{"id":612,"date":"2020-02-01T16:41:58","date_gmt":"2020-02-01T18:41:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/?p=612"},"modified":"2020-02-01T16:41:58","modified_gmt":"2020-02-01T18:41:58","slug":"a-relacao-entre-musica-e-espontaneidade-uma-reflexao-psicodramatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/a-relacao-entre-musica-e-espontaneidade-uma-reflexao-psicodramatica\/","title":{"rendered":"A Rela\u00e7\u00e3o entre M\u00fasica e Espontaneidade:  Uma  Reflex\u00e3o  Psicodram\u00e1tica."},"content":{"rendered":"<p>A m\u00fasica provoca diversos est\u00edmulos cerebrais no ser humano trazendo um reflexo significativo em sua estrutura e rea\u00e7\u00e3o psicoemocional, e, portanto, \u00e9 relevante pensar sobre o elemento chave de tais rea\u00e7\u00f5es, a espontaneidade. Define-se espontaneidade como car\u00e1ter daquilo que \u00e9 espont\u00e2neo, naturalidade, facilidade, mas seu sentido e significado s\u00e3o amplos e necessita de aprofundamento. A Teoria Moreniana de Jacob Levy Moreno traz a base principal para a reflex\u00e3o proposta. O objetivo deste artigo \u00e9 trazer uma reflex\u00e3o, baseada no conceito de espontaneidade de Moreno, que aborde a m\u00fasica como meio de est\u00edmulo \u00e0 espontaneidade humana em sua express\u00e3o, tema este, pouco explorado, considerando a espontaneidade um elemento fundamental \u00e0 exist\u00eancia e \u00e0 capacidade expressiva do homem.<\/p>\n<p>Palavras-chave: M\u00fasica. Espontaneidade. Espont\u00e2neo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #333399;\">INTRODU\u00c7\u00c3O<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #ff0000;\">Voc\u00ea tem que cantar como se n\u00e3o precisasse de<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\">dinheiro, amar como se voc\u00ea nunca fosse se ferir.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\">Voc\u00ea tem que dan\u00e7ar como se ningu\u00e9m estivesse<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\">olhando. Isso tem que vir do cora\u00e7\u00e3o, se voc\u00ea<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\">quiser que d\u00ea certo.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #ff0000;\">(Susannah Clark apud Shapiro)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A m\u00fasica \u00e9 apreciada no mundo inteiro de forma peculiar e \u00fanica, mas ao mesmo\u00a0 tempo traz identifica\u00e7\u00e3o ampla, que consegue abranger muitas pessoas de diferentes culturas, costumes e viv\u00eancias. A viv\u00eancia do ser humano com a m\u00fasica vem de muitos e muitos s\u00e9culos, e quem gosta de m\u00fasica n\u00e3o precisa ser m\u00fasico profissional nem t\u00e3o pouco entender sobre o assunto, pois a aprecia\u00e7\u00e3o musical \u00e9 algo nato ao ser humano, sua natureza \u00e9 constitu\u00edda com este elemento desde muito pequeno.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O ser humano \u00e9 simplesmente \u201ctomado\u201d pela m\u00fasica, o som, a sonoridade, os arranjos, combina\u00e7\u00e3o de instrumento, vozes, ritmo, melodias, harmonias e tudo mais que comp\u00f5em uma can\u00e7\u00e3o tornam-se um meio de no qual as pessoas s\u00e3o provocadas a terem diversas sensa\u00e7\u00f5es, emo\u00e7\u00f5es, experi\u00eancias que estimulam o corpo a variadas rea\u00e7\u00f5es, de forma que tais rea\u00e7\u00f5es, corporais e\/ou mentais, na maioria das vezes, s\u00e3o emitidas de maneira autom\u00e1tica, ou seja, sem controle algum, quase que instantaneamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">N\u00e3o s\u00e3o poucos os relatos que trazem em seu discurso a frase de que \u201ca m\u00fasica me leva para outro lugar\u201d, o que nos leva a acreditar que a m\u00fasica \u00e9 uma forma de express\u00e3o art\u00edstica capaz de despertar no ser humano sensa\u00e7\u00f5es fortes o suficiente que levam a sua mente ao \u201cdel\u00edrio\u201d, ou seja, a imaginar, a criar, a vivenciar momentos que podem parecer estar em um plano paralelo \u00e0 realidade vivida no presente (RUUD, 1190; SEKEF, 2002; SEKEFF, 2002; LIMA, 2003; MUSZKAT, 2012; ROCHA; BOGGIO, 2013).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Ao longo nos anos, a m\u00fasica tem sido alvo de muitos estudos abrangendo as mais diversas \u00e1reas, tais estudos t\u00eam destacado que ela (m\u00fasica) n\u00e3o se limita apenas como um meio de express\u00e3o art\u00edstica ou uma forma de entretenimento, mas mostra-se eficaz inclusive como meio de tratamento na \u00e1rea da sa\u00fade, mostrando-se eficaz e extremamente \u00fatil em casos\u00a0de sa\u00fade mental, emocional e psicol\u00f3gica (BORCHGREVINK, 1991; BERGOLD; ALVIM;<br \/>\nCABRAL, 2006; BR\u00c9SCIA, 2009; BRETAS, 2013; SIQUEIRA; LAGO, 2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Nos diversos estudos e pesquisas em neuroci\u00eancia a m\u00fasica mostrou-se como uma forma de est\u00edmulo que atinge o c\u00e9rebro de forma ampla, capaz de atingir diversas \u00e1reas, estimulando neur\u00f4nios a realizarem uma variedade de liga\u00e7\u00f5es sin\u00e1pticas tanto atrav\u00e9s do sistema auditivo quanto pelo sistema senso-perceptivo, atrav\u00e9s das vibra\u00e7\u00f5es detectadas pelos \u00f3rg\u00e3os do sentido, al\u00e9m de promover ativa\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel do sistema l\u00edmbico, relacionado \u00e0<br \/>\nintui\u00e7\u00e3o e ao sentimento (ANDRADE, 2004; MUSZKAT, CORREIA; CAMPOS, 2000; MUSZKAT, 2012; ROCHA; BOGGIO, 2013; VARGAS, 2012).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Se a m\u00fasica \u00e9 capaz de provocar tais est\u00edmulos cerebrais no ser humano, h\u00e1 de se buscar entender o elemento chave de tais rea\u00e7\u00f5es a ela, a espontaneidade, que, de acordo com o Dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio online (FERREIRA, 2013), define-se pelo car\u00e1ter daquilo que \u00e9 espont\u00e2neo, naturalidade, facilidade. Tal defini\u00e7\u00e3o \u00e9 limitada, n\u00e3o sendo poss\u00edvel trazer um esclarecimento mais amplo e conceitual, e para tanto, precisaremos lan\u00e7ar m\u00e3o da \u00e1rea de estudos sobre comportamento humano para entendermos melhor o conceito, a psicologia, que aponta para o estudo de fen\u00f4menos, considerando o contexto em que estes ocorrem. Desta forma \u00e9 preciso aprofundar-se a respeito da espontaneidade para que haja maior compreens\u00e3o a seu respeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O principal pesquisador e estudioso sobre a espontaneidade, dentro da \u00e1rea da psicologia, chama-se Jacob Levy Moreno, idealizador da linha do Psicodrama. Seu conceito e defini\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a base principal para a reflex\u00e3o proposta sobre a rela\u00e7\u00e3o entre m\u00fasica e espontaneidade. Este artigo tem como objetivo trazer uma reflex\u00e3o, baseada no conceito de espontaneidade de Moreno, sobre a influ\u00eancia da m\u00fasica como meio de est\u00edmulo \u00e0 espontaneidade humana, sendo apresentada como um dos principais e mais importantes meios de liga\u00e7\u00e3o entre o homem e suas emo\u00e7\u00f5es, capaz de provocar rea\u00e7\u00f5es involunt\u00e1rias em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mesma, buscando trazer um sentido reflexivo sobre a express\u00e3o popular \u201ctomado pela m\u00fasica\u201d, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 rea\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, ou seja, sem pensar muito no que est\u00e1 fazendo ou o porqu\u00ea de estar agindo de determinada forma naquele exato momento, induzido, portanto, pelo potencial \u201cpoder\u201d da m\u00fasica.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O elemento espontaneidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica \u00e9 um tema pouco explorado, e, portanto, importante foco de reflex\u00e3o para que se possa entender um pouco mais sobre os despertamentos comportamentais e emocionais de express\u00e3o e rea\u00e7\u00e3o que a m\u00fasica provoca no ser humano e o quanto ela pode contribuir para o est\u00edmulo e incentivo \u00e0 express\u00e3o\u00a0 espont\u00e2nea, considerando a espontaneidade um elemento fundamental \u00e0 exist\u00eancia e \u00e0 capacidade expressiva do homem (COELHO, 2013).<\/p>\n<p>O presente trabalho \u00e9 uma revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica do tipo explorat\u00f3ria, tendo como objetivo proporcionar familiaridade com o tema, no intuito de construir hip\u00f3teses, sendo, portanto, \u201crealizado especialmente quando o tema escolhido \u00e9 pouco explorado e torna-se dif\u00edcil formular hip\u00f3teses precisas e operacionaliz\u00e1veis sobre ele\u201d (GIL, 2008, p. 27), baseada em uma pesquisa limitada as produ\u00e7\u00f5es nacionais, ou seja, produzidas no Brasil escritos em portugu\u00eas. A pesquisa utilizou-se do ve\u00edculo de acesso a publica\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis na INTERNET, atrav\u00e9s de buscas realizadas nas seguintes plataformas: Biblioteca Virtual em Sa\u00fade Psicologia (BVS-Psi) Brasil; Peri\u00f3dicos Eletr\u00f4nicos em Psicologia (PEPSIC); Scientific Electronic Library Online (SciELO); Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (CAPES); Instituto Brasileiro de Informa\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancia e Tecnologia (IBICT), Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o Musical (ABEM) e na p\u00e1gina da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psicodrama (FEBRAP).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #000080;\">\u00a0Jacob Levy Moreno e a espontaneidade<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Dedicou-se ao teatro durante a maior parte de sua juventude, e esta dedica\u00e7\u00e3o trouxe lhe refer\u00eancias para elaborar sua teoria enquanto psic\u00f3logo e psicoterapeuta, buscando revolucionar essa forma de express\u00e3o cultural, criticando os tipos de ensaios minuciosos realizados pelos atores, que de acordo com ele, trazia pouca produ\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea. Desta forma, Moreno descobriu a potencialidade terap\u00eautica do teatro e inicia sua trajet\u00f3ria para desenvolver sua teoria da espontaneidade a partir de suas experi\u00eancias com o grupo, transformando o Teatro Terap\u00eautico no Psicodrama Terap\u00eautico, quando em 1925 inicia a estrutura\u00e7\u00e3o e efetiva\u00e7\u00e3o do Psicodrama, em 1931 introduz a Psicoterapia de Grupo como termo oficialmente cient\u00edfico, e em 1944 estabelece o Psicodrama como psicoterapia<br \/>\n(GON\u00c7ALVES; WOLFF; ALMEIDA, 1988; MONTEIRO, 1993).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Moreno, enquanto psicoterapeuta, no desenvolvimento de sua teoria direcionada a espontaneidade, considerou a dificuldade que a maioria das pessoas possui de conseguir se expressar, seja verbalmente, com o corpo, express\u00e3o facial, emo\u00e7\u00f5es e etc, e assim, para melhor compreender este processo, identifica a necessidade de retomar ao conceito de catarse tanto de Arist\u00f3teles quanto o trazido pelas religi\u00f5es orientais. Arist\u00f3teles refere-se a catarse como a libera\u00e7\u00e3o de uma descarga de emo\u00e7\u00f5es, como por exemplo um espectador quando assiste a um espet\u00e1culo de trag\u00e9dia grega, e as religi\u00f5es orientais trazem a figura do santo, que antes de salvar algu\u00e9m, precisa praticar a\u00e7\u00f5es para salvar a si mesmo. Portanto, identifica-se que enquanto uma limita-se a uma catarse passiva, situada no campo simb\u00f3lico, e a outra, sugere uma catarse ativa, situada no sujeito vivo em busca de purga\u00e7\u00e3o (FOX, 2002).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Ap\u00f3s diversas experimenta\u00e7\u00f5es e pesquisa, Moreno chega ao formato ideal de sua teoria e pr\u00e1tica psicoterap\u00eautica, desenvolvendo t\u00e9cnicas que aprimoraram suas pr\u00e1ticas enquanto psicodramatista, estabelecendo assim, o Psicodrama, definindo a espontaneidade como a teoria da a\u00e7\u00e3o, e de acordo com sua defini\u00e7\u00e3o, a espontaneidade \u00e9 a experi\u00eancia de uma a\u00e7\u00e3o livre, que diz respeito ao ser espont\u00e2neo e criativo do homem, na sua rela\u00e7\u00e3o com o<br \/>\nmundo e com o outro (MORENO, 1997).] Para Moreno a espontaneidade \u00e9 considerada um fator, denominado fator \u201ce\u201d, que nasce com o ser humano, surgindo diante da condi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel que Moreno chamou de status nascendi, sendo este o momento do nascimento da crian\u00e7a, em um estado livre para experimentar e agir sobre o momento de nascer de forma aut\u00f4noma (GON\u00c7ALVES; WOLFF; ALMEIDA, 1988).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">De acordo com seus estudos, a espontaneidade foi sendo perdida ao longo dos anos e esta perda tem forte liga\u00e7\u00e3o com as conservas culturais (conjunto de regras socialmente aceitas) que pouco a pouco foram bloqueando e barrando a manifesta\u00e7\u00e3o livre do homem, considerando que desde nossa ancestralidade, a pr\u00e1tica do \u201cagir livremente\u201d foi (\u00e9) considerado uma amea\u00e7a, por temer o n\u00e3o controle das manifesta\u00e7\u00f5es sociais e individuais da\u00a0 massa, garantindo uma heran\u00e7a cultural de regras e padr\u00f5es transmitidos de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o (MORENO, 1977).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Para Moreno (1997) e de acordo com sua teoria da espontaneidade, n\u00e3o h\u00e1 um \u201climite de a\u00e7\u00e3o\u201d, o que de fato existe \u00e9 o lugar do momento, que conduz o pensamento humano durante toda a sua exist\u00eancia, \u00e9 o momento de ser, de viver e de criar, ou seja, \u00e9 no o lugar do momento que o indiv\u00edduo percebe o surgimento de algo novo, em um universo aberto e cheio\u00a0com diversas possibilidades, percep\u00e7\u00e3o esta que se torna um est\u00edmulo para que a pessoa responsa \u00e0 mudan\u00e7a, tornando aquele determinado momento particular e \u00fanico, sem v\u00ednculo com momentos passados ou futuros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><span style=\"color: #000080;\">O homem e a m\u00fasica.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O homem busca, desde muito pequeno, diversas formas de interagir e de se comunicar, antes mesmo de ter consci\u00eancia disso, pois esta intera\u00e7\u00e3o inata ocorre desde a vida intrauterina, quando tem o primeiro contato com o som atrav\u00e9s de um contato intenso com a m\u00e3e, experimentando as vibra\u00e7\u00f5es, conhecendo uma variedade de som, desde a vibra\u00e7\u00e3o corp\u00f3rea at\u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o do som da voz da m\u00e3e e de outras pessoas e coisas, agu\u00e7ando sua percep\u00e7\u00e3o do mundo externo, percebendo este mundo, ainda n\u00e3o conhecido, atrav\u00e9s dos est\u00edmulos emitidos por ele (mundo), intermediado pela m\u00e3e, que ainda o \u201cprotege\u201d em seu ventre (MATIAS, 1999; NUNES, 2009).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O primeiro reconhecimento de som ap\u00f3s o nascimento \u00e9 o da voz da m\u00e3e, onde o beb\u00ea automaticamente a identifica e a associa ao prazer relacionado ao calor, seguran\u00e7a e alimento, remetendo-o \u00e0s lembran\u00e7as de sua vida intrauterina, muitos destes sons externos, completamente desconhecidos, s\u00e3o identificados como amea\u00e7adores, e portanto, por muitas vezes provocar\u00e3o rea\u00e7\u00f5es de medo, at\u00e9 que se tornem reconhecidos e aprendidos (SEKEFF,<br \/>\n2002). Conforme cresce, o homem vai aprendendo a conviver neste mundo, neste ambiente at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido e passa a experimentar formas de se comunicar, maneiras de expressar-se no mundo e a interagir, passando a compreender melhor esse universo sonoro que compreende a mistura de sons externos e internos (VYGOTSKY, 1991).<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O ritmo do pulsar do cora\u00e7\u00e3o da m\u00e3e \u00e9 o primeiro contato que a crian\u00e7a tem em rela\u00e7\u00e3o a m\u00fasica, \u00e9 sua primeira refer\u00eancia de uma representa\u00e7\u00e3o musical. At\u00e9 mesmo antes de a crian\u00e7a conseguir falar \u00e9 poss\u00edvel observar beb\u00ea tentando arriscar uma ou outra \u201ccantoria\u201d, chegando a produzir sons com a boca ao balbuciar (JEANDOT, 1977).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nossas viv\u00eancias enquanto seres em rela\u00e7\u00e3o podem nos trazer consequ\u00eancias boas ou ruins, e tais viv\u00eancias influenciam como crescemos e amadurecemos ao longo de nossa vida. Tudo o que aprendemos quando crian\u00e7a nos trar\u00e1 uma vida adulta de acordo com esses ensinamentos, seremos fruto de nossas viv\u00eancias, desde os primeiros dias de vida, portanto, o desenvolvimento humano \u00e9 constru\u00eddo nessa trajet\u00f3ria e sua fase adulta est\u00e1 empiricamente ligada a sua fase infantil, consequentemente aprendemos muito por imita\u00e7\u00e3o, portanto, observamos e repetimos comportamentos, e assim, nos tornamos reflexo de pessoas, ambientes e situa\u00e7\u00f5es que identificamos neste meio (VYGOTSKY, 1991).<\/p>\n<p>A Teoria Moreniana diz que somos direcionados e orientados por teorias de valores, e acabamos desenvolvendo pensamentos e comportamentos direcionados ao outro, havendo uma preocupa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 forma que o outro nos v\u00ea, nos avalia e nos julga, e \u00e9 neste ponto que a Teoria de Moreno questiona sobre o quanto tais regras e valores estariam trazendo um bloqueio \u00e0 express\u00e3o da subjetividade do homem, na maneira como se expressa e se mostra no mundo, destacando a import\u00e2ncia do homem encontrar maneiras de expressar-se de forma aut\u00f4noma e aut\u00eantica, sem reservas (GON\u00c7ALVES; WOLFF; ALMEIDA, 1988).<\/p>\n<p>Dentre os diversos meios que o homem encontrou e criou para expressar-se no mundo, a m\u00fasica pode ser considerada uma forma de express\u00e3o significativa \u00e0 sua subjetividade, enquanto arte, assim como o teatro a dan\u00e7a, a pintura, a literatura, etc. Para al\u00e9m das artes como um meio ou um fim em si mesma, a m\u00fasica conquistou espa\u00e7o como meio terap\u00eautico na promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade do homem enquanto pr\u00e1tica terap\u00eautica denominada Musicoterapia,<br \/>\nfirmada por Everett Thayer Gaston em 1944 (Michigan State University) nos Estados Unidos, no intuito de trazer melhorias aos problemas tanto de ordem org\u00e2nica quanto emocional, trazendo benef\u00edcios \u00e0 express\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es, sentimentos e ang\u00fastias (CHAGAS; PEDRO,2008).<\/p>\n<p>A m\u00fasica tem sido alvo de v\u00e1rios estudos referentes \u00e0s ci\u00eancias humanas, a psicologia, por exemplo, que tem investidos diversos estudos e pesquisas para investigar sobre as a\u00e7\u00f5es e os efeitos da m\u00fasica no homem, avaliando o quanto esta arte tem interferido nas emo\u00e7\u00f5es e no comportamento humano, trazendo um destaque a sua relev\u00e2ncia desde o in\u00edcio dos s\u00e9culos tanto no meio social e quanto na pr\u00f3pria cultura, influenciando na constru\u00e7\u00e3o do ser humano desde os prim\u00f3rdios (VARGAS, 2012).<\/p>\n<p>Portanto, refletir sobre a m\u00fasica enquanto meio e uma forma da express\u00e3o da subjetividade humana n\u00e3o pode estar limitada apenas \u00e0 pr\u00e1tica musical propriamente dita, mas se faz necess\u00e1rio entender como a express\u00e3o ocorre, o elemento que a impulsiona a existir, a ser efetiva de fato, e neste quesito \u00e9 que apresenta-se o conceito da espontaneidade, que n\u00e3o \u00e9 uma tarefa muito simples, tendo em vista a abrang\u00eancia de diversos elementos existentes para que a mesma aconte\u00e7a. Ser espont\u00e2neo nos leva-nos pensar um pouco mais sobre as formas de express\u00e3o manifesta pelo homem, dentre elas, a m\u00fasica, escolhida como foco para abordarmos sobre a espontaneidade enquanto elemento fundamental a expressividade do homem no contato com sua subjetividade do ser e do criar \u2013 a m\u00fasica.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #333399;\">A M\u00fasica e a espontaneidade.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>A m\u00fasica \u00e9 um recurso utilizado tanto pela musicoterapia quanto pelo psicodrama como um aux\u00edlio na express\u00e3o do indiv\u00edduo, o que as diferencia \u00e9 o instrumento de base, sendo que, enquanto para a m\u00fasica \u00e9 um instrumento essencial e fundamental, para o psicodrama a m\u00fasica \u00e9 um recurso terap\u00eautico de resultados pr\u00e1ticos, com significativos e signific\u00e2ncias importantes no processo da constitui\u00e7\u00e3o do homem enquanto ser humano em a\u00e7\u00e3o no mundo (CRUZ, 2008; LIMA, 2003).<\/p>\n<p>Sendo assim, a m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 mais vista apenas como uma forma de arte, com a finalidade, mas tem sido valorizada enquanto recurso importante e consideravelmente eficaz ao ajudar na promo\u00e7\u00e3o da qualidade de vida do das pessoas, trazendo melhorias em rela\u00e7\u00e3o receptividade do indiv\u00edduo no contato com o mundo externo, auxiliando \u00e0queles que possuem alguma dificuldade nos momentos de intera\u00e7\u00e3o com o outro, na manifesta\u00e7\u00e3o de suas ang\u00fastias, express\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o de sentimentos e emo\u00e7\u00f5es, ajudando-os a externaliz\u00e1-los . (RUUD, 1990).<\/p>\n<p>Neste sentido, \u00e9 muito importante trazer uma reflex\u00e3o a respeito da m\u00fasica enquanto um caminho potencialmente eficaz de acesso \u00e0 espontaneidade. Pensar em maneiras de condicion\u00e1-la como um recurso \u00fatil capaz de acessar conte\u00fados internos, trazendo-os \u00e0 tona atrav\u00e9s da viv\u00eancia e da experimenta\u00e7\u00e3o musical. Tal recurso poder\u00e1 proporcionar uma variedade de experi\u00eancias atemporais, podendo surgir em nosso contexto como um apelo, na<br \/>\ntentativa incans\u00e1vel de se conseguir um contato mais pr\u00f3ximo com a espontaneidade, no reconhecimento de si mesmo, de sua pr\u00f3pria constitui\u00e7\u00e3o enquanto indiv\u00edduo e ser em processo de constru\u00e7\u00e3o de si mesmo. Portanto, assim, reconhecendo-se e aperfei\u00e7oando-se mediante as experimenta\u00e7\u00f5es e viv\u00eancias que despertem e incentivem a espontaneidade na express\u00e3o da subjetividade e particularidade de cada indiv\u00edduo, respeitando as devidas particularidades e peculiaridades de cada ser, considerando-se a hip\u00f3tese de que a m\u00fasica como uma porta escancarada de possibilidades ao ser expressivo e livre (COELHO, 2013).<\/p>\n<p>Para que seja poss\u00edvel esta reflex\u00e3o, se faz necess\u00e1rio retomar alguns pontos a respeito do conceito de espontaneidade definida dentro da Teoria Moreniana sob a abordagem do Psicodrama seguindo sua linha psicodram\u00e1tica. \u00c9 preciso trazer o esclarecimento de que, ao contr\u00e1rio do que a maioria das pessoas pensa, espontaneidade n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de impulsividade. Impulso \u00e9 associado ao descontrole ou diminui\u00e7\u00e3o do controle, levando o indiv\u00edduo a agir impulsivamente, vinculada \u00e0 emo\u00e7\u00e3o e \u00e0 a\u00e7\u00e3o. A espontaneidade remete-se a livre vontade, podendo estar presente tanto na forma de pensar e sentir (repouso) quanto no desempenho de uma a\u00e7\u00e3o\/tarefa do indiv\u00edduo (MORENO, 1997).<\/p>\n<p>A livre vontade pode ser uma condi\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria que proporciona a n\u00f3s, oportunidades \u00fanicas de criar, ou seja, dentro desta condi\u00e7\u00e3o de ser\/estar livre \u00e9 que se poder\u00e1 conseguir trazer algo novo ao mundo, colocando o ser criativo em a\u00e7\u00e3o. Uma pessoa criativa n\u00e3o implica necessariamente no fato dela ser automaticamente espont\u00e2nea. H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre uma pessoa que \u00e9 espont\u00e2nea e criativa e uma pessoa criativa, mas pouco espont\u00e2nea ou\u00a0 n\u00e3o espont\u00e2nea (MORENO, 1992).<\/p>\n<p>Um indiv\u00edduo espont\u00e2neo e criativo consegue aproveitar melhor o recurso que possui a sua disposi\u00e7\u00e3o, como intelig\u00eancia, mem\u00f3ria, aptid\u00f5es, assim, mesmo que a segunda pessoa tenha todos estes adjetivos de forma superior a primeira, a espontaneidade que a primeira pessoa tem, faz com que tais recursos (adjetivos, qualidade, caracter\u00edstica) sejam potencializados. Portanto, espontaneidade e criatividade n\u00e3o s\u00e3o concomitantes, classificam se como categorias diferentes, mas que podem se unir de forma estrat\u00e9gica, compreendendo que \u201ca criatividade sem a espontaneidade n\u00e3o tem vida [&#8230;] \u00e9 vazia e abortiva\u201d (MORENO, 1992, p.147), sendo uma subst\u00e2ncia e a outra catalisadora, respectivamente.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #333399;\">A espontaneidade atrav\u00e9s da m\u00fasica.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>A forma mais primitiva do homem fazer m\u00fasica foi atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o da voz e do pr\u00f3prio corpo, e posteriormente, com o passar nos anos, foi se aperfei\u00e7oando de acordo com sua necessidade, produzindo e criando meios de fazer m\u00fasica, construiu instrumentos musicais e elaborou a escrita musical, como forma de registr\u00e1-la e organiz\u00e1-la (STEWART, 1987).<\/p>\n<p>Moreno (1997), estudando a trajet\u00f3ria humana em rela\u00e7\u00e3o a arte musical, observou que ao longo dos tempos o homem come\u00e7ou a ficar preso \u00e0s formalidades e padroniza\u00e7\u00f5es musicais, fazendo com que a sua espontaneidade fosse diminuindo (ou pouco usada) na cria\u00e7\u00e3o de sua m\u00fasica, cedendo a formas conservadoras de produzir sua arte musical, e\u00a0percebeu que nesse processo o homem come\u00e7ou a distanciar-se de sua ess\u00eancia criativa e ligou-se mais \u00e0s conservas culturais no formato de escrita e nota\u00e7\u00e3o musical, tornando-se menos prop\u00edcio \u00e0 mudan\u00e7a e a liberdade de cria\u00e7\u00e3o, limitando sua capacidade criadora, distanciando-se, assim, de sua ess\u00eancia espont\u00e2nea em rela\u00e7\u00e3o a manifesta\u00e7\u00e3o e express\u00e3o musical, a forma primordial de produzir m\u00fasica, o corpo.<\/p>\n<p>Diante da identifica\u00e7\u00e3o de uma lacuna no que se refere atualmente como \u201cbloqueio criativo\u201d, na \u00e9poca identificada como dificuldade de desempenho (tanto na cria\u00e7\u00e3o quanto em rela\u00e7\u00e3o ao momento de se apresentarem em p\u00fablico), Moreno traz uma proposta de trabalho que traria uma abordagem na qual ele poderia trabalhar e desenvolver a espontaneidade nos m\u00fasicos, m\u00fasicos estes que necessitavam deste elemento (espontaneidade) para compor suas can\u00e7\u00f5es e expressarem-se artisticamente tamb\u00e9m para outras pessoas, al\u00e9m de proporcionar tamb\u00e9m \u00e0s pessoas comuns o acesso \u00e0 m\u00fasica, proporcionando um contato potencial em um ambiente livre criar sons, considerando o bloqueio que poderiam ter em rela\u00e7\u00e3o ao sentimento de constrangimento por n\u00e3o serem \u201cbons\u201d para a m\u00fasica ou n\u00e3o saber faz\u00ea-la.\u00a0 A esta t\u00e9cnica chamou de psicom\u00fasica (VALONGO, 1993).<\/p>\n<p>A psicom\u00fasica \u00e9 dividida em duas formas: forma org\u00e2nica e forma instrumental. Enquanto forma org\u00e2nica o pr\u00f3prio corpo \u00e9 utilizado como o instrumento de execu\u00e7\u00e3o musical considerando os elementos funcionais como a voz e sons produzidos atrav\u00e9s de batidas realizadas no pr\u00f3prio corpo, e a forma instrumental, por sua vez, realizada atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais, exercendo fun\u00e7\u00f5es diversas e cumprindo o papel de ser uma extens\u00e3o da espontaneidade do organismo da pessoa (MORENO, 1997; VALONGO, 1993).<\/p>\n<p>Ambas as formas s\u00e3o v\u00e1lidas e funcionais no que se refere ao trabalho da espontaneidade, destacando-se a import\u00e2ncia de sempre considerar-se de forma essencial a maneira com que o indiv\u00edduo acessa tais formas, e a escolha a respeito da forma da psicom\u00fasica (se org\u00e2nica ou instrumental) ir\u00e1 depender do p\u00fablico pretendido para o trabalho e do objetivo a ser alcan\u00e7ado (MORENO, 1977).<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #333399;\">Resultados e Discuss\u00e3o.<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Considerando-se os muitos estudos pesquisados, baseando-se em produ\u00e7\u00f5es nacionais existentes no meio acad\u00eamico, livros, artigos, monografias, foi poss\u00edvel analisar que existem muitos materiais produzidos que s\u00e3o voltados com o foco em entender os efeitos da m\u00fasica no\u00a0 ser humano, abordando os mais diversos temas, tais como sua origem, forma de produzi-la, como meio art\u00edstico, expressivamente cultural e como objeto de execu\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, de forma geral voltada especificamente para entender este processo de contato e execu\u00e7\u00e3o musical (VARGAS, 2012; SEKEFF, 2002; NUNES, 2009; CRUZ, 2008; LIMA, 2003; RUUD, 1990; MATIAS, 1999; VYGOTSKY, 1991; STEWART, 1987; JEANDOT, 1977). Devido \u00e0 complexidade do tema que busca refletir sobre a rela\u00e7\u00e3o entre m\u00fasica e espontaneidade, h\u00e1 ainda uma quantidade de material escassa no que se refere a liga\u00e7\u00e3o m\u00fasica-espontaneidade em rela\u00e7\u00e3o a estudos de m\u00fasica em si, pois nota-se que a espontaneidade, na grande maioria dos estudos, mesmo sendo pouco citada ou referida, \u00e9 tida como um elemento inerente \u00e0 m\u00fasica, no entanto h\u00e1 lacunas significativas no que se refere a uma explica\u00e7\u00e3o ou conceito mais did\u00e1tico.<\/p>\n<p>Sobre a espontaneidade, a refer\u00eancia fundamental est\u00e1 diretamente vinculada \u00e0 psicologia, como sendo a ci\u00eancia que estuda o comportamento humano, a espontaneidade \u00e9 vista como uma caracter\u00edstica fundamental ao ser humano, enquanto ser criativo e expressivo no mundo. A abordagem psicodram\u00e1tica mostrou-se, portanto, a teoria que mais se aproxima de uma defini\u00e7\u00e3o conceitual sobre o que \u00e9 espontaneidade e de que forma ela se manifesta, descrevendo o fen\u00f4meno de forma detalhada, lan\u00e7ando m\u00e3o de pr\u00e1ticas terap\u00eautica efetiva e eficazes na utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica como recurso de acesso e est\u00edmulo ao comportamento espont\u00e2neo, de acordo com a vasta pesquisa e experi\u00eancia de seu idealizador, Jacob Levy Moreno (FOX, 2002; GON\u00c7ALVES; WOLFF; ALMEIDA, 1988; MORENO, 1997).<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 abordagem a respeito da rela\u00e7\u00e3o entre m\u00fasica e espontaneidade, novamente a refer\u00eancia est\u00e1 baseada nas experimenta\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas do Psicodrama, direcionando sua t\u00e9cnicas dentro da Teoria Moreniana, valorizando a experi\u00eancia musical enquanto elemento significativo de acesso e manuten\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea e do despertar da\u00a0caracter\u00edstica denominada espontaneidade como elemento fundamental e essencial ao homem<br \/>\nem a\u00e7\u00e3o no mundo (MORENO, 1992\/1997).<\/p>\n<p>Atualmente n\u00e3o h\u00e1 estudos realizados em portugu\u00eas em pesquisas brasileiras, de forma a expandir a discuss\u00e3o a respeito da efetividade pr\u00e1tica do tema direcionado a rela\u00e7\u00e3o estabelecida entre m\u00fasica e espontaneidade com foco e base na Teoria Moreniana, existindo, portanto, um espa\u00e7o amplo para futuros estudos neste sentido. Em rela\u00e7\u00e3o a experi\u00eancia musical voltada para a utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica a pr\u00e1tica t\u00e9cnica desenvolvida por Moreno, a psicom\u00fasica se mostra como forma mais pr\u00f3xima ao entendimento e a viv\u00eancia musical no intuito de proporcionar a busca, experimenta\u00e7\u00e3o, descoberta e manuten\u00e7\u00e3o \u00e0 espontaneidade do indiv\u00edduo (VALONGO, 1993; COELHO, 2013).<\/p>\n<p>Desta forma, o que se ret\u00e9m a respeito deste tema \u00e9 que a complexidade humana, ao encontrar o elemento m\u00fasica, de alguma forma sofre altera\u00e7\u00f5es significativas, sendo a espontaneidade um gatilho fundamental no quesito da expressividade humana, que de uma forma peculiar, externaliza seus conte\u00fados internos buscando meios e recursos para faz\u00ea-la compreendida, seja por identifica\u00e7\u00e3o ou por exemplo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #333399;\">Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1, portanto alguns questionamentos a serem levantados quando diante da reflex\u00e3o proposta a respeito da rela\u00e7\u00e3o entre m\u00fasica e espontaneidade sob a \u00f3tica psicodram\u00e1tica. A m\u00fasica e sua pr\u00e1tica durante muito tempo foi exercida como meio de arte, entretenimento, divers\u00e3o, estudos sobre sua potencialidade terap\u00eautica s\u00e3o muito recentes e ainda escassos, se comparados aos demais estudos na \u00e1rea com aprofundamento de temas diversos, considerados\u00a0 e relevantes, inclusive, internacionalmente.<\/p>\n<p>A grande inquieta\u00e7\u00e3o que se exp\u00f5e mediante a este estudo \u00e9 pensar nos motivos reais que levam o homem a se conectar de forma intensa a esta arte, mas ao mesmo tempo ainda n\u00e3o saber explicar de forma aprofundada o \u201cefeito\u201d da m\u00fasica em rela\u00e7\u00e3o ao seu comportamento livre, a forma com que este est\u00edmulo (m\u00fasica) o conduz em suas mais variadas rea\u00e7\u00f5es quando despertado pela a\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, na experimenta\u00e7\u00e3o efetiva da espontaneidade.<\/p>\n<p>Essa experi\u00eancia nos parece passar muito r\u00e1pido, deixando a impress\u00e3o de durar muito pouco tempo, segundos, se \u00e9 que se poderia imprimir uma unidade de tempo precisa de dura\u00e7\u00e3o. Acredita-se, portanto, na plena necessidade de se produzir mais estudos e pesquisas que nos levem a buscar sanar este ponto de rela\u00e7\u00e3o existente entre o recurso m\u00fasica e o elemento espontaneidade. De que maneira a m\u00fasica, o fazer musical e a viv\u00eancia na experimenta\u00e7\u00e3o do contato com a m\u00fasica poderia contribuir no aux\u00edlio da preserva\u00e7\u00e3o de nossa espontaneidade? Como preserv\u00e1-la e mant\u00ea-la ativa por meio deste recurso art\u00edstico de express\u00e3o? Seria poss\u00edvel estimular a espontaneidade precocemente no ser humano atrav\u00e9s da m\u00fasica? H\u00e1 uma base sustent\u00e1vel para poder investigar se quanto mais cedo, ainda quando crian\u00e7a, formos estimulados atrav\u00e9s da m\u00fasica, como recurso potencialmente intr\u00ednseco \u00e0 espontaneidade, maior ser\u00e1 probabilidade de nos tornarmos, ainda na inf\u00e2ncia, crian\u00e7as mais desenvoltas e espont\u00e2neas, projetando um futuro adulto tamb\u00e9m mais espont\u00e2neo? Compreende-se que o ser humano possui in\u00fameras capacidades, mas que o ser espont\u00e2neo est\u00e1 essencialmente ligado \u00e0 sua natureza, e por mais que muitas vezes a oprima, seja involuntariamente ou por imposi\u00e7\u00e3o de terceiros, esta, jamais deixar\u00e1 de fazer parte da<br \/>\ng\u00eanese humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #333399;\"><strong>Refer\u00eancias:\u00a0<\/strong><\/span><\/p>\n<p>GON\u00c7ALVES, C. S.; WOLFF, J. R.; ALMEIDA, W. C. Li\u00e7\u00f5es de psicodrama. 8. ed. S\u00e3o<br \/>\nPaulo: \u00c1gora, 1988.<br \/>\nJEANDOT, N. Explorando o universo da m\u00fasica. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Scipione, 1997.<br \/>\nLIMA, C. O. Musicoterapia e psicodrama: rela\u00e7\u00f5es similares. Rio de Janeiro: Conservat\u00f3rio<br \/>\nBrasileiro de M\u00fasica, Centro Universit\u00e1rio, 2003. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n&lt;http:\/\/bapera.com.br\/revista\/musicoterapia\/celio_psicodrama.pdf &gt;. Acesso em: 03 jan.<br \/>\n2020.<br \/>\nMATIAS, G. F. A. A import\u00e2ncia da estimula\u00e7\u00e3o auditiva durante o per\u00edodo pr\u00e9 e p\u00f3snatal. 1999. 22 f. Monografia (Especialista)- Centro de Especializa\u00e7\u00e3o em Fonoaudiologia<br \/>\nCl\u00ednica &#8211; CEFAC. Goi\u00e2nia, 1999. Dispon\u00edvel em:<br \/>\n&lt;http:\/\/www.cefac.br\/library\/teses\/2a6c3cae121776b5dd7f8a0cb63e7e8d.pdf &gt;. Acesso em:<br \/>\n03 jan. 2020.<br \/>\nMONTEIRO, R. F. T\u00e9cnicas hist\u00f3ricas: teatro da improvisa\u00e7\u00e3o (espont\u00e2neo) e jornal<br \/>\ndramatizado (jornal vivo) p. 11-17. In: ______. 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Define-se espontaneidade como car\u00e1ter daquilo que \u00e9 espont\u00e2neo, naturalidade, facilidade, mas seu sentido e significado s\u00e3o amplos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":615,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[35,36,63],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/612"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=612"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/612\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/media\/615"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}