmas, pés, são experiências importantes para a criança, pois elas permitem que se desenvolva o senso rítmico, a coordenação motora, fatores importantes também para o processo de aquisição da leitura e da escrita.
Segundo Associação Brasileira da Música, ABM (2002, p.16), para que o cérebro desenvolva todo o seu potencial, são necessários estímulos, agindo diretamente em suas centrais de comunicação. Na infância, este conjunto de estímulos proporcionam o desenvolvimento das fibras nervosas capazes de ativar o cérebro e dotá-lo de habilidades. Ainda de acordo com a ABM, destaca a importância da música para crianças, já que a música por si mesma aumenta as funções cerebrais superiores, os estudos indicam que o treinamento em música gera as conexões nervosas que são usadas para entender os conceitos matemáticos, e aulas de música na infância fazem o cérebro crescer e quanto mais cedo começar o treino musical, maior a área do cérebro.
Para as crianças portadoras de necessidades especiais não é diferente. Segundo Birkenshaw-Fleming (1993) há diferentes formas e observação que podem ajudar de crianças especiais no ensino aprendizagem. Quanto mais conhecimento o professor tem sobre o estudante, melhor é o ensino e maior é a sua segurança para ajudar no desenvolvimento dos alunos. O professor deve pesquisar sobre as possibilidades de desenvolvimento de seus alunos e deve conhecer as limitações e dificuldades de cada um deles. Isso se deve a entrevistas com os pais, professores, coordenadores, diretores e outros profissionais da área.
Para Birkenshaw-Fleming (1993) o excesso de proteção por parte de pessoas que convivem com a criança nem sempre corresponde com aquilo que ela realmente necessita. É importante procurar perceber as potencialidades de cada um. Todo o trabalho deve ser feito com paciência e carinho, lembrando-se de que é preciso valorizar a autoestima de cada aprendiz, motivando-o a reconhecer sua contribuição frente ao grupo em que está inserido.
Birkenshaw-Fleming (1993) aponta alguns possíveis benefícios que as aulas de música podem proporcionar aos indivíduos com necessidades especiais:
Se o professor faz com que o aluno realize algumas atividades com sucesso, possivelmente vai reforçar a sua autoestima. Ele obtém isso, respeitando as limitações e possibilidades de cada um. É importante, fazer com que o aluno participe de todos os procedimentos de aula, de maneira que suas realizações se transformem numa experiência válida. Todos devem ser encorajados a dar o melhor de si e serem independentes, tanto nas atividades musicais como em qualquer outra atividade do seu dia-a-dia.
É possível estimular a interação social por meio de atividades musicais, que possibilita ao indivíduo sair de um possível isolamento.
O desenvolvimento do tônus muscular e da coordenação psicomotora pode ser estimulado por meio de atividades que envolvam movimento associado à música.
O desenvolvimento da linguagem pode ser estimulado por meio de atividades musicais tais como parlendas, trava-línguas e pequenas canções.
Da mesma forma, pequenas canções e exercícios rítmicos e melódicos podem desenvolver a capacidade auditiva, intelectual e o desenvolvimento da memória.
Por meio de um programa de educação musical bem estruturado e com objetivos bem definidos é possível promover o desenvolvimento físico, intelectual e afetivo da criança com necessidades especiais.
Segundo estudos científicos o lado esquerdo do cérebro é a parte racional, quando se estuda matemática, química, física e outras, é essa área que assume o controle das informações. O lado direito é a parte sensorial, quando se ouve música, dança e etc, é nessa área que tem o controle e devem-se desenvolver as duas habilidades racional e sensorial. GARDNER (1995)destaca que a inteligência é herança genética, independente da educação cultural, sendo necessário estímulos para desenvolve-la e desperta-la para uma determinada atividade. Em 1985 HOWARD GARDNER lançou uma de suas teorias das múltiplas inteligências no livro chamado The Mind’s New Science: A History of the Cognitive Revolution (tradução para o português: A nova ciência da mente: uma história da revolução cognitiva). Aprender música é um exercício que utiliza o cérebro por inteiro que aumenta a inteligência humana com habilidade para reconhecer sons, gosto pela música ou praticar um instrumento. Quando se ouve música desperta o lado sensorial e ao aprender música teoricamente desperta o lado racional e sendo acompanhado da pratica instrumental despertará os dois lados tendo assim um cérebro mais ativo, mais forte e mais ágil potencializando todas as áreas do pensamento humano.Aprender música para as crianças parece uma brincadeira, mas para a educação é um assunto muito sério.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando toda a trajetória histórica da música no ensino escolar relatada neste trabalho, vários especialistas e pesquisadores citados no decorrer desta pesquisa mostram que a música ajuda no desenvolvimento do aprendizado, e está ligada ao ser humano desde muito cedo, mostrando que este ensino desperta, estimula e desenvolve diversos aspectos, apesar de alguns professores ainda não acreditarem nesse aspecto. Mas, muitos não perceberam que a música como disciplina ou mesmo na educação artística além de dar prazer estético, estimula à imaginação, a criatividade, a capacidade de sentir, observar e refletir. Aspectos estes essenciais nas salas de aula no mundo de hoje. Mas, mesmo após tantas pesquisas comprovadas cientificamente em relação aos benefícios da música no desenvolvimento infantil e ensino-aprendizado do ser, por que as escolas não a utilizam mais? Por que a obrigatoriedade no currículo escolar não é praticada com rigor?
Observa-se que há anos vem se discutindo sobre a educação musical no currículo escolar, mas sem grandes preocupações. Desde a criação da primeira Lei nº 4024/61 a Arte vem sofrendo certo preconceito sendo pouco valorizada até nos dias de hoje. Mesmo assim, após muitos anos de luta, a disciplina de Artes não poderia ficar somente na Lei e sim colocada em prática, para isso, é necessária a formação e capacitação de professores, e espaços físicos adequados para as aulas. Como hoje são poucas as escolas que atendem devidamente a essas necessidades, ainda há carências, encontramos professores despreparados que lecionam suas aulas de arte copiando conceitos prontos dos livros didáticos e deixando de lado a musicalização em si por falta até mesmo de experiência.
Nesse contexto, percebe-se que ainda há muito que se fazer. Acredita-se mesmo em meio tantas dificuldades que a formação do professor seria o mais adequado para lecionar a disciplina de artes e em especial a de musicalização ou educação musical, valorizando a cultura de cada um e seus interesses pessoais.
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Oficina BRINQUENAUTAS – Vivências Musicais para a Sala de Aula, com certificado e material complementar inclusos.
50 atividades desenvolvidas por Marcelo Serralva (Rio de Janeiro) para sala de aula.
Na oficina serão mostradas pelo menos 25 atividades, jogos musicais e músicas que você poderá utilizar, de forma prática e lúdica com as crianças em sala de aula.
No dia, será importante ir com roupas confortáveis, levar um par de meia de uso pessoal, garrafa de água, alegria e disposição.
Uma oficina totalmente prática, com atividades desenvolvidas:
• Canções de Rotina
• Canções de Movimento
• Canções de Ação
• Jogos de palmas e dedos
• Jogos Musicais
• Músicas e brincadeiras
Incluso: Material Didático e Certificado (Carga Horária 8 horas)