Este trabalho é uma pesquisa bibliográfica que utiliza as fases de desenvolvimento infantil por Jean Piaget, a Psicologia através da psicanálise descoberta por Freud e a Música como corpo teórico conceitual para o tema proposto. Fazendo uma ligação nas etapas do Desenvolvimento Infantil a partir de Jean Piaget no primeiro capítulo. Já a partir do segundo capítulo direcionando a música através da musicalização infantil relacionando o Terceiro e último capítulo com suas significações psicanalíticas subjetivas neste ensejo. Sabemos que a música é uma arte, têm linguagem própria e possui muitos significados através de suas organizações, tais como, sons, ritmos, melodias, silêncios, etc. Sendo dirigida ao outro sujeito através da escuta.
A música nos acompanha desde muito cedo, como uma espécie de trilha sonora da nossa existência, podendo marcar um acontecimento específico de nossas vidas. Desde um nana neném; brincadeiras de roda; Hino Nacional; momentos de tristeza ou de muita euforia; um amor; etc.Fazendo parte da vida de todos os seres humanos, transmitindo sensações e sentidos através de uma linguagem subjetiva.
Segundo GODOI (2011), objetivo principal da Musicalização na Educação Infantil é despertar a musicalidade na criança durante o seu desenvolvimento. Promovendo suas habilidades em meios aos estilos musicais de sua preferência.
O prazer de ouvir música poderia estar atrelado a algum disparador psicológico e emocional datando dos primeiros contatos com a voz materna onde as primeiras canções sonoras revelam invocações sobre o sujeito. Lembramos neste escopo efêmero que os efeitos psicológicos da música e suas significações são de ordem subjetiva.
Vivemos em um mundo musical, os sons estão presentes no nosso dia a dia, quer seja, em forma de música, como também em apenas algum barulho, podemos até mesmo afirmar poeticamente que a música está presente inclusive no cantar dos pássaros, no fechar de uma porta, na buzina de um automóvel, no balanço das folhas das árvores, como se dançassem embalados pelo vento. Esses e muitos outros significantes nos acompanham diariamente. FREUD (1914 – 1916).
CAPÍTULO I
DESENVOLVIMENTO INFANTIL A PARTIR DE JEAN PIAGET
Segundo Piaget (1896-1980),a aprendizagem é provocada por situações em sala de aula quando o professor traz a referência a algum ponto didático ou uma situação externa.Desenvolvimento é um processo espontâneo e diz respeito a um processo do corpo, do sistema nervoso e das funções mentais. É um processo que se relaciona com a totalidade das estruturas do conhecimento.Jean Piaget, a partir de observações minuciosas de seus próprios filhos e de várias outras crianças concluiu que estas, ao contrário do que se pensava na época, não pensam como os adultos: certas habilidades ainda não foram desenvolvidas.Chegou à conclusão de que há quatro estágios, do ponto de vista da prática das regras:
Período Sensório-motor de zero a dois anos, as funções mentais limitam-se ao exercício de reflexos, percepção, movimentos como sucção, movimentos dos olhos e toque.
Período pré-operatório entre dois aos sete anos, para Piaget, o que marca a passagem do período sensório-motor para o pré-operatório é o aparecimento da linguagem. Ele caracteriza-se, ainda, pelo egocentrismo, uma vez que a criança não concebe uma realidade da qual não faça parte, devido à ausência de esquemas conceituais e da lógica.
Período das operações concretas dos sete aos onze anos, este está marcado pela capacidade da criança estabelecer relações e integrar informações. Capacidade de realizar operações mentalmente e não mais apenas através de ações físicas.
Período das operações formais entre dose anos em diante a criança consegue raciocinar sobre hipóteses, fazendo contextualizações abstratas e executar operações mentais dentro da lógica formal.
No primeiro estágio até os dois anos,na fase de desenvolvimento moral, noção de justiça motor e individual, a criança simplesmente manipula brinquedos para sua própria exploração, utilizando objetos diversos para estabelecer algum processo de adaptação efetiva.
A partir do segundo estágio entre dois e cinco anos, estará caracterizado pelo egocentrismo infantil. Ou seja, a criança aceita as regras que recebe dos adultos ou de crianças mais velhas. Considerando as regras sagradas, imutáveis e completamente avessas à sua alteração. Possuem uma característica detalhada que é o fato de haver uma desorganização da memória aproximadamente até os sete anos de idade, quando ela crê que sempre soube o que acabou de aprender. Assim, quando Piaget joga com as crianças, logo que modificam as regras, elas não aceitam, para, em seguida, concordar. Não se percebem da mudança. Jogam com os outros os imitando em interação com os demais, enquanto jogam para si e modificam as regras sem perceber.
E ainda, no quarto estágio entre onze e doze anos, ocorre organização do pensamento e da autonomia. As crianças jogam pelo prazer da disputa, mas procuram interagir quanto às regras, que jamais serão fixas de possibilidade de mudanças, decididas pelo grupo. Somente a partir destas os procedimentos do grupo podem ser julgados.Piaget surpreende-se com a organização que desenvolvem para compreender e praticar as regras do jogo, a ponto de assinalar esta como uma diferença básica entre meninos e meninas.
No entanto, na noção espacial constitui-se uma construção mental que possibilita organizarem-se diante do mundo, organizando as coisas entre si, compreendendo as relações,posições de si mesmo e dos objetos. É pela interiorização de seu próprio corpo que apreende o espaço que o cerca, e é a representação deste que lhe permite prever e antecipar suas ações no meio que o cerca. A noção de espaço é classificada nas seguintes etapas, espaço topológico de zero aos três anos; espaço euclidiano de três aos sete anos e espaço projetivo dos sete à dose anos.
Segundo Piaget (1896-1980) a noção de tempo é elaborada através de sua duração, ordem e sucessão. Na Estruturação temporal podemos exemplificar do seguinte modo: uma criança bebê é altamente tangível e relacionado com suas rotinas de comer e dormir. Enquanto que, em torno dos três anos parece haver tendência para o conhecimento da própria idade. Já aos quatro anos possui tendência para conhecer a data de seu próximo aniversário.Aos cinco anos parece ser possível conhecer a idade que tem e terá após o próximo aniversário. Reconhecendo momentos do dia. Nos seis anos indica o dia da semana. Aos sete anos os meses ou até mesmo os dias dos meses. E assim vai evoluindo, com dose anos calculando a duração de uma conversa ou dos dias de férias. Identificando também à hora aproximada de 20 minutos.Só em torno dos treze ou quatorze anos, começam a surgir as recordações pessoais e uma visão de tempo mais aproximada do significado da noção, que implica a concepção passado-presente-futuro.
Na fase da classificação inicia o agrupamento de objetos de conhecimento pelas semelhanças, tais de cores, formas, texturas, tamanhos e etc. Na seriação os agrupamentos de objetos de conhecimento pelas suas diferenças nas cores (tonalidade), texturas (finas ou grossas), tamanho (maior, menor, mais largo, mais longo…) etc. E ainda, na fase da conservação que abrange a compreensão da quantidade propriamente dita com a experiência do lógico. Permitindo ao sujeito elaborar o raciocínio da igualdade, de elementos que sejam eles da forma, tamanho, cor ou textura. Já nos níveis de desenvolvimento da noção de números, Piaget apresenta a ausência da noção, noção em construção ou intermediária e presença da noção.
Daremos sequencia no próximo capítulo com a musicalização infantil envolvendo as crianças até aos seis, lembrando que para chegarmos a este entendimento fora de suma importância analisar as fases do desenvolvimento infantil de forma científica, segundo Piaget (1896-1980).
CAPÍTULO II
MUSICALIZAÇÃO INFANTIL
“A Teoria sem a pratica é nula, porém, pré-requisito para entender os saberes da arte de MUSICALIZAR” J. Holanda
Antes mesmo de seu nascimento a criança já esta em contato com o universo sonoro, “pois na fase intra-uterina o bebê já convive com um ambiente de sons provocados pelo corpo da mãe, como o sangue que flui nas veias, a respiração e a movimentação dos intestinos. A voz materna também constitui material sonoro especial e referencia afetiva para eles.” (BRITO 2003, p. 35).
Ao analisarmos a citação acima percebemos quão grande são os efeitos que a música exerce sobre o indivíduo. Ao mesmo tempo em que os benefícios o seguem para toda a vida. Em outras palavras, o ser humano é um ser musical, pois este sempre rodeado de sons.
Segundo Marcos L. de Souza(2016), assinala que“A música é um elo que une e reforça todo o trabalho educativo que se desenvolve com a criança, pois ela desperta a criatividade, a fantasia, a musicalidade, a temporalidade e tem função lúdica”.
A criança é um ser único, trazendo consigo um conjunto de convicções, idéias, princípios, valores, pensamentos, etc. Portanto, é necessário que o ensino musical não seja utilizado apenas para hora do lanche, higiene, programações do calendário escolar nas datas especiais. E também não estamos formando músicos,mas tornando as aulas de música num momento de aprendizado através da linguagem musical. Com isto ampliando a formação da criança em suas diversas fases de desenvolvimento conforme vimos no capítulo anterior.
“A musicalização é um processo de construção do conhecimento que tem como objetivo despertar e desenvolver o gosto musical. Favorecendo o desenvolvimento da sensibilidade, criatividade, senso rítmico, do prazer de ouvir música, da imaginação, memória, concentração, atenção, autodisciplina, respeito ao próximo, da socialização e afetividade. Também contribuindo para uma efetiva consciência corporal e de movimentação”. (BRÉSCIA 2003, p.16).
Nos primeiros anos de vida a prática musical poderá envolver atividades lúdicas. Desta forma será desenvolvida a percepção e a atenção dos bebês. Exemplos: imitação de vozes dos animais, baterem palmas, etc. A criança estará ouvindo e também percebendo diversas produções sonoras e brincando com a música, podendo inclusive imitar.
A partir dos quatro anos já podemos exigir um pouco mais da audição, bem como da atenção e concentração. Segundo Marcos L. De Souza (2016), afirma que música é:
“… uma linguagem que organiza o som e silêncio. A criança vai tomar consciência da linguagem musical se conseguir ouvir e diferenciar os sons, ritmos e alturas, saber que um som pode ser grave ou agudo, curto ou longo, forte ou suave”. (Marcos L. de Souza, 2016, pág. 69).
No entanto, nas palavras do autor podemos afirmar a importância da apreciação musical, incentivando as crianças aos instrumentos que mais e que menos apreciam. Sua apresentação e manuseio a esses instrumentos. Até mesmo o aproveitamento de sucatas, aos quatro anos de idade em diante como referido anteriormente, com isto colaborando com a natureza, entre muito mais, desinibindo e socializando para que possam expressar espontaneamente os movimentos através da música.
Nesta fase também trabalhamos com as propriedades dos sons: altura, timbre, duração e intensidade. Na seqüência iremos apresentar cada uma dessas propriedades necessárias para fazer a música.Na altura identificamos se o som é grave ou agudo. Por exemplo, o violino possui o som agudo (fininho) e um trombone (grosso) possui som grave.Na duração identificamos se o som é mais longo ou mais curto. Podemos contar juntos para a marcação do tempo. Mais curto e mais longo.No timbre identificamos a origem do som, se este está sendo tocado num violino, numa flauta ou em algum outro instrumento.E ainda, a intensidade que é uma propriedade para identificarmos se o som é mais forte ou mais fraco. Envolvendo um trabalho de expressividade que mexe com os nossos sentimentos. É importante ressaltar que nesta faixa etária se trabalha com o lúdico para um melhor aproveitamento das atividades A música e o brincar possuem uma forte ligação na musicalização infantil incentivando desta forma os apreciadores musicais.
CAPÍTULO III
SIGNIFICAÇÕES SUBJETIVAS E PSÍQUICAS
O objetivo do presente capítulo é poder trabalhar a relação do psiquismo entre a música através da musicalização infantil. Freud (1914 – 1916) sabemos que somos formados por registros significantes e guiados pela subjetividade.Quando nos referimos à música falamos além de uma expressão artística, podemos dizer que é uma forma de linguagem do qual se aproxima da psicanálise e revela nuances do inconsciente.
Segundo Heidegger (2003), na primeira parte de sua obra literária, o autor trata a linguagem como questão do pensamento, ou seja, um compromisso com a verdade. Apontando como uma essência de sentido ao homem. Prevalece a opinião de que o traço fundamental do pensamento é representar de maneira universal o que possui validade universal.Falar da linguagem talvez seja pior do que falar do silêncio, ou seja, estamos nos recolhendo no acontecimento apropriado.
É verdade do inconsciente nada sabemos, somente temos acesso às suas formações, ou seja, é através das formações do inconsciente (atos falhos, chistes, sintomas, sonhos, esquecimentos) que podemos saber algo a seu respeito. Segundo (FREUD, 1915, p.171), “Como devemos chegar a um conhecimento do inconsciente? Certamente, só o conhecemos como algo consciente, depois que ele sofreu transformação ou tradução para algo consciente”.
[…] em apoio da existência de um estado psíquico inconsciente, que, em um dado momento qualquer, o conteúdo da consciência é muito pequeno, de modo que a maior parte que chamamos consciente deve permanecer, por consideráveis períodos de tempo, em um estado de latência, isto é, deve estar psiquicamente inconsciente. Quando todas estas lembranças latentes são levadas em consideração, fica totalmente incompreensível que a existência do inconsciente possa ser negada. […] A resposta óbvia é a de que uma lembrança latente é, pelo contrário, um resíduo inquestionável de um processo psíquico. (FREUD, 1914/1916 pp.172 e 173).
O inconsciente é constituído por desfilamentos, que deslizam sem cessar, não se detendo em significados comuns, mas a determinados, que têm um valor muito especial para o sujeito. Na música são inúmeras as letras e melodias de canções que ressaltam essa importância,numa canção de ninar, no qual a criança é embalada para um sono tranquilo, na superação de momentos difíceis, entre muitos outros exemplos que poderíamos especificar neste trabalho. Pois, ouvir música parece ser sempre uma boa solução.
A música traz sempre uma lacuna que é preenchida pelo imaginário do receptor/ouvinte.Evidente que essa experiência musical é subjetiva para cada ouvinte e deve também sofrer modificações de uma escuta para outra. Os estilos musicais diversos podem afetar as pessoas de formas distintas. Essa é uma das razões que justificam o olhar da psicanálise sobre os manejos musicais. Talvez a ideia de tomar as conexões psíquicas mobilizadas pela música remeta a um horizonte de criação que incide sobre a nossa memória mais primordial, considerada polissêmica, pois permite múltiplas leituras e interpretações. Essas características psicológicas da música, em sua aconceitualidade, são suficientes para garantir a singularidade da vivência musical:
[…] a música tem como característica primordial a aconceitualidade, pois mesmo dotada de sentido, uma vez que significantes são articulados na sua construção e realização, não é dotada de significação. Refere-se a nada, a não ser a si mesma e que não tenha referente. Já quando marcada pela ambigüidade, a música é uma linguagem polissêmica, permitindo múltiplas leituras e interpretações. Esta é uma característica que propicia ao ouvinte a sua singularidade de sua experiência e vivência musical (SEKEFF, 2007, pp.31-33).
Conforme Sekeff, (2009, p. 93), assim como as palavras produzem um discurso, em lugares e tempos diferentes, “a música também estima uma produção, por sua vez, os sons que produzem ressonâncias, associações, assimilações, recordações, etc. Porque no inconsciente nada é encerrado”:
Na ordem do simbólico, tanto quanto o “signo imaginário” que insiste na simbolização, o inconsciente comparece no indizível da música, como na relação que se estabelece entre a escuta e o receptor, sem, no entanto patentear qualquer significado fora de si (SEKEFF, 2009, p.93).
No universo musical, segundo Sekeff (2009) a música é som, silêncio e escuta. São propriedades musicais que tornam a interioridade do objeto em sua função inteligível a si mesma. Tecnicamente falando:
[…]A música mexe com nosso tempo, espaço e movimento psíquicos, mas sem nunca dizer, nunca conceituar, nunca descrever. Assentada a cultura e na individualidade do músico ela envolve dimensões históricas, sociais, ideológicas, tanto quanto sistemas culturais, individuais, biológicos, psíquicos e psicológicos. […] música é alteridade e autonomia (SEKEFF, 2009, pp.94 e 95).
E ainda, convêm mencionar sobre a pesquisa que relata sobre “O Efeito Mozart” usado para fazer referência aos poderes de transformação da música na saúde, educação e bem-estar. Representado de uma maneira genérica, o uso da música para reduzir o estresse, a dor, a depressão e a ansiedade; induzir o relaxamento e o sono; restaurar o corpo; melhorar a memória e o estado de alerta.Trata-se de uma pesquisa com a música de Mozart, na França nos idos de 1950, época em que o Dr.Alfred Tomatis iniciou as suas experiências de estimulação auditiva em crianças com problemas de audição e comunicação. Nessa época já havia muitos centros de pesquisas espalhados pelo mundo todo que usavam as músicas de alta freqüência de Mozart, especialmente os concertos para violino e as sinfonias, para ajudar crianças com dislexia, problemas de fala e autismo. A Universidade da Califórnia, Irvine, começou suas experiências nessa área em 1950, relacionando a música do compositor com a inteligência espacial.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
“A música é o instrumento educacional
mais potente do que qualquer outro”.Platão
Chegamos ao final de uma tentativa de entendimento entre ambos os assuntos. Nesta culminância podemos concluir que, é importante conhecer as fases de desenvolvimento da criança para atuar no processo da musicalização infantil, bem como o profissional deverá ter um breve conhecimento na área musical.Utilizando meios pedagógicos adequados a cada idade da criança, desenvolvendo assim o seu potencial.Pois a música proporciona diversas contribuições para o desenvolvimento humano, reafirmando que esta relação já se inicia no ventre materno, dando sequência em toda a infância através das brincadeiras, na alfabetização, no auxílio da aprendizagem, no convívio com outras pessoas e sem dúvida dando continuidade nas outras etapas da vida até a senilidade, não iremos nos aprofundar no presente trabalho levando em conta que não fora este o objetivo proposto.
Quando nos referimos à música falamos além de uma expressão artística, podemos dizer que é uma forma de linguagem que se aproxima da psicanálise, aparecendo nas significações subjetivas. Ou seja, uma determinada melodia ou brincadeira musical poderá causar reação diferente em cada criança, dependendo do registro primário instituído. Até mesmo de forma inconsciente, surgindo em forma de sintoma, e não de forma consciente através da lembrança em si. Ambas são linguagens e emoções que retém memórias que afetam as nossas atitudes.
REFERÊNCIAS
Ana Mercês Bahia Bock, Odair Furtado e Maria de Lourdes Trassi Teixeira. Psicologias. Uma introdução ao estudo da Psicologia. Saraiva S.A Livreiros Editores, São Paulo, 2009
BRÉSCIA, Vera Pessagno. Educação Musical: Bases Psicológicas e Ação Preventiva. São Paulo. Átomo, 2003.
BRITO, Teca Alencar de. Música na Educação Infantil. São Paulo: Petrópolis, 2003.
FREUD, Sigmund. Artigos sobre Metapsicologia [1914 – 1916]; Volume XIV. Edição Standard Brasileira Das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Imago Editora, Rio De Janeiro.
GODOI, Luiz Rodrigo. A importância da música na educação infantil. Londrina – PR, 2011.
SEKEFF, Maria De Lourdes. Da música:Seus usos e recursos. Editora Unesp. São Paulo, 2007.
SEKEFF, Maria De Lourdes. Música estética de subjetivação. Tema com variações. Editora Annablume. São Paulo, 2009.
SOUZA, Marcos Leonardo de. Princípios Pedagógicos da Musicalização Infantil. Goiânia: Editora Kelps, 2016.
PIAGET, Jean. 1896-1980. A psicologia da criança. Jean Piaget & Bärbel Inhelder, tradução Octavio Mendes Cajado – 3ª Ed. – Rio de Janeiro: Editora Difel, 2007.
Mini CurriculumMarcilane Genz, tem sua formação como Diaconisa em Música (1998), qualificada na Ordem dos Músicos do Brasi; Graduada em Psicologia Clínica e Organizacional (2016); Pós Graduada em Musicalização Infantil (2018). Atuou no período de 1996 a 1998 no Seminário Concórdia em São Leopoldo RS (Aulas musicais para estudantes de Teologia). Nos anos de 1999 a 2003 atuou em Marechal Cândido Rondon Paraná. Onde conquistou o 1º lugar em prêmio qualidade total na sua didática musical. Nos anos de 2004 a 2008 trabalhou em Capão da Canoa RS, sendo idealizadora do projeto de música do município. Nos anos de 2009 a 2010 trabalhou com o Coral da Liga do Combate ao Câncer de Panambi, levando através da música uma terapia para a ajuda na recuperação das participantes. Nos anos de 2011 a 2013 trabalhou em Panambi na Escola de Música do professor Duda Becker, onde conquistou neste ano o 1º lugar no prêmio Galyleu Pesquisa e Publicidade, sendo a professora mais citada nesta pesquisa de opinião pública. Atuando também no projeto de Música na Oficina de Talentos da prefeitura de Panambi como Instrutora de Violão. Após este período inaugurou a sua própria Escola de Música, a Acordes. Atuando nela até os dias atuais. Atuando também com atendimento de Psicológico. Seu trabalho envolve análise Clínica (conforme demanda), Musicalização Infantil, Técnica Vocal, Canto, Regência, Teoria Musical, Teclado, Violão Popular e Clássico.
Complementa: Uma cidade sem cultura é como se fosse um corpo sem alma.
Este trabalho tem por objetivo, apresentar a importância da musicalização na educação infantil, e como a utilização da música traz resultado significativo para a aprendizagem de bebês e crianças até seis (6) anos de idade. Como o professor tem utilizado suas práticas pedagógicas, considerando que a música como suporte, contribui significativamente para integrar as diversas áreas de conhecimento, enfocando o desenvolvimento cognitivo e a socialização. O artigo teve como procedimento metodológico a pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo, através de coleta de dados, através do bate papo informal com os alunos, observações das aulas, entrevista com o professor.Nas considerações finais, busca-se reiterar a importância da música no contexto escolar objetivando oferecer subsídios para a viabilização de um contato prazeroso, formativo e saudável da criança com a linguagem musical.
A música é uma das mais antigas formas de artes; a voz e o corpo são utilizados como instrumentos naturais e auto expressão. Ela vem antes de nascermos. A exemplo disso, durante nove meses, convivemos com as batidas do coração de nossas mães. Os ritmos do nosso próprio batimento cardíaco e da respiração, afirmam que, somos musicais, podendo desenvolver essa capacidade em nós e nos outros.
As experiências musicais iniciadas em casa, mais tarde podem ser integradas em todo o currículo escolar. A vivência musical promovida pela musicalização permite à criança o desenvolvimento da capacidade de expressar-se de modo integrado, realizando movimentos corporais enquanto canta ou ouve uma música.
É necessário contemplar e analisar que tipo de contribuição pode ocorrer com o trabalho de musicalização para as crianças, podendo a mesma proporcionar e influenciara formação do desenvolvimento futuro desses seres humanos (MARTINS, 2004).
É fundamental o desenvolvimento musical, nos primeiros anos de vida. É necessário um ambiente musical rico para que essa base, posteriormente, tenha resultado significativo. Gardner (1994) afirma que “qualquer indivíduo normal que teve uma exposição frequente à música pode manipular o som, o ritmo e o timbre para participar com algumas habilidades de atividades musicais, incluindo a composição, o canto ou a execução de instrumentos”.
Winn (1975, p.32) diz que:
(…) A iniciação musical deve ter como objetivo durante a idade Pré-escolar, estimular na criança a capacidade de percepção, sensibilidade, imaginação, criação bem como age como uma recreação educativa, socializando, disciplinando e desenvolvendo a sua atenção.
Os diferentes aspectos que a envolvem, além de promoverem comunicação social e integração, tornam a linguagem musical uma importante forma de expressão humana e, por isso, deve ser parte do contexto educacional, principalmente na educação infantil (UNESCO, 2005).
O processo de musicalização deve destinar-se a todos, buscando desenvolver esquemas de apreensão da linguagem musical. Durante o processo de aprendizagem, adquire-se uma sensibilidade que é construída num ambiente em que:
[…] as potencialidades de cada indivíduo (sua capacidade de discriminação auditiva, suas emotividades etc.) são trabalhadas e preparadas de modo a compreender e reagir ao estímulo musical (PENNA, 1990, p. 21).
O presente trabalho propõe uma reflexão sobre a musicalização infantil como um poderoso instrumento que desenvolve, na criança, além da sensibilidade à música, qualidades como: concentração, coordenação motora, socialização, disciplina pessoal, destreza de raciocínio, acuidade auditiva, equilíbrio emocional, respeito a si próprio, e outros atributos que colaboram na formação do indivíduo e no processo da aprendizagem significativa.
Precisa-se entender que a educação musical não visa a formação do músico profissional. O objetivo da música, entre outros, é auxiliar “no processo de apropriação, transmissão e criação de prática músico-culturais como parte da construção de sua cidadania” (DEL BEL; HENTSCHKE, 2003, p. 181). A música está presente na nossa vida diária e desde cedo as crianças entram em contato com ela, aprendendo e atribuindo à música significados culturais.
Tudo o que a criança sente e vive é importante para ela. Essa vivência facilitará a compreensão das estruturas musicais que virá depois. A musicalização objetiva as práticas musicais e não o estudo de um instrumento. É vivenciando, som e ritmo, através de jogos e recreações, que o aprendizado musical chega, hoje, às crianças. O despertar musical na educação infantil, desde o berçário, é uma riqueza incalculável para a formação da criança. Através dessa vivência estaremos formando futuros ouvintes, artistas, ou pessoas sensíveis e equilibradas.
Para Teca Brito (2003, p. 53), a contribuição da música no crescimento geral do educando se dá através de vivências e reflexões orientadas, onde todos têm o direito de desfrutar, mesmo não tendo aptidão musical, pois o fazer, o praticar, se encarregam pelo desenvolvimento das competências do indivíduo.
Como essas fases devem ser direcionadas? O essencial é respeitar o estágio em que cada criança se encontra. Preocupar-se com a capacidade da criança entender o que é proposto, observar o que ela traz de sua realidade e por fim, tornar o ensino prazeroso e significativo.
Existe um corpo docente habilitado na área de música, para desenvolver esse trabalho nas escolas? Professores suficientes para atender à demanda da nova Lei? Percebe-se muitos profissionais qualificados nas escolas de músicas e não nas escolas convencionais. Como atraí-los, então?
É preciso um olhar mais refinado quanto à importância da musicalização na educação infantil, para que resulte numa aprendizagem significativa, porque os benefícios da música se estendem para todas as áreas da aprendizagem.
Justificativa
O trabalho com música deve considerar, portanto, que ela é um meio de expressão e forma de conhecimento acessível aos bebês e crianças, inclusive aquelas que apresentam necessidades especiais. A linguagem musical é excelente meio para o desenvolvimento de expressão, do equilíbrio, da auto estima e autoconhecimento, além de poderoso meio de integração social (Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, 1998, p.49).
A contribuição para a escolha desse tema, tem como finalidade, despertar no âmbito educacional, destinado às séries iniciais, da importância de se trabalhar a musicalização de forma consciente, dentro dos parâmetros adequados, além de enfatizar que o profissional da área de música, ou seja, o professor, tenha conhecimento e domínio sobre o assunto.
Objetivos
Objetivos Geral
Compreender o papel da música na vida das crianças e consequentemente entender a importância de ser inserida no contexto geral da educação infantil, para uma ressignificação do trabalho musical para as crianças de diferentes mundos musicais.
Objetivos Específicos
Abordar sobre a importância da musicalização na educação infantil, do berçário até aos 6 anos;
Analisar o papel do educador musical e sua prática pedagógica;
Apresentar os reflexos da aprendizagem significativa através do trabalho com a música.
METODOLOGIA DA PESQUISA
Quando se tem questionamentos, inquietações, é preciso esclarecer o que está acontecendo ao redor das pessoas. Para se ter esse esclarecimento, faz-se planejamento, segue-se um trajeto, e, no final, se obtém um resultado, que pode ou não ser satisfatório. Ou seja, é preciso pesquisar.
Segundo Gil (2007, p. 17), pesquisa é definida como o
(…) procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos. A pesquisa desenvolve-se por um processo constituído de várias fases, desde a formulação do problema até a apresentação e discussão dos resultados. Só se inicia uma pesquisa se existir uma pergunta, uma dúvida para a qual se quer.
A metodologia utilizada no trabalho foi a pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo, onde foi realizada a observação na Escola Educação Maior, entidade particular, que atende crianças do Berçário ao Fundamental I, localizada no Município de Camaçari-Ba.
O método desenvolvido neste trabalho, foi de um estudo qualitativo e de cunho bibliográfico, com auxílio de livros, textos e trabalhos que tratam do tema referido. Os instrumentos utilizados foram: entrevistas, bate papo e acompanhamentos de aulas, através de observações. As informações colhidas foram subsídios para futuros trabalhos que serão desenvolvidos.
Minayo (2007, p. 44) define metodologia de forma abrangente e concomitante
(…) a) como a discussão epistemológica sobre o “caminho do pensamento” que o tema ou o objeto de investigação requer; b) como a apresentação adequada e justificada dos métodos, técnicas e dos instrumentos operativos que devem ser utilizados para as buscas relativas às indagações da investigação; c) e como a “criatividade do pesquisador”, ou seja, a sua marca pessoal e específica na forma de articular teoria, métodos, achados experimentais, observacionais ou de qualquer outro tipo específico de resposta às indagações específicas.
A pesquisa de campo apresentada abordou todo o percurso, trazendo uma análise sobre a importância do trabalho musical realizado na Escola Educação Maior, com bebês de (6) seis meses até crianças de (6) seis anos. Um bate papo informal com os alunos, entrevista com o professor de música e a observação das aulas, além do acompanhamento de apresentações musicais.
É exatamente para falarmos de uma das facetas dessa intensa relação que trata o texto. A reação que se há na música, entendida como prática e vivência, e o desenvolvimento da criança.
Como referencial teórico, a pesquisa apoiou-se nos trabalhos de Feres, Beyer, Bréscia, Gainza, Piaget, Penna, Mársico entre outros. Com base nos escritos dos autores e diante do contexto apresentado anteriormente é que norteou essa investigação: a importância da musicalização na educação infantil e seu reflexo na aprendizagem significativa.
Para melhor compreensão das reflexões que essa pesquisa propiciou foi necessário estruturá-la em quatro capítulos:
O primeiro capitulo conceitua a música e a criança e como ocorre o processo do ensino da música no berçário de zero a dois anos e na educação infantil a partir dos 3 anos. É na base escolar, ou seja, na Educação Infantil, que a criança tem contato diariamente com a música, onde professores utilizam para integração nas diversas áreas de conhecimento. Mediante essa vivência musical, a criança terá capacidade de expressar-se de modo integrado, enquanto canta ou ouve uma música o seu corpo realiza movimentos.
O segundo capitulo nos dá uma visão geral da prática pedagógica do educador musical, onde será inserido, jogos e brincadeiras, bem como o registro e avaliação musical. Através dessas práticas dos jogos e brincadeiras, é que o professor terá a oportunidade de observar o comportamento das crianças, o desenvolvimento físico e mental, e as características de sociabilidade que elas apresentam mediante as reações e emoções.
O terceiro capitulo nos traz uma reflexão da aprendizagem significativa, tendo a música como ferramenta principal para a contribuição dessa aprendizagem. O processo de cuidado e educação das crianças na educação Infantil, se torna mais efetivo e prazeroso quando há envolvimento real. Durante seu desenvolvimento, a criança manifesta diferentes formas de sentir, pensar e agir, que caracterizam suas relações com o mundo físico e social.
O quarto capítulo apresenta a metodologia aplicada e a análise que foi feita dos dados levantados durante a pesquisa, fazendo reflexões com as bases teóricas estudadas e discutidas durante e processo de construção.
Para encerrar, o quinto capitulo conclui retomando o que é de caráter principal da investigação desse assunto em questão.
Contudo, esse trabalho torna-se importante para quem o realizou e para quem o analisar, pois, poderá auxiliar a compreender mais sobre a importância da música na educação infantil como resultado para uma aprendizagem significativa.
A MÚSICA E A CRIANÇA
De acordo com os documentos do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI):
A música é a linguagem que se traduz em formas sonoras capazes de expressar e comunicar sensações, sentimentos e pensamentos, por meio da organização e relacionamento expressivo entre o som e o silêncio. A música está presente em todas as culturas, nas mais diversas situações: festas e comemorações, rituais religiosos, manifestações cívicas, políticas etc. (BRASIL, 1998, p. 45).
Faz parte da educação desde há muito tempo, sendo que, já na Grécia antiga, era considerada como fundamental para a formação dos futuros cidadãos, ao lado da matemática e da filosofia.
A música está ligada à história da humanidade através dos tempos. Desde a antiguidade tem tomado várias formas e significados diversos, onde vários povos já utilizavam sua arte, magia e ciência. Atualmente a nossa cultura tende a considerar a música como um fator importante na formação da personalidade humana; não apenas porque cria possibilidades de abrir as faculdades criadoras, mas pode, e é importante na ampliação da maioria das outras faculdades humanas favorecendo então o seu desenvolvimento. Os seres humanos sempre sentiram a necessidade de se comunicar e de se compreender e a música sempre foi a parceira da linguagem nesse aspecto. A música faz parte do ritmo da vida das pessoas de todo o mundo desde o começo da vida na terra.
Beyer, pesquisadora em educação musical infantil, constatou que, uma das concepções direcionadaà música são voltadas a um pensamento utilitarista:
Música é importante coadjuvante no trabalho psicomotor, inglês, aprendizagem de números, cores etc. […] música vai ajudar a acalmar as crianças […] música vai organizar as crianças […] música alegra as crianças […] música é excelente marketing para a escola. (BEYER, 2001 apud HUMMES, 2004, p.23).
Para Brito (1998) “aprender música significa ampliar a capacidade perceptiva, expressiva e reflexiva com relação ao uso da linguagem musical”. É importante que no processo de musicalização a preocupação maior seja com o desenvolvimento geral das crianças, assegurado pelas aprendizagens de aptidões complementares àquelas diretamente relacionadas às músicas. É importante também, que cada um dos procedimentos musicais tenha por objetivo promover o desenvolvimento de outras capacidades nas crianças, além das musicais, tais como: capacidade de integrar-se no grupo, de autoafirmar-se de cooperar de respeitar os colegas e professores, comportar-se de uma forma tolerante de ser solidário e cooperativo em vez de competitivo, de ouvir com atenção, de interpretar e de fundamentar propostas pessoais, de comportar-se comunicativamente no grupo, de expressar-se por meio do próprio corpo, de transformar e descobrir formas próprias de expressão, de produzir ideias e ações próprias. Essas são algumas das aptidões que podem ser desenvolvidas por meio de procedimentos de musicalização.
O processo de musicalização deve destinar-se a todos buscando “desenvolver esquemas de apreensão da linguagem musical”. Durante este processo, “adquire-se uma sensibilidade que é construída num ambiente onde as potencialidades de cada indivíduo são trabalhadas e preparadas de modo a compreender e reagir ao estímulo musical” (PENNA 1990, p. 22).
Cabe à musicalização em seu trajeto levar o aluno a expressar-se criativamente através de elementos sonoros. Para Bréscia (2003) a musicalização é um processo de construção do conhecimento, que tem como objetivo despertar e desenvolver o gosto musical, favorecendo o desenvolvimento da sensibilidade, criatividade, senso rítmico, do prazer de ouvir música, da imaginação, memória, concentração, atenção, autodisciplina, do respeito ao próximo, da socialização e afetividade, também contribuindo para uma efetiva consciência corporal e de movimentação.
A fonte de conhecimento da criança é a própria variedade de situações que ela tem oportunidade de experimentar no seu dia a dia. Consequentemente, a riqueza de estímulos que a criança recebe por meio das diversas experiências musicais contribui para o seu desenvolvimento intelectual. As vivências rítmicas e musicais que, possibilitam uma participação ativa quanto a ver, ouvir e tocar, também favorecem o desenvolvimento dos sentidos da criança. Através do aperfeiçoamento da acuidade auditiva a criança não só ouve como passa a separar melhor os diversos tipos de som. Verifica-se que a partir das experiências musicais, o pensamento da criança vai se organizando e, portanto, mais ela tem oportunidade de comparar as ações executadas e as sensações obtidas através da música, mais a sua inteligência vai se desenvolvendo.
A musicalização infantil é um poderoso instrumento que desenvolve, na criança, além da sensibilidade à música, qualidades preciosas como: a concentração, a coordenação motora, a socialização, a acuidade auditiva, o respeito a si próprio e ao grupo, a destreza do raciocínio, a disciplina pessoal, o equilíbrio emocional e inúmeros outros atributos que colaboram na formação do indivíduo. Todo esse universo explorado pela criança vem facilitar o processo da alfabetização e o estudo, ou seja, conhecimento de línguas estrangeiras. Porém, a mesma deve ser transmitida com alegria, vibração, através de uma metodologia lúdica e dinâmica, própria do mundo da criança. Através dessa vivência estaremos formando futuros ouvintes, talentosos artistas ou simplesmente pessoas sensíveis e equilibradas. Durante a educação infantil é que a criança é mais receptiva a esse desenvolvimento musical, podendo-se obter excelentes resultados com a aplicação sistemática de práticas musicais.
CARNASSALE (1995, p. 13), afirma: é verdade que a música pode exercer várias funções, que vão desde o desenvolvimento psicomotor da criança, passando pela educação, até a recreação, relaxamento e muitas outras que vem sendo descobertas a cada nova pesquisa; mas também é verdade que a música sempre existiu e sempre existirá independentemente da reflexão que façamos sobre ela. A música não é de domínio apenas de estudiosos, mas também do público leigo. Ela está presente em qualquer classe social, em qualquer cultura e qualquer pessoa pode “fazer música”.
O Papel da Música na Escola
Na escola a música é um dos meios mais eficazes de se atingir as crianças e os jovens; influencia- lhes a vida moral, social e espiritual, estabelecendo-lhes uma atmosfera de alegria, ordem, disciplina e entusiasmo indispensáveis em todas as atividades escolares.
Neste sentido Fonterrada (2009, p. 12) nos diz que:
Hoje, há uma enorme necessidade de compreensão da música e dos processos de ensino e aprendizagem dessa arte. Até que se descubra seu real papel, até que cada indivíduo em particular, e a sociedade como um todo, se convençam de que ela é uma parte necessária, e não periférica, da cultura humana, até que se compreenda que seu valor é fundamental, ela terá dificuldades para ocupar um lugar proeminente no sistema educacional.
Além de contribuir para deixar o ambiente escolar mais alegre, podendo ser usada para propiciar uma atmosfera mais receptiva à chegada dos alunos, oferecendo um efeito calmante após períodos de atividades física e reduzindo a tensão em momentos de avaliação, a música também pode ser usada como um recurso no aprendizado de diversas disciplinas.
O educador pode selecionar músicas que falem do conteúdo a ser trabalhado em sua área, isso vai tornar a aula dinâmica, atrativa, e vai ajudar a recordar as informações. A escola deve ampliar o conhecimento musical do aluno, oportunizando a convivência com os diferentes gêneros, permitindo que o aluno se torne mais crítico. Conforme Márciso (1982 p. 148) “[…] uma das tarefas primordiais da escola é assegurar a igualdade de chances para que toda criança possa ter acesso a música e possa educar-se musicalmente, qualquer que seja o ambiente sociocultural de que provenha”.
Atividades como cantar fazendo gestos, dançar, bater palmas, pés, são experiências importantes para a criança, pois elas permitem que se desenvolva o senso rítmico, a coordenação motora, sendo fatores importantes também para o processo de aquisição da leitura e da escrita (CHIARELLI; BARRETO, 2005).
Tanto o som quanto o ritmo, elementos básicos da música, empregados especificamente ou os dois juntos, na plenitude da expressão musical, podem despertar e refinar a sensibilidade da criança, provocar nelas reações de cordialidade e entusiasmo, prender a sua atenção e estimular a sua vontade, auxiliando a consolidar a ação educativa. Ao mesmo tempo, a expressão musical pode representar um meio de o educador compreender a criança, pois as mudanças que sofre tornam-se visíveis em suas experiências criativas e rítmicas. Daí a importância de se incluir as diversas modalidades de expressão musical na educação infantil, período de grande plasticidade nervosa e, consequentemente de profundas e duradouras fixações.
Gainza (1998) afirma que as atividades musicais na escola podem ter objetivos, profiláticos, nos seguintes aspectos:
Físicos: oferecendo atividades capazes de promover o alívio de tensões devidas a instabilidade emocional e fadiga;
Psíquico: promovendo processos de expressão, comunicação e descarga emocional através do estímulo musical e sonoro;
Mental: proporcionando situações que possam contribuir para estimular e desenvolver o sentido da ordem da harmonia, organização e compreensão.
O trabalho com a musicalização infantil na escola é indispensável, pois, além do desenvolvimento da sensibilidade à música contribui para a concentração, memória, coordenação motora, socialização, acuidade auditiva e disciplina.
A música, no âmbito escolar, vem sendo utilizada como suporte para formação de hábitos, atitudes e comportamentos. Presenciar uma criança sendo conduzida, através da música, para atividades como: lanchar, escovar os dentes, lavar as mãos, memorização de conteúdo, comemorações em datas específicas, são práticas corriqueiras, o que nos leva a refletir sobre a forma mecânica que é conduzida. Quando a música é tratada como se fosse apenas um produto pronto, que se aprende somente a reproduzir, deixa de ser uma linguagem cujo conhecimento se constrói. A linguagem musical, com seus conteúdos próprios, não pode ser direcionada, pela ação docente, de forma irresponsável, aleatória.
Entende-se que a maioria dos professores que trabalham com o público infantil, não tem formação musical, e isso implica em não respeitar o nível de percepção e desenvolvimentos das crianças em suas respectivas fases. O RCNEI orienta que cada profissional procure entender, de forma reflexiva, a respeitar cada fase de expressão da criança, e a partir daí, poderá fornecer os meios necessários: vivências, informações e materiais, para o desenvolvimento de sua capacidade expressiva.
Com a inserção da Lei nº 11.769/08, que determina a música como conteúdo obrigatório da Educação Básica, evidencia a valorização e importância da música nesse seguimento, mas é necessário capacitação e formação, para que o corpo docente potencialize o ensino/aprendizagem, satisfatoriamente.
Ligar a música e o movimento, utilizando a dança ou a expressão corporal, pode contribuir para que algumas crianças, em situação difícil na escola, possam se adaptar (inibição psicomotora, debilidade psicomotora, instabilidade psicomotora, etc.). Por isso é tão importante a escola se tornar um ambiente alegre, favorável ao desenvolvimento. E é nesse ambiente escolar que a criança é mais receptiva ao desenvolvimento musical, podendo-se obter excelentes resultados com a aplicação sistemática de práticas musicais.
A Música no Berçário
De acordo com os documentos do Referencial Curricular Nacional para a EducaçãoInfantil (RCNEI):
O trabalho com a música deve considerar, portanto, que ela é um meio de expressão e forma de conhecimento acessível aos bebês e crianças, inclusive aquelas que apresentam necessidades especiais. A linguagem musical é excelente meio para o desenvolvimento da expressão do equilíbrio, da autoestima e autoconhecimento, além do poderoso meio de integração social. (BRASIL,1998, p. 49).
Por ser uma fase de descobertas e de conhecimentos, o trabalho com a música será um facilitador e formador do aprendizado.
No primeiro ano de vida, a prática musical poderá ocorrer por meio de atividades lúdicas. O professor estará contribuindo para o desenvolvimento da percepção e atenção dos bebês quando canta para eles; produz sons vocais diversos por meio da imitação de vozes de animais, ruídos etc., ou sons corporais, como palmas, batidas nas pernas, pés etc.; embala-os e dança com eles. As canções de ninar tradicionais, os brinquedos cantados e rítmicos, as rodas e cirandas, os jogos com movimentos, as brincadeiras com palmas e gestos sonoros corporais, assim como outras produções do acervo cultural infantil, podem estar presentes e devem se constituir em conteúdo de trabalho. Isso pode favorecer a interação e resposta dos bebês, seja por meio da imitação e criação vocal, do gesto corporal, ou da exploração sensório-motora de materiais sonoros, como objetos do cotidiano, brinquedos sonoros, instrumentos musicais de percussão como chocalhos, guizos, blocos, sinos, tamboresetc. (RECNEI, BRASIL, 1998, p.58).
Estudos demonstram o poder da musicalização para bebês. Eis a razão de inseri-la desde cedo, pois, ajudará na audição, coordenação motora, fala e inúmeros benefícios. Pensando lá na frente, a musicalização para bebês é importante para: desenvolvimento da concentração mais apurada; desde cedo o senso crítico será ativado; gerar respeito mútuo e próprio, aumento da autoestima, disciplina e equilíbrio emocional, dentre outros. O despertar musical desde o berçário é uma riqueza incalculável para a formação educacional da criança.
Segundo Brito (2003, p. 35):
Trazer a música para o nosso ambiente de trabalho exige, prioritariamente, uma formação musical pessoal e também atenção e disposição para ouvir e observar o modo como bebês e crianças percebem e se expressam musicalmente em cada fase de seu desenvolvimento, sempre com o apoio de pesquisas e estudos teóricos que fundamentam o trabalho.
A diminuição da disponibilidade da permanência dos pais com seus bebês, proveniente da rotina de trabalho que tem ocupado de forma significativa o tempo deles, vem mudando o cenário educacional. Bebês entram mais cedo nas creches e isso nos faz refletir da seriedade com o qual a música deve ser trabalhada na Educação Infantil. É durante esse período que a criança é mais receptiva ao desenvolvimento musical. Através dessa vivência estaremos formando futuros ouvintes, talentosos artistas ou simplesmente pessoas sensíveis e equilibradas. A aculturação por meio do ato do cantar deixou de ser uma prática vivenciada pelos pais, sendo transferida para os profissionais da educação, portanto, a responsabilidade de um trabalho musical consciente, com embasamento teórico e prática com muita criatividade e ludicidade, precisa ser relevante.
Segundo Loureiro (1999, p.20):
“Musicalização é o processo de desenvolvimento da musicalidade”. Maura Penna afirma: “Ato ou processo de musicalizar. Musicalizar(-se): tornar(-se) sensível a música, de modo que internamente, a pessoa reaja, se mova com ela (PENNA, 1990 p. 22). Dessa forma o professor deve proporcionar às crianças o maior número de oportunidades para se expressarem musicalmente. E para que isso aconteça, é necessário que se apropriem de algumas habilidades musicais, porque o tempo maior de convivência dos bebês, serão com esses profissionais.
Gordon é categórico ao afirmar que “não se ensina música à criança, vivencia-se a música”. A importância de estabelecer uma relação, de como, e o que será trabalhado de forma concreta, pertinente ao universo da criança. Enfatiza também, a necessidade de os professores criarem seus métodos, sua forma de ensinar.
Assim como as crianças desenvolvem a linguagem verbal, podem desenvolver os processos cognitivos relacionados ao desenvolvimento de uma espécie de pensamento musical, que na teoria de Gordon, corresponde ao conceito de Audição. Eis a razão de pais e principalmente professores, que passam boa parte do tempo com os bebês e as crianças, proporcionar a elas a escuta de todos os tipos de músicas, inclusive os mais ricos e complexos. Precisam ouvir ritmos e melodias que contribuam na linguagem musical. Quanto mais cedo a música for introduzida no ambiente da criança, maior será seu potencial para aprender.
Para Bréscia (2003, p 81) “[…] o aprendizado de música além de favorecer o desenvolvimento afetivo da criança, amplia a atividade cerebral, melhora o desempenho escolar dos alunos e contribui para integrar socialmente o indivíduo”.
A musicalização direcionado para bebês e crianças pequenas, é tão complexo e encantador que, se não tivermos consciência musical ampla, em proporcionar práticas pedagógicas que possam ser conduzidas de uma maneira mais eficiente, não alcançaremos os objetivos.
Para Feres (1998, p.13 e 14):
O objetivo de ensinar música para os bebês, são: desenvolver na criança o prazer de ouvir e fazer música; proporcionar à criança momentos de prazer junto a quem ama; contribuir para resgatar o nosso patrimônio cultural, utilizando canções folclóricas e populares nas aulas; proporcionar à criança um ambiente onde terá maior liberdade para criar; estimular o canto e a fala, a criança aprende a cantar ao mesmo tempo que aprende a falar; dar a oportunidade à criança de ter contato com outras pessoas numa atmosfera expressiva e agradável; ensinar a criança a respeitar regras e conhecer limites e desenvolver a musicalidade, sensibilidade, percepção auditiva, psicomotricidade, senso rítmico e sociabilidade.
Quando olhamos ao redor, e percebemos falhas em muitas práticas tanto no seio familiar quanto no ambiente escolar, onde driblamos o desenvolvimento da linguagem dos bebês, priorizando os estímulos eletrônicos, e deixando as relações sociais menos oportunas, estamos perdendo a grande oportunidade de vivenciar o que é de mais precioso, o crescimento em todos os aspectos de um ser em desenvolvimento: social, emocional, cognitivo… Eis a questão de pensar na importância do contexto educacional num todo, principalmente a inserção da música, tanto no ambiente familiar quanto escolar.
A PRÁTICA PEDAGÓGICA DO EDUCADOR MUSICAL
O trabalho de educação musical se realizado com clima de prazer, só poderá ser imensamente gratificante. O principal objetivo do educador, é despertar a vida nas crianças, facilitando a sua espontaneidade e sua expressão pessoal para que a música realize realmente o desenvolvimento afetivo da personalidade infantil. É partindo da vida que o professor alcançará êxito no seu trabalho, e terá das aulas de iniciação musical uma fonte inesgotável de prazer não só para a criança, mas também para si mesmo. O professor deve ser sensível ao processo artístico. Ele só transmitirá emoção naquilo que também sente, só conseguirá sensibilizar os alunos à medida que também seja sensível. A função do educador de música é compartilhar com o aluno essa magia da música, entrar no domínio da sensibilidade.
De acordo com os documentos do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI):
Integrar a música à educação infantil implica que o professor deva assumir uma postura de disponibilidade em relação a essa linguagem. Considerando-se que a maioria dos professores de educação infantil não tem uma formação específica em música, sugere-se que cada profissional faça um contínuo trabalho pessoal consigo mesmo no sentido de: • sensibilizar-se em relação às questões inerentes à música; • reconhecer a música como linguagem cujo conhecimento se constrói; • entender e respeitar como as crianças se expressam musicalmente em cada fase, para, a partir daí, fornecer os meios necessários (vivências, informações, materiais) ao desenvolvimento de sua capacidade expressiva. (BRASIL, 1998, p. 67).
É importante destacar que a música esteja presente na escola como um dos elementos formadores do indivíduo. Para que isso aconteça é imprescindível que o professor “seja capaz de observar as necessidades de seus alunos e identificar, dentro de uma programação de atividades musicais, aquelas que realmente poderão suprir as necessidades de formação desses alunos” (JOLY, 2003, p. 118)
A lei 11.769, não descreve sobre a inserção da música nas séries iniciais, porém, o RCNEI – Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil descreve que: Integrar a música à educação infantil, implica que o professor deva assumir uma postura de disponibilidade em relação a essa linguagem (BRASIL, 1998, p. 51).
É importante que o professor de música saiba estimular a sensibilidade do aluno, de maneira que ele aprenda música naturalmente, tal como realiza outras aprendizagens inerentes ao seu desenvolvimento natural. A criança percebe e maneja unidades musicais com a percepção que tem do mundo sonoro que a rodeia. Cada novo conhecimento implica uma relação com o conhecido. O educador musical que sente a pedagogia como uma arte, diz Gainza (1997), aspira a ser um intérprete e não um mero repetidor – no sentido artístico da palavra – da obra pedagógica dos diferentes educadores musicais com que ele tem contato.
A música é um elemento importante na rotina diária de uma sala de aula. O contato com ela pode enriquecer a experiência da criança de inúmeras formas. Se o professor tocar ou cantar diversas músicas em diferentes situações durante todo o dia escolar, a criança assimila outras situações de aprendizagem, tais como: habilidades sociais e estruturas de linguagem. As crianças são sempre aprendizes por inteiro, elas aprendem um pouco de cada coisa cada vez que tem oportunidade. Assim como assimilam os sons oriundos do processo de aprendizagem da linguagem elas também aprendem os sons musicais experimentando-os como parte do ambiente onde estão. Canções, histórias jogos e danças auxiliam o amadurecimento social, emocional, físico e cognitivo da criança. A música também é um meio de fazê-la participar de atividades de grupo e de incluir nesse grupo crianças com diferentes graus de desenvolvimento, aproveitando no grupo o potencial de cama uma.
É importante que o professor possa estar atento a maior ou menor adequação dos diversos instrumentos à faixa etária de zero a seis anos. Pode-se confeccionar diversos materiais sonoros com as crianças, bem como introduzir brinquedos sonoros populares, instrumentos étnicos etc. O trabalho musical a ser desenvolvido nas instituições de educação infantil pode ampliar meios e recursos pela inclusão de materiais simples aproveitados do dia-a-dia ou presentes na cultura da criança. Nessa faixa etária, a criança não deve ser treinada para a leitura e escrita musical na instituição de educação infantil. O mais importante é que ela possa ouvir, cantar e tocar muito, criando formas de notação musicais com a orientação dos professores. (BRASIL, 1998, p. 72 e 75).
O processo de ensino-aprendizagem com a música é uma prática que vai além do aluno, envolvendo o docente e a escola. Borges (2003, p. 115) diz que:
[…] é preciso insistir quanto à necessidade de se recuperar sua verdadeira função. Isto só será possível na medida em que o professor for também sensível à expressão musical. Não que precise ser um especialista em música, ou saber tocar, necessariamente, algum instrumento. Porém, deverá estar consciente de que, em contato com a música, a criança poderá: manter em harmonia a relação entre o sentir e o pensar; proteger a sua audição, para que não se atrofie diante do aumento de ruídos e da desqualificação sonora do mundo moderno; habituar-se a isolar um ruído ou som para dar-lhe sentido, especificidade ou perceber a beleza que lhe é própria.
Freire (2002) ainda diz que é na formação permanente dos professores, o momento fundamental da reflexão crítica sobre a prática. E pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática.
A importância da Busca de Novas Metodologias
Durante a idade média, a música teve um lugar destacado dentro das escolas, principalmente quando se falava em música sacra e poesia. Através dos tempos, tem sido inegável o papel da música como um dos fatores na formação do homem, por isso, faz-se necessário uma reflexão sobre os contextos históricos, tanto educacionais e sociais, bem como, o interesse pela educação como um todo, principalmente a musical, pois, como prática educativa, continua sendo alvo de discussões.
O ensino da música percorreu vários caminhos, dentro da história do Brasil, e essa influência, oriunda dos portugueses, teve um marco para o ensino musical, quando em 1906, com a criação do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, foi relevante ao estabelecer padrões artístico-pedagógicos, para as escolas, ditas, especializadas, abrindo assim, um grande leque, para a evolução da educação musical, sendo mais tarde inserida nas escolas, em todos os seguimentos.
Marcados, por grandes períodos, em todos os aspectos, a história da música na educação, mesmo passando por movimentos de permanências e rupturas, conservação e transformação, ainda busca, até hoje, uma prática de ensino-aprendizagem, que seja adequada, dentro do sistema educacional brasileiro. E para que isso aconteça, a muitos caminhos a serem galgados…
Muitas mudanças na educação musical no Brasil, ocorreram, tendo como destaque a implantação do ensino da música, a nível nacional, nas escolas públicas, nas décadas de 30 e 40, sendo o Canto Orfeônico o método utilizado, o que rendeu posteriormente, a necessidade de se criar o curso específico de formação em música, para professores. Com toda essa evolução, o ensino da música deu um salto gigantesco, e sua maior relevância deu-se com a implantação da LDB 9.394/96, que estabeleceu o ensino da disciplina de arte na educação básica.
Segundo Penna (2008, p.120):
A educação musical começou a ser repensada no Brasil por meio da obrigatória inserção da música como conteúdo na escola regular. Não se deve esquecer, no entanto, que a legislação já estabelece, há mais de trinta anos, a presença da música na escola, muito embora, durante esse período, as práticas musicais escolares tenham sido marcadas por “indefinição, ambiguidades e multiplicidade”.
Segundo os PCN
“(…) As oportunidades de aprendizagem de arte, dentro e fora da escola mobilizam a expressão e a comunicação pessoal e ampliam a formação do estudante como cidadão, primeiramente por intensificar as relações dos indivíduos tanto como seu mundo interior, como com o exterior”. (PCN, Arte. Introdução, 1998, p. 19).
Com toda essa conquista, a metodologia aplicada em relação ao ensino da música, em sala de aula, ainda sofre rupturas, muitas vezes distanciando do objetivo principal. Principalmente nas séries iniciais.
De acordo com os documentos do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI):
A música no contexto da educação infantil vem, ao longo de sua história, atendendo a vários objetivos, alguns dos quais alheios às questões próprias dessa linguagem. Tem sido, em muitos casos, suporte para atender a vários propósitos, como a formação de hábitos, atitudes e comportamentos: lavar as mãos antes do lanche, escovar os dentes, respeitar o farol etc.; a realização de comemorações relativas ao calendário de eventos do ano letivo simbolizados no dia da árvore, dia do soldado, dia das mães etc.; a memorização de conteúdos relativos a números, letras do alfabeto, cores etc., traduzidos em canções. Essas canções costumam ser acompanhadas por gestos corporais, imitados pelas crianças de forma mecânica e estereotipada. Outra prática corrente tem sido o uso das bandinhas rítmicas para o desenvolvimento motor, da audição, e do domínio rítmico. Essas bandinhas utilizam instrumentos — pandeirinhos, tamborzinhos, pauzinhos etc. — muitas vezes confeccionados com material inadequado e consequentemente com qualidade sonora deficiente. Isso reforça o aspecto mecânico e a imitação, deixando pouco ou nenhum espaço às atividades de criação ou às questões ligadas a percepção e conhecimento das possibilidades e qualidades expressivas dos sons. Ainda que esses procedimentos venham sendo repensados, muitas instituições encontram dificuldades para integrar a linguagem musical ao contexto educacional. Constata-se uma defasagem entre o trabalho realizado na área de Música e nas demais áreas do conhecimento, evidenciada pela realização de atividades de reprodução e imitação em detrimento de atividades voltadas à criação e à elaboração musical. Nesses contextos, a música é tratada como se fosse um produto pronto, que se aprende a reproduzir, e não uma linguagem cujo conhecimento se constrói. (BRASIL, 1998, p.47).
Sendo assim, é necessário reestruturar o papel da música para que tenha significado no processo da educação escolar. Mas, se o docente não tem essa qualificação necessária, desprovido de uma formação adequada, jamais vai entender as oportunidades de aprendizagens que a arte proporciona. Essa deficiência é mais caótica quando o professor é desprovido de especialização musical, realidade que permeia muitas das nossas instituições de ensino.
A música é trabalhada em sala de aula, mas muitas sem considerar os aspectos emocionais em que ela pode influenciar. A escola deve ampliar o conhecimento musical do aluno, oportunizando a convivência com os diferentes gêneros, permitindo que o aluno se torne mais crítico.
Conforme Mársico (1982, p. 148) “[…] uma das tarefas primordiais da escola é assegurar a igualdades de chances, para que toda criança possa ter acesso a música e possa educar-se musicalmente, qualquer que seja o ambiente sociocultural de que provenha”. Daí, perguntamos: como um professor, sendo mero apreciador musical (a LDB dá esse direito) conseguirá ter essa sensibilidade emocional? O professor deve ser sensível ao processo artístico. Ele só transmitirá emoção naquilo que também sente, só conseguirá sensibilizar os alunos à medida que também seja sensível. A função do educador de música é compartilhar com o aluno essa magia da música, entrar no domínio da sensibilidade, que ao lado dos aspectos físicos e cognitivos, é realmente o centro do trabalho musical.
Durante a Idade Média e o Renascimento, a música era considerada os quatro pilares da aprendizagem, juntamente com a geometria, a astronomia e aritmética. Em nossa época, entretanto, ela tem sofrido, pois é uma das primeiras matérias a serem banidas dos programas escolares, quando são feitos cortes no orçamento, principalmente em se tratando do setor privado. Para um docente, especialista na área, fica à mercê, dessa expectativa. Mesmo com a Lei sancionada para a obrigatoriedade do ensino da música na Educação Básica, no papel é tudo muito louvável, mas na realidade não acontece. Onde estão os professores que vão atender à demanda criada pela nova Lei? Excelentes profissionais estão em escolas de músicas, muitas intituladas, conservatórios, mas em geral, eles não estão na rede de ensino público e/ou privados. É preciso repensar a concepção de buscar formas de atrair essas pessoas para a escola, ou então, qualificar a formação dos que já atuam na área.
Integrar a música à educação infantil implica que o professor deve assumir uma postura de disponibilidade em relação a essa linguagem. Considerando-se que a maioria dos professores de educação infantil não tem uma formação específica em música, sugere-se que cada profissional faça um contínuo trabalho pessoal consigo mesmo (BRASIL, 1998).
É preciso recolocar valores e traçar novos objetivos para a educação, pois, as atividades mais propícias para que esses objetivos sejam alcançados são, sem dúvida, as atividades de expressão artística, através das quais ela pode representar a realidade e expressar suas emoções. Espera-se de cada professor, do poder público, momentos de reflexões e discussões, para que o ensino de Arte, em especial a Música, seja o diferencial na educação básica.
Métodos Ativos dentro da Metodologia
Entende-se “métodos ativos”, metodologias propostas à criança em que participa ativamente de seu aprendizado, ou seja, ela tem a oportunidade de, através das experiências associadas ao movimento, audição crítica e reflexiva, vivenciá-las, para a partir daí construir seu conhecimento.
Na metade do século xx, esses métodos foram sendo desenvolvidos. Dalcroze foi o precursor desse método, onde as inovações pedagógicas musicais, surgiram, trazendo um novo olhar para a educação musical, baseado no movimento, sendo o corpo elemento essencial para essa prática.
A pedagogia elaborada por Dalcroze, originou-se da necessidade de perceber que a escola precisa preparar a criança para a carreira artística. O que antes era mecânico, sendo a leitura e escrita o fazer musical, sem a participação do corpo, viu-se a necessidade da sensibilização da consciência rítmica.
É dentro da habilidade motora, que vemos a importância da utilização e da consciência corporal na prática musical, através dos jogos, danças, histórias e canções. É por meio do corpo, que se vivenciam conceitos e elementos musicais. A música e movimento estão interligados. O movimento é um aspecto muito importante na educação musical. O compositor alemão Carl Orff sempre defendeu a integração de música com o movimento, e do elo rítmico entre esses dois elementos, como base para uma educação musical moderna.
Ilari (2003) diz que, quando o canto, acompanhado de movimentos corporais acontece em sala de aula, as crianças ainda têm a possibilidade de desenvolver a socialização, o sistema de orientação espacial e motor.
A vivência musical promovida pela musicalização permite ao aluno o desenvolvimento da capacidade de expressar-se de modo integrado, realizando movimentos corporais enquanto canta ou ouve uma música. Quando a criança ouve um impulso sonoro curto ela realiza um movimento corporal, está transpondo o som percebido para outra linguagem. Diferentes tipos de sons podem ser traduzidos corporalmente.
Diante dessa percepção, Dalcroze elaborou atividades, contemplando a música, o movimento, a duração, o espaço, a dinâmica, o tempo, valorizando assim, a rítmica.
Consta nos RCNEIs (BRASIL, 1998, p. 72-73):
[…] o trabalho com a música deve reunir toda e qualquer fonte sonora: brinquedos, objetos do cotidiano e instrumentos musicais de boa qualidade. É preciso lembrar que a voz é o primeiro instrumento e o corpo humano é fonte de produção sonora.
Segundo os RNCEIs (BRASIL, 1998), a música mantém uma forte ligação com o brincar. Em todas as culturas as crianças brincam com a música. Jogos e brinquedos musicais são transmitidos por tradição oral. Envolvendo o gesto, o movimento, o canto, a dança e o faz-de-conta. É dessa forma que rítmica vai propiciando a integração das faculdades sensoriais, afetivas e mentais. A música quando associadas a movimentos corporais coordenados, agradam às crianças e são uma excelente estratégia que o professor pode usar para o desenvolvimento do seu trabalho.
O corpo da criança é o ponto de partida, sendo sua voz um precioso instrumento dentro de si. Ela é levada a praticar, a reconhecer e a descobrir o ritmo e o som de maneira livre e organizada, a partir dos movimentos corporais. Enfim, o trabalho com a música, em sala de aula, possibilita à criança, usar toda sua capacidade para uma aprendizagem de acordo seu ritmo.
Principais Características dos Métodos
Carl Orff
A abordagem pedagógica, tem como objetivo construir o aprendizado de conceitos e habilidades musicais por meio do envolvimento com atividades de fala, canto, manuseio de instrumentos e expressão corporal, enfatizando a criatividade e o aprendizado intuitivo da criança.
A utilização dos instrumentos vem sempre associada a atividades com a voz e com o corpo.
ZoltanKodály
Sua pedagogia é centrada na figura do professor, como modelo a ser seguido pelos alunos.
Valoriza a música folclórica, explorando a variedade da cultural local.
A voz é o elemento essencial para sua prática.
Edgar Willems
A importância da interligação existente entre a música e o ser humano, relacionando assim o triplo aspecto do homem: fisiológico, afetivo e mental, com os elementos característicos da música: ritmo, melodia e harmonia.
Sua metodologia, segue as etapas do desenvolvimento da criança, através de uma educação musical ativa e criadora.
Enfatiza a importância de a criança viver e fazer a música, depois pensar sobre ela.
Shinichi Suzuki
A proposta pedagógica é direcionada, inicialmente para criança, e intitulado Educação de talento.
Sua metodologia foi baseada na abordagem da linguagem materna.
A educação musical da criança, começa em casa, com acompanhamento dos pais.
O talento musical dá-se em consequência de um estudo sistemático, ou seja, todos podem ter acesso.
Jogos e Brincadeiras com a Música
Segundo os RECNEIs (BRASIL 1998), a música mantém uma forte ligação com o brincar. Os brinquedos sonoros são fontes de observação e descobertas, provocando respostas. Os bebês têm as mais diversas reações, mantendo-se tranquilos ou agitados frente a esses brinquedos. As crianças dão muita importância a toda e qualquer fonte sonora. Interessam-se elas ações e produções de sons, sendo que sacudir e bater são os primeiros modos de ação. Além de cantar a criança tem interesse também em tocar pequenas melodias nos instrumentos musicais, buscando entender sua construção. Consta no BRASIL (1998) que,
A expressão musical das crianças nessa fase é caracterizada pela ênfase nos aspectos intuitivo e afetivo e pela exploração (sensório-motora) dos materiais sonoros. As crianças integram a música às demais brincadeiras e jogos: cantam enquanto brincam, acompanham com os sons os movimentos de seus carrinhos, dançam e dramatizam situações sonoras diversas, conferindo “personalidade e significados simbólicos aos objetos sonoros ou instrumentos musicais e à produção musical. O brincar permeia a relação que se estabelece com os materiais: mais do que sons, podem representar personagens como animais, carros máquinas super-heróis etc.
Tudo é uma grande descoberta sonora. A criança inventa ruídos, barulhos, cria palavras, experimenta possibilidades de sons corporais, enfim assa todo o seu tempo brincando com possibilidades sonoras. Que maravilha seria se todos nós pudéssemos, desde que nascemos dedicar, ou pelo menos estar abertos, ao brincar, ao experimentar, ao imaginar, ao realizar. Enquanto somos pequenos e livres tudo é uma grande atividade prazerosa de brincar – brincar de faz-de-conta, brincar de inventar.
Conforme Vygotsky (1998, p. 126), “é no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva, ao invés de uma esfera visual externa, dependendo das motivações e tendências internas, e não pelo dos incentivos fornecidos pelos objetos externos”.
Toda a nossa brincadeira está associada ao som, à música, ao ritmo. Será que temos consciência do potencial que uma criança pode desenvolver quando trabalhamos aspectos da linguagem musical? Será que temos ideia de como a música pode proporcionar o desenvolvimento de todas as percepções de uma criança, inclusive o senso crítico? Sendo assim, como despertar a criança para o ambiente sonoro que o cerca? Como estimulá-la a perceber e diferenciar os sons e ritmos do cotidiano? Como ajudá-la a reconhecer um som específico em meio a tantos outros? Uma das alternativas de que podemos realizá-la, é através de brincadeiras que ajudem a criança a perceber, diferenciar, reconhecer e experimentar os diversos tipos de sons.
Segundo as autoras Ferraz e Fusari (199, p. 84), “o brincar nas aulas de arte pode ser uma maneira prazerosa de a criança experimentar novas situações e ajudá-la a compreender e assimilar mais facilmente o mundo cultural e estético (…) a prática artística é vivenciada pelas crianças como uma atividade lúdica, onde o fazer se identifica com o brincar, o imaginar com a experiência da linguagem ou da representação”.
Jogos e brinquedos cantados têm importante papel no desenvolvimento da criança, sendo responsáveis pela transmissão de cultura através das gerações. Através da música poderemos usar jogos e brincadeiras com regras, onde iremos trabalhar elementos necessários para o desenvolvimento da criança: físico, afetivo e mental.
Os jogos musicais devem ser trabalhados obedecendo as fases do desenvolvimento da criança:
Sensório-motor: (até os dois anos)
A criança não dispõe de linguagem, reagindo através de ações motoras e imitativas. Os sentidos estabelecem o contato com o meio ambiente. A resposta que se espera ao estímulo são as reações de MOTRICIDADE. Portanto, jogos de: tocar, cheirar saborear, ouvir, para se trabalhar os gestos.
Simbólicos:
A partir dos dois anos a criança estabelece relações entre os movimentos e o meio à sua volta e começa a usar a linguagem. A resposta que se espera frente aos estímulos é a PALAVRA, sílabas, momento da manipulação dos objetos do material musical e das canções mais simples.
Com regras:
A partir dos quatro anos: Momento das experiências para se chegar aos conceitos. Usar os jogos com estrutura, fazendo da brincadeira jogos com REGRAS.
Percebe-se claramente que a música é um dos meios mais eficazes de se atingir as crianças, estabelecendo-lhes uma atmosfera de alegria, ordem, disciplina e entusiasmo indispensáveis em todas as atividades escolares. O trabalho desenvolvido na educação infantil, busca a brincadeira musical, aproveitando que existe uma identificação natural da criança com a música. A música faz parte do cotidiano da escola, dando suporte ao trabalho dos professores que buscam integrar as diversas áreas de conhecimento ao pensarem seus projetos. Ela é um meio de expressão e forma de conhecimento acessível, tendo grande influência na aprendizagem das crianças. Seja ela formal ou não, ensina às crianças requisitos importantes para a vida adulta.
A linguagem musical está presente no desenvolvimento infantil antes mesmo de nascer, pois, o bebe já está em contato com a música através das batidas do coração da sua mamãe, são os primeiros estímulos sonoros. Podemos perceber, então, a forte influência que a música exerce sobre a criança. É necessário então que seja desenvolvido um trabalho onde a criança possa ouvir, repetir, criar novos sons.
É na base escolar, ou seja, na Educação Infantil, que a criança tem contato diariamente com a música, onde professores utilizam para integração nas diversas áreas de conhecimento. Mediante essa vivência musical, a criança terá capacidade de expressar-se de modo integrado, enquanto canta ou ouve uma música o seu corpo realiza movimentos.
O termo “musicalização infantil” adquire então uma conotação específica, caracterizando o processo de educação musical por meio de um conjunto de atividades lúdicas, em que as noções básicas de ritmo, melodia, compasso, métrica, som, tonalidade, leitura e escrita musical são apresentadas à criança por meio de canções, jogos, pequenas danças, exercícios de movimento, relaxamento e prática de pequenos conjuntos instrumentais (BRITO, 1998 apud JOLY, 2003, P. 116).
Entendemos a musicalização como um “processo educacional orientado que se destina a todos que, na situação escolar, necessitam desenvolver esquemas de apreensão da linguagem musical” (PENNA, 1990, p. 32).
É na Educação Infantil que as crianças vivenciam ritmos, gestos, jogos… e dividem-se em duas etapas, o fazer musical que envolve e criança de zero a três anos e a apreciação musical que envolve a crianças de quatro a seis anos.
De acordo com os RCNEIs (BRASIL, 1998), o trabalho com a música deve organizar-se de forma que as crianças desenvolvam as seguintes capacidades:
Ouvir, perceber e discriminar eventos sonoros diversos, fontes sonoras e produções musicais;
Explorar e identificar elementos da música para se expressar, interagir com os outros e ampliar seu conhecimento do mundo;
Perceber e expressar sensações, sentimentos e pensamentos, por meio de improvisações, composições, e interpretações musicais.
É nesse contexto que a ludicidade é integrada como fator preponderante no fazer musical. A criança precisa sentir prazer em tudo que faz. O brincar proporciona essa liberdade de expressão. Os jogos musicais, dentro da Educação Infantil, dão esse norte aos professores, onde percebem o desenvolvimento da criança, mediante o envolvimento nas atividades propostas.
Para Piaget (1971), “a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança. Não são apenas uma forma de desafogo ou entretenimento para gastar energia das crianças, mais meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual”.
Através dessas práticas dos jogos e brincadeiras, é que o professor terá a oportunidade de observar o comportamento das crianças, o desenvolvimento físico e mental, e as características de sociabilidade que elas apresentam mediante as reações e emoções.
Há várias formas de se trabalhar a música na escola, por exemplo, de forma lúdica e coletiva, utilizando jogos, brincadeiras de roda e confecção de instrumentos. A imaginação é uma grande aliada nesse quesito lembrando que a musicalidade está dentro de cada pessoa. (BUENO, 2011, p.231).
O processo de cuidado e educação das crianças na educação Infantil, se torna mais efetivo e prazeroso quando há envolvimento real. Durante seu desenvolvimento, a criança manifesta diferentes formas de sentir, pensar e agir, que caracterizam suas relações com o mundo físico e social.
É nesse ambiente de musicalização atrelada à ludicidade, que a criança encontra afetividade necessária para o desenvolvimento afetivo, cognitivo e social.
De acordo com Joly (2003):
A criança, por meio da brincadeira, relaciona-se com o mundo que descobre a cada dia e é dessa forma que faz música: brincando. Sempre receptiva e curiosa, ela pesquisa materiais sonoros, inventa melodias e ouve com prazer a música de diferentes povos e lugares. (p. 116).
É necessário repensarmos as práticas pedagógicas, com intervenções que, de fato, contribuam para o crescimento da criança, no sentido de mudarmos nossas atitudes e comportamentos, que demandam conhecimentos e habilidades.
Quando entendermos que o trabalho de musicalizar brincando, é um processo que completa o desenvolvimento da criança, onde vai de encontro aos seus interesses, proporcionando benefícios, aí sim, estamos chegando ao objetivo proposto.
Segundo Maldonado (2003), através das brincadeiras a criança: apreende, exercita suas novas habilidades, percebe (fascinada) coisas novas, digere medos e angústias, repete sem parar o que gosta, explora e pesquisa o que há de novo ao seu redor.
Infelizmente quando nos referimos à musicalização, de fato, percebemos uma ação despretensiosa por alguns professores, onde não buscam inovações para suas práticas. Não sabendo eles que, é através das atividades lúdicas, que enriquecem as aulas de música, e contribui significativamente na sala de aula. As brincadeiras musicais devem ser propostas de forma criativa e inovadora para se tornarem mais interessantes. O maior ou menor interesse demonstrado pela criança poderá depender da atuação e entusiasmo do professor.
Registro e Avaliação musical
De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da educação, sancionada em dezembro de 1996 a avaliação na educação infantil,
Far-se-á mediante o acompanhamento e registro do seu desenvolvimento sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental”. (LDB, 1996, seção II, artigo 31).
Na área de música a avaliação:
Deve ser contínua levando em consideração os processos vivenciados pelas crianças, resultado de um trabalho intencional do professor. Deverá constituir-se em instrumento para a reorganização de objetivos, conteúdos, procedimentos, atividades, e como forma de acompanhar e conhecer cada criança e grupo.O registro de suas observações sobre cada criança e sobre o grupo será um valioso instrumento de avaliação.É recomendável que o professor atualize, sistematicamente, suas observações, documentando mudanças e conquistas. Deve-se levar em conta que, por um lado, há uma diversidade de respostas estão frequentemente sujeitas a alterações, tendo em vista não só a forma como as crianças pensam e sentem, mas a natureza do conhecimento musical. A prática constante da observação e da avaliação e seu consequente registro permitem que, ao final do processo, o professor possa elaborar uma síntese contando com dados importantes sobre o aluno durante o processo. Nesse sentido, a avaliação tem um caráter instrumental para o adulto e incide sobre os progressos apresentados pelas crianças”. (RECNEI, vol. 3, p.77).
A avaliação, na área de música deve considerar a qualidade do envolvimento nas atividades propostas, a postura para o fazer, a disposição para pesquisar, para escutar atentamente, para improvisar, compor, construir instrumentos. A formação de uma atitude adequada ao trabalho, de respeito aos materiais, de respeito ao silêncio, aos combinados prévios, de participação por meio de ideias, sugestões e comentários entre outros pontos, deve ser observada e avaliada pelo educador com o mesmo cuidado e critério que a avaliação de comportamentos especificamente musicais.
Precisamente, a avaliação deu-se de forma grupal, onde foi observado o envolvimento e entrosamento do grupo, nas atividades propostas.
A MÚSICA COMO RECURSO NA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA DE BEBÊS E CRIANÇAS
Entende-se aprendizagem significativa quando o objeto do conhecimento estudado, é familiar e reconhecível no mundo concreto. Na aprendizagem de bebês e crianças acontece dessa forma.
Ausubel (1982), em sua teoria da aprendizagem defende a valorização dos conhecimentos prévios dos alunos possibilitando construção de estruturas mentais por meio da utilização de mapas conceituais que abrem um leque de possibilidades para descoberta e redescoberta de outros conhecimentos, viabilizando uma aprendizagem que dê prazer a quem ensina e a quem aprende e também que tenha eficácia.
Sendo assim, para que uma aprendizagem ocorra, ela deve ser significativa, por isso a criança, como sujeito desse processo, deve ter participação consciente, pois, o ensino não é adestramento de habilidades. Em relação à música, a criança tem conhecimentos prévios vivenciados no seu cotidiano.
De acordo com os documentos do Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI):
O ambiente sonoro, assim como a presença da música em diferentes e variadas situações do cotidiano fazem com que os bebês e crianças iniciem seu processo de musicalização de forma intuitiva. Adultos cantam melodias curtas, cantigas de ninar, fazem brincadeiras cantadas, com rimas, parlendas, etc., reconhecendo o fascínio que tais jogos exercem. Encantados com o que ouvem, os bebês tentam imitar a responder, criando momentos significativos no desenvolvimento afetivo e cognitivo, responsáveis pela criação de vínculos tanto com os adultos quanto com a música. Nas interações que se estabelecem, eles constroem um repertório que lhes permite iniciar uma forma de comunicação por meio dos sons. (BRASIL, 1998, p. 51).
Para Gordon (2008) o desenvolvimento musical infantil é semelhante ao desenvolvimento da fala. É necessário a criança ter acesso a um rico vocabulário de audição e fala. Com a música acontece a mesma coisa. Para dominar o vocabulário musical, precisa receber estimulação e acesso ao vocabulário de audição e canto. Em casa, é o primeiro lugar onde os bebês recebem esses estímulos, antes de ingressarem na escola. Uma das primeiras respostas do bebê à música é o balbucio musical. Gordon identificou dois tipos de balbucios:
Durante a fase do balbucio tonal as crianças tentam cantar com uma voz falada e as relações entre os sons que produzem têm pouco ou nada em comum com o contexto que foi estabelecido pela cultura musical. Isso sucede fundamentalmente porque ainda não aprenderam a distinguir entre uma qualidade de voz falada e uma qualidade de voz cantada. As duas vozes encontram-se juntas no nascimento. As crianças ouviram a voz falada muito mais frequentemente do que a voz cantada e por isso não estão motivadas para experimentar a sua voz cantada (GORDON, 2008, p. 11).
Pesquisadores e estudiosos vêm traçando paralelos entre o desenvolvimento infantil e o exercício da expressão musical, resultando em propostas que respeitam o modo de perceber, sentir e pensar, em cada fase, e contribuindo para que a construção do conhecimento dessa linguagem ocorra de modo significativo. O trabalho com Música proposto por este documento fundamenta-se nesses estudos, de modo a garantir à criança a possibilidade de vivenciar e refletir sobre questões musicais, num exercício sensível e expressivo que também oferece condições para o desenvolvimento de habilidades, de formulação de hipóteses e de elaboração de conceitos. (BRASIL, 1998, p.48).
FARIA (2001), define que a música é um importante fator na aprendizagem, pois a criança desde pequena a houve música, a qual e cantada muitas vezes pela mãe ao dormir, conhecida como cantiga de ninar. Na aprendizagem a música é muito importante, pois o aluno vive com ela desde pequeno.
As canções de ninar, as canções de roda, as parlendas e todo tipo de jogo musical têm grande importância, pois é por meio das interações que se estabelecem que os bebês permitirão comunicar-se pelos sons; os momentos de troca e comunicação sonoro-musicais favorecem o desenvolvimento afetivo e cognitivo, bem como a criação de vínculos fortes tanto com os adultos quanto com a música (BRITO, 2003, p. 35).
A educação musical está fazendo parte da educação das crianças, desde o berçário, pela importância que a música traz não só como entretenimento, mas no auxílio do aprendizado da fala, como o de aprender e ouvir e na coordenação motora.
A música se torna uma ferramenta de ensino-aprendizagem na escola. Segundo Girardi, (2004), a iniciação musical nas séries iniciais do Ensino Fundamental estimula áreas do cérebro da criança que vão beneficiar o desenvolvimento de outras linguagens. Para Merriam (1964), o processo de ensinoaprendizagem da música acontecem de formas variadas, e são determinados pelo contexto em que se inserem. “[…] cada cultura modela o processo de aprendizagem conforme os seus próprios ideais e valores” (Merriam, 1964, p.145). Para Gainza (1988), a música é um elemento fundamental no processo de ensino-aprendizagem, pois articula, mobiliza e contribui para a transformação e o desenvolvimento do aluno. A transformação e o desenvolvimento do aluno com a música segundo Caiado (2009), são vistos desde os primeiros anos escolares. A valorização do contato da criança com a música já era existente há tempos.
Conforme Leinig (1977):
A música é um dos estímulos mais potentes para ativar os circuitos do cérebro, ajuda a afinar a sensibilidade das pessoas, aumenta a sua capacidade de concentração, desenvolve o raciocínio lógico-matemático e a memória, além de desencadear emoções.
Por isso, os benefícios da música se estendem para todas as áreas da aprendizagem.
Ao trabalhar com atividades propostas dentro da ludicidade, o processo de ensino aprendizagem torna-se positivo, pois é na interação que as crianças aprenderão a conviver com as diferenças, respeitando-as. As atividades lúdicas tornam o aprendizado prazeroso e estimulante, oportunizando o desenvolvimento da criança de forma produtiva, mediante as relações professor – aluno e aluno – aluno.
A música é para a criança algo que ela encontra dentro dela mesma e expressa através dos movimentos que consegue fazer. Essa espontaneidade rítmica que ela descobre e a percepção auditiva e gestual (que a conduz à fala) é que deve ser estimulada.
Vikat (1996) em estudos comparativos envolvendo dois grupos de crianças, um dos quais foi exposto a um grande número de canções folclóricas, demonstrou que essas crianças apresentaram um desenvolvimento melhor do que as outras no que diz respeito ao desenvolvimento da imaginação espacial do pensamento lógico, da rapidez e exatidão da percepção auditiva. Portanto, no processo de aprendizagem musical é importante considerar o contato intuitivo e espontâneo que as crianças têm com a música desde os primeiros anos de vida como um ponto de partida para o processo de musicalização.
O RCNEI propõe a utilização da música na Educação Infantil desde o berçário, a qual proporciona um vínculo afetivo que é de vital importância para despertar na criança a confiança, sendo um fator importantíssimo no processo de ensino aprendizagem.
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Quando se tem questionamentos, inquietações, é preciso esclarecer o que está acontecendo ao redor das pessoas. Para se ter esse esclarecimento faz-se planeamento, segue-se um trajeto e no final, se obtém um resultado que pode ser ou não satisfatório ou seja, é preciso pesquisar. Silva e Menezes (2001) afirmam que:
Pesquisar é um trabalho que envolve um planejamento analógico ao de um cozinheiro. Ao preparar um prato, o cozinheiro precisa saber o que ele quer fazer, obter os ingredientes, assegurar-se de que possui os utensílios necessários e cumprir as etapas requeridas no processo. Um prato será saboroso na medida do envolvimento do cozinheiro com o ato de cozinhar e de suas habilidades técnicas na cozinha. O sucesso de uma pesquisa também dependerá do procedimento seguido, do seu envolvimento com a pesquisa e de sua habilidade em escolher o caminho para atingir os objetivos da pesquisa. (SILVA e MENEZES, 2001, p.9).
Concordando com Silva e Menezes Lakatos complementa dizendo que “a pesquisa […] é um procedimento formal com método de pensamento reflexivo que quer um tratamento científico e se constitui no caminho para conhecer a realidade ou descobrir verdades parciais” (LAKATOS, 2005, p. 157).
Baseados nesses procedimentos, a pesquisa foi desenvolvida com alunos do Berçário e Educação Infantil, e com o professor de música, por ser o mais indicado para responder aos questionamentos referentes ao assunto abordado, a inserção da música na Educação Infantil e o reflexo na aprendizagem significativa.
A Escola Educação Maior, localizada no município de Camaçari-Ba pertencente à rede particular de ensino, atendendo alunos do berçário ao Fundamental I, foi nosso campo de pesquisa.
Acompanhamos, a rotina das aulas, que acontece (1) uma vez na semana, com duração de 50min. Percebemos a dinâmica e o envolvimento do professor, com eles. Ministramos algumas aulas, com autorização do professor, colocando assim, nosso conhecimento teórico, em prática. Experiência enriquecedora, pois, percebemos como a música contribui de forma significativa na aprendizagem dos pequenos. Através de um bate papo com as crianças, ouvimos depoimentos maravilhosos. É notório a diferença de uma escola que entende da importância do trabalho de música.
Os instrumentos utilizados para coletar os dados dessa pesquisa foram: questionário (as crianças responderam oralmente) entrevista com o professor (um diálogo muito proveitoso, onde foram colocados os pontos relevantes em relação ao ensino de música) participação de algumas aulas (para observar pessoalmente o trabalho desenvolvido na prática), registro de fotos (momentos descontraídos e interessantes) e acompanhamento de uma apresentação musical pelos alunos (emocionante!).
É interessante a resposta proferida diante todos os questionamentos, digamos que foi extremamente positivo. O trabalho com a musicalização é o diferencial na instituição. O desenvolvimento dos alunos só confirma o que de fato os teóricos afirmam, a importância da música na vida da criança, pois tem um papel fundamental de permitir o desertar, a comunicação com o outrem e a relação com o mundo.
Essa turma foi escolhida, pelo trabalho musical que é desenvolvido com eles, trazendo experiências significativas e enriquecedoras, confirmando que a música é imprescindível para os aspectos físicos e cognitivos, pelo fato de representar uma atividade natural na vida da criança.
A linguagem musical lida com relações de tempo e espaço e é um poderoso agente motivacional, educacional, terapêutico, social e contribui no processo de transformação do ser humano. Portanto, considera-se essa pesquisa relevante quanto aos fatores positivos que o trabalho de musicalização provoca nos alunos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base nos dados demonstrados durante o artigo, evidencia-se que as diversas áreas do conhecimento podem ser estimuladas com a prática da musicalização. Ao entender diferentes aspectos do desenvolvimento humano: físico, mental, social, emocional e espiritual, a música pode ser considerada um agente facilitador do processo educacional.
O ensino de música caminha em direção ao fazer musical criativo, à escrita musical e seus conhecimentos são acessíveis a todos os indivíduos indistintamente.
Os resultados obtidos através dessa pesquisa, trouxeram descobertas impressionantes relacionadas ao trabalho de musicalização como ferramenta dispensável na aprendizagem significativa da criança. A metodologia aplicada facilitou o conhecimento de como a escola pretende contribuir para uma ressignificação do trabalho musical para as crianças, demonstrando que é possível aproximar a criança de diferentes mundos musicais.
A presença da música na educação auxilia a percepção, estimula a memória e a inteligência, relacionando-se ainda com habilidades linguísticas e lógico-matemáticas ao desenvolver procedimentos que ajudam o educando a se reconhecer e a se orientar melhor no mundo.
A música é manifestação humana, seja em forma de ciência ou de arte, e sempre acompanhou o homem em seu progresso. Esteve ligada à vida religiosa e cívica, desde os tempos mais remotos. E entendendo-se que a música veicula a integração social e emocional com os grupos concluímos que a educação musical é imprescindível na vida das pessoas. Todos se unem pela música e são dominados pelo seu poder mágico e continuarão a amá-la se o desenvolvimento for feito atendendo às suas atividades normais, ou seja, valorizando a vivência a vivência, a bagagem musical que cada qual traz do seu meio e dentro de si.
Segundo (Martins; Picosque; Guerra, 1998, p.23):
“A arte não imita objetos ideias ou conceitos. Ela cria algo novo, porque não é cópia ou pura reprodução, mas a representação simbólica de objetos e ideias – que também podem ser visuais, sonoros, gestuais, corporais… – presentificados em uma nova realidade, sob um outro ponto de vista”.
Quando o professor internalizar a relevância desse conceito, com certeza mudará sua prática pedagógica. Neste sentido Fonterrada (2009, p. 12) nos diz que:
Hoje, há uma enorme necessidade de compreensão da música e dos processos de ensino e aprendizagem dessa arte. Até que se descubra seu real papel, até que cada indivíduo em particular, e a sociedade como um todo, se convençam de que ela é uma parte necessária, e não periférica, da cultura humana, até que se compreenda que seu valor é fundamental, ela terá dificuldades para ocupar um lugar proeminente no sistema educacional.
Concluo essa pesquisa, na certeza de que podemos repensar o papel da música na educação infantil, revendo o que podemos ressignificar e acreditando que e possível, sim, levantarmos a bandeira dos recursos adequados para o desenvolvimento do trabalho em sala de aula; a bandeira da formação adequada para os professores que estão dispostos a atuarem nessa área; a bandeira da política de conscientização do poder público e dos pais, de entenderem o diferencial que a música faz no processo de desenvolvimento e na aprendizagem significativa da criança.
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WINN, Marie. Como Educar Crianças Em Grupos: Técnicas Para Entreter Crianças. São Paulo: Ibrasa, 1975.
Nelma Guimarães, Graduada em Pedagogia, Pós Graduada em Musicalização Infantil, Diretora da Escola de Música Grathus em Dias D’Ávila-Ba, Membro do Coral Folclórico do Conservatório Schubert, Vocalista – CD Grupo Grathus – Quando Jesus Tocar e Simples Assim, Escola de Música Grathus em Dias D’Ávila-Ba.
É sabido que através de jogos musicais, o professor pode desenvolver em seus educandos o raciocínio lógico, linguístico, a coordenação motora do corpo, a criatividade, a auto-estima, a auto-imagem, a sensibilidade artística, a atenção e a memória. Sendo a música tão importante para o homem e sua vivência, estudiosos no campo da educação apontam para a necessidade da inclusão da música na educação escolar infantil, salientando como um dos pontos centrais de sua concepção educacional, a importância da música no desenvolvimento dos valores espirituais e éticos das crianças. O presente estudo objetivou investigar qual é o verdadeiro papel que a música pode desempenhar dentro da educação infantil e na formação social e educacional da criança. A aprendizagem musical, de maneira ativa e contínua, integra prática, reflexão e conscientização, transportando a experiência para estágios cada vez mais elaborados de expressão e de ampliação do conhecimento de mundo. Foi visto que apesar de sua importância a música ainda continua a ser considerada como um trabalho a mais que pode ser desenvolvido ou não na realidade escolar e muitas vezes a educação musical é apenas vista como recurso didático para auxiliar na aprendizagem de outras disciplinas consideradas relevantes. O professor deve utilizar a música e o ensino musical como meios de ajudar a aprendizagem, não se contentando, contudo, em apenas colocar músicas para o aluno ouvir, ou em dar possibilidades de se tocar algum instrumento, mas explorar a musicalidade em todos os seus aspectos. Concluiu-se que ouvir e aprender uma canção, participar de brincadeiras de roda e de atividades rítmicas, são ações que despertam, estimulam e ajudam a desenvolver o gosto pela atividade musical, além de viabilizar a vivência dos elementos estruturais da linguagem musical. A criança por meio de brincadeiras, relaciona-se com o mundo e dia após dia descobre brincando como fazer música.
Palavras-chave: Educação Infantil; Aprendizagem musical; Atributos do educador
INTRODUÇÃO
Alguns estudos confirmam que a música age na afetividade, percepção, expressão, sentidos, na análise crítica, criatividade, ou seja, influi na pessoa como um todo. Por isso, o desenvolvimento deste tema é a oportunidade de aprofundar conhecimentos e de ajudar o aluno a ampliar suas referências de mundo, através do ensino musical.
O estudo tem como hipótese a visão de que, através de jogos musicais, o professor pode desenvolver em seus educandos o raciocínio lógico, linguístico, a coordenação motora do corpo, a criatividade, a auto-estima, a auto-imagem, a sensibilidade artística, a atenção e a memória.
O professor deve utilizar a música e o ensino musical como meios de ajudar a aprendizagem, não se contentando, contudo, em apenas colocar músicas para o aluno ouvir, ou em dar possibilidades de se tocar algum instrumento, mas explorar a musicalidade em todos os seus aspectos.
A música deve deixar de ser vista como algo supérfluo, já que possibilita um trabalho completo com o educando, pois envolve movimento, traz emoção, além de proporcionar sensações agradáveis, enfim, interfere positivamente no cognitivo. Através das pesquisas com teóricos conceituados e respeitados ao redor do mundo verifica-se que o ensino musical é um agente transformador do comportamento das crianças. Sendo assim, as crianças terão uma contribuição marcante da música na estruturação de sua personalidade, pois dos 7 aos 10 anos elas estão mais abertas e receptivas aos conhecimentos.
Para a maioria dos autores, a urgência da utilização do ensino musical na educação acontece devido ao atual afastamento musical das pessoas, em especial nas crianças. Embora na sociedade moderna a música esteja sendo tocada em toda a parte, através do rádio, televisão, supermercados, ônibus e outros lugares, o que ouvimos não é por prazer, nem de maneira atenta e participativa, mas de forma passiva. Para Howard (1984) o interesse pela música vem como conseqüência das emoções que são despertadas por ela.
Para o desenvolvimento da sensibilização musical no educando, não é necessário que o professor seja músico; basta ter sensibilidade para saber usá-la, pois até com folhas de papel, como diz Schafer (1991), é possível fazer música. O autor coloca que o instrumento musical mais completo, é o corpo humano, de onde se emite suspiros, gritos, palmas, assobios, canto, chiados etc. É possível, pois, ao professor, de acordo com Assano (2000), explorar, criar, construir sons com diversos materiais, podendo inclusive, fazer uma bricolagem com objetos encontrados na cozinha, dando um novo uso para os velhos utensílios domésticos, deixando a criatividade da criança fluir.
Os professores devem, assim, passar a compreender que todos sabem e gostam de música, especialmente as crianças e que a partir disso, devem utilizá-la para a formação musical dos educandos, sensibilizando-os não só para ouvir, mas compreender, e que, de maneira crítica, saibam inclusive distinguir os produtos musicais de baixa qualidade à que freqüentemente estão submetidos. Não se deve, com isso, desrespeitar as preferências musicais, pois como relata Assano (2000, p. 32) “para gostar de samba, não é preciso odiar o rock. Para gostar de forró, não é preciso detestar Beethoven. Podemos gostar de vários estilos musicais ao mesmo tempo. Eles não se excluem”.
Assim como o professor incentiva a criança desenhar ou escrever livremente, embora sabendo que isso não os transformará em grandes desenhistas ou escritores, também se espera que o ensino musical não venha formar músicos, mas que sua utilização desenvolva um processo de criação em que alunos e professores possam ir construindo suas próprias músicas, através do ato educativo.
As questões que nortearam este estudo foram: Quais as reais vantagens do emprego da música na educação infantil? Quais os benefícios da música para o desenvolvimento cognitivo, afetivo e educacional de crianças? Os profissionais estão e são preparados para utilizar esta modalidade e usufruir o máximo de seus recursos na educação de crianças?
O presente estudo objetivou investigar qual é o verdadeiro papel que a música pode desempenhar dentro da educação infantil e na formação social e educacional da criança. Objetivou, ainda: contribuir para o ensino-aprendizagem; desvendar a atração e a relação criada entre a criança e a música; refletir acerca da validade da utilização da música como instrumento educacional; contribuir na formação, maturação psicológia e no aprendizado dos alunos, despertando sua criatividade; contribuir para um melhor entendimento de como o educador pode realizar um trabalho com música; e servir de instrumento para a reflexão da importância de uma educação, musical não só para o desenvolvimento cognitivo, mas para um desenvolvimento total do ser humano.
Justifica a realização da pesquisa o fato de que a linguagem musical e sua aplicação na educação infantil ainda são temas relacionados a uma área de conhecimento totalmente em construção, devendo se enquadrar a novos paradigmas educacionais e musicais impostos pela sociedade atual.
Considerando que a música exerce influência em todos nossos sentidos, desenvolvendo as percepções, a criatividade, a afetividade, a análise crítica e o cognitivo, torna-se necessário um estudo aprofundado para verificar como o professor pode utilizá-la interdisciplinarmente, no seu processo ensino-aprendizagem. Apesar de sua importância a música ainda continua a ser considerada como um trabalho a mais que pode ser desenvolvido ou não na realidade escolar e muitas vezes a educação musical é apenas vista como recurso didático para auxiliar na aprendizagem de outras disciplinas consideradas relevantes.
Visconti e Biagioni (2002) dizem que o objetivo do professor é sugerir atividades lúdicas, capazes de desenvolver o raciocínio, a sensibilidade rítmica e auditiva do aluno com a finalidade dos seus alunos se tornarem mais receptivos aos outros conhecimentos e mais sociável na interação com o ser humano. Do mesmo modo, Libâneo (2000, p.27-28) destaca que a presença do professor é assim conceituada como “indispensável para a criação das condições cognitivas e afetivas que ajudarão o aluno a atribuir significados às mensagens e informações recebidas das mídias, das multimídias e formas variadas de intervenção educativa urbana”.
Percebe-se que apesar das correntes teóricas enfatizarem a importância da música na formação de crianças e acerca da possibilidade de se obter resultados satisfatórios através de seu emprego na educação infantil, ainda verifica-se que a música é mal explorada no contexto escolar, principalmente em razão do despreparo e da falta de formação específica ao educador de educação infantil para atuar com este tema em sala de aula.
O ENSINO DA MÚSICA E A FORMAÇÃO HUMANA
O som vincula-se ao movimento e não existe na falta dele. Em termos físicos, o som consiste em uma vibração que chega em nossos ouvidos na modo de ondas que percorrem o ar que nos cerca. Num texto falado, por exemplo, ouvimos sons e ritmos articulados, mas cada palavra representa uma idéia definida, concreta. A música, ao contrário, […] nunca expressa uma idéia intelectual definida, nem um sentimento determinado, mas somente aspectos psicológicos absolutamente gerais, abstratos. Segundo Schopenhauer, essa generalidade não é, no entanto, uma abstração vazia, mas uma espécie de expressão e de determinação diferentes das que correspondem ao pensamento conceitual (SCHNEIDER apud JEANDOT, 1997, p.12). Este é o motivo pela qual uma música pode ser interpretada, compreendida e até executada de modos diferentes.
Para Jeandot (1997, p.13), a música é “a linguagem do coração humano”. Este conceito nos leva à uma idéia de ritmo, que é o básico elemento das manifestações da vida e um princípio fundamental também na música. Certos povos às vezes desconhecem uma melodia e a harmonia, porém nenhum desconhece o ritmo. O conceito de música varia de cultura para cultura. Embora a linguagem verbal seja um meio de comunicação e de relacionamento entre os povos, constatamos que ela não é universal, pois cada povo tem sua própria maneira de expressão através da palavra, motivo pelo qual há milhares de línguas espalhadas pelo globo terrestre.
Nesse sentido, questiona-se: é possível estabelecer a essência da música? Manifestação sonora de espírito do universo? Sem nenhuma dúvida, pode-se dizer que a música, estando tão vinculada estreitamente ao mundo pré-verbal e às emoções, constitui uma privilegiada linguagem, por meio da qual os seres humanos comunicam-se entre si e, às vezes, dialogam com o Cosmos, como a tentativa de Voyager, que viajava pelo espaço, em um disco de bronze que era banhado em ouro, levando a “música delicada de várias culturas, o som da Terra, algumas delas expressando a nossa sensação de solidão cósmica, nossa vontade de determinar contatos com outros seres no Cosmos, nosso desejo de finalizar o isolamento” (SAGAN apud JEANDOT, 1997, p.13).
Muitos são os achados literários que postulam sobre a importância da música na formação humana. Friedenreiche (1990, p.186) afirma que “o ensino de música, em conjunto com todas as outras disciplinas, deve estar a serviço da formação humana”. Para ele, “na melodia, na harmonia, no ritmo, a música traz em si os elementos do pensar, do sentir e do querer. Numa observação acurada, constata-se que a música não é captada somente pelos ouvidos, mas por toda organização corporal” (ibidem, p.187). Assim, o desenvolvimento da musicalidade na instituição escolar deve prever ações que envolvam movimento corporal. O musical é vivenciado de acordo com o ponto em que se localiza no corpo astral. Se o musical for levado à criança de maneira apropriada, com isto será ao mesmo tempo, e da maneira certa, aperfeiçoado o corpo astral.
Assim como o corpo etérico está direcionado para o elemento em que se exprime por meio de formas e imagens, assim o corpo astral que fundamenta a vida dos sentimentos e das sensações é organizado visando a natureza musical do ser humano. O corpo etérico é um escultor; o corpo astral, um músico. Ele corporifica tudo que é musical; ele é completamente formado a partir da estrutura musical (FRIEDENREICH, 1981, p.50).
Se penetrarmos, portanto, em antigas culturas estruturadas ainda a partir do musical, nas culturas orientais em cujos idiomas até se encontra a música, deparemos então, penetrando até a arquitetura, com formas de construção plasmadas a partir da concepção cósmica musical. Já houve uma modificação na Grécia, e principalmente uma modificação no ocidente, pois aí penetrou na mecânica e na matemática. De acordo com a “afinação” kármica, o corpo astral da criança “canta” para dentro do mundo material. Esta disposição da alma encontra sua expressão no temperamento. O temperamento determina a disposição de vida, que marca então animicamente o karma.
Se for possível unir a educação musical de maneira singela, correspondente à criança, com a eurritmia, isto resultará numa educação verdadeiramente harmônica da vontade. Se os pais aprendessem a ocupar-se euritmicamente com a criança, dentro delas seria criado algo muito diferente do que habitualmente sucede. Venceriam um certo peso que existe nos membros. Todas as pessoas têm esse peso nos membros. Este seria vencido. E o que restaria quando acontecesse a segunda dentição é a predisposição para todo o musical. Cada um dos sentidos – o ouvido afinado musicalmente, o olho preparado plasticamente – surge somente a partir dessemusical. É uma especialização do homem musical, sem eu aspecto total, aquilo que designamos por ouvido musical ou o olho plasto-pictórico(STEINER apud FRIEDENREICH, 1981) . Toda a educação da criança, até a troca dos dentes, precisa ser dirigida principalmente no sentido de uma permeação sadia do corpo físico. Para tanto deverão ser dadas, através dessas explanações, algumas indicações importantes. Naturalmente deve o educador, apoiando-se nessas noções básicas generalizadas, proceder individualmente e, sem cair em atitudes esquematizadas, orientar-se sempre de acordo com o que lhe é oferecido em cada caso específico.
Quando o ser humano toca um instrumento, é o gesto que cria e controla o som. A emissão vocal completa e reforça o gesto. A palavra cantada aumenta o vigor da linguagem falada. Stockhausen apud Jeandot (1997, p.15) se manifestou sobre a música, dizendo ser ela […] determinada pelos músculos: os da laringe para o canto, os dos dedos para os instrumentos, os da respiração para os instrumentos de sopro, tudo é determinado pelo corpo do homem e é por isso que nunca se tocou segundo ritmos mais rápidos ou mais lentos que os naturais do corpo.
Com isto queria dizer que o homem evita tocar conforme ritmos incompatíveis com os que dão características a sua natureza, por exemplo, sua pulsação cardíaca, já que tal procedimento lhe provocaria estresse. Atualmente, com o avanço tecnológico, o homem é apto de programar músicas mais lentas ou mais rápidas, que podem ser efetuadas pelos instrumentos.
Nicole Jeandot também contribui nesse sentido mostrando a criança como um ser musical, necessitando por parte dos educadores auxílio para construir seu conhecimento sobre música. Jeandot (1997, p.86) apresenta-nos seu ponto de vista de que “a música representa uma importante fonte de estímulos, equilíbrio e felicidade ao ser humano, especialmente no referente às crianças”. O pensamento de Jeandot (1997, p.166) demonstra que:
[…] ao se envolverem em atividades musicais, as crianças melhoram sua acuidade auditiva, aprimoram e ampliam a coordenação viso-motora, suas capacidades de compreensão, interpretação e raciocínio, descobrem sua relação com o meio em que vivem, desenvolvem a expressão corporal e a linguagem oral.
Quanto mais elas possuem oportunidade de comparar as ações feitas e as sensações obtidas através da música, mais seu conhecimento e sua inteligência, vão se desenvolvendo.
A criança não é uma artista, nem um ser simplesmente contemplativo, porém antes de tudo um ser “rítmico-mímico”, que utiliza de modo espontâneo os gestos ao saber de sensação que eles despertam. É apenas observar um bebê com uma colher à sua disposição antes da refeição: ele a bate na mesa, repetindo este gesto para renovar a sensação que provocou. Pode repeti-lo de várias maneiras e diversas vezes, diversificando seus efeitos. Este princípio da variação e da repetição.
[…] o bebê não se contenta mais em apenas reproduzir os movimentos e os gestos que conduziram a um efeito interessante, mas varia-os intencionalmente para estudar os resultados dessas variações, entregando-se a verdadeiras explorações ou “experiências para ver (PIAGET apud JEANDOT, 1997, p.20).
Quando uma criança bate ou esfrega um bloquinho de madeira contra a mesa, golpeando-o, a princípio rapidamente, depois mais devagar, jogando-o posteriormente ao chão ou movimentando-o de várias maneiras, ela obtém sonoridades diversas. Esses gestos revelam uma pesquisa sonora, que devemos respeitar, encorajar e orientar, ainda que de imediato ela possa parecer sem sentido, pelos movimentos desordenados que envolve. Com o tempo, tal atividade irá sendo gradualmente aprimorada, até integrar-se ao corpo como um todo, transformando-se em capacidade expressiva.
Segundo Aaron Copland (apud JEANDOT, 1997, p.22), “[…] todos nós ouvimos a música de acordo com nossas aptidões, variáveis, sob certo aspecto, em três planos distintos: sensível, expressivo e puramente musical, o que corresponde a ouvir, escutar e compreender”. Essa é a razão pela qual o professor deve respeitar o nível de desenvolvimento em que a criança se encontra, adaptando as atividades de acordo com suas aptidões e seu estágio auditivo. Snyders (apud SMOLE, 1996, p.123) afirma que:
[…] o homem entra, através da música, na posse unificada de seus recursos e que, desenvolvendo sua audição e sensibilidade musical, chega a um momento em que a sensibilidade e a inteligência, o afetivo e o racional, não podem mais constituir-se em ordens opostas.
Segundo Snyders (apud SMOLE, 1996, p.144), através da música, “[…] a sensibilidade não se confunde mais com a desordem de um sentimentalismo vago; a inteligência, mesmo e sobretudo sob sua forma ao que parece mais abstrata, a matemática, abre-se à admiração emotiva”.
Snyders (apudSMOLE, p.145) afirma também que “desenvolver um sentido musical é ter uma oportunidade fascinante de comunicar-se com o mundo de modo qualitativamente diferente”. Para ele, como a música traz consigo um elemento coletivo muito forte, estruturas e regras se criam pouco a pouco e constitui-se uma diversidade que tem tendência à unidade, na qual cada participante acha apoio nos outros, fortalece-se no outro.
Para as principais civilizações da antiguidade, o som organizado de forma inteligente representava a mais importante de todas as artes, e a música – a produção inteligente do som com instrumentos musicais e cordas vocais – a mais importante das ciências. Porém, os grandes pensadores da antiguidade destacavam o importante efeito da música sobre o caráter do homem. E, visto que ela parecia exercer tamanho poder no determinar a moral do povo, a música era um assunto que nenhum dos grandes filósofos morais poderia ignorar. Aristóteles, por exemplo, escreveu que:
[…] emoções de toda espécie são produzidas pela melodia e pelo ritmo; através da música, por conseguinte, o homem se acostuma a experimentar as emoções certas; tem a música, portanto, o poder de formar o caráter, e os vários tipos de música, baseados nos vários modos, distinguem-se pelos seus efeitos sobre o caráter – um incentivando a renúncia o outro o domínio de si, um terceiro o entusiasmo, e assim por diante, através da série (ARISTÓTELES apud TAME, 1984, p.19).
Tanto Platão como Aristóteles discutem os efeitos morais da música em várias de suas obras principais. Tame (1984, p.52) explica que, “na música a criança vivencia, a princípio, apenas o fator volitivo, expresso no ritmo”. Nessa idade, a música rítmica atua de maneira plástica sobre os órgãos. Por isso, é muito importante, na primeira infância, que meios pedagógicos, tais como canções infantis, deixem uma harmoniosa impressão rítmica aos sentidos. Deve-se dar menor valor ao conteúdo e valorizar mais a bela sonância. Quanto mais estimulante for a atuação sobre a audição e a visão, tanto melhor.
Nesse sentido, podemos dizer que as brincadeiras musicais contribuem para o reforço de todas as áreas do desenvolvimento infantil, representando um inestimável benefício para formar e equilibrar personalidade da criança e a riqueza de estímulos que a criança recebe por meio de várias experiências musicais contribui significativamente para o seu desenvolvimento intelectual.
Sendo a música tão importante para o homem e sua vivência, estudiosos no campo da educação como Tame (1984) apontam para a necessidade da inclusão da música na educação escolar infantil, salientando como um dos pontos centrais de sua concepção educacional, a importância da música no desenvolvimento dos valores espirituais e éticos das crianças.
A música na Educação Infantil segundo o RCNEI e o DCNEI
No Brasil o ensino de música nas escolas se tornou obrigatório no século XIX,mas foi somente com Getúlio Vargas, nos anos 30 do século seguinte, que houve uma maioratenção para esta questão. Foi a época em que Villa-Lobos atuou na SEMA, conforme já foicomentado anteriormente. Porém, segundo Hentschke e Oliveira (2000), por volta dos anos50 já havia ocorrido um arrefecimento da proposta. Mas foi nos anos 70 do século XX , navisão de talvez a unanimidade dos autores sobre o tema, que ocorreu um grande golpe contra a educação musical escolar em nosso país, a promulgação da Lei 5.692/71. Segundo Penna(2002) esta lei que implantou a educação artística intentava uma maior universalização das artes e um compromisso do Estado em fornecer por 8 anos formação artística para a população. A idéia era que não existiria mais uma disciplina de educação musical e sim uma de educação artística na qual um único professor polivalente contemplasse, com uma carga horária semanal de 1 hora aula, a música, o teatro e as artes visuais. Desta forma a postura do professor devia ser voltada mais para os processos envolvidos nas diversas opções artísticas e não para o produto artístico final.
Um evento que indica um reflorescimento potencial da educação musical escolar foi a homologação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN9.394/96), em dezembro de 1996. Com ela, entre outras coisas, foram criados documentos curriculares referenciais para os ensinos de bebês como menos de 1 anos até o final do ensino médio; foram criados novos sistemas de avaliações de cursos; e foram criadas as diretrizes curriculares para o ensino superior, nas mais variadas áreas de conhecimento.
Segundo Fernandes (2004) desde a Constituição Nacional de 1998 já havia um indicativo de retorno do ensino de artes como componente do ensino obrigatório e, portanto,com a indicação dos conteúdos. Assim, neste aspecto a LDBEN/96 surgiu para regulamentar o dispositivo constitucional, pois indica que o Estado, por meio da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio), deve garantir a criação artística e que o ensino de arte fará parte do currículo obrigatório. Para dar forma às proposições desta Lei outras normalizações tiveram que ser feitas como o Referencial Nacional de Educação Infantil (BRASIL, 1998) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), para os ensinos fundamental e o médio. Ambos os regulamentos contemplaram, como se esperava, o ensino de artes.
Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil – RCNEI
A atual LDBEN atual traz no seu Art. 26, § 2º, que ensino de arte constituir-se-á “componente obrigatório, nos diversos níveis de educação básica de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos”. Segundo Fernandes (2004) desde a Constituição Nacional de 1988 já havia um indicativo de retorno do ensino de artes como componente do ensino obrigatório e, portanto, com a indicação dos conteúdos. Assim, neste aspecto a LDBEN/96 surgiu para regulamentar o dispositivo constitucional, pois indica que o Estado, por meio da educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio), deve garantir a criação artística e que o ensino de arte fará parte do currículo obrigatório. Para dar forma às proposições desta Lei outras normalizações tiveram que ser feitas como o Referencial Nacional de Educação Infantil (BRASIL, 1998) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), para os ensinos fundamental e o médio. Ambos os regulamentos contemplaram, como se esperava, o ensino de artes.
Com isto, complementando o processo da implantação da LDBEN em 1996, se publicou em 1998 pelo Ministério da Educação (MEC) o Referencial Curricular Nacional em Educação Infantil – RCNEI. Este documento, bastante significativo, foi criado e divulgado pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura) paralelamente à discussão das Normas Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (1999).
Através do RCNEI, o Ministério da Educação busca indicar “um conjunto de referências e orientações pedagógicas que visam contribuir com a implantação ou implementação de práticas educativas de qualidade que possam promover e ampliar as condições necessárias para o exercício da cidadania das crianças brasileiras” (RCNEI, p.13).
O RCNEI objetiva ajudar o professor na “realização do seu trabalho educativo diário junto às crianças pequenas” (BRASIL, 1998, p. 5) e organiza em três volumes.
O primeiro volume, de introdutório caráter, apresenta uma reflexão a respeito das creches e pré-escolas no Brasil, fundamentando e situando as concepções de de educação, criança, do perfil do professor e de instituição; estabelece os objetivos gerais da Educação Infantil e orienta a respeito da organização dos outros volumes do documento. O segundo se refere ao âmbito da experiência Formação Social e Pessoal, o qual trabalha com processos de construção da Autonomia e Identidade das crianças. O terceiro, trata finalmente do âmbito da experiência de Conhecimento de Mundo, em que a música configura-se em um dos seis eixos de trabalho.
Várias críticas foram colocadas com relação a este documento por profissionais e pesquisadores da educação em aspectos diferentes, a começar pelo “desvio de rota”, segundo considera Palhares e Martinez (2005, p.6); isto é, conforme estas autoras, o caminho traçado pela equipe responsável pela Educação Infantil no MEC anteriormente ao RCNEI (1998), em 1994, não foi considerada. O caminho indicado era “a busca pela superação da dicotomia da educação/assistência incentivando estratégias para a articulação de vários setores ou instituições comprometidas com a Educação Infantil”.
Nesta direção, o MEC promoveu alguns debates, fez publicações diferentes que abordavam a política para Educação Infantil e também a questão da inclusão, que era e continua sendo um grande desafio para este nível de ensino. Assim, autoras consideram que através das publicações novas do MEC parece existir a indicação de um momento da descontinuidade na história da construção do conhecimento na área da Educação Infantil (PALHARES e MARTINEZ, 2005). Igualmente, Cerisara (1993) ressalta que o RCNEI, mesmo aperfeiçoado, continua “significando uma ruptura com o que vinha sendo produzido e com o que vinha sendo defendido como a especificidade da Educação Infantil” (CERISARA, 1993, p. 44).
Conforme Palhares e Martinez (2005), não existiu mudanças significativas entre 1994 e 1998 em relação às públicas políticas de infância que justificassem o lançamento deste referencial nacional naquela ocasião sócio-histórico de maneira a assegurar qualidade no atendimento e nem houve mudanças quanto às necessidades dos investimento em formação do educador de creche, quanto às necessidades dos educadores e quanto às mínimas condições para efetivar o trabalho educativo.
O que foi produzido antesdo referencial no que diz respeito ao financiamento, às políticas para Educação Infantil, à qualidade e quantidade do atendimento e a formação de profissional de Educação Infantil não se contemplou no documento atual e nem a produção que vinha sendo construída com certa prioridade para o atendimento de crianças advindas de camadas populares. O RCNEI não contempla uma questão das várias camadas sociais.
Dentre os problemas detectados a partir da leitura da versão preliminar do RCNEI, Palhares e Martinez (2005) ressaltam que:
[…] embora em seu discurso o referencial procure considerar a importância e a diversidade de situações sociais no país, efetivamente não colabora para uma identificação de como seriam os diálogos com as propostas construídas no cotidiano de cada local (PALHARES; MARTINEZ, 2005, p. 11).
Assim, é preciso, conforme destacado pelas autoras anteriores, que a leitura deste documento seja realizada de modo críticopara que não se corra risco de transferir as responsabilidades do macrossistema (públicas políticas para a infância) para um microssistema (profissionais da Educação escolar/criança Infantil/comunidade).
Ao estudar os pareceres elaborados por pesquisadores diferentes ligados ao Grupo de Trabalho (GT) de Educação Infantil da Associação Nacional da Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPED), Cerisara (1993) mostra considerações a respeito de alguns aspectos do documento. Dentre eles foram questionados as seguintes questões: a necessidade de padronizar um estilo de linguagem; a extensão do documento; o excesso de títulos e subtítulos, divisões que dificultam uma compreensão do todo; a linguagem poderia ser clara, direta e objetiva, levando-se em consideração a diversidade cultural, regional, sócio-econômica e, especialmente a formação docente; o documento é confuso e pouco esclarecedor; o texto, conforme os pareceristas, é receituário; existe uma indefinição de leitor a quem o documento dirige.
Concepções teóricas dos RCNEI
Outro aspecto criticado, sobre às concepções teóricas dos RCNEI que, conforme Cerisara (1993) possuem sua fundamentação apenas na psicologia quando também poderia contar com as contribuições de demais campos de conhecimento, como antropologia, filosofia, linguagem, sociologia e história. A concepção teórica fundamentada no construtivismo piagetiano teve várias críticas no sentido de conter as explicações teóricas pouco baseadas (CARRIJO, 2005).
Conforme pareceres produzidos quanto ao RCNEI, Cerisara (1993) ressalta ainda a falta de integração entre eixos de conhecimento a serem trabalhados dando a idéia de disciplinas tradicionais e a existência de uma valorização de crianças maiores em relação a bebês. Assim, para cada área ou eixo de conhecimento dos âmbitos de Formação Pessoal e Social (Identidade e Autonomia), experiência e Conhecimento de Mundo (Música, Movimento, Linguagem Oral e escrita, Artes Visuais, Sociedade e Natureza e Matemática), foram listados conteúdos, objetivos, orientações didáticas e avaliação. Dentre as críticas, certas salientam o fato desta organização evidenciar em um modelo escolar de trabalho e confusão conceitual entre conteúdos, objetivos e avaliação. Também fez jus a atenção o fato do documento subordinar a Educação Infantil em trabalho de séries mais adiantadas em ensino básico, trazendo deste modo a impressão de ensino preparatório novamente (CARRIJO, 2005; DINIZ, 2005). Este aspecto da subordinação do RCNEI ao Ensino Fundamental retoma uma idéia de educação compensatória, difundida intensamente nas décadas de 1970 e 1980 e se configura na crítica principal dos RCNEI a ser destacada.
O documento de música presente em RCNEI segue a estrutura igual dos demais documentos e encontra-se organizado em introdução, com um texto ressaltando a presença da música na Educação Infantil e outro que faz considerações a respeito da criança e a música em diferentes fases do seu desenvolvimento. Na seqüência o documento apresenta os conteúdos, os objetivos, gerais orientações para o professor, registro, observação e a avaliação formativa e termina com sugestões das obras musicais e a discografia.
A Música é uma das áreas de trabalho integrantes do âmbito da experiência e do Conhecimento de Mundo. Neste sentido, o documento do campo de música traz em seu texto uma proposta de ensino musical a ser desenvolvido por profissionais de Educação Infantil. A concepção que RCNEI adota compreende a música como uma linguagem e área de conhecimento e tem que esta tem características e estrutura próprias devendo ser tida como: apreciação, produção e reflexão (BRASIL, 1998).
A produção encontra-se centrada na imitação e na experimentação, tendo como produtos musicais a improvisação, a interpretação e a composição. A apreciação compreende a percepção tanto dos silêncios e sons quanto das organizações musicais e estruturas, buscando desenvolver, através do prazer da escuta, a capacidade de análise, observação e reconhecimento. Finalmente, a reflexão trata das questões referentes à organização, aos produtos, à criação e aos produtores musicais (BRASIL, 1998).
O RCNEI traz ainda orientações referentes aos conteúdos musicais. Os mesmos se encontram organizados em 2 blocos: “o fazer musical” – compreendido pela composição, improvisação e interpretação – e “apreciação musical”, ambos também abarcando questões referentes à reflexão (BRASIL, 1998). Destaca-se que embora este documento de orientação pedagógica para uma Educação Infantil, de caráter não obrigatório, traga uma detalhada proposta para a música, ainda assim, é uma curricular proposta muito distante da realidade atual. Acreditamos que isto se deve a diversos fatores como o próprio percurso do histórico da Educação Infantil, a formação de professores deste nível de ensino, a carência de materiais e recursos mínimos para o ensino de música.
Estes são alguns dos fatores que estão contribuindo para a não concretização da educação musical em termos mais amplos. Nesse sentido, segundo Brito (1998) o RCNEI é um ponto de partida para uma efetiva reformulação educacional. Assim, entende-se que a Arte passou a ser oficialmente considerada como um campo do conhecimento mas a LDBEN não tem garantido sua permanência e consolidação na escola. Essa ausência da Arte se reflete, outrossim, não apenas no modelo de educação musical que poderá ser adotado nas escolas de Educação Infantil, mas, antes de tudo, no valor da música e da educação musical nesse contexto.
Linguagem adotada na proposta de música do RCNEI
Outra questãoque tem contribuído para a falta da música no cotidiano da Educação Infantil como campo de conhecimento refere-se à linguagem que é adotada na proposta de música do RCNEI. (BRITO, 1998). Apesar da idéia inicial do RCNEI tenha sido de abrir discussão para socializar práticas pedagógicas e não torná-lo um modelo de ensino, conforme Maffioletti (1998), o que vem acontecendo em certos cursos superiores é “a formação de professores para ‘aplicar’ os referenciais e não para construir, a partir dele, uma proposta para sua escola ou região” (ibidem, p. 77).
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil – DCNEI
Presencia-se a um outro avanço significativo em relação à Educação Infantil por meio da Resolução da Câmara de Educação Básica n º 1 de 07 de abril de 1999, que estabeleceu as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Infantil.Estas diretrizes fixam novas exigências para instituições que dedicam-se ao atendimento de crianças na faixa etária de Educação Infantil, quanto, particularmente, às orientações curriculares e processos da elaboração de seus projetos pedagógicos e a organização de instituições de ensino. Estas Diretrizes determinam, entre outros, os princípios políticos, estéticos e éticos que precisam fundamentar as propostas pedagógicas na Educação Infantil, a adoção de metodologia do planejamento participativo e confirmam a autonomia de escolas na definição da abordagem curricular a ser adotada.
Os objetivos da música na educação infantil
A música é experienciada pelas pessoas em seu dia-a-dia, assim, pode-se afirmar que esta é uma experiência universal, ou seja, é uma linguagem culturalmente construída e diversamente experimentada de acordo com variadas funções que desempenha na vida das sociedades. A presença da música nos mais diferentes espaços faz com que a ela se legitime como linguagem e forma de conhecimento. No contexto escolar essa presença se faz também em diversas situações do cotidiano e vem atendendo a vários objetivos juntamente com as demais áreas de conhecimento. A música, presente nas culturas, nas mais variadas situações, faz parte de uma educação desde há muito tempo, sendo que, na Grécia Antiga, era tida como fundamental para a formação de futuros cidadãos ao lado da Filosofia e da Matemática (BEYER, 1999).
Froebel (apud FERNANDES, 2004)teve particular interesse pela educação musical e pela infância. Para ele o homem tem a vocação de agir conforme a imagem divina e adquirir conhecimentos amplos e de uma maneira espontânea. Desta forma a atividade criadora deve ser estimulada nas crianças por meio de jogos e brincadeiras. Depois disso, de uma maneira natural (como o próprio Deus faz), vem o trabalho. Nos jardins de infância do pedagogo, além dos brinquedos, as crianças seriam educadas com a ginástica, o canto coral, a conversação, os desenhos etc. É no século XX que ocorrem as maiores revoluções na música, na pedagogia e na educação musical. É também neste século que se caracteriza o educador musical como se conhece hoje em dia, inclusive no Brasil.
No que se refere à educação em geral muitas teorias e práticas novas se impuseram com o intuito de responder às demandas da época. Segundo Fonterrada (2005), estava à vista a “dissolução do ser humano em meio à vida coletivizante ordenada pelas condições massificadoras, pela maquinaria e pela burocracia” (ibidem, p. 85). Assim, com a anulação do individual pelo coletivizante a arte criativa tenderia a perder sua força. A luta contra este estado de coisas se reproduziu na educação como um todo e na educação musical especificamente.
A música na Educação Infantil acontece de várias maneiras e com diferentes objetivos. Nesse sentido podemos afirmar que sua presença é fundamental para o desenvolvimento das crianças sendo que pode ser trabalhada de distintos modos no contexto escolar. Isso se confirma no cotidiano escolar em diversas atividades como a recreação, as festividades ou comemorações, na formação de hábitos e também como pano de fundo e recurso didático para diferentes fazeres da Educação Infantil. Sendo assim, até o momento, o que percebemos é uma visão e uma prática utilitaristas da música na escola de Educação Infantil, o que se distancia da concepção de música como conhecimento que possui conteúdos próprios e metodologias particulares (BEAUMONT, 2003; FONTERRADA, 2005).
Desta forma, refletir sobre as funções que o ensino de música poderá assumir na escola nos motiva a considerar o cotidiano escolar, as práticas culturais de professores e alunos, mas também outros variados propósitos pelos quais ela poderá aparecer, de acordo com o contexto e as situações particulares e suas próprias possibilidades como linguagem artística.
É nessa perspectiva que o currículo também se configura como resultado de equilíbrio de forças e poderes sociais. O currículo como mediação de forças, segundo Moreira e Silva (1994), está permeado por relações existentes como: currículo e cultura, currículo, ideologia, poder e currículo e controle social.
No âmbito da ideologia, pode-se constatar que este processo está relacionado às divisões que organizam a sociedade bem como as relações de poder que sustentam essas divisões; já no âmbito da relação entre currículo e cultura Moreira e Silva (1994) defendem que:
O currículo não é veículo de algo a ser transmitido e passivamente absorvido, mas o terreno em que ativamente se criará e produzirá cultura. O currículo é, assim, um terreno de produção e de política cultural, no qual os materiais existentes funcionam como matéria-prima de criação, recriação e sobretudo, de contestação e transgressão (MOREIRA; SILVA, 1994, p. 28).
Reconhecer que o currículo esteja atravessado por relações de poder implica em considerar o poder se manifestar nas relações sociais entre indivíduos ou grupos; o poder que se manifesta por meio das linhas divisórias que separam os diferentes grupos sociais em termos de classe, etnia, gênero, etc., expressando assim, os interesses dos grupos e classes colocados em vantagem na dinâmica social. O que percebemos então é que o currículo está no centro das relações de poder e é expressão dessas relações sociais de poder.
Assim, essas relações de poder que constituem o currículo, partindo de grupos cujos interesses são dominantes, precisa ser transformadora, ou seja, “o currículo, como campo cultural, como campo de construção e produção de significações e sentido, torna-se assim um terreno central dessa luta de transformação das relações de poder” (MOREIRA; SILVA, 1994, p. 30). A elaboração do currículo não pode ser considerada apenas como um processo pelo qual se “inventa tradição”, como coloca Goodson (1995), mas como algo a ser construído socialmente.
Entendendo que as práticas educativas desenvolvidas pelas professoras de Educação Infantil no cotidiano, de algum modo procedem de orientações curriculares e se traduzem em práticas curriculares – uma vez que o currículo não é algo que se constitui a priori e sim decorre de experiências e de saberes – acreditamos que, nesse contexto, a música estará ou não presente nos currículos de acordo com essas práticas de professoras unidocentes. Então, tendo em consideração que o currículo também é expressão de princípios pedagógicos, ideológicos, sociais e políticos, este se configura como algo que encontra-se entre o que acontece realmente na sala de aula o que é prescrito.
A partir dessa concepção, procuramos refletir acerca do currículo da Educação Infantil, no que se refere à música como um dos eixos educativos a ser trabalhado na escola de Educação Infantil pelas professoras.
Como postulado acima, a Educação Infantil, segundo a LDBEN de 1996 constitui a “primeira etapa da Educação Básica, tendo como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade” (LDBEN 9.394/96, título V, capítulo II, seção II, art. 29).
Ainda segundo o artigo 30 da referida Lei, a Educação Infantil deve ser oferecida em creches (para crianças de 4 meses até três anos de idade) e pré-escolas (para crianças de quatro a seis anos de idade).
O RCNEI é um oficial documento que não possui impacto na prática pedagógica de professores da Educação Infantil (PENNA, 2004), principalmente em tratando-se da linguagem musical. Como anteriormente abordamos, o desconhecimento de certos professores sobre o documento observa-se, ainda, no específico caso da música, uma linguagem que colabora para que hajam dificuldades para a sua efetivação na prática. Neste sentido, pautaremos em discussões que se seguem.
instituições da Educação Infantil, o RCNEI desenvolveu categorias curriculares para organizá-los. Nesta organização – tendo em consideração a elaboração dos conhecimentos e das diferentes linguagens, a construção de identidades nas crianças, os processos da socialização e desenvolvimento de autonomia das crianças – optou-se pela criação dos âmbitos e eixos de trabalho.
Assim, o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (RCNEI) estabelece dois âmbitos das experiências formativas: Formação Pessoal e Social e Conhecimento de Mundo (RCNEI, 1998). A Formação Pessoal e Social abarca um eixo de trabalho chamado: Autonomia e Identidade; o Conhecimento de Mundo abarca os eixos de trabalho. São eles: Música, Movimento, Linguagem Oral e Escrita, Artes Visuais, Sociedade e Natureza, Matemática. Porém, é importante destacar que esta divisão em eixos e âmbitos é apresentada como sendo somente instrumental, cabendo, desta maneira, aos professores na sua prática pedagógica, trabalhá-los de modo integrado e global, segundo orienta o documento (BRASIL, 1998).
A FORMAÇÃO DOS PROFESSORES
A legislação brasileira reconhece a importância da música na Educação. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN 9394/96) explicita no artigo 26, parágrafo 2, que “o ensino da ARTE constituirá componente curricular obrigatório nos vários níveis da Educação Básica, de maneira a promover o desenvolvimento cultural dos alunos” (BRASIL, 1996). Como documentos complementares, mas não normativos, o Ministério da Educação (MEC) elaborou os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) de 1ªa 4ªSéries Iniciais do Ensino Fundamental, e os Referenciais Curriculares Nacionais para Educação Infantil (RECNEI), os quais relacionam a área de Arte com as demais áreas e reconhece as suas especificidades, ou seja, a Música, a Dança, as Artes Visuais e o Teatro.
No entanto, em nenhum texto desta legislação existe uma definição clara sobre a formação necessária do professor para ministrar as aulas nas modalidades de ARTE aqui referidas. Em sua recente investigação no sul do Brasil, Figueiredo (2003) apresenta dados que integraram sua Tese de Doutorado “The Music Preparation of Generalist Teachers in Brazil”, falando sobre a carência de definições mais objetivas com relação ao profissional previsto para o “ensino das Artes” dizendo que:
Embora a nova legislação e os documentos de apoio apresentassem perspectivas diferentes para as artes, não tem havido uma definição clara sobre quem deveria ser o profissional responsável pelo ensino da música e das artes nos primeiros anos escolares. Esta falta da definição tem mantido as artes numa posição secundária na preparação de professores generalistas nos cursos de Pedagogia. (FIGUEIREDO, 2003, p.139).
Penna (2001) também confirma esta constatação apresentando uma análise das propostas dos PCNs e indagando sobre a capacitação do profissional para desenvolver os conteúdos ali propostos:
(…) por um lado é grande a flexibilidade na aplicação da proposta dos Parâmetros em Arte, sendo delegada às escolas a decisão de como abordar as diversas modalidades artísticas e, por outro lado, não há definições claras sobre a formação do professor. (…) O que dizer então, da capacitação desse professor para desenvolver de modo consistente conteúdos musicais? (p.114).
No artigo 62, a LDBEN/96 reconhece a figura do professor especialista com graduação plena e prevê a formação em nível superior para professores de todas as modalidades de ensino, prescrevendo que:
A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal.
Portanto, a partir da LDBEN/96 entendemos que se reconhece a legitimidade da formação dos seguintes profissionais para atuar na EI e SEIF:
Professor de EI e SIEF: aquele formado pelos cursos “normal superior” e “Pedagogia”, e/ou ainda como formação mínima, a oferecida em nível médio (magistério).
Professor especialista: aquele formado pelos cursos de “Licenciatura Plena”.
Esta legislação indicou a necessidade de curso superior para professores da educação básica, o que levou muitos professores a buscarem qualificação em nível superior em cursos de Pedagogia e Normal Superior. Mas ao mesmo tempo, esta legislação faculta a formação em nível médio para professores de EI e SIEF.
Formação em música dos professores da Educação Infantil
No Brasil, diversos pesquisadores vêm discutindo a questão da formação em música do professor de EI e SIEF, seja em curso de “Pedagogia” ou em “Normal Superior” – Bellochio (2002), Coelho de Souza (2003), Figueiredo (2003), Penna (2004), Souza (2001), entre outros.
Esforços vêm sendo feitos para fornecer experiências formadoras em música aos professores de EI e SIEF por pesquisadores de diversas universidades, dentre elas a Universidade Federal de Santa Maria-RS, com Bellochio (2003, p.133), afirmando que:
[…] ainda não temos um processo suficientemente articulado e refletido, que possamos entender e significar como educação musical formal na formação de professores e na escola. Esse problema se agrava nos anos iniciais de escolarização, cujo espaço profissional tem sido ocupado por profissionais de nível médio e superior que, na maioria das vezes, também não desenvolveram conhecimentos musicais na sua formação profissional. (p.129) (…) Enfim, o ensino de música na formação de professor e no curso de pedagogia necessita ser pensado e repensado com base na ação/relação dos alunos com a(s) própria(s) música(s) e nas relações que a escola tem estabelecido com essa área do conhecimento.
Constatamos ainda nas palavras de Penna (2004), que no Brasil ainda são poucas as instituições de ensino superior que oferecem o curso para formação em Licenciatura em Música.
Para a educação musical em todas as escolas de educação básica do país, teríamos de admitir que não haveria professores com formação específica em número – e com disponibilidade – suficiente para tal. Nesse sentido vale lembrar que, em muitas localidades ou mesmo regiões, não há licenciaturas na área de música (PENNA, 2004, p.13).
Penna (2001, p.120-121) ainda se refere a esta questão, recorrendo a um pensamento de Subtil (1998) que confirma:
[…] não seria possível contar a curto prazo – mesmo que houvesse decisão política para tal – com professores com formação específica em música em número suficiente para atender a todas as escolas deste país, nos diversos ciclos. Faz-se necessário, por conseguinte, reconhecer os limites das possibilidades de atuação do professor especialista e buscar meios para capacitar o professor das primeiras séries para o trabalho musical em suas turmas, ou então estaremos aceitando que a música, enquanto proposta [pedagógica] sistematizada, permaneça ausente da escola, mesmo estando presente no cotidiano dos alunos de forma tão marcante.
Os currículos dos cursos de Pedagogia privilegiam a formação do profissional da EI e SIEF para ser um potencializador de conhecimentos e saberes relacionados a disciplinas como língua portuguesa, matemática, ciências, entre outras (FIGUEIREDO, 2003). Por que não poderiam ser também potencializadores com relação a atividades artísticas, inclusive musicais?
Formação de professores currículos e instâncias sociais
Neste início do século XXI, vivemos num tempo em que se discute intensamente sobre os caminhos da educação e, conseqüentemente, sobre a formação de professores, pois se verifica o esgotamento das certezas que davam direção ao processo educativo. No panorama contemporâneo da reforma educacional no Brasil, reconhece-se a necessidade de uma formação diferenciada do professor para que este esteja apto a atuar em uma sociedade denominada como “sociedade do conhecimento” (RIVERO; GALLO, 2004). Sociedade esta, na qual se reconhece a preponderância do conhecimento sobre os demais fatores sociais, tendo-se tornado o maior “bem” que o indivíduo pode possuir. Conforme Rivero e Gallo (2004, p.11),
Se o conhecimento é múltiplo, variado, não estanque e, sobretudo, se sua transmissão já não fica restrita à instituição escolar, mas se estende e se dilui pelas malhas da rede social, é de grande importância que se repense todo o processo de formação de professores, para atuar no contexto dessa “sociedade do conhecimento”. É fundamental que tenhamos processos formativos preparando o educador para uma atitude aberta frente ao mundo, pronto a aceitar o novo e a promovê-lo, ajudando a desenvolver nas pessoas com que se relaciona um processo de subjetivação autônomo e singular.
As instituições formadoras de professores, bem como a legislação brasileira através de suas reformas (a mais recente através da promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – lei n.9.394/96), vêm buscando a reformulação de leis, currículos e programas de curso, conscientes de que o processo de formação necessita ser compreendido além do espaço escolar, em suas mais diversas e complexas dimensões.
A sociedade contemporânea exige um profissional da educação que esteja em constante processo de formação, sempre atualizado, preparado para atuar como produtor de conhecimentos através da pesquisa, e em busca de metodologias que lhe possibilitem um trabalho não mais fragmentado e compartimentalizado em disciplinas estanques. No advento da reforma de pensamento sobre a educação, somos levados a refletir também sobre os processos disciplinares na formação de docentes, decorrentes da disciplinarização epistemológica. O professor necessita estar preparado para auxiliar seus alunos em um processo de construção interativa de conhecimentos, que tenha como ponto de partida a reflexão conjunta de todos os participantes do processo.
Esta necessidade de mudança na formação de professores se torna óbvia também, se refletirmos sobre o fato de que o professor em sua prática reproduz naturalmente o sistema de ensino no qual ele é formado. Nóvoa (2004, p.20) confirma esta afirmação.
Temos dito (e repetido) que o professor é a pessoa; que a pessoa é o professor; que é impossível separar as dimensões pessoais e profissionais; que ensinamos aquilo que somos e que, naquilo que somos, se encontra muito daquilo que ensinamos.
Se o professor recebe uma formação disciplinar, compartimentalizada, regida por um currículo com forte enquadramento, pré-determinação e controle, isso certamente se refletirá em seu processo de ensino. Cabe aos cursos de formação de docentes conceder o incentivo ao planejamento participativo, buscando um currículo flexível e aberto, passível de ser atualizado em função do curso da experiência e das necessidades da prática curricular cotidiana. Silva (2003) ao falar sobre currículo afirma que:
O currículo é lugar, espaço, território. O currículo é relação de poder. O currículo é trajetória, viagem, percurso. O currículo é autobiografia, nossa vida, curriculum vitae: no currículo se forja nossa identidade. O currículo é texto, discurso, documento. O currículo é documento de identidade (SILVA, 2003, p. 150).
Considerando que todas as instâncias, onde o ser humano permanece e/ou vive, são formadoras de “currículos”, também a música é, e sempre foi, parte importante de seu currículo.
A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
A música como discurso de todo ser humano
Para pensarmos em formação musical de professores de EI e SIEF, necessitamos antes de mais nada, entender o discurso musical destes sujeitos: quais suas formas de expressão com os sons e quais os gestos musicais que lhes são inerentes, embora muitas vezes, estes elementos ainda lhe passem desapercebidos.
O professor de música necessita estar atento às manifestações sonoras destes sujeitos e trazê-las para o plano da consciência, buscando a transformação destes materiais sonoros em experiências expressivas de formação. Importa que o aluno de pedagogia na sua formação possa vivenciar e fazer parte do processo de criação, interpretação e composição musicais. Considerar o discurso musical dos alunos significa respeitar suas escolhas, suas tomadas de decisões em relação aos seus gostos e permitir-lhes a fluência musical antes de qualquer intenção de leitura ou escrita musical.
Swanwick (2003, p.69) diz que não acha “que a capacidade de ler ou escrever seja o objetivo final da educação musical. (…) a sequência de procedimentos (referindo-se a educação musical) mais efetiva é: ouvir, articular, depois ler e escrever”. Conforme afirma Nóvoa (2004), o professor ensina aquilo que é e naquilo que é se encontra muito do que ele ensina. Perrenoud (2002, p.39) também confirma isso, dizendo que “nossa ação sempre é a expressão daquilo que somos”.
Pensar em música num contexto mais amplo significa perceber que esta pode acontecer nas mais variadas formas e que ela não necessariamente precisa apenas ser vivenciada através do canto. A música é constituída de sons e silêncios e está presente no cotidiano de todo o ser humano, bastando-lhe para isso a iniciativa de começar a explorar suas atividades a partir destes sons e silêncios. Podemos explorar os diferentes sons corporais (bocejos, murmúrios, estalos, palmas, etc.). Podemos explorar os sons em diferentes materiais do cotidiano (na rua, em casa, nos objetos que nos cercam… entre muitos outros) e, a partir desta exploração, criar novas formas de organização destes sons. Com a voz podemos entender as diferentes possibilidades de inflexão melódica. Podemos explorar os ritmos, os instrumentos, perceber diferenciações de timbres e buscar e analisar a música que encontramos na mídia em seus mais diferentes aspectos.
Szönyi (1996) indica alguns pontos sobre a educação musical salientados pelo educador: A educação musical deve se estender e ser acessível a todos, pois é de vital importância na formação geral. Para isto deve fazer parte da educação proposta pelo Estado, com organização e controle adequado. Além disso, deve haver uma boa formação de professores e um diálogo internacional com cooperação e intercâmbio de idéias.
O primeiro educador musical da criança é a família, em especial a mãe. Becker (1989) fala que quando a mãe canta para a criança dormir, ensina seu filho a bater palmas, está educando musicalmente seu filho. Depois, na escola, a criança terá sua educação musical formalizada.
A autora lembra que cabe aos professores dar oportunidades para os educandos utilizar a música como uma forma de se comunicar e não deve existir a ilusão de haver um grande interesse das crianças pela música só por elas estarem cercadas de músicas através do rádio, televisão, pois isso não basta para desenvolver um senso crítico musical. Atividades lúdicas como canto, brinquedos e rodas cantadas são importantes para despertar a sensibilidade da criança. Schaefer (1991) acredita que o trabalho do professor é descobrir o potencial criativo das crianças para fazer música por si, apresentar aos alunos os sons do ambiente, tratar a “paisagem sonora do mundo” como um composição musical da qual o homem é o principal compositor e fazer julgamentos críticos que levem à melhoria de sua qualidade.Descobrir um ponto de união onde todas as artes possam encontrar-se e desenvolver-se harmonicamente.
No ensino musical os professores devem ter em mente aquilo que Jourdain (1998) considera como música para ele não se deve considerá-la apenas uma ginástica entre a leitura de uma partitura e a técnica para tocar um instrumento, as pessoas tem que encontrar seu caminho musical de fazer música.
Assano (2000) crítica professores que pensam que só pode trabalhar com a linguagem musical quem sabe música, pois desta maneira deixam de criar e fazer experiências com novos sons. Para ela isto não justifica a possível ausência da música na sala de aula já que os músicos contemporâneos usam justamente sons do cotidiano para compor músicas. Comenta ainda a autora que Cecília Conde (apud ASSANO, 2000, p. 14) em suas aulas de música fazia qualquer coisa transformar–se em música: vidros, latas, papéis, água, madeira, sons da natureza, do corpo, da cidade. Tudo que era capaz de ser ouvido era transformado em melodia pelos grupos que sentiam a alegria da criação. A conclusão da autora é quem a teve como professora, há de se ter tornado capaz de sentir o imenso prazer de descobrir a música da natureza.
O primeiro instrumento musical que o professor pode e deve utilizar é o próprio corpo, algo riquíssimo que podemos explorar. São diversos os sons que podemos produzir com o corpo como cantar, gritar, suspirar, bater palmas, bater com os pés, assobiar, esfregar, bater os dedos, sapatear, etc.
Consani (2003) sugere que o educador faça uma análise das músicas populares para não serem transmitidos conteúdos inadequados ou indesejáveis, também pode-se pesquisar temas ligados ao conhecimento humano, pois estes de uma forma ou de outra foram retratados musicalmente por um compositor, definir os conceitos que se deseja trabalhar, saber que a apreciação musical vem do hábito de ouvir e que analisar uma canção requer planejamento e implantação gradativa.
No início o professor deve preferir canções atuais ou regravações recentes com musicas de qualidade, depois ajudar os alunos a resgatar os clássicos, desenvolver estratégias de trabalho, pesquisa, avaliações, apresentar material ilustrativo sobre o compositor ou interprete da gravação, caso a canção não seja atual.
Segundo Amaral (1991) muitos professores de música adotam processos tradicionais no ensino musical pela falta de pesquisa experimental em música, e devido a poucos esforços realizados na área musical.
Lembrando Libâneo (2000), o professor deve buscar sempre “aprender a aprender” a fim de ajudar seus alunos a construírem seus conhecimentos. É interessante os professores buscarem uma aprendizagem musical, e por que não exigir, assim como foi feito com os professores de Educação Física, um professor especializado em Educação Musical? Uma educação musical de qualidade depende do professor preparado para essas exigências.
Cabe ao educador sentir o quanto ele é importante na construção dos conhecimentos musicais de seus alunos, e assim utilizar cada vez mais a música em sala de aula.
Atributos do educador musical na Educação Infantil
Em 1983 foi publicada a teoria de Howard Gardner. Segundo o cientista possuímos ao menos oito competências de inteligência: “a linguística ou verbal, a lógico-matemática, a espacial, a musical, a sinestésica corporal, a naturalista, a intrapessoal e a interpessoal”. Ilari (2003) discute a inteligência musical como uma capacidade de percepção sonora, identificação de sons, classificação de sons diferentes, de nuances de intensidade sonora, direção da fonte sonora, andamentos, tonalidades, melodias, ritmos, timbres, estilos etc. Para Gardner, qualquer pessoa normal pode desenvolver todos os tipos de inteligência, mas terá mais facilidade em determinados momentos da vida segundo o conceito de “janelas de oportunidades”. Um dado importante sobre estas janelas é que quase todas se abrem até os 10 anos de idade, daí a importância da educação infantil em todas as áreas. Segundo Ilari (2003) a principal importância disto tudo para educação musical é a idéia de que basta para criança fazer música para que desenvolva sua inteligência musical. Esta música deve ser variada e manuseada por meio de diversos dispositivos e modalidades do fazer musical. Mas a autora aponta mais especificamente para algumas atividades como o canto (que desenvolve ao menos 6 sistemas do cérebro), os jogos musicais (que podem estimular diversos sistemas também), a execução instrumental (desenvolve os sistemas de controle de atenção, memória, orientação espacial, ordenação sequencial, o sistema motor, o de pensamento superior e, no caso de grupos musicais, o sistema de pensamento social), a composição e a improvisação musical (desenvolve também diversos sistemas), a notação musical (tanto a notação “inventada” pela criança quanto a tradicional desenvolvem os sistemas de orientação espacial, ordenação sequencial e do pensamento superior), a construção de instrumentos (desenvolve sistemas como o do pensamento superior, de ordenação sequencial, o motor e de controle da atenção). Feitas estas considerações iniciais, apresenta-se a seguir os atributos da educação musical segundo a visão de alguns autores.
Atributos para o educador musical no método Suzuki
O texto utilizado para indicar os atributos do educador musical no método Suzuki chama-se “Educação é Amor: Um novo método de educação”. Nesta obra tem-se os principais fundamentos do método Suzuki de educação musical. Foi escrita pelo próprio criador do método e visa persuadir o leitor, por meio de dados biográficos e exemplos práticos, o valor de suas idéias. Suzuki (1994) não prescreve diretamente para o professor ou para o educador musical; é um texto escrito para qualquer um que queira se inteirar de seus pensamentos. Muitos destes pensamentos se refletem em atributos que os professores devem ter, ou crenças que eles devem seguir, como as seguintes: “Talento não é hereditário” (ibidem,p. 17); “Boas condições ambientais produzem habilidades superiores” (ibidem,p. 20); “Habilidades naturais aparecem através do treinamento” (ibidem,p. 27); “Talento não é inato” (ibidem,p. 40); A repetição e a persistência são fundamentais no desenvolvimento do talento (ibidem,pp. 45-53); “A educação tem que ser baseada no amor para que desenvolva a verdade, a alegria e a beleza como parte do caráter da criança” (ibidem,p. 59). O objetivo geral do método Suzuki é “treinar as crianças, não a ser músicos profissionais mas a ser bons músicos e mostrar toda sua habilidade em qualquer profissão que escolherem” (ibidem,p. 76).
Atributos para o educador segundo Teça Alencar Brito
Teca Alencar de Britotraz muitas contribuições sobre os atributos do educador musical. O texto que foi utilizado é “Música na educação infantil”(BRITO, 2004) que direciona-se à educação musical infantil no Brasil contemporâneo. A seguir alguns fragmentos do texto serão extraídos com o intuito de salientar quais são os atributos do educador musical trazidos no bojo da referência bibliográfica. Quando versa sobre a necessidade de respeito ao processo musical infantil, Brito (2004, p.45) indica:
[…] nesse sentido, o professor deve atuar – sempre – como animador, estimulador, provedor de informações e vivências que irão enriquecer e ampliar a experiência e o conhecimento das crianças, não apenas do ponto de vista musical, mas integralmente, o que deve ser o objetivo prioritário de toda proposta pedagógica, especialmente na etapa da educação infantil.
A autora ainda contribui ao se pronunciar sobre as novas teorias e conhecimentos que vêm se formando de modo a auxiliar os educadores na sua melhor compreensão da criança, conforme o fragmento a seguir:
O ensino-aprendizagem na área da música vem recebendo influência das teorias cognitivas, em sintonia com procedimentos pedagógicos contemporâneos. Amplia-se o número de pesquisas sobre o pensamento e a ação musicais que podem orientar os educadores e gerar contextos significativas de ensino-aprendizagem, que respeitem o modo de perceber, sentir e pensar de bebês e crianças (BRITO, 2004, p. 53). Outra contribuição está indicada no seguinte trecho:
O educador ou educadora deve buscar dentro de si as marcas e lembranças da infância, tentando recuperar jogos, brinquedos e canções presentes em seu brincar. Também deve pesquisar na comunidade e com as pessoas mais velhas as tradições do brincar infantil, devolvendo-as às nossas crianças, pois elas têm importância fundamental para seu crescimento sadio e harmonioso (BRITO, 2004, p. 111).
Finalizando as contribuições da autora temos que: “o educador ou educadora pode contar e sonorizar sua história […]” (ibidem,p. 163); “É importante que os educadores e educadoras se sintam capazes de criar arranjos simples e adequados às possibilidades de realização musical das crianças, pois só assim poderão inserir seus alunos nesse importante e gostoso processo de criação” (ibidem,p. 173); “O educador ou educadora deverá observar como as crianças registram os sons” (ibidem,p. 183); e “Cabe ao educador ou educadora pesquisar exemplos e obras musicais que se aproximem de suas crianças e de seu trabalho em cada fase” (ibidem,p. 194).
Atributos para o educador segundo Ilza Zenker Leme Joly
Joly (2000) inicia sua tese valorizando a importância da educação musical para a formação do indivíduo, depois traça um histórico sobre seu desenvolvimento. Joly também disserta sobre o processo de musicalização infantil, sobre a educação musical no contexto escolar, sobre programação de ensino e sobre a construção do conhecimento pedagógico musical. Segundo ela o processo de formação de professores necessita de avanços, e é importante o professor conhecer as competências com as quais ele poderá auxiliar seus alunos a se desenvolverem. A autora também utiliza os conceitos de Schön, e salienta a necessidade de que o professor tenha uma reflexão-na-ação, isto é: seja capaz de planejar e adaptar procedimentos de ensino conforme as características, necessidades, dificuldades, facilidades e interesses de seus alunos. O professor deve refletir diariamente para poder articular a teoria com a prática, deve também ensinar e observar o aluno e não apenas realizar um seguir cego a procedimentos. A autora também valoriza a necessidade de se compreender a forma de atuação do professor e o ambiente onde este está inserido para se identificar aspectos fundamentais que influenciam na sua formação.
Sobre a formação de professores Joly (2000) indica como necessário preparar o profissional para ensinar e aprender, ser observador, ser perspicaz e ser reflexivo. O conhecimento deve funcionar como meio para o desenvolvimento das aprendizagens para que o indivíduo possa atuar na sociedade. Desta forma, em um programa para formação de professores é necessário definir-se os comportamentos mais significativos para o profissional. Para este fim a autora elaborou uma programação que cumpriu as seguintes etapas: descrição das classes de comportamento do professor para planejar aulas, executar aulas e avaliar aulas de musicalização, descrição dos objetivos comportamentais e descrição das situações de ensino. Segundo o texto é necessário que o professor seja um observador eficaz e flexível de modo que não insista em um procedimento improdutivo.
Joly (ibidem) propõe condições para o ensino de comportamentos envolvidos num programa de formação de professores de musicalização infantil. A idéia é tornar este mecanismo o mais real possível em relação às atividades inerentes à prática e a vivência comum do professor de musicalização. Deve-se fazer uma análise dos componentes dos objetivos comportamentais e das situações e condições de ensino correspondentes para que se obtenha melhores evidências sobre a aprendizagem.
3.2.4 Atributos para o educador segundo Perrenoud
Perrenoud (2000), falando da educação em geral trabalha com o conceito de competências para o educador. Neste contexto indica dez novas competências que devem se adicionar às velhas competências dos profissionais da educação. Estas dez competências não deixam de ser uma certa escolha política e de visão de mundo, mas de qualquer forma elas buscam ser mais amplas e isentas. Segundo o teórico da educação:
O referencial escolhido acentua as competências julgadas prioritárias por serem coerentes com o novo papel dos professores, com a evolução da formação contínua, com as reformas da formação inicial, com as ambições das políticas educativas. Ele é compatível com os eixos de renovação da escola: individualizar e diversificar os percursos de formação, introduzir ciclos de aprendizagem, diferenciar a pedagogia, direcionar-se para uma avaliação mais formativa do que normativa, conduzir projetos de estabelecimento, desenvolver trabalhos em equipe docente e responsabilizar-se coletivamente pelos alunos, colocar as crianças no centro da ação pedagógica, recorrer aos métodos ativos, aos procedimentos de projeto, ao trabalho por problemas abertos e por situações-problema, desenvolver competências e a transferência de conhecimentos, educar para a cidadania (PERRENOUD, 2000, p. 14).
É interessante notar que este contexto que o autor chama de renovação da escola está em sincronismo com o histórico do desenvolvimento da educação no século XX. Baseado neste estado de coisas Perrenoud indica 10 famílias de competências para o educador, que estão indicadas no quadro 1.
Quadro 1 – As 10 novas competências de Perrenoud
Fonte: Perrenoud (2000, p.20)
Machado (2004, p.40) aplicou as idéias de Perrenoud na educação musical e adaptou as competências docentes necessárias para a prática pedagógico-musical: 1) Elaborar e desenvolver propostas para o ensino da música na escola; 2) Organizar e dirigir situações de aprendizagem musical “interessantes” aos alunos; 3) Administrar a progressão de aprendizagens musicais dos alunos; 4) Administrar os recursos disponíveis da escola para a realização do ensino de música; 5) Conquistar a valorização do ensino da música na escola; 6) Relacionar-se com os alunos, impondo limites; e 7) Manter-se em constante processo de formação profissional.
CONCLUSÃO
Face ao exposto pode-se concluir que ouvir e aprender uma canção, participar de brincadeiras de roda e de atividades rítmicas, são ações que despertam, estimulam e ajudam a desenvolver o gosto pela atividade musical, além de viabilizar a vivência dos elementos estruturais da linguagem musical. A criança por meio de brincadeiras, relaciona-se com o mundo e dia após dia descobre brincando como fazer música. Receptiva, curiosa, a crianças busca por materiais sonoros, descobre instrumentos, inventa canções e escuta com prazer diversos tipos de música.
A aprendizagem musical, de maneira ativa e contínua, integra prática, reflexão e conscientização, transportando a experiência para estágios cada vez mais elaborados de expressão e de ampliação do conhecimento de mundo.
Na Educação Infantil, a música encontra-se presente em todos os instantes da rotina escolar, constituindo-se em uma fonte de prazer, aprendizagem e de expressão corporal. Se pensarmos que a Escola não possui condições, nem nos oferece possibilidades para trabalhar com música, seja por falta de material sonoro, seja por falta de espaço físico, ou mesmo devido à insegurança do professor, nada irá acontecer. No entanto, se formos capazes de despertar o gosto pela música na Educação Infantil e incentivarmos que isto possua continuidade nas outras séries, teremos uma Escola mais feliz; uma escola onde alunos, pais e professores irão interagir de forma harmônica, pois estarão de verdade sendo os sujeitos da edificação de sua própria história.
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