{"id":727,"date":"2020-04-20T13:23:42","date_gmt":"2020-04-20T16:23:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/?p=727"},"modified":"2020-04-20T13:23:42","modified_gmt":"2020-04-20T16:23:42","slug":"727-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/727-2\/","title":{"rendered":"M\u00fasica -Mediadora das Aprendizagens"},"content":{"rendered":"<p><strong><span style=\"color: #000080;\">Resumo<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Muitas s\u00e3o as formas de aprender em um ambiente escolar. Educadores comprometidos com o processo ensino aprendizagem, utilizam v\u00e1rias Teorias da Aprendizagem para contribuir com o desenvolvimento de seus alunos. Questionar o Curr\u00edculo Escolar, buscando criar novas formas de ensinar e aprender \u00e9 um caminho valioso para o alcance de \u00f3timos resultados. Por\u00e9m para que o aluno aprenda de forma significativa \u00e9 necess\u00e1rio que haja envolvimento e prazer nas atividades escolares, e uma forma interessante de se alcan\u00e7ar este objetivo seria atrav\u00e9s de Projetos Interdisciplinares. Tais Projetos devem envolver toda a comunidade escolar: pais, alunos, professores, secret\u00e1rios, equipe de apoio e membros da comunidade. E com certeza a utiliza\u00e7\u00e3o das aulas de M\u00fasica conectando com estes Projetos, oportunizar\u00e1 uma aprendizagem ampla, prazerosa, inclusiva, significativa e estimuladora da criatividade dos alunos.<\/p>\n<p>Palavras Chave:\u00a0 M\u00fasica , Media\u00e7\u00e3o ,Aprendizagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080;\">INTRODU\u00c7\u00c3O<\/span> <\/strong><\/p>\n<p>Enquanto muitos pesquisadores da educa\u00e7\u00e3o buscam trazer para seus escritos as experi\u00eancias, ou as pr\u00e1ticas ou fazer experimentos para comprovar as teorias em estudos, este artigo segue o sentido inverso. Diante de uma necessidade vivida pela escola em estudo, que chamaremos de \u201cE. Experimental Inclusiva\u201d, este artigo busca trazer a luz da teoria uma valiosa experi\u00eancia. Ao final ser\u00e1 feito um breve relato desta experi\u00eancia utilizando a M\u00fasica como aliada do desenvolvimento dos alunos.<\/p>\n<p>N\u00e3o diferentes dos in\u00fameros ambientes escolares de que temos conhecimento, observamos no dia a dia uma necessidade , um desejo iminente por parte de todos envolvidos na comunidade escolar. Necessidade de um processo escolar desafiador , estimulante, significativo e ao mesmo tempo que atenda \u00e0s expectativas mercadol\u00f3gicas e globalizadas do mundo atual. E hoje com elemento ainda mais instigante e desafiador que \u00e9 a inclus\u00e3o escolar. E foi neste contexto que percebemos o interesse dos alunos pelas atividades que envolve a M\u00fasica.<\/p>\n<p>O prazer dos alunos em participar de atividades com m\u00fasica, nos mostrou que talvez, este seja um excelente caminho para atender as expectativas ali presentes.<br \/>\nAo nos depararmos com tantos desafios, expectativas, anseios e desejos, nos vimos impulsionados a criar, implantar, executar , experimentar, projetos que atendam tais expectativas e minimizem tais anseios .<\/p>\n<p>\u00c9 neste contexto que pensamos na possibilidade de desenvolver Projetos que permeiem todas as disciplinas , utilizando a m\u00fasica como mediadora das aprendizagens. De uma forma simples, envolvendo toda a comunidade escolar, juntamente com o professores de Artes, Polivalentes, Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, L\u00ednguas&#8230; foi poss\u00edvel tra\u00e7ar metas para a execu\u00e7\u00e3o de respectivos projetos. A iniciativa , a princ\u00edpio n\u00e3o objetivou apresentar a abrang\u00eancia do projeto interdisciplinar envolvendo m\u00fasica em sua totalidade, por\u00e9m, apresentou claramente que o envolvimento da equipe \u00e9 o que verdadeiramente nortearia concep\u00e7\u00f5es e diretrizes para um vislumbre mais objetivo e amplo.<\/p>\n<p>Tendo como refer\u00eancia a Base Nacional Comum Curricular , documento elaborado com base nas Leis e Diretrizes Bases da Educa\u00e7\u00e3o (LDB, Lei n\u00ba 9.394\/1996), foi poss\u00edvel nortear as propostas , promovendo a rela\u00e7\u00e3o entre as disciplinas, ou seja, a interdisciplinaridade. A BNCC, estabelece conhecimentos, compet\u00eancias e habilidades que soma-se aos prop\u00f3sitos que direcionam a educa\u00e7\u00e3o brasileira para a forma\u00e7\u00e3o humana integral e para a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade justa, democr\u00e1tica e inclusiva.<br \/>\nDecidir sobre formas de organiza\u00e7\u00e3o interdisciplinar dos componentes curriculares e fortalecer a compet\u00eancia pedag\u00f3gica das equipes escolares para adotar estrat\u00e9gias mais din\u00e2micas, interativas e colaborativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gest\u00e3o do ensino e da aprendizagem (BRASIL, 2017, p.12).<\/p>\n<p>Certamente a participa\u00e7\u00e3o dos alunos na decis\u00e3o de quais atividades realizar, as retomadas necess\u00e1rias em muitos momentos, \u00e9 que garantiram a chegada ao final do processo com a certeza de que \u00e9 poss\u00edvel trilhar um excelente caminho desde que haja coopera\u00e7\u00e3o entre os envolvidos.<br \/>\nPara realizar tal projeto, foi imprescind\u00edvel trazer a luz teorias que apoiassem e respaldassem a import\u00e2ncia de caminhar juntos, tanto a teoria quanto a pr\u00e1tica. Descobriu-se ent\u00e3o o quanto podemos nos beneficiar da teoria ,e o qu\u00e3o valiosas s\u00e3o as confronta\u00e7\u00f5es e o anseio de continuar trilhando por este caminho de forma segura e eficaz.<\/p>\n<p>A metodologia utilizada para corroborar com este artigo, elucida muitas d\u00favidas, trazendo esclarecimentos importantes. As pesquisas bibliogr\u00e1ficas e eletr\u00f4nicas, experi\u00eancias vividas por educadores e escola, o constante di\u00e1logo com os envolvidos no cotidiano escolar, contribuem efetivamente para este estudo: o aprendizado atrav\u00e9s da M\u00fasica.<br \/>\nNeste TCC encontramos algumas defini\u00e7\u00f5es essenciais ao assunto, como : As quest\u00f5es do Curr\u00edculo Escolar, As ressignifica\u00e7\u00f5es do processo ensino aprendizagem, Os benef\u00edcios da Interdisciplinaridade e dos Projetos, o valor da Aprendizagem Significativa para a trajet\u00f3ria dos alunos, Aspectos da Inclus\u00e3o escolar, Benef\u00edcios da M\u00fasica para o C\u00e9rebro, a M\u00fasica e a Neuroci\u00eancia e etc&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 evidente assim como este , projetos pedag\u00f3gicos desenvolvidos pelas escolas apresentam resultados preciosos , frutos de uma trajet\u00f3ria cheia de experi\u00eancias com o Ensino da Arte. Educadores que envolvidos com o Ensino das Artes, \u00e1rea em que uma das Linguagens \u00e9 a M\u00fasica, lendo, estudando, acompanhando as aprendizagens atrav\u00e9s da arte, v\u00e3o sendo revelados resultados excelentes, refor\u00e7ando assim a compreens\u00e3o dos processos significativos de aprendizagem. Estas evid\u00eancias nos faz acreditar que atrav\u00e9s do Ensino da Arte-M\u00fasica \u00e9 poss\u00edvel a cada envolvido, uma vis\u00e3o ampla dos diversos caminhos para o dom\u00ednio do saber, seja no que diz respeito as diversas \u00e1reas e disciplinas, aos conhecimentos cognitivos, sociais , \u00e9ticos e outros que ainda n\u00e3o conseguimos ter a devida no\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 de grande import\u00e2ncia que os Educadores de Artes , fa\u00e7am valer de sua forma\u00e7\u00e3o para valorizar a Linguagem Musical em sala de Aula , utilizando-a como aliada em sua pr\u00e1tica , aplicando os conceitos da Artes de forma Integradora. Como observamos na BNCC, ao tratar do ensino de Arte, ela apresenta cinco unidades tem\u00e1ticas em que est\u00e3o citadas as quatro linguagens art\u00edsticas: teatro, dan\u00e7a, artes visuais e m\u00fasica, ampliando tamb\u00e9m para as Artes Integradas. Os encaminhamentos sugeridos no documento prop\u00f5em que as linguagens art\u00edsticas sejam trabalhadas em suas particularidades ou na rela\u00e7\u00e3o umas com as outras, estabelecendo caminhos interdisciplinares entre as v\u00e1rias express\u00f5es art\u00edsticas.<\/p>\n<blockquote><p>Ainda que, na BNCC, as linguagens art\u00edsticas das Artes visuais, da Dan\u00e7a, da M\u00fasica e do Teatro sejam consideradas em suas especificidades, as experi\u00eancias e viv\u00eancias dos sujeitos em sua rela\u00e7\u00e3o com a Arte n\u00e3o acontecem de forma compartimentada ou estanque. Assim, \u00e9 importante que o componente curricular Arte leve em conta o di\u00e1logo entre essas linguagens, o di\u00e1logo com a literatura, al\u00e9m de possibilitar o contato e a reflex\u00e3o acerca das formas est\u00e9ticas h\u00edbridas, tais como as artes circenses, o cinema e a performance. (BRASIL, 2017, p.196)<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080;\"> PENSANDO A EDUCA\u00c7\u00c3O<\/span> <\/strong><\/p>\n<p>Para compreender a maneira como se d\u00e1 a educa\u00e7\u00e3o, faz-se necess\u00e1rio pensar as suas diversas faces. Precisamos pens\u00e1-la em sua dimens\u00e3o informal e formal2.<br \/>\nA educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno que tem uma de suas origens nas fam\u00edlias com suas respectivas especificidades , com suas culturas, estruturas , expectativas e necessidades. Por\u00e9m seus processos se desenvolvem tamb\u00e9m em outros n\u00edveis:<\/p>\n<blockquote><p>Art. 1\u00ba A educa\u00e7\u00e3o abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na conviv\u00eancia humana, no trabalho, nas institui\u00e7\u00f5es de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil e nas manifesta\u00e7\u00f5es culturais &#8230; Art. 2\u00ba A educa\u00e7\u00e3o, dever da fam\u00edlia e do Estado, inspirada nos princ\u00edpios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exerc\u00edcio da cidadania e sua qualifica\u00e7\u00e3o para o trabalho.(LDB 9394\/6)<\/p><\/blockquote>\n<p>A crian\u00e7a com sua estrutura familiar, envolta em uma educa\u00e7\u00e3o informal, t\u00e3o importante e primordial para sua hist\u00f3ria, chega ent\u00e3o, para continuidade de sua forma\u00e7\u00e3o em uma escola, para ent\u00e3o participar de um processo formal de educa\u00e7\u00e3o. Processo este que sofre tantos desafios, na expectativa, dentre tantas outras , de proporcionar a esta crian\u00e7a uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade em toda sua plenitude. A escola por sua vez vive dilemas, desafios internos como necessidades especiais dos alunos, capacita\u00e7\u00e3o dos educadores, etc&#8230; e externos como expectativas dos pais, da sociedade, a ideologia dominante.<\/p>\n<blockquote><p>&#8230;o curr\u00edculo deve ultrapassar o car\u00e1ter impositivo, verticalizado, centralizado e pensado nos gabinetes, que fica \u00e0 margem dos debates que envolvem os professores , alunos e comunidades, resumindo-se a um simples documento vindo a se unir aos demais documentos que integram as gavetas das escolas.(Lima,Zanlorense,Pinheiro,2011.p.31)<\/p><\/blockquote>\n<p>Neste contexto o Curr\u00edculo deve buscar, n\u00e3o se inibir em refletir sobre suas pr\u00e1ticas e as teorias propostas pelas academias , em busca de oferecer um processo ensino aprendizagem significativo para seus alunos, n\u00e3o deixando de lado a fun\u00e7\u00e3o social da escola. Como diz Pinheiro:<\/p>\n<blockquote><p>&#8230;os envolvidos no processo educativo podem realizar um trabalho pedag\u00f3gico pautado na verdadeira fun\u00e7\u00e3o social da escola: a forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia humana por meio de acesso aos conhecimentos elaborados pelos homens&#8230;. (2010,p.18)<\/p><\/blockquote>\n<p><strong><span style=\"color: #000080;\">PENSANDO NO CURR\u00cdCULO<\/span> <\/strong><\/p>\n<p>Neste aspecto v\u00ea-se a necessidade de os educadores pensarem sobre um tema importante : o Curr\u00edculo. Pois ensinar e aprender, n\u00e3o \u00e9 algo que pode ocorrer sem sua devida sistematiza\u00e7\u00e3o. Este percurso necessariamente deve ser organizado com objetivos claros, reais e significativos.<\/p>\n<p>O conhecimento hist\u00f3rico, social e cultural da educa\u00e7\u00e3o, em suas diversas facetas \u00e9 importante neste momento, para que possibilite aos educadores uma meta inovadora e transformadora.<\/p>\n<blockquote><p>Elaborar um curr\u00edculo \u00e9&#8230;compreender a organiza\u00e7\u00e3o escolar como um instrumento que deve auxiliar a estrutura\u00e7\u00e3o social e cultural. \u00c9 perceber que a escola \u00e9 parte integrante da sociedade e n\u00e3o uma inst\u00e2ncia dissociada da vida real, e possuidora de prop\u00f3sitos insignificantes aos interesses coletivos. \u00c9 disponibilizar aos educandos conhecimentos para que possam atuar como cidad\u00e3os conscientes de seu papel, cujos direitos e deveres s\u00e3o iguais a todos. Por isso, entender o significado, a import\u00e2ncia e o poder pol\u00edtico na constitui\u00e7\u00e3o de um curr\u00edculo se torna fundamental para o educador.(Lima,2011,p.100)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p>A palavra curr\u00edculo vem do latim curriculum significa ,ato de correr; atalho, corte; Parte de um curso liter\u00e1rio; As mat\u00e9rias constantes de um curso. Segundo Dicion\u00e1rio B\u00e1sico da L\u00edngua Portuguesa Aur\u00e9lio. Pensando no curr\u00edculo escolar como o ato de correr. Esta corrida precisaria ser analisada pelos educadores sob diversos aspectos: como correr? pra onde? De que maneira? Com que seguran\u00e7a? Quem far\u00e1 parte desta corrida? Orientado e dirigido pelo que , ou por quem? Com qual objetivo?<\/p>\n<p>Dentro destes questionamentos , surge a ideia de realiza\u00e7\u00e3o de uma experi\u00eancia , um desafio em uma escola que tamb\u00e9m aceitasse a proposta de uma abordagem interdisciplinar , utilizando a M\u00fasica como mediadora das aprendizagens. Chamaremos esta escola de E.E \u201cEscola Experimental Inclusiva\u201d. Ao final deste artigo ser\u00e3o abordados alguns t\u00f3picos desta experi\u00eancia realizada , nesta escola , tendo como refer\u00eancia a pesquisa feita aqui . E uma das caracter\u00edsticas desta Escola \u00e9 justamente a flexibilidade do Curr\u00edculo, o que logo de princ\u00edpio, viabilizou e validou a pesquisa em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>O surgimento de uma educa\u00e7\u00e3o inclusiva implica uma flexibilidade pedag\u00f3gica e curricular no sentido de modificar atitudes tradicionais e romper preconceitos. Para tanto, faz-se necess\u00e1rio criar ambientes acolhedores para que as diferen\u00e7as individuais n\u00e3o se tornem motivos de qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o que redunde na desigualdade de direitos e oportunidades. .(Lima,Zanlorense,Pinheiro,2011.p.122)<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos escritos propostos nesta pesquisa, sobre o Curr\u00edculo4, encontramos uma grave cr\u00edtica sobre as limita\u00e7\u00f5es impostas pelo mesmo, sobretudo em escolas de Ensino Regular, mas talvez a necessidade que deveria nos mover \u00e9:-Quais as nossas limita\u00e7\u00f5es quando o assunto \u00e9 \u201eO Curr\u00edculo\u201f?<\/p>\n<p>Certamente observamos e at\u00e9 muitas vezes somos envolvidos nos principais aspectos que permeiam esta quest\u00e3o do curr\u00edculo. A formalidade norteia nossa pr\u00e1tica e nos d\u00e1 as diretrizes para elabora\u00e7\u00e3o de planos e metas. N\u00e3o h\u00e1 como fugir da realidade, do dia a dia em que professores e alunos dividem espa\u00e7os, atividades id\u00e9ias e ideais. Mas de tudo que vivemos , o mais desafiante s\u00e3o as inten\u00e7\u00f5es e necessidades ocultas. Como diz Lima (2011,p.123): \u201c&#8230;devemos pensar na escola rompendo com o modelo apenas instrutivo e transmissor de informa\u00e7\u00f5es\u201d. O que , muitas vezes, trazemos internamente de nossas pr\u00f3prias trajet\u00f3rias. Fazer valer estas inten\u00e7\u00f5es, de maneira pessoal, ego\u00edsta \u00e9 que pode nos desviar do verdadeiro objetivo da escola, que \u00e9 alcan\u00e7ar uma aprendizagem, plena, significativa e coletiva. Uma escola preparada para todos, para a diversidade, para as diferen\u00e7as. Eis a\u00ed um desafio para cada um de n\u00f3s Educadores, sobretudo aqueles que vislumbram uma educa\u00e7\u00e3o Inclusiva.<\/p>\n<p>Nos escritos propostos nesta pesquisa, sobre o Curr\u00edculo4, encontramos uma grave cr\u00edtica sobre as limita\u00e7\u00f5es impostas pelo mesmo, sobretudo em escolas de Ensino Regular, mas talvez a necessidade que deveria nos mover \u00e9:-Quais as nossas limita\u00e7\u00f5es quando o assunto \u00e9 \u201eO Curr\u00edculo\u201f?<br \/>\nCertamente observamos e at\u00e9 muitas vezes somos envolvidos nos principais aspectos que permeiam esta quest\u00e3o do curr\u00edculo. A formalidade norteia nossa pr\u00e1tica e nos d\u00e1 as diretrizes para elabora\u00e7\u00e3o de planos e metas. N\u00e3o h\u00e1 como fugir da realidade, do dia a dia em que professores e alunos dividem espa\u00e7os, atividades id\u00e9ias e ideais. Mas de tudo que vivemos , o mais desafiante s\u00e3o as inten\u00e7\u00f5es e necessidades ocultas. Como diz Lima (2011,p.123): \u201c&#8230;devemos pensar na escola rompendo com o modelo apenas instrutivo e transmissor de informa\u00e7\u00f5es\u201d. O que , muitas vezes, trazemos internamente de nossas pr\u00f3prias trajet\u00f3rias. Fazer valer estas inten\u00e7\u00f5es, de maneira pessoal, ego\u00edsta \u00e9 que pode nos desviar do verdadeiro objetivo da escola, que \u00e9 alcan\u00e7ar uma aprendizagem, plena, significativa e coletiva. Uma escola preparada para todos, para a diversidade, para as diferen\u00e7as. Eis a\u00ed um desafio para cada um de n\u00f3s Educadores, sobretudo aqueles que vislumbram uma educa\u00e7\u00e3o Inclusiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>a)contra um saber fragmentados em migalhas,pulverizado em uma multiplicidade crescente de especialidades,em que cada uma se fecha como que para fugir ao verdadeiro conhecimento; b)contra o div\u00f3rcio crescente ou esquizofrenia intelectual,entre uma universidade cada vez mais compartimentada, dividida, subdividida, setorizada e sub setorizada, e a sociedade em sua realidade din\u00e2mica e concreta,onde a \u201cverdadeira vida\u201d \u00e9 percebida como algo complexo e indissoci\u00e1vel .(&#8230;);c)contra o conformismo das situa\u00e7\u00f5es adquiridas e das \u201cid\u00e9ias recebidas\u201d e impostas.<\/p><\/blockquote>\n<p>Assim percebemos as reais limita\u00e7\u00f5es em que o curr\u00edculo se imp\u00f5e e a necessidade eminente de um novo olhar, um \u201cdesafiante olhar\u201d, por parte daqueles que acreditam num processo de aprendizagem mais significativa. Alfredo Veiga Neto , fala sobre o perigo das limita\u00e7\u00f5es que o curr\u00edculo oferece. Segundo ele precisamos olhar o curr\u00edculo e perceber algo al\u00e9m ou atrav\u00e9s do que nos \u00e9 apresentado, ou pelo menos devemos perceber a necessidade intr\u00ednseca no mesmo.<\/p>\n<blockquote><p>curr\u00edculo n\u00e3o deve ser entendido e problematizado numa dimens\u00e3o reduzida \u00e0 epistemologia tradicional, mas deve ser entendido como um artefato escolar cuja inven\u00e7\u00e3o guarda uma rela\u00e7\u00e3o imanente com as ressignifica\u00e7\u00f5es\u201d que s\u00e3o no mundo social e, conseq\u00fcentemente, no mundo da cultura, a\u00ed inclu\u00eddas, \u00e9 claro, as ressignifica\u00e7\u00f5es do espa\u00e7o e do tempo (Veiga-Neto, 2002a, p. 167).<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A contextualiza\u00e7\u00e3o, a observa\u00e7\u00e3o das expectativas dos envolvidos no processo ensino aprendizagem deve ser uma constante. E propostas que atendam a tais expectativas, alcan\u00e7ando objetivos al\u00e9m dos que est\u00e3o a mostra, e que certamente permite o ampliar da vis\u00e3o de mundo e o agu\u00e7ar do senso cr\u00edtico de cada aluno.<\/p>\n<p>Temos o privil\u00e9gio de conviver com uma diversidade maravilhosa. Sabemos que tudo que temos em nosso pa\u00eds em termos de cultura \u00e9 o que nos difere do mundo todo. Como educador ,vejo que \u00e9 isto que precisamos passar para nossos alunos: a valoriza\u00e7\u00e3o de nossa cultura. Estar atento \u00e0s ideologias impostas nos Curr\u00edculos , com um &#8220;cuidadoso olhar cr\u00edtico&#8221; , como diz Macedo(2017):<\/p>\n<blockquote><p>..precisamos questionar as formas diferenciadas como as normas precarizam nossa exist\u00eancia sem abrir m\u00e3o da precariedade que nos constitui. Esta \u00e9 a tarefa de uma teoria curricular comprometida com a alteridade, por em quest\u00e3o os seus pr\u00f3prios fundamentos. (Macedo,2017,p.551)<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos maiores cuidados que o professor atual deve ter em sua pr\u00e1tica, \u00e9 a imposi\u00e7\u00e3o da ideologia. Embora, vivemos em um mundo moderno, globalizado, embora fazemos parte de um grupo que estuda, investiga, explora, corremos o risco de ceder as mazelas da educa\u00e7\u00e3o que recebemos, ou daquela que nossos parceiros receberam. Em discuss\u00e3o com outros educadores ,n\u00e3o \u00e9 rara a diversidade de experi\u00eancias, depoimentos de colegas, que deixam ,se n\u00e3o expl\u00edcita, implicitamente , transparecer a reprodu\u00e7\u00e3o de um processo de aprendizagem com pouca significatividade. E \u00e9 muito bom provocarmos tais discuss\u00f5es, pois nos ajuda a refletir e a transformar nossas aulas, em uma verdadeira oportunidade de aprendizagem significativa, e n\u00e3o na continuidade de reprodu\u00e7\u00e3o da ideologia. Este talvez seja um desafio para n\u00f3s, que felizmente estamos tendo acesso a estas pesquisas. Assim teremos a possibilidade de vencer as limita\u00e7\u00f5es e preparar aulas mais criativas, valorizando as expectativas dos alunos e a ruptura das barreiras da aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080;\"> INTERDISCIPLINARIDADE e a M\u00daSICA<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Para entendermos o termo interdisciplinaridade precisamos partir do que se entende por disciplina. O que \u00e9 disciplina? O que entendemos desta simples palavra? Esta no\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para que se possa entender a teoria da Interdisciplinaridade.<\/p>\n<p>Segundo a o Dicion\u00e1rio Michaelis, \u201cdisciplina\u201d \u00e9 a \u00e1rea de conhecimento ensinada ou estudada em uma faculdade, em um col\u00e9gio e sua origem tem a mesma etimologia da palavra &#8220;disc\u00edpulo&#8221;, que significa &#8220;aquele que segue&#8221;. Tamb\u00e9m \u00e9 um dos nomes que se pode dar a qualquer \u00e1rea de conhecimento estudada e ministrada em um ambiente escolar ou acad\u00eamico. Geralmente diz respeito a uma Ci\u00eancia ou T\u00e9cnica, ou subderivados destas. Aqueles que seguem uma disciplina podem assim ser chamados de disc\u00edpulos. Um grupo interdisciplinar comp\u00f5e-se de pessoas que receberam sua forma\u00e7\u00e3o em diferentes dom\u00ednios do conhecimento (disciplinas) com seus m\u00e9todos, conceitos, dados e termos pr\u00f3prios.<\/p>\n<p>Interdisciplinaridade, segundo o Dicion\u00e1rio Informal significa: Processo de integra\u00e7\u00e3o rec\u00edproca entre v\u00e1rias disciplinas e campos de conhecimento. Constitui uma associa\u00e7\u00e3o de disciplinas, por conta de um projeto ou de um objeto que lhes sejam comuns.<\/p>\n<p>Ao pesquisar sobre este tema encontramos outras terminologias que podemos citar aqui para ampliar, esclarecer ,dar maior entendimento sobre o conceito de interdisciplinaridade. S\u00e3o elas: &#8211; Multidisciplinaridade \u00e9 justaposi\u00e7\u00e3o de disciplinas diversas, desprovidas de rela\u00e7\u00e3o aparente entre elas. Ex.: M\u00fasica + Matem\u00e1tica + Hist\u00f3ria. -Pluridisciplinaridade \u00e9 a justaposi\u00e7\u00e3o de disciplinas mais ou menos vizinhas nos dom\u00ednios do conhecimento. Ex.: dom\u00ednio cient\u00edfico: Matem\u00e1tica + F\u00edsica. Transdisciplinaridade \u00e9 resultado de uma premissa comum a um conjunto de disciplinas (Ex.: Antropologia considerada como a ci\u00eancia do homem e de suas obras.)&#8221;<\/p>\n<p>O que h\u00e1 em comum nestas palavras \u00e9 a palavra disciplinaridade\/disciplina, que deve ser entendida como aquelas &#8220;fatias&#8221; dos estudos cient\u00edficos e das disciplinas escolares, tais como matem\u00e1tica, biologia, ci\u00eancias naturais, hist\u00f3ria, etc&#8230; Assim, interdisciplinaridade \u00e9 parte de um movimento que busca a supera\u00e7\u00e3o da disciplinaridade.<\/p>\n<p>Embora encontra-se diversas defini\u00e7\u00f5es do termo, pesquisadores tem a preocupa\u00e7\u00e3o de nesta busca, cometer-se o erro de delimitar esta defini\u00e7\u00e3o e n\u00e3o chegar ao seu entendimento mais profundo (Fazenda,2009.p\u00e1g.30)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>&#8230;O caminho interdisciplinar \u00e9 amplo no seu contexto e nos revela um quadro que precisa ser redefinido e ampliado. Tal constata\u00e7\u00e3o induz-nos a refletir sobre a necessidade de professores e alunos trabalharem unidos, se conhecerem e se entrosarem para, juntos, vivenciarem uma a\u00e7\u00e3o educativa mais produtiva.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica a interdisciplinaridade \u00e9 um esfor\u00e7o de superar a fragmenta\u00e7\u00e3o do conhecimento, tornar este relacionamento com a realidade e os problemas da vida moderna. Muitos esfor\u00e7os t\u00eam sido feitos neste sentido na educa\u00e7\u00e3o. Na ci\u00eancia, por sua vez, os esfor\u00e7os est\u00e3o na busca de respostas, imposs\u00edveis com os conhecimentos fragmentados de uma \u00fanica \u00e1rea especializada.<\/p>\n<p>Com a amplia\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o da interdisciplinaridade na ci\u00eancia, tem se desenvolvido novas pr\u00e1ticas de pesquisa, muitas disciplinas que at\u00e9 ent\u00e3o eram consideradas incomunic\u00e1veis, considerada a dist\u00e2ncia entre seus objetos de estudo, est\u00e3o sendo reunidas para dar respostas a novos problemas de pesquisa e a quest\u00f5es que uma \u00fanica disciplina n\u00e3o \u00e9 capaz de responder.<\/p>\n<p>Entendemos ent\u00e3o que a interdisciplinaridade exige algo mais do que uma simples intera\u00e7\u00e3o de disciplinas. Como diz Rios (1995,p\u00e1g.131):<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Trago assim, a proposta da constru\u00e7\u00e3o de uma compet\u00eancia coletiva. De proporcionar a ocasi\u00e3o para a compet\u00eancia do outro, para que a compet\u00eancia dele reafirme, ou possa criar espa\u00e7o para a minha compet\u00eancia&#8230;.Na afirma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter coletivo da compet\u00eancia \u00e9 que se ganha espa\u00e7o para uma discuss\u00e3o sobre a interdisciplinaridade&#8230;A minha rela\u00e7\u00e3o comigo mesma tem sempre como par\u00e2metro a minha rela\u00e7\u00e3o com os outros, uma vez que ela \u00e9 marcada pelos valores que se consideram no contexto social em que vivo e desenvolvo a minha pr\u00e1tica&#8230;<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A escola \u00e9 uma pequena mostra do que se v\u00ea l\u00e1 fora. Indiv\u00edduos diferentes, com capacidades, culturas, hist\u00f3rias e trajet\u00f3rias afins. Dentro deste nosso contexto , j\u00e1 temos elementos de sobra pra uma mudan\u00e7a imensa. A come\u00e7ar de n\u00f3s mesmos. E se\u00a0pensarmos na interdisciplinaridade, com suas reais inten\u00e7\u00f5es, em sua origem, talvez tenhamos um excelente caminho a seguir.<\/p>\n<p>A interdisciplinaridade , de fato deixou uma nova possibilidade para a amplia\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo. Possibilita aos educadores musicais o uso da m\u00fasica como elemento integrador de todas as disciplinas. Permite-nos uma oportunidade de diversificar a aprendizagem, inovando o dia a dia da escola. A Interdisciplinaridade aqui proposta foi elemento indispens\u00e1vel para a realiza\u00e7\u00e3o do Projeto realizado na Escola Experimental Inclusiva ,que detalharemos no final deste artigo, tendo como ferramenta principal \u2013a M\u00fasica. Com a interdisciplinaridade enxergamos uma pedagogia com base nos Projetos . O que veremos a seguir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080;\">APRENDIZAGEM POR PROJETOS<\/span> <\/strong><br \/>\nEntendemos por projeto de aprendizagem uma pedagogia construtivista que permite a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento de forma espiral, como diz Hernandes e Ventura , (1998,p.38): \u201c o desenvolvimento curricular se concebe n\u00e3o linearmente e por disciplinas, mas pelas intera\u00e7\u00f5es em espiral\u201d. Tem como prop\u00f3sito promover aprendizado profundo atrav\u00e9s de um enfoque baseado em indaga\u00e7\u00f5es para engajar os alunos com quest\u00f5es e conflitos que sejam ricos, reais e relevantes a suas vidas.<\/p>\n<blockquote><p>A fun\u00e7\u00e3o do projeto \u00e9 favorecer a cria\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de organiza\u00e7\u00e3o dosconhecimentos escolares em rela\u00e7\u00e3o a:1)o tratamento da informa\u00e7\u00e3o, e 2)a rela\u00e7ao entre os diferentes conte\u00fados em torno de problemas ou hip\u00f3teses que facilitem aos alunos a constru\u00e7\u00e3o de seus conhecimentos, a transforma\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o procedente dos diferentes saberes disciplinares em conhecimento pr\u00f3prio. Hern\u00e0ndes e Ventura(1998.p.61)<\/p><\/blockquote>\n<p>O que move ent\u00e3o as atividades em um projeto, s\u00e3o as d\u00favidas e interesses do aluno que consequentemente ir\u00e3o gerar o pr\u00f3prio projeto, pois o interesse em resolver as d\u00favidas far\u00e3o parte do processo.<\/p>\n<p>Esta ideia de trabalhar atrav\u00e9s de projetos \u00e9 apresentada tamb\u00e9m nos Par\u00e2metros Curriculares Nacional, documento institu\u00eddo pelo MEC em 1997.Em seu texto sobre Projetos lemos as seguintes sugest\u00f5es:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>O projeto cativa os alunos pela oportunidade de trabalhar com autonomia, tomando decis\u00f5es e escolhendo temas e a\u00e7\u00f5es a serem desenvolvidos sob\u00a0orienta\u00e7\u00e3o do professor. Logo, em um projeto h\u00e1 uma negocia\u00e7\u00e3o entre professores e alunos, que elegem temas e produtos de interesse, pass\u00edveis de serem estudados e concretizados. Para que uma unidade did\u00e1tica se configure como projeto \u00e9 necess\u00e1rio o estabelecimento de algumas a\u00e7\u00f5es:\u2022 elei\u00e7\u00e3o de temas de projetos em conjunto com os alunos;\u2022 participa\u00e7\u00e3o ativa dos alunos em pesquisas e produ\u00e7\u00f5es de referenciais ao longo do projeto em formas de registro que todos possam compartilhar;\u2022 pr\u00e1ticas de simula\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es em sala de aula que criam correspond\u00eancia com situa\u00e7\u00f5es sociais de aplica\u00e7\u00e3o dos temas abordados \u2013 por exemplo, dar um semin\u00e1rio como se fosse um cr\u00edtico de arte, opinar sobre uma pe\u00e7a apresentada como se estivesse falando para uma emissora de TV em programa de not\u00edcias culturais;\u2022 elei\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias, pesquisas e temas relacionados aos conte\u00fados trabalhados, com o objetivo de estruturar um produto concreto, como um livro de arte, um filme, a apresenta\u00e7\u00e3o de um grupo de m\u00fasica. (PCN, 1997, p.103)<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 bastante interessante estas sugest\u00f5es e permite aos alunos a oportunidade de liberdade e de autonomia cognitiva.<\/p>\n<p>Hernandes e Ventura (1998), nos instiga, atrav\u00e9s de algumas experi\u00eancias vivida por eles, a desenvolver com nossos alunos, uma maneira muito especial de efetivar o curr\u00edculo interativamente, observando-o sobre um outro olhar, lan\u00e7ando m\u00e3o dos Projetos Pedag\u00f3gicos. Realmente realizar uma proposta com base em Projetos \u00e9 um desafio imenso para n\u00f3s que temos a vis\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o com foco no aluno, o aluno protagonista, um ser \u00fanico, construtor de seus conhecimentos e hist\u00f3ria. Certamente a interdisciplinaridade favorece tal projeto e consequentemente este aluno, mas para compreender isto precisamos ter humildade, e realizar um trabalho em conjunto. Mas este n\u00e3o \u00e9 um desafio novo e s\u00f3 nosso. Hernand\u00e9z apresenta seu projeto aplicado como experi\u00eancia, em uma escola em Barcelona, e em determinado cap\u00edtulo ele diz: &#8220;nem todos os professores seguiram o processo&#8230;&#8221;. Realmente encontramos esta dificuldade, da compreens\u00e3o, ou da coragem de se envolver em tal proposta. Esta \u00e9 mais uma de nossas lutas: a interdisciplinaridade atrav\u00e9s de projetos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>&#8230;os projetos de aprendizagem oportunizam uma maior intera\u00e7\u00e3o entre professor e aluno,visto que constroi um universo de a\u00e7\u00f5es diversificadas que permitem a participa\u00e7\u00e3o ativa do aluno. Ao longo do trabalho por projetos, o professor desempenha o papel de mediador. Nesse sentido, sua postura de detentor \u00fanico do saber n\u00e3o existe mais.( Hern\u00e1ndez,1998,p.31)<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tendo em vista a import\u00e2ncia de aprender atrav\u00e9s da M\u00fasica, os projetos podem beneficiar o aluno em todos os sentidos , como diz Zagonel(2008,p\u00e1g.18):<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>A obrigatoriedade do ensino de Arte est\u00e1 plenamente de acordo com os objetivos da educa\u00e7\u00e3o pregados pela lei nacional. Pelo ensino de Arte, o\u00a0alunos podem ter estimuladas todas as suas capacidades inteligentes, abrangendo uma ampla variedade de dom\u00ednios, o que nos leva a pensar em uma educa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o privilegie apenas o desenvovlvimento l\u00f3gicomatem\u00e1tico, mas o indiv\u00edduo no seu todo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Se os Educadores entenderem que a Pedagogia de Projetos pode ser seu aliado para a efetiva\u00e7\u00e3o das aprendizagens , muitas ser\u00e3o as vertentes de benef\u00edcios. Certamente a consolida\u00e7\u00e3o do Ensino Musical seria poss\u00edvel, as aprendizagens seriam melhor conduzidas e sem d\u00favida os alunos se beneficiariam de forma plena e prazerosa em seu processso de crescimento cognitivo.<\/p>\n<blockquote><p>Atividades que facilitem um tr\u00e2nsito criativo, fluido e desfragmentado entre as linguagens art\u00edsticas podem construir uma rede de interlocu\u00e7\u00e3o, inclusive, com a literatura e com outros componentes curriculares. Temas, assuntos ou habilidades afins de diferentes componentes podem compor projetos nos quais saberes se integrem, gerando experi\u00eancias de aprendizagem amplas e complexas. (BRASIL, 2017, p.196)<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #000080;\"><strong>APRENDIZAGENS E INTELIG\u00caNCIAS M\u00daLTIPLAS<\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em uma s\u00e9rie especial sobre as Teorias da aprendizagem, a Revista Nova Escola (Ratier, 2010) apresenta uma s\u00edntese das principais teorias, que traz contribui\u00e7\u00e3o para a reflex\u00e3o sobre o significado de algumas teorias das aprendizagens, em um conjunto de 12 reportagens . Desta s\u00e9rie , destacamos aqui algumas que explicam, os principais conceitos das concep\u00e7\u00f5es construtivista, sociointeracionista da Educa\u00e7\u00e3o, e outras . O que retomaremos mais tarde. Entendemos aqui que aprendizagem \u00e9 o processo pelo qual as compet\u00eancias, habilidades, conhecimentos, comportamento ou valores s\u00e3o adquiridos ou modificados, como resultado de estudo, experi\u00eancia, forma\u00e7\u00e3o, racioc\u00ednio e observa\u00e7\u00e3o. Este processo pode ser analisado a partir de diferentes perspectivas, de forma que h\u00e1 diferentes teorias de aprendizagem. Aprendizagem se apresenta como uma das fun\u00e7\u00f5es mentais importantes. Ela est\u00e1 relacionada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento . Deve ser devidamente orientada e \u00e9 favorecida quando o indiv\u00edduo est\u00e1 motivado . Esta caracter\u00edstica est\u00e1 presente na teoria da Aprendizagem Significativa.(Ausubel,1963)<\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o se trata exatamente de motiva\u00e7\u00e3o, ou de gostar da mat\u00e9ria. Por alguma raz\u00e3o, o sujeito que aprende deve se predispor a relacionar (diferenciando e integrando) interativamente os novos conhecimentos a sua estrutura cognitiva pr\u00e9via, modificando-a, enriquecendo-a, elaborando-a e dando significados a esses conhecimentos. (Moreira ,2012, p.8)<\/p><\/blockquote>\n<p>O estudo da aprendizagem utiliza os conhecimentos e teorias da neuropsicologia, psicologia, educa\u00e7\u00e3o e pedagogia. Aprender, no entanto, n\u00e3o significa apenas absorver e assimilar os conte\u00fados propostos, significa tamb\u00e9m ser capaz de fazer o que antes n\u00e3o se conseguia, dominar determinado conhecimento que n\u00e3o se dominava. Aprender \u00e9, portanto, expandir capacidades, construir compet\u00eancias.<\/p>\n<p>Envolve o contexto social da aprendizagem, a motiva\u00e7\u00e3o, os estudos e as pesquisas, a a\u00e7\u00e3o, um aprendizado ativo, as constantes tentativas, um ambiente de colabora\u00e7\u00e3o, autoavalia\u00e7\u00e3o, etc&#8230;Todos estes elementos s\u00e3o imprescind\u00edveis para o processo de aprendizagem, sobretudo para a apreens\u00e3o dos conte\u00fados da Arte.<\/p>\n<blockquote><p>A educa\u00e7\u00e3o em arte propicia o desenvolvimento do pensamento art\u00edstico e da percep\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, que caracterizam um modo pr\u00f3prio de ordenar e dar sentido \u00e0 experi\u00eancia humana: o aluno desenvolve sua sensibilidade, percep\u00e7\u00e3o e imagina\u00e7\u00e3o, tanto ao realizar formas art\u00edsticas quanto na a\u00e7\u00e3o de apreciar e conhecer as formas produzidas por ele e pelos colegas, pela natureza e nas diferentes culturas.(PCN, 1997,p.19)<\/p><\/blockquote>\n<p>No contexto da Aprendizagem por Projetos \u00e9 bom que se fa\u00e7a uma pequena an\u00e1lise sobre as Teorias das Aprendizagens. Denominam-se teorias da aprendizagem, em Psicologia e em Educa\u00e7\u00e3o, aos diversos modelos que visam explicar o processo de aprendizagem pelos indiv\u00edduos. Muitas teorias surgem para nos ajudar a compreender como ocorre o processo de ensino aprendizagem, e aponta-nos caminhos excelentes para o desenvolvimento dos alunos na condu\u00e7\u00e3o de Projetos Interdisciplinares. E mencion\u00e1-las aqui \u00e9 importante neste momento.<\/p>\n<p>Vamos come\u00e7ar mencionando as id\u00e9ias de Lev Vygotsky (1896-1934), que traz um estudo interessante sobre a teoria S\u00f3cio-interacionista. Seus estudos evidenciam as intera\u00e7\u00f5es com o outro e com o meio, como desencadeador do desenvolvimento s\u00f3ciocognitivo e \u00e9 impulsionado pela linguagem. Para Vygotsky \u00e9 o processo de aprendizagem que gera e promove o desenvolvimento das estruturas mentais superiores. O conceito que move sua teoria \u00e9 o conceito da Zona de desenvolvimento proximal (ZDP), ou seja, \u00e9 a dist\u00e2ncia existente entre o que o aluno j\u00e1 sabe e aquilo que ele tem potencialidade de aprender. Pensando na quest\u00e3o, as intera\u00e7\u00f5es t\u00eam um papel crucial e determinante, pois sugere ao educador, que se avalie o que o aluno \u00e9 capaz de fazer sozinho, e o que ele consegue fazer com ajuda de outro sujeito. Assim, vemos que ZDP nos revela a riqueza e diversidade das intera\u00e7\u00f5es determinantes ao potencial de cada aluno. Quanto mais ricas as intera\u00e7\u00f5es, melhor ser\u00e1 o desenvolvimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>[&#8230;] N\u00e3o h\u00e1 necessidade de sublinhar que a caracter\u00edstica essencial da aprendizagem \u00e9 que d\u00e1 lugar \u00e0 \u00e1rea do desenvolvimento potencial, isto \u00e9, faz nascer, estimula e ativa, na crian\u00e7a, processos internos de desenvolvimento no quadro das interrela\u00e7\u00f5es com outros que, em seguida, s\u00e3o absorvidas, no curso do desenvolvimento interno, tornando-se aquisi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias da crian\u00e7a&#8230; A Aprendizagem, por isso, \u00e9 um momento necess\u00e1rio e universal para o desenvolvimento, na crian\u00e7a, daquelas caracter\u00edsticas humanas n\u00e3o naturais, mas formadas historicamente. (VYGOTSKY, 1973, p. 161)<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Epistemologia Gen\u00e9tica \u00e9 a teoria do desenvolvimento da intelig\u00eancia desenvolvida pelo bi\u00f3logo, psic\u00f3logo e epistem\u00f3logo su\u00ed\u00e7o Jean Piaget (1896-1980) com base em experi\u00eancias com crian\u00e7as a partir do nascimento at\u00e9 a adolesc\u00eancia, Piaget postulou que o conhecimento \u00e9 constru\u00eddo atrav\u00e9s da intera\u00e7\u00e3o do sujeito com seu meio, a partir de estruturas existentes. Assim sendo, a aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos depende tanto das estruturas cognitivas do sujeito como da rela\u00e7\u00e3o dele, sujeito, com o objeto. Para Piaget, o desenvolvimento humano obedece certos est\u00e1gios. S\u00e3o eles:-Est\u00e1gio sens\u00f3rio motor (do nascimento aos dois anos),-Est\u00e1gio pr\u00e9-operat\u00f3rio (dos dois aos seis anos), Est\u00e1gio operat\u00f3rio-concreto (dos sete aos onze anos),-Est\u00e1gio operat\u00f3rio-formal (dos onze aos dezesseis anos). Assim Piaget observou que, para que ocorra a constru\u00e7\u00e3o de um novo conhecimento, \u00e9 preciso que se estabele\u00e7a um desequil\u00edbrio nas estruturas mentais, isto \u00e9, os conceitos j\u00e1 assimilados necessitam passar por um processo de desorganiza\u00e7\u00e3o para que possam novamente, a partir de uma perturba\u00e7\u00e3o se reorganizem, estabelecendo um novo conhecimento. Este mecanismo pode ser denominado de equilibra\u00e7\u00e3o das estruturas mentais, ou seja, a transforma\u00e7\u00e3o de um conhecimento pr\u00e9vio em um novo.<\/p>\n<blockquote><p>[&#8230;] pesquisa essencialmente interdisciplinar que se prop\u00f5e estudar a significa\u00e7\u00e3o dos conhecimentos, das estruturas operat\u00f3rias ou de no\u00e7\u00f5es, recorrendo, de uma parte, a sua historia e ao seu funcionamento atual em uma ci\u00eancia determinada (sendo os dados fornecidos por especialistas dessa ci\u00eancia e sua epistemologia) e, de outra, ao seu aspecto l\u00f3gico (recorrendo aos l\u00f3gicos) e enfim \u00e0 sua forma psico-gen\u00e9tica ou \u00e0s suas rela\u00e7\u00f5es com as estruturas mentais (esse aspecto dando lugar \u00e0s pesquisas de psic\u00f3logos de profiss\u00e3o, interessados tamb\u00e9m na Epistemologia). (PIAGET, 1977, p. 77).<\/p><\/blockquote>\n<p>Um outro conceito de aprendizagem muito difundido entre os educadores \u00e9 o conceito da Aprendizagem Significativa . Se refere ao conceito central da teoria da aprendizagem de David Ausubel (1918-2008).<\/p>\n<blockquote><p>Aprendizagem significativa \u00e9 aquela em que ideias expressas simbolicamente interagem de maneira substantiva e n\u00e3o-arbitr\u00e1ria com aquilo que o aprendiz j\u00e1 sabe. Substantiva quer dizer n\u00e3o-literal, n\u00e3o ao p\u00e9-da-letra, e n\u00e3o-arbitr\u00e1ria significa que a intera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 com qualquer id\u00e9ia pr\u00e9via, mas sim com algum conhecimento especificamente relevante j\u00e1 existente na estrutura cognitiva do sujeito que aprende.(Moreira,1982,p.2)<\/p><\/blockquote>\n<p>Segundo Iavelberg (2003,p\u00e1g.45) Ausubel \u201cobserva a aprendizagem em uma perspectiva l\u00f3gica e psicol\u00f3gica, apontando que a assimila\u00e7\u00e3o de novos conte\u00fados mobilizam grandes quantidades de conhecimentos pr\u00e9vios do aprendiz\u201d. Percebemos ent\u00e3o que para o aluno alcan\u00e7ar uma aprendizagem que lhe seja significativa ,deve haver uma riqueza de conceitos relevantes , que desencadeie a motiva\u00e7\u00e3o. Os conte\u00fados conceituais deve ser interessante, novo, surpreendente, criativo e desafiador. Isto permite que o c\u00e9rebro se abra para a aprendizagem de forma significativa, n\u00e3o bloqueando as informa\u00e7\u00f5es. Conforme o aluno vai se envolvendo afetivamente com os conte\u00fados estudados, as barreiras v\u00e3o sendo superadas e a aprendizagem vai sendo consolidada.<\/p>\n<p>Quando falamos em aprender com M\u00fasica \u00e9 relevante pensar no potencial criativo de cada aluno, e este fato nos reporta a Teoria das Intelig\u00eancias M\u00faltiplas que tem mobilizado os estudiosos sobre as quest\u00f5es das habilidades dos indiv\u00edduos. Denominasse intelig\u00eancias m\u00faltiplas \u00e0 teoria desenvolvida a partir da d\u00e9cada de 1980 por uma equipe de investigadores da Universidade de Harvard, liderada pelo psic\u00f3logo Howard Gardner (1998.p.9), buscando analisar e descrever melhor o conceito de intelig\u00eancia. Alguns crit\u00e9rios foram estabelecidos para identificar nos alunos diversos tipos de habilidades. Estabelecidos os crit\u00e9rios abordados pelas pesquisas, identificou-se e descreveu-se sete tipos de intelig\u00eancia nos seres humanos. Posteriormente foram acrescentadas as intelig\u00eancias &#8220;naturalista&#8221; e &#8220;existencial&#8221;. Originalmente foram observadas: L\u00f3gico-matem\u00e1tica, Lingu\u00edstica, Musical, Espacial, Corporal, Intrapessoal, Interpessoal.(Gardner,1998,p.10)<\/p>\n<p>Ampliaremos aqui a Intelig\u00eancia Musical sobre o aspecto de seu favorecimento as aprendizagens.<\/p>\n<blockquote><p>A crian\u00e7a \u00e9 um ser essencialmente musical, cabe \u00e0 escola possibilitar e garantir a aflora\u00e7\u00e3o dessa qualidade atrav\u00e9s da compet\u00eancia pedag\u00f3gica e efici\u00eancia did\u00e1tica. (Suzigan e Suzigan, 1986,p.1)<\/p><\/blockquote>\n<p>As teorias aqui abordadas podem ajudar muito a aprendizagem sob a perspectiva do Ensino da M\u00fasica , tendo em vista que estrat\u00e9gias musicais valorizam os alunos com suas potencialidades, habilidades e diversidade. Encontramos em sala, expectativas afins, e por isso \u00e9 de grande import\u00e2ncia que todos os envolvidos com a educa\u00e7\u00e3o destes discentes, estejam conectados aos saberes diversos sobre a aprendizagem, e sobretudo estarem abertos \u00e0s inova\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias ao processo, favorecendo uma aprendizagem real, desafiadora e significativa.<\/p>\n<blockquote><p>&#8230;a capacidade cognitiva \u00e9 espec\u00edfica para o dom\u00ednio e as pessoas precisam ser expostas \u00e0 materiais e informa\u00e7\u00f5es de diferentes dom\u00ednios antes que suas capacidades e potenciais cognitivos possam ser adequadamente avaliados. (Gardner e Feldman,2001.p.10)<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080;\">CRIATIVIDADE<\/span> <\/strong><\/p>\n<p>Depois de observarmos os diversos aspectos inerentes ao Aprender atrav\u00e9s da M\u00fasica, faz-se necess\u00e1rio mencionar um elemento indispens\u00e1vel: a criatividade.<\/p>\n<p>Por muito tempo, as escolas n\u00e3o tiveram a preocupa\u00e7\u00e3o com a criatividade como coadjuvante em sala de aula. Com os m\u00e9todos tradicionais de ensino, faltava espa\u00e7o para que os alunos se expressassem e tivessem a oportunidade de criar.<\/p>\n<blockquote><p>No Ensino Fundamental, o componente curricular Arte est\u00e1 centrado nas seguintes linguagens: as Artes visuais, a Dan\u00e7a, a M\u00fasica e o Teatro. Essas linguagens articulam saberes referentes a produtos e fen\u00f4menos art\u00edsticos e envolvem as pr\u00e1ticas de criar, ler, produzir, construir, exteriorizar e refletir sobre formas art\u00edsticas. A sensibilidade, a intui\u00e7\u00e3o, o pensamento, as emo\u00e7\u00f5es e as subjetividades se manifestam como formas de express\u00e3o no processo de aprendizagem em Arte. (BNCC,2018,P.193)<\/p><\/blockquote>\n<p>Com a valoriza\u00e7\u00e3o do Ensino da Arte, come\u00e7amos ent\u00e3o a observar estudos sobre o tema, fazendo com que os educadores abrissem espa\u00e7o para estas manifesta\u00e7\u00f5es. Ao estudar a vida dos compositores e suas express\u00f5es musicais, possibilita-se ao aluno a observa\u00e7\u00e3o deste elemento t\u00e3o importante para a aprendizagem, principalmente se olharmos pela perspectiva das teorias da aprendizagem.<\/p>\n<p>A criatividade \u00e9 considerada uma capacidade humana de grande valor universal. Com os estudos da artista Fayga Ostrower (2008), firmou-se a ideia de que\u00a0todo ser humano tem o seu potencial criativo, que pode ser desenvolvido, envolvendo percep\u00e7\u00e3o, intui\u00e7\u00e3o e imagina\u00e7\u00e3o. Prova disso \u00e9 a pr\u00f3pria capacidade de sobreviv\u00eancia nata dos indiv\u00edduos, diante de um mundo t\u00e3o cheio de desafios.<br \/>\nAs ideias de Fayga tem influenciado grandemente muitos educadores, proporcionando \u00e0s escolas a integra\u00e7\u00e3o de programas e projetos envolvendo a m\u00fasica, tendo como desencadeador \u201ca criatividade\u201d. \u00c9 entretanto na capacidade criativa, que existe a chave da capacidade de evolu\u00e7\u00e3o da humanidade.<\/p>\n<p>O m\u00e9rito da express\u00e3o criativa \u00e9 fruto da &#8220;complexidade&#8221;, ou seja, \u00e9 fruto do contexto social no seu desenvolvimento natural e humano. \u00c9 muito interessante contemplar os efeitos provenientes disto, considerando a capacidade de um indiv\u00edduo criativo construir e reconstruir, transformando \u00e0s realidade. Como diz Fayga (2008,p.10): \u201c&#8230;O homem cria , n\u00e3o apenas porque quer, ou porque gosta, e sim porque precisa; ele s\u00f3 pode crescer enquanto ser humano, coerentemente, ordenando ,dando forma, criando\u201d. \u00c9 gratificante, perceber que todos temos a capacidade criativa, o que falta, \u00e9 ser melhor desenvolvida. A criatividade representa-se de m\u00faltiplas maneiras. Segundo Gardner (2001,p.10) cada individuo, tamb\u00e9m apresenta o seu perfil criativo distinto. O fen\u00f4meno criatividade se manifesta em todos os setores da vida seja social, pol\u00edtico, est\u00e9tico, cient\u00edfico, mas sobretudo \u00e9 imprescind\u00edvel que a escola d\u00ea oportunidade aos envolvidos no processo escolar, valorizando as potencialidades, estimulando as habilidades, desencadeando uma trajet\u00f3ria criativa para cada indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Gainza (1961) em seu artigo, S\u00e9rie Di\u00e1logos com o Som \u2013 Vol. 2, p.65, coloca:<\/p>\n<blockquote><p>Nela, (a m\u00fasica) fundem-se o afetivo, a sensibilidade, com o cognitivo, a curiosidade cient\u00edfica e criadora. As t\u00e9cnicas de improvisa\u00e7\u00e3o introduzidas ao longo de todo o processo de educa\u00e7\u00e3o musical contribuem para a realiza\u00e7\u00e3o da t\u00e3o mencionada integra\u00e7\u00e3o do fazer com o sentir e o pensar. \u00c0 pedagogia contempor\u00e2nea interessam tanto os processos como as metas; a m\u00fasica, al\u00e9m de arte e ci\u00eancia, \u00e9 uma linguagem cujo dom\u00ednio se adquire paulatinamente atrav\u00e9s de um desenvolvimento dial\u00e9tico no qual\u00a0 a improvisa\u00e7\u00e3o constitui um recurso de grande transcend\u00eancia e efic\u00e1cia.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080;\">FALANDO EM M\u00daSICA E INCLUS\u00c3O<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o de alunos portadores de necessidades especiais, \u00e9 um outro desafio encontrado em sala de aula, tendo em vista os dispositivos legais que nos deparamos atualmente. Apesar de por anos a fio nos j\u00e1 enfrentarmos casos de alunos com imensas dificuldades em sala, hoje este n\u00famero cresce e as necessidades de oferecer uma aprendizagem eficaz para estas crian\u00e7as s\u00e3o eminentes.<\/p>\n<blockquote><p>Em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de crian\u00e7as e de adolescentes com defici\u00eancias matriculados em escolas no n\u00edvel fundamental \u00e9 constatado a cada ano um aumento, de acordo com dados do INEP em 2005. O que se percebe \u00e9 que nos anos de 2003, 2004 e 2005 houve um avan\u00e7o significativo das matr\u00edculas desses alunos, sendo que esse avan\u00e7o demonstra a necessidade urgente de provid\u00eancias quanto \u00e0 inclus\u00e3o das crian\u00e7as com defici\u00eancia nas escolas regulares e, principalmente, de preparar estas escolas, pedagogicamente, espacial e organizacionalmente, para inclus\u00e3o real das crian\u00e7as.(Kasper,et al , 2006,p.233)<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando pensamos em Inclus\u00e3o encontramos que o exerc\u00edcio da criatividade n\u00e3o est\u00e1 negado ao deficiente. Quando o professor acredita firmemente nas potencialidades de desenvolvimento do educando, por mais restritas que sejam, se lhe \u00e9 dado um apoio e estimula-se a liberdade para a realiza\u00e7\u00e3o da tarefa, os resultados somente confirmar\u00e3o a necessidade universal que tem todo o ser humano de participar de maneira ativa e pessoal de seus pr\u00f3prios processos de crescimento. As pr\u00e1ticas criativas em sala de aula n\u00e3o tem objetivo de se formar um expert musical. Pelo contr\u00e1rio: favorecem o estabelecimento de uma rela\u00e7\u00e3o pessoal e positiva com as aprendizagens atrav\u00e9s da m\u00fasica e contribuem para trazer maior riqueza e abertura ao desenvolvimento da sensibilidade, do repert\u00f3rio, n\u00e3o s\u00f3 musical , mas fortalecem as rela\u00e7\u00f5es com uma infinidade de outros conhecimentos interdisciplinares. E quando falamos em portadores de necessidades especiais , a m\u00fasica ampliar\u00e1 as \u00b4possibilidades deste aluno. A M\u00fasica tamb\u00e9m pode favorecer o desenvolvimento emocional de pessoas com necessidades especiais, a conscientiza\u00e7\u00e3o de si mesma, o despertar de emo\u00e7\u00f5es e da espontaneidade, favorecendo, inclusive, a integra\u00e7\u00e3o social e emocional, entre outras coisas.<\/p>\n<p>Como ressalta Soares(2004, p.1): \u201cIsso significa que todos s\u00e3o capazes de aprender a se expressar musicalmente, n\u00e3o havendo raz\u00f5es para a exclus\u00e3o\u201d<\/p>\n<p>Como aliada neste processo de Inclus\u00e3o encontramos a Neuroci\u00eancia . Neuroci\u00eancia \u00e9 o estudo do sistema nervoso, isto \u00e9, sua estrutura, seu desenvolvimento, sua evolu\u00e7\u00e3o, seu funcionamento, sua rela\u00e7\u00e3o com o comportamento e a mente, como tamb\u00e9m, suas altera\u00e7\u00f5es. A partir da compreens\u00e3o das fun\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas, pode-se compreender melhor certas patologias, criar novas interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas e potencializarmos o aprendizado (LENT, 2010). N\u00e3o \u00e9 de hoje que cientistas voltam-se para tentar compreender o fen\u00f4meno musical no c\u00e9rebro e quais impactos neurol\u00f3gicos a m\u00fasica oferece \u00e0queles que a estudam, pois esta arte \u00e9 um das poucas atividades que utilizam praticamente todo nosso aparato neurol\u00f3gico (NAVIA, 2012).<\/p>\n<p>No que \u00e0 m\u00fasica diz respeito, esta tem uma import\u00e2ncia significativa na inclus\u00e3o dos alunos com Necessidades Educativas Especiais, uma vez que \u00e9 na escola inclusiva que os alunos podem vivenciar a m\u00fasica e aprend\u00ea-la de uma outra forma, criando um grande grau de motiva\u00e7\u00e3o para a aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos musicais. S\u00e3o estes conhecimentos adquiridos dentro da sala de aula que ir\u00e3o permitir que o educando, num futuro pr\u00f3ximo, possa agarrar oportunidades numa \u00e1rea que at\u00e9 ali era desconhecida. Sadie apud Br\u00e9scia ( 2003, p.50) afirma que:<\/p>\n<blockquote><p>&#8230;crian\u00e7as mentalmente deficientes e autistas geralmente reagem \u00e0 m\u00fasica, quando tudo o mais falhou. A m\u00fasica \u00e9 um ve\u00edculo expressivo para o al\u00edvio da tens\u00e3o emocional, superando dificuldades de fala e de linguagem. A terapia musical foi usada para melhorar a coordena\u00e7\u00e3o motora nos casos de paralisia cerebral e distrofia muscular. Tamb\u00e9m \u00e9 usada para ensinar controle de respira\u00e7\u00e3o e da dic\u00e7\u00e3o nos casos em que existe dist\u00farbio da fala.<\/p><\/blockquote>\n<p>O ensino da m\u00fasica na escola inclusiva torna-se assim bastante importante na medida em que essa aprendizagem se refletir\u00e1 para o resto da sua vida. Gainza (1988, p.22) ressalta que: \u201cA m\u00fasica e o som, enquanto energia, estimulam o movimento interno e externo no homem; impulsionam-no \u201ea a\u00e7\u00e3o e promovem nele uma multiplicidade de condutas de diferentes qualidade e grau\u201d. Para o aluno com Necessidades Educativas Especiais esta aprendizagem, atrav\u00e9s de viv\u00eancias, proporciona-lhe uma melhor rela\u00e7\u00e3o com o outro e com o Mundo, uma vez que lhe possibilita partilhar as suas experi\u00eancias musicais, ou outras, com o grupo no qual est\u00e1 inserido. No que a m\u00fasica diz respeito\u00a0esta troca de conhecimentos permite que o aluno experiencie outras culturas musicais, aumentando assim o seu leque de conhecimento de cultura musical.<\/p>\n<p>Por observa\u00e7\u00e3o e imita\u00e7\u00e3o, os demais alunos aprendem e passam a vivenciar essa experi\u00eancia, tornando-a parte de suas vidas. \u201cPit\u00e1goras demonstrou que a sequ\u00eancia correta de sons, se tocada musicalmente num instrumento, pode mudar padr\u00f5es de comportamento e acelerar o processo de cura\u201d (BR\u00c9SCIA, p. 31, 2003).<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00f3 na parte educacional que a m\u00fasica ter\u00e1 efeitos vis\u00edveis na crian\u00e7a com Necessidades Educativas Especiais. Tamb\u00e9m a n\u00edvel pessoal e social esta ter\u00e1 o seu impacto, pois a m\u00fasica \u00e9 capaz de mexer com sentimentos, estados de espirito, com a mem\u00f3ria e a concentra\u00e7\u00e3o. Todos estes s\u00e3o elementos vitais para o ser Humano e para a sua adapta\u00e7\u00e3o ao meio em que est\u00e1 inserido. A m\u00fasica pode contribuir para tornar esse ambiente mais alegre e favor\u00e1vel \u00e0 aprendizagem, afinal :<\/p>\n<blockquote><p>\u201cpropiciar uma alegria que seja vivida no presente \u00e9 a dimens\u00e3o essencial da pedagogia, e \u00e9 preciso que os esfor\u00e7os dos alunos sejam estimulados, compensados e recompensados por uma alegria que possa ser vivida no momento presente\u201d (SNYDERS, 1992, p. 14)<\/p><\/blockquote>\n<p>Trabalhar com crian\u00e7as com NEE \u00e9 realmente um grande desafio, e cada passo dado \u00e9 uma conquista feita, porque naquele momento o professor consegue transmitir algo ao seu aluno. Seja qual for o resultado da atividade proposta pelo educador, qualquer sorriso e qualquer express\u00e3o de felicidade j\u00e1 \u00e9 compensadora na medida em que por momentos conseguimos proporcionar um grande momento a um aluno com Necessidades Educativas Especiais.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c[&#8230;] o aprendizado de m\u00fasica, al\u00e9m de favorecer o desenvolvimento afetivo da crian\u00e7a, amplia a atividade cerebral, melhora o desempenho escolar dos alunos e contribui para integrar socialmente o indiv\u00edduo\u201d. Br\u00e9scia (2003, p. 81)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p><strong><span style=\"color: #000080;\">M\u00daSICA E MOVIMENTO<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Importante salientar que o movimento \u00e9 a primeira manifesta\u00e7\u00e3o na vida do ser humano. Pois desde a vida no \u00fatero realizamos movimentos com o nosso corpo, na qual v\u00e3o se estruturando e exercendo enormes influ\u00eancias no comportamento. Os movimentos expressam o que sentimos, nossos pensamentos e atitudes que muitas vezes est\u00e3o arquivados em nosso inconsciente. Atrav\u00e9s da a\u00e7\u00e3o sobre o meio f\u00edsico com o meio social, processa-se o desenvolvimento e a aprendizagem do ser humano. Portanto, a educa\u00e7\u00e3o psicomotora na idade escolar, sobretudo as que envolva a m\u00fasica, deve ser antes de tudo uma experi\u00eancia ativa, onde a crian\u00e7a se confronta com o meio. As educa\u00e7\u00f5es provenientes dos pais e do \u00e2mbito escolar n\u00e3o tem a finalidade de ensinar a crian\u00e7a comportamento motores, mas sim permite exercer uma fun\u00e7\u00e3o de ajustamento individual ou em grupo.<\/p>\n<blockquote><p>&#8230;a institui\u00e7\u00e3o escolar precisa promover oportunidades ricas para que as crian\u00e7as possam, sempre animadas pelo esp\u00edrito l\u00fadico e na intera\u00e7\u00e3o com seus pares, explorar e vivenciar um amplo repert\u00f3rio de movimentos, gestos, olhares, sons e m\u00edmicas com o corpo, para descobrir variados modos de ocupa\u00e7\u00e3o e uso do espa\u00e7o com o corpo&#8230;(BNCC,2014,41)<\/p><\/blockquote>\n<p>As atividades desenvolvidas no grupo favorecem a integra\u00e7\u00e3o e a socializa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com o grupo, portanto, propiciam o desenvolvimento tanto ps\u00edquico como motor. A estimula\u00e7\u00e3o do desenvolvimento psicomotor \u00e9 fundamental para que aconte\u00e7a a intera\u00e7\u00e3o dos movimentos com a emo\u00e7\u00e3o e a cogni\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. Para que essa estimula\u00e7\u00e3o ocorra de forma adequada \u00e9 fundamental que a crian\u00e7a disponha de um bom ambiente e de facilitadores para auxiliar no desenvolvimento das capacidades psicomotoras .<br \/>\nConforme Luria (1981) durante muitas d\u00e9cadas os psic\u00f3logos estudaram o curso dos processos mentais: de percep\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria, de fala e pensamento, da organiza\u00e7\u00e3o de movimentos e a\u00e7\u00f5es. Da\u00ed surge o interesse cient\u00edfico no estudo do c\u00e9rebro como o \u00f3rg\u00e3o da atividade mental. Sabe-se que o c\u00e9rebro humano, \u00e9 o mais requintado dos instrumentos, capaz de refletir as complexidades e os emaranhamentos do mundo ao nosso redor. Segundo o autor, o estudo acurado desses fen\u00f4menos, no contexto das ci\u00eancias comportamentais, forneceu informa\u00e7\u00f5es de valor inestim\u00e1vel e revelou importantes pistas para o esclarecimento da natureza das leis cient\u00edficas que governam esses processos.<\/p>\n<p>Gon\u00e7alves (2010, p.87), afirma que \u201cO corpo como porta de entrada e sa\u00edda da aprendizagem, utiliza-se da psicomotricidade para expor toda a transcend\u00eancia de sua experi\u00eancia.\u201d<\/p>\n<p>Sobre as fases do desenvolvimento psicomotor, Silva (2010) diz que n\u00e3o devem ser consideradas somente como uma matura\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica, sim, como um processo relacional. Levando em considera\u00e7\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es do indiv\u00edduo com o ambiente em que est\u00e1 inserido e as rela\u00e7\u00f5es com os demais. As fases do corpo podem ser resumidas em tr\u00eas fases at\u00e9 chegar a perfei\u00e7\u00e3o; primeiro o corpo \u00e9 percebido; em segundo, \u00e9 conhecido; e, finalmente, \u00e9 vivido. Ressaltando a observa\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas de cada fase de desenvolvimento f\u00edsico da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Dentre as diversas atividades propostas nas aulas de educa\u00e7\u00e3o musical, o reconhecimento das partes da m\u00fasica \u00e9 trabalhado auditivamente, seja ouvindo ou cantando e por meio de din\u00e2micas psicomotoras. A viv\u00eancia corporal torna o processo de musicaliza\u00e7\u00e3o din\u00e2mico e significativo . A m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 tratada como um elemento exterior, mas \u00e9 sentida, vivenciada e executada. Melodia, ritmo e bases psicomotoras s\u00e3o trabalhados concomitantemente e tanto o desenvolvimento das bases como o entendimento musical se consolidam aos poucos.<\/p>\n<blockquote><p>O uso da m\u00fasica para fins terap\u00eauticos data de tempos ancestrais e apoia-se na capacidade da m\u00fasica de evocar e estimular uma s\u00e9rie de rea\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas que fazem a liga\u00e7\u00e3o direta entre o c\u00e9rebro emocional e o c\u00e9rebro executivo. A m\u00fasica estimula a flexibilidade mental, a coes\u00e3o social fortalecendo v\u00ednculos e compartilhamento de emo\u00e7\u00f5es que nos fazem perceber que o outro faz parte do nosso sistema de refer\u00eancia.(Muskat,2000,p.69)<\/p><\/blockquote>\n<p>Se o uso da linguagem influencia diretamente o desenvolvimento do pensamento, o mesmo pode acontecer com o desenvolvimento musical. O uso da linguagem musical vai contribuir diretamente para o desenvolvimento musical da crian\u00e7a, tornando-a cada vez mais capaz de se expressar musicalmente.<\/p>\n<p>A psicomotricidade nos ajuda a perceber a crian\u00e7a e a sua expressividade atrav\u00e9s do corpo em movimento. Podemos ent\u00e3o pensar que o desenvolvimento das habilidades musicais e da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica na primeira inf\u00e2ncia, pressup\u00f5e uma an\u00e1lise do processo de ensino-aprendizagem n\u00e3o apenas sobre como a crian\u00e7a manipula os sons e os reproduz, condicionando a avalia\u00e7\u00e3o do aprendizado musical da crian\u00e7a apenas do ponto de vista sonoro. \u00c9 preciso considerar a expressividade da crian\u00e7a como um conjunto de movimentos corporais que representam para esta, tanto a sua percep\u00e7\u00e3o e entendimento da m\u00fasica, como a sua cria\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o musical. Isto \u00e9, a crian\u00e7a n\u00e3o se expressa por um \u00fanico \u201ccanal\u201d. Por exemplo: espera-se que a crian\u00e7a que aprende m\u00fasica se expresse musicalmente, isto \u00e9, atrav\u00e9s dos sons, seja cantado ou tocando. Mas para a crian\u00e7a que ainda est\u00e1 no processo de desenvolvimento das habilidades motoras, principalmente as habilidades para tocar um instrumento (t\u00e9cnica), talvez ela ainda n\u00e3o seja capaz de canalizar toda a sua expressividade atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o sonora, ficando a sua express\u00e3o criativa dispersa em um conjunto de movimentos corporais (dan\u00e7a, m\u00edmica, caretas, etc.). A avalia\u00e7\u00e3o do grau de expressividade da crian\u00e7a, e consequentemente do aprendizado musical, pode n\u00e3o estar apenas no resultado sonoro, mas em um conjunto de gestos e movimentos que a crian\u00e7a faz ao tentar se expressar musicalmente. \u00c9 preciso trabalhar todos os elementos da m\u00fasica, mas compreender o processo de desenvolvimento musical como gradativo. Sendo assim, a Teoria em espiral de Swanwick (Swanwick, 1988, apud Fernandes,1998), por estar de acordo com o pr\u00f3prio desenvolvimento infantil pode ser abordado tamb\u00e9m sob a perspectiva da psicomotricidade que pode contribuir justamente com sua fundamenta\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica a partir da interven\u00e7\u00e3o direta no desenvolvimento das capacidades psicomotoras da crian\u00e7a principalmente em atividade escolar. Ou seja, trazer atividades psicomotoras para ajudar a crian\u00e7a no seu pr\u00f3prio processo de desenvolvimento musical em favor do seu desenvolvimento global. A rela\u00e7\u00e3o entre psicomotricidade e m\u00fasica est\u00e1 tanto na forma de apreens\u00e3o como de express\u00e3o. M\u00fasica enquanto arte e os movimentos psicomotores para conex\u00e3o : mente e corpo no desenvolvimento humano. A crian\u00e7a apreende o conhecimento musical e se expressa musicalmente de forma \u00fanica, externalizando o seu pensamento e construindo sua pr\u00f3pria identidade frente ao mundo em que vive.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080;\">NA PR\u00c1TICA<\/span> <\/strong><\/p>\n<p>Com esta s\u00edntese te\u00f3rica feita at\u00e9 aqui, podemos nesta altura trazer um pouco da experi\u00eancia feita na \u201cEscola Experimental Inclusiva\u201d . Na sala de aula com as crian\u00e7as todo esse tramado ganha corpo, subst\u00e2ncia. \u00c9 pela experi\u00eancia &#8211; vivida, compartilhada e observada &#8211; que se potencializa, capaz de produzir conte\u00fados, sentidos e significados. Disponho nesta etapa algumas das experi\u00eancias vividas. E das observa\u00e7\u00f5es e pensamentos entretecidos por tamanho desafio. Experi\u00eancia de caminhos percorridos, vividos, encarnados, e, portanto da ordem do real, e n\u00e3o do ideal. E que n\u00e3o foram\u00a0viamente definidos e estabelecidos, embora sempre planejando, preparando aulas, se preparando para as aula, com boas inten\u00e7\u00f5es, expectativas e muitos, desejos.<\/p>\n<p>Com base ent\u00e3o em todos estes estudos , a escola que chamamos aqui \u201cEscola Inclusiva Experimental\u201d, tem desenvolvido sua pr\u00e1tica pedag\u00f3gica com a realiza\u00e7\u00e3o de valiosos projetos pedag\u00f3gicos. Iniciamos o ano 2019, avaliando \u00e0s expectativas dos alunos, observando que tanto os alunos quanto os professores, apresentavam anseios por um projeto desafiador, algo que os instigasse, os impulsionasse \u00e0s descobertas. Um projeto que permitisse atividades interessantes, prazerosas e com resultados significativos, sobretudo que trouxesse equaliza\u00e7\u00e3o para os saberes, fortalecendo o desenvolvimento das crian\u00e7as seus v\u00e1rios aspectos, seja cognitivos, emocional, f\u00edsico, ou social.<\/p>\n<p>A \u201cE.E.Especial\u201d funciona como Ensino Complementar, em hor\u00e1rio inverso da Escola Regular , atendendo crian\u00e7as Portadoras de Necessidades Especiais como ; TDAH, TEA, TOD , S\u00edndrome de Down, Surdos, Deficiente Intelectual, Paralisia Cerebral, etc&#8230; A escola atende estas crian\u00e7as com uma equipe multidisciplinar : ProfessorPedagogo Polivalente com refor\u00e7o das disciplinas-Matem\u00e1tica e Portugu\u00eas; Especialistas de Sa\u00fade: Fonoaudi\u00f3logo, Terapeuta Ocupacional, Fisioterapeuta, Psicopedagoga e Especialistas de Educa\u00e7\u00e3o : Professor de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, Professora de Artes\/M\u00fasica.<\/p>\n<p>Tendo em vista o interesse dos alunos com as Aulas de Artes e M\u00fasica, decidiu-se ent\u00e3o realizar um Projeto Interdisciplinar que chamamos de \u201cAs linhas Sonoras de Mir\u00f3\u201d, com o objetivo de conectar as Obras de Artista com a M\u00fasica . Projeto este que envolveu toda equipe de pedagogos, especialistas de Educa\u00e7\u00e3o e de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Em reuni\u00f5es pedag\u00f3gicas realizadas durante o ano ,os professores, psicopedagogos, fisioterapeutas, fonoaudi\u00f3logo, terapeuta ocupacional , foram envolvidos e desafiados a desencadear diferentes condu\u00e7\u00f5es , com a participa\u00e7\u00e3o dos alunos , para trabalhar dentro de suas respectivas \u00e1reas , tendo o cuidado de conectar cada atendimento aos elementos propostos pela m\u00fasica. Observamos ent\u00e3o o benef\u00edcio das estrat\u00e9gias envolvendo a M\u00fasica. Assim, cada profissional realizou seus planejamentos fazendo estas observa\u00e7\u00f5es, analisando o Conte\u00fado Program\u00e1tico do Ano, elaborando um Plano Curricular, envolvendo os Eventos, abordando assuntos de interesse dos alunos e respectivas fam\u00edlias, tendo em vista que se trata de crian\u00e7as portadoras de necessidades especiais. Com o projeto foi poss\u00edvel evidenciar os potenciais de nossos alunos apesar de suas dificuldades, proporcionando possibilidades para que os alunos demonstrassem sua sensibilidade atrav\u00e9s da arte, sobretudo a m\u00fasica.<\/p>\n<p>Diversas atividades realizadas foram realizadas coletivamente, nas Semanas Comemorativas. Nestas semanas trabalhamos diversas atividades musicais de intera\u00e7\u00e3o e socializa\u00e7\u00e3o . As atividades coletivas s\u00e3o planejadas multidisciplinarmente, proporcionando a intera\u00e7\u00e3o entre as crian\u00e7as, fortalecendo a coopera\u00e7\u00e3o, a supera\u00e7\u00e3o das dificuldades, ajuda m\u00fatua, o desenvolvimento da linguagem oral e corporal.<\/p>\n<p>Segundo Viviane Louro (2016,p.43) , em seu artigo sobre M\u00fasica e Educa\u00e7\u00e3o, diz que Perrenoud (2002) valoriza a import\u00e2ncia do professor assumir um compromisso cr\u00edtico no debate social sobre a finalidade da escola e seu papel na sociedade, com vistas a aprender a trabalhar cooperativamente na escola e dialogar com fam\u00edlia e comunidade. Sendo assim, temos que prestar a aten\u00e7\u00e3o para um item fundamental, sem o qual n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel promover a inclus\u00e3o: o trabalho em equipe. Quando se fala em inclus\u00e3o, dialogamos diretamente com a necessidade de um trabalho baseado numa rede de apoio de diversos profissionais. Cada defici\u00eancia traz particularidades muito espec\u00edficas e, para cada uma delas, ser\u00e1 necess\u00e1rio um tipo de apoio, de interven\u00e7\u00e3o, de material ou de metodologia e, \u00e0s vezes, a colabora\u00e7\u00e3o de profissionais da sa\u00fade. Por exemplo, pessoas com autismo, t\u00eam muita dificuldade no desenvolvimento da Teoria da Mente, que \u201c\u00e9 o nome que se d\u00e1 \u00e0 maneira como sentimos e entendemos a mente dos outros. Ela \u00e9 fundamental para a compreens\u00e3o do processo pelo qual entendemos as pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es e as emo\u00e7\u00f5es dos outros\u201d (CAIXETA, 2005, p. 7)<\/p>\n<p>Durante todo o processo v\u00edamos a maneira desafiadora, em que a comunidade escolar, interagia com as propostas: desde os pais, alunos, professores, diretores, equipe de manuten\u00e7\u00e3o, secretaria &#8230; \u00c9 bastante interessante observar tais membros buscarem conhecer os assuntos trabalhados para poder cooperar. Entendemos assim que, o encantamento pela Arte\/musica vem da oportunidade, da acessibilidade oferecida a cada um. Depende de n\u00f3s, Educadores e apaixonados pela Arte\/M\u00fasica e pelo conhecimento da mesma, em tentar promover esta oportunidade. Temos infinitas raz\u00f5es para se trabalhar com Arte na escola. Como diz Barbosa (2003,pag.18):<\/p>\n<blockquote><p>\u201c&#8230;Por meio da Arte \u00e9 poss\u00edvel desenvolver a percep\u00e7\u00e3o e a imagina\u00e7\u00e3o, apreender a realidade do meio ambiente, desenvolver a capacidade cr\u00edtica, permitindo ao indiv\u00edduo analisar a realidade percebida e desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade analisada.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>O envolvimento dos professores das diversas disciplinas, n\u00edveis e s\u00e9ries \u00e9 o que mais nos surpreendeu. Neste aspecto enfrentamos um precioso desafio: d\u00favidas, desgastes, desentendimentos, discuss\u00f5es, impasses, conflitos, revis\u00f5es, retomadas. Por\u00e9m insist\u00edamos o tempo todo pra que n\u00e3o perd\u00eassemos o objetivo do projeto que era conectar a M\u00fasica com as demais disciplinas em benef\u00edcio da aprendizagem. O que nos faz lembrar do que Terezinha Azer\u00eado Rios(2006,p\u00e1g.131) diz: &#8220;Na afirma\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter coletivo da compet\u00eancia \u00e9 que se ganha espa\u00e7o para uma discuss\u00e3o sobre a interdisciplinaridade&#8221;.<\/p>\n<p>A cada evento realizado t\u00ednhamos reuni\u00f5es para compartilhar os trabalhos com os demais colegas, discutindo sobre as devidas conex\u00f5es. Nestes momentos aproveit\u00e1vamos para trocar informa\u00e7\u00f5es, experi\u00eancias e compartilhar as respectivas atividades e discutir as avalia\u00e7\u00f5es feitas atrav\u00e9s de question\u00e1rios respondidos pelos familiares , alunos e equipe escolar. Assim caminhamos, trabalhando todos os eventos da escola buscando n\u00e3o perder o foco, as metas e os objetivos.<\/p>\n<p>No que diz respeito a fala, comunica\u00e7\u00e3o, linguagem o Fonoaudi\u00f3logo6 M. da escola, diz que muitos s\u00e3o os casos de Gagueira que prejudicam as aprendizagens dos alunos. Gagueira \u00e9 um dos Transtornos de Flu\u00eancia, enquadrados dentro do DSM-V (Manual Diagn\u00f3stico e Estat\u00edstico dos Transtornos Mentais) como transtornos de comunica\u00e7\u00e3o. A flu\u00eancia \u00e9 o aspecto de produ\u00e7\u00e3o da fala que se refere \u00e0 continuidade, suavidade e esfor\u00e7o. Flu\u00eancia \u00e9 definida como a fala de fluxo cont\u00ednuo e suave, que \u00e9 decorrente de uma integra\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica entre os processamentos neurais envolvidos na linguagem e no ato motor. A gagueira, o transtorno de flu\u00eancia mais comum, \u00e9 uma descontinuidade no fluxo de fala caracterizada por repeti\u00e7\u00f5es (sons, s\u00edlabas, palavras, frases), prolongamentos de som, blocos, interjei\u00e7\u00f5es e revis\u00f5es, o que pode afetar a velocidade e o ritmo da fala. Essas disflu\u00eancias podem ser acompanhadas por tens\u00e3o f\u00edsica, rea\u00e7\u00f5es negativas, comportamentos secund\u00e1rios e evita\u00e7\u00e3o de sons, palavras ou situa\u00e7\u00f5es de fala. A Gagueira tipicamente tem suas origens na inf\u00e2ncia. A maioria das crian\u00e7as que gaguejam, come\u00e7am a faz\u00ea-lo em torno de 2 anos e meio de idade. Aproximadamente 95% das crian\u00e7as que gaguejam come\u00e7am a faz\u00ea-lo antes dos 5 anos de idade. Ao trabalhar com m\u00fasica em seus atendimentos, M. observou que o uso dos instrumentos de percuss\u00e3o , propicia o movimento do corpo e exercita o exerc\u00edcio r\u00edtmico do c\u00e9rebro , ajudando a trazer tamb\u00e9m ritmo para o pensamento e consequentemente para a execu\u00e7\u00e3o da fala. Nas aulas espec\u00edficas de Artes\/M\u00fasica , o uso dos instrumentos de percuss\u00e3o convencionais e n\u00e3o convencionais s\u00e3o utilizados em todas as nossas aulas. Criando uma rotina envolvendo a integralidade das artes, vamos colocando os conte\u00fados das Artes Visuais, do Teatro, da Dan\u00e7a e da M\u00fasica.<\/p>\n<p>As atividades f\u00edsicas realizadas junto ao Fisioterapeuta e a Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica tamb\u00e9m foram potencializadas com o uso da m\u00fasica , demonstrando um bom efeito sobre os resultados alcan\u00e7ados. Muszkat diz:<\/p>\n<blockquote><p>A atividade musical mobiliza amplas \u00e1reas cerebrais, tanto as filogeneticamente mais novas (neoc\u00f3rtex), quanto os sistemas mais antigos e primitivos como o chamado c\u00e9rebro reptiliano, que envolve o cerebelo, \u00e1reas do tronco cerebral e a am\u00edgdala cerebral, al\u00e9m disso, \\a experi\u00eancia musical modifica estruturalmente o c\u00e9rebro, pois v\u00e1rios circuitos neuronais s\u00e3o ativados pela m\u00fasica. (Muskat ,2012,p.68)<\/p><\/blockquote>\n<p>Em Eventos com as Fam\u00edlias , a E.E.Inclusiva prop\u00f4s uma Oficina com Atividades Musicais e as fam\u00edlias puderam v<span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #333333; cursor: text; font-family: Georgia,'Times New Roman','Bitstream Charter',Times,serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\">ivenciar atividades realizadas pelas crian\u00e7as no dia \u2013 a dia escolar<\/span>.<\/p>\n<p>Integralizando as Linguagens da Arte, com potencialidade na M\u00fasica, introduziu-se alunos o Conceito da Linha que integra a Linguagem da Dan\u00e7a, das Artes Visuais e da M\u00fasica. Com a M\u00fasica \u201cAs quatro Esta\u00e7\u00f5es\u201d de Vivaldi, trabalhamos a escuta e a cria\u00e7\u00e3o de passos de dan\u00e7a conforme o pulso da m\u00fasica. Foi poss\u00edvel potencializar o equil\u00edbrio, a condu\u00e7\u00e3o do corpo no espa\u00e7o , a concentra\u00e7\u00e3o e ainda as fun\u00e7\u00f5es executivas do c\u00e9rebro , refor\u00e7ando o auto controle. A m\u00fasica tamb\u00e9m est\u00e1 ligada com o movimento.<\/p>\n<p>Conforme Louro (1982), Jourdain (1998, p. 408) interpreta que: \u201cusamos nossa musculatura para representar a m\u00fasica, modelando as caracter\u00edsticas mais importantes dos padr\u00f5es musicais atrav\u00e9s de movimentos f\u00edsicos, grandes e pequenos\u201d. A autora fala tamb\u00e9m, que Lent (2010) aponta que o sistema motor \u00e9 algo complexo, pois envolve movimentos volunt\u00e1rios e involunt\u00e1rios. Quando se fala em m\u00fasica e movimento, isso remete automaticamente aos neur\u00f4nios espelhos, que s\u00e3o um grupo de neur\u00f4nios recrutados quando se age ou se observa a mesma a\u00e7\u00e3o executada por outra pessoa.<\/p>\n<p>Muito interessante se torna o momento em que desafiamos as crian\u00e7as a comporem suas pr\u00f3prias produ\u00e7\u00f5es e oportunizamos o compartilhamento destas produ\u00e7\u00f5es com os\u00a0demais envolvidos na atividade. N\u00e3o \u00e9 por se tratar de crian\u00e7as com Necessidades Especiais, que n\u00e3o tem a possibilidade de criar, muito pelo contr\u00e1rio. S\u00e3o extremamente criativos, e apresentam um desejo bastante pertinente a cria\u00e7\u00f5es interessantes.<\/p>\n<p>Neste tempo \u00e9 muito importante a sensibilidade dos profissionais envolvidos com as crian\u00e7as , pois cada defici\u00eancia vai requerer um tipo de a\u00e7\u00e3o e recurso distinto. Por isso a import\u00e2ncia do trabalho em equipe, do envolvimento do professor de m\u00fasica em todo o processo pedag\u00f3gico do aluno; e, principalmente, a import\u00e2ncia de conhecer bem a hist\u00f3ria e defici\u00eancia de cada um, pois \u00e9 a partir desta intera\u00e7\u00e3o , que se proceder\u00e1 positivamente em favor desta crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Alguns casos espec\u00edficos nos chamou bastante aten\u00e7\u00e3o durante a realiza\u00e7\u00e3o deste projeto. Uma aluna com TEA, 10 anos, apresentando grande dificuldade de compreens\u00e3o, fala e movimento do corpo bastante comprometido. Precisa de ajuda para se locomover e cogni\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m bem comprometida; no decorrer do ano percebemos que o som que fazia constantemente estava se transformando em melodia, isto \u00e9, quando ela come\u00e7ava a fazer um determinado som , que ate ent\u00e3o era constante e cont\u00ednuo, com a interfer\u00eancia de uma can\u00e7\u00e3o , ela parava , ouvia e depois acompanhava a melodia que est\u00e1vamos cantando. Este caso est\u00e1 sendo um est\u00edmulo para um novo estudo, pois traznos alguns questionamentos. Se esta aluna consegue fazer uma melodia , por que n\u00e3o consegue falar? Ser\u00e1 que atrav\u00e9s da melodia , ela conseguir\u00e1 aprender a falar? Ou pelo menos se comunicar? Eis a\u00ed algo que desejamos estudar e entender para seguir conduzindo o desenvolvimento desta crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Outro caso tamb\u00e9m, que seguimos estudando \u00e9 de um aluno de 9 anos, com S\u00edndrome de Down , n\u00e3o fala, ainda n\u00e3o consegue escrever, cogni\u00e7\u00e3o ainda em grande defasagem, mas, gosta muito da m\u00fasica. Em nossas aulas, ele faz um murm\u00fario acompanhando todas as can\u00e7\u00f5es. Quando pega o instrumento , vai at\u00e9 o espelho e imita um cantor, se observando com alegria.<\/p>\n<p>Este \u00e9 um breve relato de algumas das muitas atividades que realizamos durante o ano. O tempo n\u00e3o nos foi suficiente para aprofundar nossas pesquisas e nossas pr\u00e1ticas. Certamente precisaremos dar continuidade a esta ador\u00e1vel tarefa. Faremos uma v\u00edrgula nesta proposta, com a inten\u00e7\u00e3o de em breve seguirmos nossas pesquisas, utilizando a m\u00fasica como uma ferramenta elementar.<\/p>\n<p>Realizar um projeto como este n\u00e3o \u00e9 coisa f\u00e1cil. Surgem diariamente diversas intercorr\u00eancias e instiga\u00e7\u00f5es, sobretudo neste contexto de Inclus\u00e3o. Por\u00e9m, acreditamos que esta experi\u00eancia com a m\u00fasica trouxe uma nova vis\u00e3o para nossa pr\u00e1tica escolar. Certamente nosso planejamento, nossas perspectivas j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e3o mais as mesmas. A partir desta experi\u00eancia com a m\u00fasica , deixaremos \u201c\u00e0quela\u201d limita\u00e7\u00e3o, aquele trabalho \u201dmesmo\u201d, e nos permitiremos ampliar as a\u00e7\u00f5es em favor de uma aprendizagem diversa, interativa, multicultural e&#8230;.significativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080;\">CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/span> <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A cada leitura feita para corroborar as experi\u00eancias vividas pela escola com certeza n\u00e3o s\u00e3o suficientes, pois o que foi vivenciado ali, foi muito al\u00e9m do que pod\u00edamos imaginar. Conduzir aprendizagem e inclus\u00e3o tendo a M\u00fasica como mediadora \u00e9 algo desafiante, intrigante&#8230; Desperta em cada um de n\u00f3s vislumbres afins. A cada passo do Projeto sent\u00edamos a necessidade de ampliar as a\u00e7\u00f5es, pois um leque de possibilidades abria-se a nossa frente. E isto se repetiu quando come\u00e7amos a buscar as pesquisas te\u00f3ricas. Uma quantidade imensa de estudos , leituras, pesquisas, surgiram para favorecer as respectivas comprova\u00e7\u00f5es. Percebemos ent\u00e3o que este estudo n\u00e3o poderia se conter apenas neste artigo. Este tema merece um olhar cont\u00ednuo. A aproxima\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica e da teoria \u00e9 poss\u00edvel, portanto ainda n\u00e3o definitiva. Faz-se necess\u00e1rio a continuidade das pesquisas, para que ocorra maior conscientiza\u00e7\u00e3o por parte dos envolvidos, nas execu\u00e7\u00f5es de tais projetos.<\/p>\n<p>Em todo o processo de constru\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o deste , observou-se um retorno bastante positivo, por parte de todos os envolvidos. Como estudamos sobre as aprendizagens, constatamos que aprender atrav\u00e9s da M\u00fasica, proporciona uma profunda intera\u00e7\u00e3o com os saberes. A prontid\u00e3o diante dos conte\u00fados propostos se amplia, e o aluno apresenta maior interesse, assimila\u00e7\u00e3o intensa e a transforma\u00e7\u00e3o de suas atitudes e de suas iniciativas diante da aquisi\u00e7\u00e3o do saber. Isto \u00e9, observamos uma aprendizagem de fato, significativa.<\/p>\n<p>Os resultados observados n\u00e3o se limitam apenas entre os alunos, mas tamb\u00e9m entre os demais envolvidos com o Projeto. Percebeu-se que toda a equipe escolar , se apresentavam com maior motiva\u00e7\u00e3o diante das propostas, participando e cooperando em cada etapa, sentindo-se desafiados, transferindo isto para as fam\u00edlias e alunos. Vimos isso tamb\u00e9m nos membros da comunidade. Observamos que toda a comunidade apresentou maior interesse, demonstrando prazer na possibilidade de aprender com os alunos.<\/p>\n<p>Assim, conclu\u00edmos que tanto atrav\u00e9s da teoria, quanto da pr\u00e1tica, a aprendizagem tendo como mediadora a M\u00fasica , amplia a vis\u00e3o do que significa aprender, permite a aquisi\u00e7\u00e3o do conhecimento de maneira prazerosa e plena. E o dom\u00ednio do saber possibilita a transforma\u00e7\u00e3o das atitudes, a ressignifica\u00e7\u00e3o do aprender, e oportunidade de se revelar potencialidades, a criatividade e compet\u00eancias e sobretudo , neste contexto de minimizar os desafios da inclus\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080;\">BIBLIOGRAFIA<\/span><\/strong><\/p>\n<p>FAZENDA,Ivani(org.)Did\u00e1tica e Interdisciplinaridade. 16 ed.Papirus: Campinas. SP, 1998.<\/p>\n<p>______. A Pesquisa em educa\u00e7\u00e3o e as transforma\u00e7\u00f5es do conhecimento. 8 ed. Papirus : Campinas.SP, 2006.<\/p>\n<p>______. Pr\u00e1ticas Interdisciplinares na Escola.11ed. Editora Cortez:S\u00e3o Paulo.SP,.2009.<\/p>\n<p>GAINZA, Violeta H. de. Ense\u00f1anza de la M\u00fasica en el Jard\u00edn de Infantes. En:<br \/>\n35<\/p>\n<p>GERMANI, Celia C. de et al. Teor\u00eda y Pr\u00e1ctica de la Educaci\u00f3n Pr\u00e9-escolar. Buenos Aires: Eudeba, 1961.<\/p>\n<p>HERN\u00c1NDEZ, Fernando;VENTURA,Montserrat.A organiza\u00e7\u00e3o do Curr\u00edculo por projetos de trabalho.Porto Alegre.RS:Artmed,1998.<\/p>\n<p>IAVELBRG,Rosa.Para gostar de aprender arte.Porto Alegre.RS:Artmed ,2003.<\/p>\n<p>LIMA,Michele Fernandes.et al. A Fun\u00e7\u00e3o do Curr\u00edculo no contexto escolar.Curitiba:Ibpex,2011.<\/p>\n<p>LOURO, Viviane, (org.) M\u00fasica Inclus\u00e3o M\u00faltiplos Olhares.S\u00e3o Paulo. Editora Som:SP,2016<\/p>\n<p>MOREIRA,A.F.B.(org.).Curr\u00edculo \u2013Quest\u00f5es Atuais.17 ed.Papirus:Campinas.SP, 1997<\/p>\n<p>SELBACH,Selma(sup.). Arte e Did\u00e1tica. Petr\u00f3polis-RJ: Editora Vozes,2010.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000080;\">REFER\u00caNCIAS ELETR\u00d4NICA<\/span> <\/strong><\/p>\n<p>Artigo A Pedagogia de Projetos de Aprendizagem. Dispon\u00edvel em: http:\/\/4pilares.net\/ text- cont\/chaves-projetos.htm#I. Introdu\u00e7\u00e3o: A Escola e o Trabalho por Projetos<br \/>\nARTIGO BNCC &#8211; https:\/\/pnld.ftd.com.br\/post\/bncc-e-ensino-de-arte-parte-I<br \/>\nAprendizagem Significativa &#8211; https:\/\/pt.scribd.com\/document\/92760137\/MOREIRAMarco-Antonio-Aprendizagem-significativa-a-teoria-de-David-Ausubel-Moraes-1982<br \/>\nConcep\u00e7\u00f5es de aprendizagem&gt; http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid= S0102-4698201300010000<br \/>\nCurr\u00edculos sem Fronteiras &#8211; http:\/\/www.curriculosemfronteiras.org\/vol17iss3articles\/ macedo.pdf<br \/>\nCurr\u00edculo, Cultura e Sociedade &#8211; file:\/\/\/C:\/Users\/sousa\/OneDrive\/Documentos\/POS% 20NEURO \/Veiga%20Neto.pdf<br \/>\nDisciplina. Dispon\u00edvel em: http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Disciplina<br \/>\nLei de Inclus\u00e3o &#8211; http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato20152018\/2015\/lei\/l13146.htm<br \/>\n36<\/p>\n<p>Interdisciplinaridade . Dispon\u00edvel em : http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Interdisciplinaridade<br \/>\n\u00cdndice Inclus\u00e3o &#8211; http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/er\/n31\/n31a14.pdf<br \/>\nInterdisciplinaridade- http:\/\/pesquisa.italo.br\/index.php?journal=uniitalo&amp;page= article&amp;op =view&amp;path%5B%5D=210&amp;path%5B%5D=193<br \/>\nMusica e Inclus\u00e3o -http:\/\/www.iacat.com\/revista\/recrearte\/recrearte03\/ musicoterapia.htm<br \/>\nPar\u00e2metros Curriculares Nacionais. Dispon\u00edvel em : http: \/\/ portal. mec. gov. br\/ seb\/ arquivos\/ pdf\/livro01.pdf<br \/>\nSignificados de interdisciplinaridade .Dispon\u00edvel em:http: \/\/www. dicionarioinformal . com. br \/interdisciplinaridade\/<br \/>\nTeorias da Aprendizagem &#8211; https:\/\/novaescola.org.br\/conteudo\/1940\/teorias-daaprendizagem<br \/>\nhttp:\/\/www.cadernosdapedagogia.ufscar.br\/index.php\/cp\/article\/viewFile\/1043\/381<br \/>\nhttp:\/\/basenacionalcomum.mec.gov.br\/images\/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site. pdf<br \/>\nhttps:\/\/sites.google.com\/site\/projetodeaprendizagem2009\/projetos-de-aprendizagem-xprojetos-de-ensino<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>JUSSARA SILVA DE SOUSA SILVA &#8211; Pedagoga; Licenciada em Artes e M\u00fasica; P\u00f3s Graduada em Arte Educa\u00e7\u00e3o ; <span style=\"display: inline !important; float: none; background-color: #ffffff; color: #333333; cursor: text; font-family: Georgia,'Times New Roman','Bitstream Charter',Times,serif; font-size: 16px; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: 400; letter-spacing: normal; orphans: 2; text-align: left; text-decoration: none; text-indent: 0px; text-transform: none; -webkit-text-stroke-width: 0px; white-space: normal; word-spacing: 0px;\">P\u00f3s Graduada em\u00a0 Neuroeduca\u00e7\u00e3o Musical;\u00a0Professora de Artes e M\u00fasica; <\/span>Desenvolve Projetos de Inclus\u00e3o com Artes\/ M\u00fasica e\u00a0 Projetos Interdisciplinares utilizando a M\u00fasica como mediadora .<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Resumo Muitas s\u00e3o as formas de aprender em um ambiente escolar. 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