{"id":617,"date":"2020-02-14T20:16:06","date_gmt":"2020-02-14T22:16:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/?p=617"},"modified":"2020-02-14T20:16:06","modified_gmt":"2020-02-14T22:16:06","slug":"a-musica-como-instrumento-de-inclusao-dentro-das-escolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/a-musica-como-instrumento-de-inclusao-dentro-das-escolas\/","title":{"rendered":"A M\u00fasica como Instrumento de Inclus\u00e3o dentro das  Escolas."},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O presente trabalho tem como objetivo falar das vantagens da educa\u00e7\u00e3o musical dentro das salas de aulas, com o prop\u00f3sito de inclus\u00e3o social. Dentro do tema abordado, a inclus\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 relacionada necessariamente a portadores de educa\u00e7\u00e3o especial, mas sim ao processo de acolhimento das mais variadas e diferentes formas de pensar, sentir e fazer m\u00fasica. Nota-se que a m\u00fasica ainda \u00e9 um tema bastante discutido dentro da grade curricular escolar, visto que muitos acreditam que \u00e9 uma mat\u00e9ria que n\u00e3o ir\u00e1 agregar valor nenhuma ao desenvolvimento dos alunos. Contudo, estudos comprovam que a m\u00fasica tem grande poder de incluir aqueles que s\u00e3o diferentes dos demais, desenvolvendo principalmente aspectos f\u00edsicos e mentais por exigir dos alunos a aten\u00e7\u00e3o, criatividade, dinamismo e, tamb\u00e9m, trabalhar com o lado l\u00fadico. Para isso, os docentes devem estar preparados para lidar com todo e qualquer obst\u00e1culo que aparecer pela frente, inovando sempre seu processo de passar conhecimento.<\/p>\n<p>Palavras-chave: Educa\u00e7\u00e3o Musical; Inclus\u00e3o; Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica e Infantil; Escolas; Professores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A m\u00fasica sempre se fez presente durante o per\u00edodo escolar das crian\u00e7as, tanto para auxiliar no processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o quanto em rela\u00e7\u00e3o a atividades extracurriculares. Dentro do ambiente escolar, a m\u00fasica, em especial na Educa\u00e7\u00e3o Infantil e Ensino Fundamental, pode tamb\u00e9m ser trabalhada para quest\u00f5es inclusivas, visto que ser\u00e1 poss\u00edvel observar as diferen\u00e7as de cada um (individual) e tamb\u00e9m em uma perspectiva grupal, al\u00e9m de considerar o contexto da diversidade cultural e a abund\u00e2ncia musical que est\u00e1 presente nas escolas.<\/p>\n<p>Partindo dessa ideia, o objetivo principal do trabalho \u00e9 entender como a m\u00fasica tem papel fundamental para o desenvolvimento das crian\u00e7as dentro do ambiente escolar, principalmente em quest\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o inclusiva. \u00c9 importante ressaltar que o objeto do estudo n\u00e3o \u00e9 discutir os conceitos e defini\u00e7\u00f5es de inclus\u00e3o, mas sim se atentar a quest\u00e3o principal do assunto que envolve aceita\u00e7\u00e3o, acolhimento e naturalidade, independente de diferen\u00e7as culturais, sociais, biol\u00f3gicas ou qualquer outro tipo de diferen\u00e7a. Atualmente, \u00e9 de suma import\u00e2ncia a exist\u00eancia de um ambiente inclusivo nas pr\u00e1ticas musicais que ocorrem dentro das escolas, afinal, o compartilhamento e o pertencimento que a m\u00fasica causa quando se ouve, se faz e se frui deve ser algo acess\u00edvel para todas as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p>Falar sobre m\u00fasica dentro das escolas ainda \u00e9 um assunto que causa bastante pol\u00eamica, pois ao mesmo tempo que alguns acreditam que ela poder\u00e1 ajudar as crian\u00e7as em quest\u00f5es de desenvolvimento e alfabetiza\u00e7\u00e3o, outros acreditam que n\u00e3o h\u00e1 influ\u00eancia alguma entre m\u00fasica e educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio entender que m\u00fasica tamb\u00e9m \u00e9 hist\u00f3ria e cultura, logo, trazer essa pr\u00e1tica para a grade curricular escolar, \u00e9 fazer com que os alunos possam aprender de forma mais din\u00e2mica e interativa sobre os mais variados temas. Antes de fazer um pr\u00e9-julgamento em rela\u00e7\u00e3o ao tema (m\u00fasica nas escolas), deve-se fazer o levantamento de quais m\u00fasicas ser\u00e3o ensinadas, quais ser\u00e3o as atividades musicais administradas e quais os valores est\u00e9ticos e art\u00edsticos ser\u00e3o ensinados dentro das escolas.<\/p>\n<p>Lemos e Silva (2011) traz a ideia de que al\u00e9m dessas quest\u00f5es que acima foram levantadas, outras merecem ser colocadas em evid\u00eancia, pois o intuito das a\u00e7\u00f5es educativas, \u00e9 fazer com que a m\u00fasica seja uma atividade agregadora e uma importante caracter\u00edstica cultural utilizada para representar cada contexto hist\u00f3rico, social e cultural de cada pessoa ou de um grupo como um todo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A m\u00fasica, a dan\u00e7a, o corpo e seu visual t\u00eam sido os mediadores que articulam grupos que se agregam para produzir um som, dan\u00e7ar, trocar ideias, postar-se diante do mundo, alguns deles com projetos de interven\u00e7\u00e3o social. (DAYRELL, 2011, p. 03)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Partindo dessa ideia, entende-se que a arte \u00e9 uma forma de dizer ao mundo como as pessoas se sentem, entendem e constroem seus entendimentos de mundo e, sem d\u00favida alguma, a m\u00fasica se encaixa como um instrumento de comunica\u00e7\u00e3o e express\u00e3o. Para Lemos e Silva (2011), a m\u00fasica tamb\u00e9m \u00e9 vista como uma atividade socializante, pois \u00e9 naturalmente reveladora sobre quest\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m da prefer\u00eancia pessoal (gosto musical), diz respeito as formas como cada indiv\u00edduo ou grupo trabalha sua imagem atrav\u00e9s da m\u00fasica, seus desejos e suas intera\u00e7\u00f5es com o meio a que pertence. A m\u00fasica se faz presente na vida das pessoas atrav\u00e9s das hist\u00f3rias, sentimentos, lembran\u00e7as e, quando n\u00e3o, ela pode ser muitas vezes considerada a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da vida das pessoas. De forma simples e direta: h\u00e1 pessoas que a vida \u00e9 uma verdadeira m\u00fasica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da rela\u00e7\u00e3o sutil e individual que se cria com o meio sonoro, se pode abrir o espa\u00e7o de um auto reconhecimento de expectativas e incertezas, de viv\u00eancias do presente e de desejos em rela\u00e7\u00e3o ao futuro. A m\u00fasica \u00e9 a companheira \u00edntima e c\u00famplice da vida dos jovens, os acolhe nos momentos tristes e nos momentos de alegria. (TORTTI, 1999, p. 12)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda que estes aspectos tenham grande peso, dentro do ambiente escolar, a quest\u00e3o de diversidade cultural e tecnologia \u00e9 algo que que deve ser analisado minuciosamente, visto que a realidade \u00e9 m\u00faltipla, ao mesmo tempo que \u00e9 rica em particularidades, \u00e9 carente em estudos mais pontuais. Quando se fala em linguagens art\u00edsticas \u00e9 necess\u00e1rio tomar cuidado em todas as decis\u00f5es de a\u00e7\u00f5es educativas, para que ningu\u00e9m fique de fora e muito menos se ofenda com algo. \u00a0 Existe uma busca para que todas as vertentes da produ\u00e7\u00e3o musical possam ser acess\u00edveis para que possa ser evidenciado o car\u00e1ter multicultural e, se poss\u00edvel, o intercultural na pr\u00e1tica da m\u00fasica dentro das escolas, para que seja poss\u00edvel tamb\u00e9m trabalhar com outras quest\u00f5es conflitantes.<\/p>\n<p>Pontua-se, ent\u00e3o, a quest\u00e3o da inclus\u00e3o que, para Silva (2009), exige m\u00faltiplos saberes da pr\u00e1tica de qualquer professor, total mudan\u00e7a de atitudes, h\u00e1bitos e valores e \u00e9 de extrema import\u00e2ncia que ele se dedique totalmente com todos os alunos, um compromisso selado. Para a autora, os educadores devem demonstrar \u201cempenho, disponibilidade, predisposi\u00e7\u00e3o para a aprendizagem, qualifica\u00e7\u00e3o, exerc\u00edcio de pensar criticamente a pr\u00f3pria pr\u00e1tica e n\u00e3o conformidade com o discurso da acomoda\u00e7\u00e3o, do sil\u00eancio imposto\u201d (SILVA, 2009, p. 186).<\/p>\n<p>Para Costa (2015), a preocupa\u00e7\u00e3o com a prepara\u00e7\u00e3o do docente tamb\u00e9m \u00e9 algo evidenciado por ele, pois este acredita que para a leg\u00edtima inclus\u00e3o do aluno com defici\u00eancia, \u00e9 de suma import\u00e2ncia que haja uma investiga\u00e7\u00e3o do docente para que n\u00e3o se adeque somente as normas de reprodu\u00e7\u00e3o social da l\u00f3gica capitalista de produ\u00e7\u00e3o na escola, e que n\u00e3o compreende os m\u00e9todos pedag\u00f3gicos como suficientes para enfrentar os desafios da sala de aula. O educador que n\u00e3o tem autonomia nas tomadas de decis\u00f5es, apenas repetindo e reproduzindo a\u00e7\u00f5es hegem\u00f4nicas, que n\u00e3o questionam a realidade e, consequentemente, n\u00e3o mudam as atitudes, torna-se inerte e recusa um olhar mais atento ao aluno que necessita de aten\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n<p>O papel do professor de m\u00fasica \u00e9 saber lidar com a diversidade e considerar as pessoas com defici\u00eancia em sua pr\u00e1tica docente, para isso, torna-se necess\u00e1ria a compreens\u00e3o de que \u201ca m\u00fasica n\u00e3o pode ser um privil\u00e9gio de poucos\u201d (LOURO, 2006, p. 33) e que todos t\u00eam a capacidade de aprend\u00ea-la, al\u00e9m de ser um direito acess\u00edvel a todos. Partindo desse princ\u00edpio, ressalta-se que todos, incluindo os alunos com necessidades educacionais especiais, possuem a capacidade de construir conhecimentos e habilidades especificas referentes a arte musical, podendo ser de porte te\u00f3rico ou pr\u00e1tico instrumental.<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 muitos que afirmam que a pr\u00e1tica da m\u00fasica por esses alunos serve apenas como terapia, instrumento de reabilita\u00e7\u00e3o, recrea\u00e7\u00e3o ou socializa\u00e7\u00e3o. Em partes, essa afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 incorreta, pois \u201ca educa\u00e7\u00e3o musical, realizada por profissionais informados e conscientes de seu papel, educa e reabilita a todo momento, uma vez que afeta o indiv\u00edduo em seus aspectos principais: f\u00edsico, mental, emocional e social\u201d (LOURO, 2006, p. 27). Por\u00e9m, em um cen\u00e1rio em que o objetivo \u00e9 ensinar uma sala de aula a tocar um instrumento musical e dentro dessa sala possuir um aluno com algum tipo de defici\u00eancia, este tem como dever participar da aula ativamente e aprender a tocar o instrumento. \u00c9 obriga\u00e7\u00e3o da escola e do professor fazer as adapta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que isso seja poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Para que o professor possa alcan\u00e7ar bons resultados na pr\u00e1tica da m\u00fasica inclusiva, ele precisa passar por uma prepara\u00e7\u00e3o antecipadamente, de acordo com Louro (2012). A autora ainda aponta alguns pr\u00e9-requisitos para a forma\u00e7\u00e3o de um professor nesse caso (2012, p. 43):<\/p>\n<p>&#8211; Quebra de barreiras atitudinais;<\/p>\n<p>&#8211; Conhecimento mais profundo das defici\u00eancias;<\/p>\n<p>&#8211; Conhecimento pormenorizado do aluno;<\/p>\n<p>&#8211; Interc\u00e2mbio de informa\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p>&#8211; Defini\u00e7\u00f5es clara e realista das metas pedag\u00f3gico-musicais;<\/p>\n<p>&#8211; Estrat\u00e9gias diferenciadas para as aulas e avalia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Seguindo os pr\u00e9-requisitos da autora, de forma resumida, o primeiro item (quebra de barreiras atitudinais), leva a reflex\u00e3o sobre os preconceitos que est\u00e3o envolvidos na \u00e1rea musical, mesmo que este seja feito de forma inconsciente, como quest\u00f5es de talento, virtuosismo, do aluno ideal. Louro ainda menciona o estigma como uma das barreiras que devem ser quebradas, pois \u00e9 comumente visto pessoas julgarem que deficientes f\u00edsicos n\u00e3o s\u00e3o capazes de fazer m\u00fasica, ou ainda afirmam que incluir deficientes no meio musical \u00e9 um sinal de compaix\u00e3o. Isso deixa claro que uma pessoa com defici\u00eancia \u00e9 estigmatizada, al\u00e9m disso, devem ser evitados tamb\u00e9m a supervaloriza\u00e7\u00e3o e a infantiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A supervaloriza\u00e7\u00e3o \u00e9 \u201cacreditar que uma pessoa com defici\u00eancia possui algum tipo de capacidade superior apenas porque consegue realizar as mesmas tarefas que algu\u00e9m sem defici\u00eancia\u201d (LOURO, 2012, p. 46), tal afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o nociva quanto acreditar que ela n\u00e3o \u00e9 capaz. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o a infantiliza\u00e7\u00e3o, est\u00e1 diretamente ligada a infantilizar a voz, por exemplo, mesmo quando est\u00e1 sendo direcionada a um adulto. Aqui tamb\u00e9m \u00e9 comum a troca de presentes, a compensa\u00e7\u00e3o aos alunos com necessidades especiais por terem feito algo, com a justificativa de facilitar. Ambas a\u00e7\u00f5es provocam efeitos devastadores para o desenvolvimento destes alunos, impedindo-os de ter responsabilidade e independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Quanto ao \u201cter conhecimento mais profundo das defici\u00eancias\u201d, favorecer\u00e1 diretamente o professor, pois este saber\u00e1 as potencialidades e limita\u00e7\u00f5es dos alunos, fazendo orienta\u00e7\u00f5es devidas e planejando adequadamente as aulas, sem nenhum equ\u00edvoco por parte dos docentes, de acordo com Louro (2012).<\/p>\n<p>O terceiro item fala sobre o conhecimento pormenorizado do aluno, que quer dizer que quanto mais conhecimento o professor tiver a respeito sobre o aluno, mais preparado ele estar\u00e1 para saber lidar com todas os obst\u00e1culos que poder\u00e3o estar no caminho de suas aulas. Louro (2012) menciona que o professor precisa estar preparado tanto com informa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas referentes \u00e0 sa\u00fade quanto sobre as condi\u00e7\u00f5es de aprendizagem, como saber se o aluno \u00e9 ou n\u00e3o alfabetizado, seu grau de comprometimento cognitivo ou fun\u00e7\u00f5es psicomotoras, suas prefer\u00eancias por assuntos e suas dificuldades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e3o informa\u00e7\u00f5es fundamentais: o diagn\u00f3stico (a defici\u00eancia e suas implica\u00e7\u00f5es), o progn\u00f3stico (a tend\u00eancia da defici\u00eancia: progressiva ou est\u00e1vel), as condi\u00e7\u00f5es de aprendizagem e o hist\u00f3rico pessoal. Para que isso seja poss\u00edvel, \u00e9 necess\u00e1rio um di\u00e1logo aberto entre o professor, coordenador, gestor, aluno e fam\u00edlia, a fim de decidirem em conjunto quais informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o relevantes para um melhor aprendizado do aluno e quais s\u00e3o dispens\u00e1veis para n\u00e3o expor o aluno desnecessariamente. (SILVA, 2016, p. 05)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O \u201cinterc\u00e2mbio de informa\u00e7\u00f5es\u201d est\u00e1 diretamente relacionado as informa\u00e7\u00f5es extras que o professor precisa ter sobre o aluno, levando em considera\u00e7\u00e3o que normalmente alunos com necessidades especiais frequentam atividades como fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, psic\u00f3logos ou psiquiatras. Sabendo tais informa\u00e7\u00f5es, o professor poder\u00e1 trabalhar para um melhor desenvolvimento das potencialidades do aluno, segundo Louro (2012).<\/p>\n<p>Ao citar a \u201cdefini\u00e7\u00e3o clara e realista das metas pedag\u00f3gica-musicais\u201d, Louro (2012), baseou-se na ideia de que al\u00e9m de conhecer os alunos e as especificidades do local onde se est\u00e1 trabalhando, \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m pensar nos conte\u00fados e objetivos, que ir\u00e3o depender de diversas variantes: tipo de defici\u00eancia, potenciais de aprendizagem e faixa et\u00e1ria, tamanho da turma, proposta da aula e outras. O m\u00e9todo implicado ir\u00e1 depender dessas vari\u00e1veis.<\/p>\n<p>E por fim, o \u00faltimo requisito est\u00e1 direcionado as estrat\u00e9gias de aulas e avalia\u00e7\u00e3o, que incluem o tempo de aprendizado de uma pessoa com defici\u00eancia cognitiva, visto que este n\u00e3o ser\u00e1 o mesmo tempo para uma pessoa que n\u00e3o possui tal defici\u00eancia. Silva (2016) afirma que superar o desafio de dar uma aula coletiva \u00e9 criar estrat\u00e9gias diferentes para as variadas dificuldades dos alunos, fugindo de uma aula ma\u00e7ante onde s\u00f3 alguns conseguir\u00e3o aprender de forma correta o conte\u00fado.<\/p>\n<p>Hoje em dia, conta-se com algumas adapta\u00e7\u00f5es que podem ser instrumentais (tecnologia assistiva) ou pedag\u00f3gicas. A Tecnologia Assistiva \u00e9 definida como:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma \u00e1rea do conhecimento, de caracter\u00edstica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estrat\u00e9gias, pr\u00e1ticas e servi\u00e7os que objetivam promover a funcionalidade, relacionada \u00e0 atividade e participa\u00e7\u00e3o, de pessoas com defici\u00eancia, incapacidade ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independ\u00eancia, qualidade de vida e inclus\u00e3o social. (BRASIL, 2009, p. 9)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Brench (2013) completa que a Tecnologia Assistiva pode ser uma ajuda para promover a amplia\u00e7\u00e3o de uma habilidade funcional deficit\u00e1ria ou a realiza\u00e7\u00e3o de uma fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que se encontra impedida por conta da defici\u00eancia, visto que esses aux\u00edlios podem ter os mais variados objetivos, sendo inclu\u00eddos na vida di\u00e1ria e pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Nas aulas de m\u00fasica, as adapta\u00e7\u00f5es mais utilizadas s\u00e3o os dispositivos e adapta\u00e7\u00f5es instrumentais, tornando-os acess\u00edveis para quem for utiliz\u00e1-lo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Existem, ainda, as \u00f3rteses (geralmente fabricadas por profissionais da sa\u00fade para maximizar ou possibilitar \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de determinada tarefa). Como exemplo, pode-se citar \u00f3rteses feitas para quem n\u00e3o consegue fechar a m\u00e3o para segurar uma baqueta de bateria ou para tocar piano, quem n\u00e3o tem o movimento dos dedos. E, tamb\u00e9m, as pranchas de comunica\u00e7\u00e3o alternativa (que servem para possibilitar a comunica\u00e7\u00e3o com pessoas que possuem dificuldade ou totalmente impossibilidade de comunica\u00e7\u00e3o oral. Todas elas podem ser compradas j\u00e1 fabricadas ou podem ser constru\u00eddas artesanalmente, at\u00e9 mesmo com materiais alternativos. (LOURO, 2006, p. 6)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se caso ocorrer dessas adequa\u00e7\u00f5es instrumentais n\u00e3o serem necess\u00e1rias, \u00e9 prov\u00e1vel que outras precisem ser feitas, a fim de facilitar a aprendizagem do aluno com defici\u00eancia e garantir sua participa\u00e7\u00e3o integral em sala de aula. \u00c9 o exemplo dos arranjos musicais que, de acordo com Louro (2006), consiste em adaptar as m\u00fasicas considerando as possibilidades e limita\u00e7\u00f5es dos alunos, tanto para compreens\u00e3o musical como a\u00e7\u00e3o motora. E tamb\u00e9m as adapta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnico-musical que, para a autora, \u00e9 alterar as formas de tocar um instrumento ou os aspectos t\u00e9cnicos, sem que haja altera\u00e7\u00e3o no conte\u00fado da obra que est\u00e1 sendo executada. Um exemplo claro disso s\u00e3o as pessoas que n\u00e3o podem tocar piano com as m\u00e3os e, por sua vez, acabam aprendendo a tocar com os p\u00e9s.<\/p>\n<p>Existem in\u00fameras possibilidades para que haja a inclus\u00e3o de crian\u00e7as com defici\u00eancia no meio musical, e n\u00e3o h\u00e1 como negar a import\u00e2ncia da m\u00fasica para o desenvolvimento da mesma. Visto que podem ter vantagens de aspecto f\u00edsico como tamb\u00e9m intelectual. Sendo o planejamento um alicerce para aulas inclusivas, \u00e9 necess\u00e1rio questionar-se: como planejar aula para todos? Satinback (1999), diz que o professor precisa fazer tr\u00eas perguntas para si mesmo:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A primeira \u00e9: o aluno pode participar desta aula da mesma maneira que os outros alunos? A segunda \u00e9, se o aluno n\u00e3o \u00e9 capaz de participar plenamente sem acomoda\u00e7\u00f5es, que tipos de apoio e\/ou modifica\u00e7\u00f5es s\u00e3o necess\u00e1rios para a plena participa\u00e7\u00e3o do aluno nesta aula? A terceira pergunta \u00e9: que expectativas devem ser modificadas para garantir a plena participa\u00e7\u00e3o do aluno nesta aula? (STAINBACK; STAINBACK, 1999, p. 262-264).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessas perguntas, \u00e9 preciso que o professor esteja preparado, pois assim como em qualquer outra classe, o imprevis\u00edvel poder\u00e1 acontecer. Ou seja, trabalhar com a paci\u00eancia, criatividade, diversifica\u00e7\u00e3o de metodologias e atividades, flexibilidade do tempo e do pr\u00f3prio curr\u00edculo \u00e9 algo de suma import\u00e2ncia nesse processo. Entretanto, \u00e9 necess\u00e1rio destacar que, segundo Mantoan (2006), a inclus\u00e3o do aluno na sala de aula deve ser caracterizada por um processo, porque ao mesmo tempo que um problema \u00e9 solucionado, outros poder\u00e3o surgir, sendo que ser\u00e1 necess\u00e1rio trabalhar com respostas que ainda n\u00e3o foram solucionadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como fugir da ideia de que um aluno com defici\u00eancia gera o pensamento de que quando inserido em uma turma comum, ele se torna o centro de todos os problemas para o professor, ou seja, pr\u00e9-julga que somente aquele aluno \u00e9 diferente, enquanto os outros s\u00e3o normais, iguais. Mas, para Rodrigues (2006), incentiva os professores a olharem para toda a turma como alunos diferentes e pensar que o aluno com defici\u00eancia poder\u00e1 compartilhar momentos \u00fanicos com os demais colegas, fazendo com que os momentos de aprendizagem sejam \u00fanicos e tenham sempre algo a acrescentar. \u201c[&#8230;] esta aproxima\u00e7\u00e3o poder\u00e1 beneficiar, sem d\u00favida, alunos com dificuldade escolares que, por n\u00e3o terem uma condi\u00e7\u00e3o de defici\u00eancia identificada, n\u00e3o disp\u00f5e de pedagogia apropriada \u00e0s suas dificuldades\u201d (RODRIGUES, 2006, p. 315).<\/p>\n<p>Por fim, para que haja totalmente a inclus\u00e3o, deve partir do docente a mudan\u00e7a de pensamentos e a\u00e7\u00f5es. \u00c9 necess\u00e1rio criar o h\u00e1bito de estar sempre atr\u00e1s de coisas novas para que possa inovar sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente, existem diversas propostas e a\u00e7\u00f5es voltadas para a inclus\u00e3o, seja ela de qualquer natureza, tanto social, racial e \u00e9tnica. O que n\u00e3o d\u00e1 para negar \u00e9 que a\u00e7\u00f5es inclusivas demandam mudan\u00e7a de mentalidade e se fazem com ideias, viv\u00eancias, estudo e muita empatia ao pr\u00f3ximo. Por isso, \u00e9 correto afirmar que, para cada a\u00e7\u00e3o inclusiva, h\u00e1 de se conhecer a natureza de cada problema a ser tratado. Sendo assim, as quest\u00f5es de inclus\u00e3o social demandam conhecimento social, pol\u00edticas sociais, economia. Quanto as quest\u00f5es de inclus\u00e3o e acesso educacional, exigem conhecimentos pedag\u00f3gicos, da realidade educacional, do processo ensino-aprendizagem, ou seja, cada inclus\u00e3o tem sua particularidade.<\/p>\n<p>Inclus\u00e3o s\u00f3 acontece se houver acolhimento, mas tamb\u00e9m o conhecimento da realidade a fim de garantir o direito e a voz, o sentimento de pertencimento dos exclu\u00eddos. Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio defender o profissional com conhecimento musical para atuar nas escolas, visto que o professor com compet\u00eancia pedag\u00f3gico-musical comprometido com a rela\u00e7\u00e3o da inclus\u00e3o, abrir\u00e1 m\u00faltiplos caminhos para aquele aluno com necessidade especial, pois atrav\u00e9s da m\u00fasica, a vida deste pode mudar completamente.<\/p>\n<p>Conclui-se que a m\u00fasica se faz presente na vida do ser humano, seja ela de qual ra\u00e7a, credo ou cultura for. Sentir a m\u00fasica \u00e9 poder compreender a humanidade mais simples que h\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o de cada um. Ter a m\u00fasica como pr\u00e1tica inclusiva, certamente, depende de um comprometimento com uma educa\u00e7\u00e3o voltada o aspecto humanizado do universo escolar, em que as atividades educativas se configurem como exerc\u00edcios de respeito \u00e0s diferen\u00e7as e como oportunidade para express\u00e3o plena das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eacias<\/strong><\/p>\n<p>BERSCH, Rita<em>. <\/em><strong>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Tecnologia Assistiva<\/strong>. Porto Alegre, RS: 2013. Dispon\u00edvel em:&lt;<a href=\"http:\/\/www.assistiva.com.br\/\">http:\/\/www.assistiva.com.br\/<\/a>&gt;. Acesso em 14\/01\/2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BRASIL.<strong>Subsecretaria Nacional de Promo\u00e7\u00e3o dos Direitos da Pessoa com Defici\u00eancia<\/strong>. Comit\u00ea de Ajudas T\u00e9cnicas.\u00a0<em>Tecnologia Assistiva<\/em>. Bras\u00edlia: CORDE, 2009.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>COSTA, Valdel\u00facia Alves da. <strong>Forma\u00e7\u00e3o de professores e sua rela\u00e7\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o inclusiva:<\/strong> desafios \u00e0 experi\u00eancia te\u00f3rica nas pr\u00e1xis pedag\u00f3gicas.\u00a0<em>Educa\u00e7\u00e3o Especial<\/em>. SantaMaria, v. 28, n. 52, p. 405-416, maio\/ago. 2015.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>DAYRELL, Juarez. <strong>A m\u00fasica entra em cena:<\/strong> o rap e o funk na socializa\u00e7\u00e3o da juventude em Belo Horizonte. 2005. Tese (Doutorado em Educa\u00e7\u00e3o) \u2013 Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>LEMOS, Cristina; SILVA, Lydio Roberto. A m\u00fasica como uma pr\u00e1tica inclusiva na educa\u00e7\u00e3o. Dispon\u00edvel em &lt;http:\/\/periodicos.unespar.edu.br\/index.php\/incantare\/article\/viewFile\/188\/190&gt;. Acesso em 14\/01\/2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>LOURO, Viviane dos Santos.\u00a0<strong>Educa\u00e7\u00e3o musical e defici\u00eancia<\/strong><em>:\u00a0<\/em>propostas pedag\u00f3gicas. S\u00e3oJos\u00e9 dos Campos, SP: Ed. Do Autor, 2006.<\/p>\n<p>______.\u00a0<strong>Fundamentos da Aprendizagem Musical da pessoa com defici\u00eancia<\/strong><em>.\u00a0<\/em>S\u00e3o Paulo:Editora Som, 2012.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>RODRIGUES, David. <strong>Dez ideias (mal) feitas sobre a educa\u00e7\u00e3o inclusiva<\/strong>. S\u00e3o Paulo:Summus, 2006, p. 299-318.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MANTOAN, Maria Teresa Egl\u00e9r. <strong>Igualdade e diferen\u00e7as na escola<\/strong>: como andar no fio da navalha. S\u00e3o Paulo: Summus, 2006.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SILVA, Crislany Viana da. A educa\u00e7\u00e3o musical inclusiva na escola de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica: o que o professor de m\u00fasica precisa saber? Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/webcache.googleusercontent.com\/search?q=cache:http:\/\/www.editorarealize.com.br\/revistas\/cintedi\/trabalhos\/TRABALHO_EV060_MD1_SA3_ID3615_12102016224831.pdf&gt;. Acesso em 14\/01\/2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SILVA, Luzia Guacira. <strong>M\u00faltiplas representa\u00e7\u00f5es de docentes acerca da inclus\u00e3o de aluno cego<\/strong>. In: FAVERO, O; FERREIRA, W. (Org.).\u00a0<em>Tornar a Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva<\/em>. Bras\u00edlia:UNESCO, 2009.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>STAINBACK, Susan; STAINBACK, Willian.\u00a0<strong>Inclus\u00e3o:<\/strong> um guia para educadores. Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas, 1999.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>TORTI, Maria Teresa. L&#8217;officina dei sogni; arte e vitanell&#8217;underground. In: DAYRELL, Juarez<strong>. A m\u00fasica entra em cena:<\/strong> o rap e o funk na socializa\u00e7\u00e3o da juventude em Belo Horizonte. 2005. Tese (Doutorado em Educa\u00e7\u00e3o) \u2013 Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rita de C\u00e1ssia Rangel Monteiro Gomes &#8211; Licenciada em Artes, P\u00f3s Graduada em Musicaliza\u00e7\u00e3o Infantil e Coordenadora Geral da Pastoral da M\u00fasica Concatedral Santa Isabel da Hungria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O presente trabalho tem como objetivo falar das vantagens da educa\u00e7\u00e3o musical dentro das salas de aulas, com o prop\u00f3sito de inclus\u00e3o social. 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