{"id":738,"date":"2020-04-22T19:24:11","date_gmt":"2020-04-22T22:24:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/?p=738"},"modified":"2020-04-22T19:24:11","modified_gmt":"2020-04-22T22:24:11","slug":"a-importancia-da-musica-na-terceira-idade-na-terceira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/a-importancia-da-musica-na-terceira-idade-na-terceira\/","title":{"rendered":"A Import\u00e2ncia da M\u00fasica na Terceira Idade"},"content":{"rendered":"<p>Na velhice mudan\u00e7as ocorrem no ser humano, tanto f\u00edsicas, como psicol\u00f3gicas e sociais. Desta forma, a m\u00fasica pode ser um dos poucos recursos a promover a sa\u00fade e o bem-estar do idoso, pois envelhecer \u00e9 um processo de muitos fatores, visto que gradativamente a sa\u00fade do indiv\u00edduo vai-se declinando.<\/p>\n<p>Ao realizarmos uma an\u00e1lise das contribui\u00e7\u00f5es da musicaliza\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 atrav\u00e9s da m\u00fasica que o ser humano se sensibiliza e pode interagir com os demais, se socializando e criando la\u00e7os de amizade, proporcionando momentos prazerosos e felizes os quais os idosos podem participar, sendo que na idade mais avan\u00e7ada, as caracter\u00edsticas f\u00edsicas e ps\u00edquicas, a perda de mem\u00f3ria aumenta, aparecem a ang\u00fastia, a solid\u00e3o e at\u00e9 depress\u00e3o. O fazer musical e a aprecia\u00e7\u00e3o musical pode oportunizar o partilhar de novas ideias e sentimentos.<\/p>\n<p>Ficar velho reflete a improdutividade e isso pode acarretar isolamento por parte da sociedade e da fam\u00edlia tamb\u00e9m, pois muitas pessoas desvalorizam e excluem pessoas com mais idade trazendo um afastamento e desmerecimento de opini\u00f5es e participa\u00e7\u00e3o efetiva da rotina, muitas vezes deixando de lado ou at\u00e9 sozinhos, conduzindo uma vida solit\u00e1ria e sem companhias. Com diminui\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e com as altera\u00e7\u00f5es constantes, o idoso passa a ser marginalizado pela sociedade.<\/p>\n<p>A m\u00fasica transforma e ajuda na qualidade do envelhecimento, principalmente quando trabalhamos no coletivo. Ela pode construir processos educativos como a socializa\u00e7\u00e3o, colabora\u00e7\u00e3o, solidariedade, partilha de ideias e atrav\u00e9s do conv\u00edvio promove prazer e momentos agrad\u00e1veis que muitas vezes, na idade avan\u00e7ada s\u00e3o podados pela pr\u00f3pria fam\u00edlia, pois envelhecimento \u00e9 considerado apenas uma categoria social e que possui um estatuto pr\u00f3prio h\u00e1 pouco tempo.<\/p>\n<p>A m\u00fasica tem capacidade de estimular \u00e1reas importantes do comportamento humano, como sentimentos e racioc\u00ednio, KATER (2012), afirma que \u201csabemos o quanto a m\u00fasica \u00e9 capaz de promover felicidade, autoestima, intera\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos, constru\u00e7\u00e3o de conhecimento de uma maneira eficiente, eficaz e comunic\u00e1vel.\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>A musicaliza\u00e7\u00e3o pode ampliar o conhecimento musical do idoso, al\u00e9m de trazer mais oportunidades de conhecimento musical e aprecia\u00e7\u00e3o musical, trabalhando ritmo e movimento corporal, j\u00e1 que devido \u00e0 idade, algumas limita\u00e7\u00f5es f\u00edsicas come\u00e7am a aparecer. Ser idoso na sociedade capitalista \u00e9 sobreviver. Esse sujeito, muitas vezes sem projeto, fica impedido de lembrar ou de ensinar, suportando as adversidades de um corpo que envelhece, perdendo movimentos \u201c\u00e0 medida que a mem\u00f3ria vai-se tornando cada vez mais viva, a Terceira Idade, que n\u00e3o existe para si, mas para o outro\u201d (BOSI, 1979, p. 23).<\/p><\/blockquote>\n<p>Apontamos que a proposta da musicaliza\u00e7\u00e3o como constru\u00e7\u00e3o humana, elabora significados atrav\u00e9s de experi\u00eancias e pr\u00e1ticas que ampliam o processo de socializa\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o e que o idoso por meio da m\u00fasica possa reagir e movimentar-se com ela (GAINZA, 1998 apud PENNA, 2015).<\/p>\n<p>Os idosos podem desfrutar de um envelhecer produtivo, aut\u00f4nomo e constitutivo de maturidade, com reconhecimento como cidad\u00e3os part\u00edcipes da sociedade (LUZ, 2008).<\/p>\n<p>Admitimos que sejam muitos os recursos que podem promover a sa\u00fade dos idosos atrav\u00e9s da m\u00fasica, pois ela mobiliza os sentidos do homem e produz est\u00edmulos comportamentais, emocionais e sociais, al\u00e9m de trazer benef\u00edcios cognitivos e motores, sendo que a musicaliza\u00e7\u00e3o para idosos pode contribuir de forma significativa para a sa\u00fade, tendo em vista que o processo de envelhecimento gera mudan\u00e7as f\u00edsicas, psicol\u00f3gicas e sociais.<\/p>\n<p>Compreendemos ent\u00e3o, que os processos de musicaliza\u00e7\u00e3o e as pr\u00e1ticas educativas na terceira idade proporcionam bem-estar e revitaliza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, resgatando lembran\u00e7as, tomando as experi\u00eancias como constru\u00e7\u00e3o de sentidos e rela\u00e7\u00f5es do cotidiano.<\/p>\n<p>Apontamos ainda a import\u00e2ncia da m\u00fasica como est\u00edmulo mediador que proporciona respostas referentes \u00e0 cogni\u00e7\u00e3o, ao processo sens\u00f3rio-motor e tamb\u00e9m respostas referentes \u00e0 afetividade (THAUT, 2008). As investiga\u00e7\u00f5es fundamentadas neste conceito consideram que a estrutura e os padr\u00f5es musicais s\u00e3o elementos capazes de organizar, estimular e guiar a aten\u00e7\u00e3o, a percep\u00e7\u00e3o e o comportamento do indiv\u00edduo (LOUREIRO, 2009).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A m\u00fasica acompanha a humanidade, ela sempre esteve presente na vida do ser humano e est\u00e1 intrinsicamente inserida nas manifesta\u00e7\u00f5es do cotidiano, narua, na escola, na casa, no museu, no teatro entre outros lugares. E assim como as crian\u00e7as, os idosos podem ser musicalizados com muito carinho e dedica\u00e7\u00e3o e este pode ser muito gratificante.<\/p>\n<p>Os idosos sofrem com o desgaste natural do organismo, ou seja, o envelhecimento natural do ciclo vital do ser humano implica em altera\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas, fisiol\u00f3gicas, psicossociais, econ\u00f4micas e pol\u00edticas e sofrem tamb\u00e9m com o abandono por parte da fam\u00edlia e amigos, sofrem com a exclus\u00e3o social, a aus\u00eancia do interesse do Estado em seu todo na defesa dos seus direitos, da aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas, com o n\u00e3o cumprimento do Estatuto do Idoso e do Decreto Federal 1.948 de 03\/07\/1996, que regulamenta a Lei sobre a Pol\u00edtica Nacional do Idoso, pelo qual: \u201cTodo cidad\u00e3o tem o dever de denunciar \u00e0 Autoridade competente, qualquer forma de neglig\u00eancia ou desrespeito sobre os idosos\u201d. E a sociedade na \u00e2nsia de cultivar a beleza e a vaidade, esquece e exclui os idosos, esquecendo que o envelhecer \u00e9 sin\u00f4nimo de sabedoria, experi\u00eancia, al\u00e9m de ser uma grande vit\u00f3ria que, muitas vezes, n\u00e3o \u00e9 alcan\u00e7ada por alguns.<\/p>\n<p>As atividades com m\u00fasica s\u00e3o recursos muito importantes para se trabalhar com os idosos, pois promovem respostas a n\u00edvel fisiol\u00f3gico, como altera\u00e7\u00f5es no estado de \u00e2nimo e afeto, integra\u00e7\u00e3o social, comunica\u00e7\u00e3o, intera\u00e7\u00e3o, express\u00e3o emocional, lembran\u00e7as de pessoas e lugares. A m\u00fasica facilita o encontro das pessoas, prop\u00f5e o sentimento de partilha e estabelece uma comunh\u00e3o com o outro, ou seja, a rela\u00e7\u00e3o eu e tu, trazendo v\u00e1rios benef\u00edcios psicol\u00f3gicos e de qualidade de vida, desenvolvendo o aspecto criativo e expressivo, trazendo inova\u00e7\u00e3o, a\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o de conquistas, sensibilizando atrav\u00e9s de pr\u00e1ticas e t\u00e9cnicas e de realiza\u00e7\u00f5es que possam romper limites f\u00edsicos e aumentam a flexibilidade da condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Podemos perceber a m\u00fasica como fator de media\u00e7\u00e3o entre os seres humanos (VYGOTSKY, 2000) na procura de valorizar a a\u00e7\u00e3o solid\u00e1ria, incentivar trabalhos coletivos, intervir em situa\u00e7\u00f5es que requeiram a cria\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios comuns a todos.<\/p>\n<p>V\u00e1rios autores j\u00e1 nos provaram que a m\u00fasica trabalha o desenvolvimento motor e cognitivo. Desenvolve o racioc\u00ednio r\u00e1pido, coordena\u00e7\u00e3o motora, racioc\u00ednio l\u00f3gico, expressividade, colabora na leitura e escrita. A m\u00fasica programa o c\u00e9rebro para envelhecer em melhores condi\u00e7\u00f5es, para Tourinho (2006), a a\u00e7\u00e3o da m\u00fasica pode favorecer a mem\u00f3ria, evocando lembran\u00e7as do passado.<\/p>\n<p>Ela possibilita a demonstra\u00e7\u00e3o de afetividade, compaix\u00e3o e solidariedade, os quais podem ser aprendidos pelos gestos, olhares, sorrisos, toques suaves que acontecem durante a execu\u00e7\u00e3o musical. A m\u00fasica contribui para levar as pessoas da terceira idade a sentirem-se transformadoras de si mesmas, pois os benef\u00edcios que proporciona influenciam as emo\u00e7\u00f5es, o comportamento e as fun\u00e7\u00f5es cognitivas, melhorando a qualidade do sono, motiva\u00e7\u00e3o, autoconfian\u00e7a, diminuindo a ansiedade, combatendo a tens\u00e3o, a fadiga e eliminando o estresse.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do movimento corporal e da expressividade, a m\u00fasica contribui para o bem-estar e para a socializa\u00e7\u00e3o. Segundo Brescia (2003) \u00e9 um processo de constru\u00e7\u00e3o do conhecimento que tem como objetivo despertar e desenvolver o gosto musical, favorecendo o desenvolvimento da sensibilidade, criatividade, senso r\u00edtmico, do prazer em ouvir m\u00fasica, da imagina\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria, concentra\u00e7\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o, autodisciplina, do respeito ao pr\u00f3ximo e da afetividade, contribuindo para uma efetiva consci\u00eancia corporal e de movimenta\u00e7\u00e3o. O idoso estar\u00e1 musicalmente preparado para conhecer os instrumentos musicais, reconhecer os sons como reconhece as cores, escuta consciente e ao ritmo, adquirindo gosto pela mesma e aprendendo a conviver com ela.<\/p>\n<p>Violeta Gainza (1988, p. 22) destaca que<\/p>\n<blockquote><p>A m\u00fasica se tornou uma linguagem universal que une as pessoas, que faz parte da identidade cultural de cada povo, uma forma de comunicar, de celebrar, \u00e9 capaz de influenciar nossas emo\u00e7\u00f5es, imprimir fatos em nossa mem\u00f3ria, nossos pensamentos e nos trazer sensa\u00e7\u00f5es de bem estar.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A m\u00fasica ativa a dopamina que \u00e9 o neurotransmissor do prazer no c\u00e9rebro, o que ajuda a explicar porque a m\u00fasica est\u00e1 presente na vida das pessoas e \u00e9 utilizada em festas, marketing e em filmes, al\u00e9m de contribuir para o bem-estar, ela melhora o funcionamento do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>A neuroci\u00eancia comprova que o c\u00e9rebro pode mudar sua pr\u00f3pria estrutura f\u00edsica (neuroplasticidade), atrav\u00e9s dos pensamentos e atividades estimulantes. O c\u00e9rebro \u00e9 vulner\u00e1vel \u00e0s influ\u00eancias externas e pode ser exercitado como se fosse m\u00fasculo. Atrav\u00e9s da pr\u00e1tica regular, a m\u00fasica desenvolve nossas habilidades motoras, cognitivas e lingu\u00edsticas.<\/p>\n<p>Todo ser humano \u00e9 capaz de desenvolver a intelig\u00eancia musical, isso foi comprovado pelo psic\u00f3logo cognitivo educacional Howard Garden(1995) em sua teoria das <em>Intelig\u00eancias M\u00faltiplas, <\/em>onde a intelig\u00eancia musical \u00e9 considerada a quarta, das Sete Intelig\u00eancias.<\/p>\n<p>O esquema corporal \u00e9 o elemento estrutural indispens\u00e1vel \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da personalidade, pois \u00e9 a maneira de perceber a si mesmo, tanto atrav\u00e9s do movimento quanto da sensa\u00e7\u00e3o f\u00edsica do pr\u00f3prio corpo. \u00c9 a maneira do indiv\u00edduo se expressar e obter o conceito de coisas concretas que s\u00e3o as partes do corpo. Emile Jacques Dalcroze (1907) em seu livro <em>Le rythme, la musique et l\u2019\u00e9ducation<\/em> afirmaque a m\u00fasica deve ser aprendida pela pr\u00e1tica e viv\u00eancia corporal, abordando que \u00e9 atrav\u00e9s dos movimentos, interagindo em grupo, atrav\u00e9s de uma escuta ativa, que as pessoas percebem a melodia, o fraseado, o ritmo e a forma da m\u00fasica, formando a chamada consci\u00eancia r\u00edtmica. \u201cA m\u00fasica \u00e9 composta de sonoridade e movimento; o pr\u00f3prio som \u00e9 uma forma de movimento\u201d (DALCROZE, 1907, p. 43). No caso da musicaliza\u00e7\u00e3o para idosos, com certeza essas metodologias ser\u00e3o de grande import\u00e2ncia para recupera\u00e7\u00e3o de movimentos, fala e audi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Dalcroze (1907), o uso do movimento corporal em atividades de educa\u00e7\u00e3o musical \u00e9 o que possibilita a integra\u00e7\u00e3o mente-corpo, aqui n\u00e3o mais pensados de forma cindida. Essa integra\u00e7\u00e3o est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 atividade musical, pois a m\u00fasica \u00e9 sentida e percebida pelo ser humano de forma corporal, mental e ainda emocional, principalmente a partir do movimento. Na R\u00edtmica, Dalcroze (1907),prop\u00f5e exerc\u00edcios e atividades que come\u00e7am com movimentos corporais b\u00e1sicos, tais como andar, saltar e correr, al\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o, do movimento e do tempo nesse espa\u00e7o. O foco das atividades est\u00e1 na busca de uma express\u00e3o corporal, por meio do movimento, daquilo que se escuta, promovendo, entre diversas habilidades, um desenvolvimento da coordena\u00e7\u00e3o motora, concentra\u00e7\u00e3o, dissocia\u00e7\u00e3o corporal e da rela\u00e7\u00e3o do corpo com o espa\u00e7o e com o outro (SANTOS, 2001). Somente ap\u00f3s essa viv\u00eancia corporal \u00e9 que a m\u00fasica e seus elementos s\u00e3o analisados e teorizados.<\/p>\n<p>Segundo Fonterrada (2005, p. 125), Edgar Willens, grande pioneiro da educa\u00e7\u00e3o musical em sua metodologia, pontuava que o desenvolvimento da linguagem musical ocorre da mesma maneira que a linguagem materna. Todo conhecimento em seu m\u00e9todo, deve partir da atividade pr\u00e1tica, chegando \u00e0 abstra\u00e7\u00e3o do conhecimento te\u00f3rico. Ele acreditava ter proposto uma \u201cordena\u00e7\u00e3o construtiva\u201d para a educa\u00e7\u00e3o musical, e n\u00e3o ter criado um \u201csistema\u201d para essa atividade. Sua concep\u00e7\u00e3o de m\u00fasica ampliava-se para uma verdadeira rela\u00e7\u00e3o entre os elementos constituintes da dela (ritmo, melodia e harmonia) e a pr\u00f3pria vida, o ser humano, o universo. Para ele, o ritmo est\u00e1 relacionado ao aspecto fisiol\u00f3gico do ser humano; a melodia ao afetivo e a harmonia, ao intelectual.<\/p>\n<p>O movimento corporal para Willens (1956) est\u00e1 pautado nos movimentos naturais como andar, marchar, saltitar. Balan\u00e7ar, buscando interpretar aquilo que escuta. Na acuidade auditiva, sempre buscando um requinte refinado, utilizando desde a flauta de \u00eambolo at\u00e9 sinos de diferentes timbres. Sua base filos\u00f3fica n\u00e3o possui material pedag\u00f3gico, mas fundamentou seu m\u00e9todo em textos reflexivos, artigos e livros.<\/p>\n<p>Os principais aspectos de sua abordagem s\u00e3o audi\u00e7\u00e3o, canto, movimento corporal, acuidade auditiva e as bases filos\u00f3ficas. Willens (1956) estabelece uma divis\u00e3o do desenvolvimento auditivo, sem privilegiarmos apenas um aspecto, sendo:<\/p>\n<ul>\n<li>Sensorialidade auditiva \u2013 ligada \u00e0 sensibilidade sensorial (ato fisiol\u00f3gico de ouvir).<\/li>\n<li>Sensibilidade afetiva auditiva \u2013 rea\u00e7\u00e3o afetiva perante o est\u00edmulo sonoro, ao sentimento, ao car\u00e1ter e \u00e0 emo\u00e7\u00e3o do ato de escutar atentamente.<\/li>\n<li>Intelig\u00eancia auditiva \u2013ligada \u00e0 compreens\u00e3o racional do fen\u00f4meno sonoro e musical.<\/li>\n<\/ul>\n<p>No canto, est\u00e1 o privil\u00e9gio de iniciar a aprendizagem atrav\u00e9s das can\u00e7\u00f5es populares mais conhecidas, can\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas e solfejos e at\u00e9 can\u00e7\u00f5es improvisadas, pois o canto \u00e9 atividade fundamental no in\u00edcio do aprendizado musical. Essas atividades t\u00eam como base a can\u00e7\u00e3o de todo o processo de manifesta\u00e7\u00e3o musical. Antes de aprender a tocar um instrumento musical, \u00e9 importante a pr\u00e1tica musical do canto, pois quando cantamos, estamos desenvolvendo nossa percep\u00e7\u00e3o auditiva, nosso ouvido musical. De acordo com Elvira Drummond (2005), educadora musical, o canto \u00e9 a mais completa forma de manifesta\u00e7\u00e3o musical, visto que abra\u00e7am os tr\u00eas elementos construtivos da linguagem: ritmo, melodia e harmonia.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica da voz cantada e exerc\u00edcios de t\u00e9cnica vocal direcionados a pessoas idosas demonstram que cantar \u00e9 uma alternativa para funcionamento do organismo, agindo de forma semelhante \u00e0s atividades f\u00edsicas. O canto n\u00e3o substitui uma caminhada, mas pode promover uma percep\u00e7\u00e3o mais profunda do pr\u00f3prio corpo, exigindo empenho muscular e gasto de energias. Cantar proporciona prazer est\u00e9tico, tem fun\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas e preventivas, e \u00e9 express\u00e3o art\u00edstica. Arte \u00e9 cria\u00e7\u00e3o, e criar gera o novo e d\u00e1 movimento e sentido ao que se assimila, transformando, construindo e ressignificando v\u00e1rios conte\u00fados internos, e logo, criar passa a ser uma forma de reafirma\u00e7\u00e3o da vida e qualquer ve\u00edculo de express\u00e3o art\u00edstica pode servir de material criativo. Cantar \u00e9 um deles. O criador acolhe inteiramente o novo e age com a mente no aqui-e-agora, colocando todo o conhecimento adquirido no passado em estado din\u00e2mico (BARRENECHEA, 2008).<\/p>\n<p>O primeiro passo no trabalho de t\u00e9cnica vocal \u00e9 colocar o indiv\u00edduo em contato com seu potencial respirat\u00f3rio, pois o ar \u00e9 o combust\u00edvel do canto. Ao falar de capacidade pulmonar, dependendo das condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade do idoso, a resposta pode ser demorada, pois essa capacidade diminui com a idade, perdendo-se a vitalidade e o funcionamento metab\u00f3lico se lentifica (HERM\u00d3GENES, 2007). Melhorando o padr\u00e3o respirat\u00f3rio, haver\u00e1 resultados positivos. Os rec\u00e9m-nascidos respiram perfeitamente bem e emitem a voz sem qualquer esp\u00e9cie de bloqueio (GAIARSA, 1982). Com o passar dos anos, perde-se a flexibilidade muscular, surgem a tens\u00e3o e rigidez e o adulto passa a respirar diferente. Ao entrar em contato com a respira\u00e7\u00e3o, faz-se o mesmo com o ritmo interno. Respirar bem e adequadamente aumenta a concentra\u00e7\u00e3o e promove relaxamento. Dessa forma, o canto proporciona a oportunidade de se estabelecer um estreito contato com as energias que movem a vida humana e desenvolve o reconhecimento de si mesmo de forma integral: corpo e mente.<\/p>\n<p>Cantar \u00e9 tornar o pr\u00f3prio corpo um instrumento musical. Vivenciar a m\u00fasica atrav\u00e9s do canto \u00e9 uma experi\u00eancia que mobiliza o indiv\u00edduo como um todo. A pr\u00e1tica musical, por si s\u00f3, tem sido explorada como uma verdadeira gin\u00e1stica para o c\u00e9rebro. O termo psicologia cognitiva da m\u00fasica tem sido amplamente difundido, servindo de base para diversos tipos de estudos, tais como: os neurol\u00f3gicos e psicol\u00f3gicos, que buscam compreender o funcionamento da m\u00fasica no c\u00e9rebro e a mente musical; os sociol\u00f3gicos e antropol\u00f3gicos, que realizam estudos comparativos entre as culturas; os musicol\u00f3gicos, que investigam os componentes mentais envolvidos na audi\u00e7\u00e3o, na execu\u00e7\u00e3o instrumental e na composi\u00e7\u00e3o; os filos\u00f3ficos e hist\u00f3ricos, que refletem sobre o papel da m\u00fasica ao longo do tempo; e em outras \u00e1reas que tratam de investigar a g\u00eanese, a pr\u00e1tica e os efeitos do fazer musical nos indiv\u00edduos\u00a0 (ILARI, 2006).<\/p>\n<p>A m\u00fasica envolve uma s\u00e9rie de aptid\u00f5es f\u00edsicas e mentais e atrav\u00e9s do canto, estabelece um estreito relacionamento com a linguagem. O canto, em particular, muito tem a acrescentar ao idoso trazendo-lhe uma s\u00e9rie de contribui\u00e7\u00f5es, que poder\u00e3o abranger desde a melhora das fun\u00e7\u00f5es mentais, at\u00e9 uma grande e significativa mudan\u00e7a no comportamento corporal e emocional (BASTIDAS, 1996, P. 17).<\/p>\n<p>A neurocientista e educadora musical Viviane Louro(2012), em seu livro <em>Fundamentos da aprendizagem musical da pessoa com defici\u00eancia<\/em> afirma que:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Os princ\u00edpios b\u00e1sicos da psicomotricidade est\u00e3o impl\u00edcitos em cada item da aprendizagem musical, seja te\u00f3rica ou pr\u00e1tica. Para que se possa tocar piano, ser\u00e3o necess\u00e1rias firmes no\u00e7\u00f5es da espacialidade e temporalidade, bem como lateraliza\u00e7\u00e3o definida. Faltando qualquer desses pr\u00e9-requisitos, o aluno enfrentar\u00e1 muitas dificuldades no aprendizado.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao experimentar diversos movimentos locomotores, os gestos contribuir\u00e3o para o desenvolvimento natural das fun\u00e7\u00f5es neuropsicomotoras, pois o nosso corpo \u00e9 o mais completo brinquedo sonoro. Ele fornece infinitas nuances e entona\u00e7\u00f5es vocais, al\u00e9m de um amplo leque de possibilidades percussivas: palmas, m\u00e3os nas coxas, sapateiro, beijo, estouro de bochechas, etc.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de propostas que trabalhem o reconhecimento e localiza\u00e7\u00e3o dos sons, \u00e9 muito importante oferecer atividades criativas com os sons, para que possam experimentar os sons do corpo nas can\u00e7\u00f5es. Trabalhando os sons da boca, estimulamos tamb\u00e9m os t\u00f4nus musculares da boca que ajudam na recupera\u00e7\u00e3o da fala.<\/p>\n<p>A finalidade da musicaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 vasta, pois as experi\u00eancias musicais como dan\u00e7ar, jogar, cantar, criar, tocar e escutar promovem espa\u00e7os para recorda\u00e7\u00f5es, transforma\u00e7\u00f5es e ressignifica\u00e7\u00f5es para novas descobertas, promove encontros humanos, compartilhamento de ideias, recupera\u00e7\u00e3o da autoestima, estimula a fala, trabalho mental e corporal do idoso, podendo promover assim, sa\u00fade e vigor \u00e0 vida. As atividades em grupo contribuem para um envelhecimento saud\u00e1vel, no desenvolvimento da autonomia e da sociabilidade, no fortalecimento dos v\u00ednculos familiares e do conv\u00edvio comunit\u00e1rio e na preven\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es de risco social.<\/p>\n<p>A musicaliza\u00e7\u00e3o promove experi\u00eancias art\u00edstico-culturais e familiariza\u00e7\u00e3o de diferentes formas da linguagem musical, n\u00e3o significa que o idoso dominar\u00e1 um instrumento e ser\u00e1 um instrumentista virtuoso, mas de acordo com Penna (2015, p. 44) articula-se \u00e0 inser\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo em seu meio sociocultural contribuindo para tornar a sua rela\u00e7\u00e3o com o ambiente mais significativa e participante. A escuta tamb\u00e9m \u00e9 fundamental nesse processo de media\u00e7\u00e3o, de acordo com Granja (2006, p. 65), \u201c[&#8230;] nos permite ter acesso \u00e0 palavra falada e, com isso, ao mundo das outras pessoas e do conhecimento\u201d. A escuta, por meio do olhar sens\u00edvel nos invade com o interesse, a aten\u00e7\u00e3o, o afeto e a motiva\u00e7\u00e3o, e dessa forma, selecionamos o mundo sonoro que nos toca e mobiliza com uma atitude a mais do que a exposi\u00e7\u00e3o de ouvir os sons musicais ou outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Podemos concluir que a musicaliza\u00e7\u00e3o para idosos apresenta muitos benef\u00edcios, pois melhora a qualidade de vida, da sa\u00fade, reativa\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, aumento da autoestima e por consequ\u00eancia, um crescimento interpessoal e afetivo, da motiva\u00e7\u00e3o no aspecto emocional e social.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o musical \u00e9 um campo f\u00e9rtil de atua\u00e7\u00e3o junto ao idoso, ou seja, transforma a realidade das pessoas de idade mais avan\u00e7ada, de forma que se sinta agente e transformador da sociedade.<\/p>\n<p>A m\u00fasica exerce grande influ\u00eancia nas emo\u00e7\u00f5es, nas sensa\u00e7\u00f5es corporais e atividades motoras, estimula a mente imaginativa, aumenta a aten\u00e7\u00e3o, \u00e9 um \u00f3timo recurso contra o estresse e a ansiedade, traz equil\u00edbrio afetivo e emocional, favorecendo o indiv\u00edduo de forma geral, ou seja, por inteiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\">REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BOSI, E. Mem\u00f3ria e sociedade: lembran\u00e7a de velhos. S\u00e3o Paulo: T. A. Queiroz, 1979.<\/p>\n<p>BR\u00c9SCIA, Vera L\u00facia Pessagno.\u00a0Educa\u00e7\u00e3o Musical:\u00a0bases psicol\u00f3gicas e a\u00e7\u00e3o preventiva. S\u00e3o Paulo: \u00c1tomo, 2003.<\/p>\n<p>DALCROZE, J.Le rythme, la musique et l&#8217;\u00e9ducation, Fran\u00e7a, 1907.<\/p>\n<p>DRUMMOND, Elvira. A Tessitura est\u00e9tica dos Brinquedos cantados:Fortaleza, 1988<\/p>\n<p>FONTERRADA, M. T. O. De tramas e fios: um ensaio sobre m\u00fasica e educa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Editora Unesp, 2005.<\/p>\n<p>GAINZA, VioletaHemsy de. Estudos de Psicopedagogia Musical.\u00a03. ed. S\u00e3o Paulo: Summus, 1988.<\/p>\n<p>GARDEN, H. <em>Teoria das intelig\u00eancias m\u00faltiplas<\/em>. Porto Alegre, 1995.<\/p>\n<p>ILARI, S. B. (Org.) (2006). Em busca da mente musical. Curitiba: Edit UFPR.<\/p>\n<p>KATER, Carlos Moura. Projeto M\u00fasica na Escola. S\u00e3o Paulo, 2012.<\/p>\n<p>LEVITIN, J. D. (2010). A m\u00fasica no seu c\u00e9rebro; a ci\u00eancia de uma obsess\u00e3o humana. Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira.<\/p>\n<p>LOUREIRO, Cybelle. Efeitos da musicoterapia na qualidade de vida visual de portadores de neurite \u00f3ptica desmielinizante. 108f. Minas Gerais, 2009.<\/p>\n<p>LOURO, Viviane. Fundamentos da aprendizagem musical da pessoa com defici\u00eancia. Editora SOM: S\u00e3o Paulo, 2012.<\/p>\n<p>LUZ, M. C. Educa\u00e7\u00e3o Musical na maturidade. S\u00e3o Paulo: Som, 2008.<\/p>\n<p>NATUME, Hilda; PILLOTO, Silva Sell Duarte; STRAPAZZON, Mirtes Antunes Locatelli. Musicaliza\u00e7\u00e3o: mem\u00f3rias, experi\u00eancias e sensibilidades na terceira idade. Revista Digital do LAV, Santa Maria: UFSM, v. 11, n. 1, p. 211-234, jan.\/abr.2018.<\/p>\n<p>PENNA, M. M\u00fasica (s) e seu ensino.2\u00ba. Ed. Porto Alegre: Sulina, 2015.<\/p>\n<p>SANTOS, R. M. S. Jaques-Dalcroze, avaliador da institui\u00e7\u00e3o escolar: em que se pode reconhecer Dalcroze um s\u00e9culo depois? Debates: cadernos do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em M\u00fasica do Centro de Letras e Artes da Unirio, Rio de Janeiro, n. 4, p. 7-48, 2001.<\/p>\n<p>SOUZA, Cristiana Miriam; LE\u00c3O, Eliane. Terceira idade e m\u00fasica: perspectivas para uma educa\u00e7\u00e3o musical. Artigo publicado no XVI Congresso da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Pesquisa e P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em M\u00fasica. Bras\u00edlia: ANPPOM, 2006.<\/p>\n<p>THAUT, Michael. Rhythm, Music, andtheBrain: Scientific Foundation andClinicalApplications. New York and London: Routledge Taylor &amp; Francis Group, 2008.<\/p>\n<p>TOURINHO, Emmanuel Z. Subjetividade e rela\u00e7\u00f5es comportamentais. 2006<\/p>\n<p>VIGOTSKY, Lev Semenovich. A constru\u00e7\u00e3o do Pensamento e da Linguagem. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2000.<\/p>\n<p>WILLENS, Edgar.<em>Les bases psychologiques de l\u2019\u00e9ducationmusicale, \u00e9ditions Pro Musica,<\/em>Fribourg, 1956, 3\u00aa ed. 1976.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cristiane De Navasquez Mendes Teixeira<\/strong> &#8211; Forma\u00e7\u00e3o em Conservat\u00f3rio Musical em Piano Erudito e Viol\u00e3o Popular,\u00a0 P\u00f3s Graduada em Musicaliza\u00e7\u00e3o Infantil,\u00a0 P\u00f3s Graduada em Ensino Coletivo de M\u00fasica, P\u00f3s Graduada em Musicoterapia,\u00a0 Especializa\u00e7\u00e3o em Musicaliza\u00e7\u00e3o para Idosos.\u00a0 Autora do Livro \u201cSolfejo para crian\u00e7as \u2013 a partir dos 4 anos de idade, Inscrita no Conselho Regional da Ordem dos M\u00fasicos do Brasil \u2013 OMB.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na velhice mudan\u00e7as ocorrem no ser humano, tanto f\u00edsicas, como psicol\u00f3gicas e sociais. Desta forma, a m\u00fasica pode ser um dos poucos recursos a promover a sa\u00fade e o bem-estar do idoso, pois envelhecer \u00e9 um processo de muitos fatores, visto que gradativamente a sa\u00fade do indiv\u00edduo vai-se declinando. Ao&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":739,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[63,82],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/738"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=738"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/738\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/media\/739"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}