{"id":604,"date":"2020-01-15T16:53:50","date_gmt":"2020-01-15T18:53:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/?p=604"},"modified":"2020-01-15T16:53:50","modified_gmt":"2020-01-15T18:53:50","slug":"a-apropriacao-da-musica-pela-crianca-e-a-importancia-da-educacao-estetica-no-ensino-musical","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/a-apropriacao-da-musica-pela-crianca-e-a-importancia-da-educacao-estetica-no-ensino-musical\/","title":{"rendered":"A Apropria\u00e7\u00e3o da M\u00fasica pela  Crian\u00e7a e a Import\u00e2ncia da Educa\u00e7\u00e3o Est\u00e9tica no Ensino Musical"},"content":{"rendered":"<p>Este trabalho leva o educador a repensar a educa\u00e7\u00e3o musical de forma significativa a partir da viv\u00eancia cultural da crian\u00e7a, analisando como se forma o gosto e a prefer\u00eancia musical do educando e busca conhecer como se d\u00e1 a apropria\u00e7\u00e3o e frui\u00e7\u00e3o musical pelo aluno em contato com o meio social, com o objetivo de buscar\u00a0 a sensibiliza\u00e7\u00e3o dos sentidos,a forma\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos cr\u00edticos por interm\u00e9dio da aprecia\u00e7\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o e pr\u00e1ticas musicais, desenvolvendo o ju\u00edzo est\u00e9tico e a compreens\u00e3o da significa\u00e7\u00e3o da m\u00fasica como objeto cultural. A Metodologia utilizada nesse artigo \u00e9 a Pesquisa bibliogr\u00e1fica em livros, sites, revistas eletr\u00f4nicas e artigos cient\u00edficos de autores reconhecidos no meio acad\u00eamico.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Palavras-chave<\/strong>: Apropria\u00e7\u00e3o musical. Viv\u00eancia infantil. Educa\u00e7\u00e3o musical. Identidade cultural.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Este artigo busca conhecer como se d\u00e1 a apropria\u00e7\u00e3o da m\u00fasica pela crian\u00e7a e como forma o seu gosto musical,atrav\u00e9s influ\u00eancia do meio em que vive, refletindo como a educa\u00e7\u00e3o musical pode contribuir para o desenvolvimento da sensibilidade est\u00e9tica e constru\u00e7\u00e3o da identidade cultural do educando.<\/p>\n<p>A m\u00fasica faz parte do cotidiano do cidad\u00e3o e da sua cultura, nas cerim\u00f4nias religiosas, c\u00edvicas e em diversos eventos sociais, \u00e9 um instrumento poderoso que mexe com as emo\u00e7\u00f5es e sentimentos de crian\u00e7as e adultos.A crian\u00e7a vivencia a m\u00fasica desde seu nascimento, assim como seu desenvolvimento sensorial com o meio, no sussurrar da m\u00e3e, nas cantigas de ninar,nas brincadeiras cantadas e no decorrer de sua viv\u00eancia. A defini\u00e7\u00e3o da palavra m\u00fasica,vai muito al\u00e9m da arte de combinar os sons, ela tamb\u00e9m \u00e9 ludicidade, afetividade, expressividade, sensibilidade e emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este argumento justifica a import\u00e2ncia da m\u00fasica na vida do ser humano, sendo essencial trabalhar a educa\u00e7\u00e3o musical desde muito cedo em casa com a fam\u00edlia e na escola.Durante a minha pr\u00e1tica como professora de m\u00fasica senti a necessidade de entender melhor como ocorre a significa\u00e7\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o da m\u00fasica pela crian\u00e7a, em seu ambiente familiar, escolar e em todos os lugares, e ainda, a dificuldade que o professor encontra na escolha do repert\u00f3rio musical para trabalhar com os alunos em sala de aula, tanto na musicaliza\u00e7\u00e3o quanto na inicia\u00e7\u00e3o ao instrumento, na escola de m\u00fasica ou escola normal por v\u00e1rios motivos espec\u00edficos.<\/p>\n<p>O objetivo deste estudo \u00e9 entender melhor esse processo e o que pode ser feito para que a m\u00fasica seja trabalhada de maneira saud\u00e1vel e construtiva no ensino aprendizagem de forma prazerosa, formando indiv\u00edduos cr\u00edticos que compreendam a significa\u00e7\u00e3o da m\u00fasica como objeto cultural e desenvolvam o ju\u00edzo est\u00e9tico, come\u00e7ando com a crian\u00e7a nos primeiros anos de idade at\u00e9 a vida adulta, pois todo patrim\u00f4nio cultural vivenciado \u00e9 constru\u00eddo em diferentes fases de sua intera\u00e7\u00e3o com o meio social. A problem\u00e1tica a ser solucionada nos traz quest\u00f5es que v\u00e3o nortear o trabalho dos professores especialistas ou generalistas, que v\u00e3o contribuir com a reflex\u00e3o deste estudo:<\/p>\n<ul>\n<li>Como se forma o gosto musical e a prefer\u00eancia das crian\u00e7as.<\/li>\n<li>As influ\u00eancias da fam\u00edlia, da escola e da cultura midi\u00e1tica e suas tecnologias.<\/li>\n<li>A m\u00fasica como linguagem art\u00edstica, sensibiliza\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e forma\u00e7\u00e3o da identidade cultural do educando.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Vivemos num mundo informatizado e tecnol\u00f3gico, onde a m\u00eddia dita regras de beleza, moda, comida, entretenimento, etc., n\u00e3o fica de fora a cultura musical, que atrav\u00e9s da repeti\u00e7\u00e3o condiciona o gosto e a prefer\u00eancia do ouvinte, adestrando a percep\u00e7\u00e3o e escuta dos receptores. Maria Jos\u00e9 Dozza Subtil(2006, 2011), realizou pesquisas emp\u00edricas com crian\u00e7as e jovens de escolas p\u00fablicas e particulares, escreveu v\u00e1rios artigos em revista, livro e teses com o objetivo de entender como adquirem experi\u00eancias com os objetos midi\u00e1ticos, abordando a influ\u00eancia e a predomin\u00e2ncia da m\u00eddia sobre o gosto musical desses alunos, fazendo uma reflex\u00e3o entre a emiss\u00e3o (m\u00eddia) e a recep\u00e7\u00e3o (crian\u00e7a).<\/p>\n<p>A crian\u00e7a tende a reproduzir aquilo que v\u00ea e escuta, formando h\u00e1bitos que ir\u00e3o fazer parte de sua vida, aprendemos com pesquisadores como Piaget, Wallon, Vigotsky e outros, que o homem \u00e9 um ser social e a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento \u00e9 gradual, dessa forma a crian\u00e7a pode adquirir gosto pela m\u00fasica como objeto cultural, a partir do que \u00e9 experienciado, ou seja, boa parte da prefer\u00eancia musical de jovens e adultos foi gra\u00e7as aquilo que fez parte da sua inf\u00e2ncia, tudo o que vivenciar atrav\u00e9s dos sentidos, ser\u00e1 absorvido e far\u00e1 parte do seu repert\u00f3rio musical.<\/p>\n<p>A Metodologia utilizada nesse artigo \u00e9 a Pesquisa bibliogr\u00e1fica em livros, sites, revistas eletr\u00f4nicas e artigos cient\u00edficos de autores reconhecidos. Este tema j\u00e1 foi abordado por muitos estudiosos, como Maria Jos\u00e9 Dozza Subtil, Cristina M. E. C. J. de Camargo, M\u00f4nica de Almeida Duarte e muitos outros mestres em educa\u00e7\u00e3o, preocupados com o desenvolvimento integral do educando e uma eficiente educa\u00e7\u00e3o musical, fundamentando-se em music\u00f3logos e fil\u00f3sofos como Theodor Wiesengrund Adorno, Max Horkheimer, N\u00e9stor Garc\u00eda Canclini, Walter Benjamim, G. A Snyders, e muitos outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Desenvolvimento\u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O professor de musicaliza\u00e7\u00e3o infantil ou inicia\u00e7\u00e3o ao instrumento musical, muitas vezes encontra dificuldades na escolha do repert\u00f3rio musical para trabalhar com as crian\u00e7as em sala de aula, conhecemos escolas de educa\u00e7\u00e3o infantil que mostraram certo preconceito a alguns estilos de m\u00fasicas infantis, artistas, marcas ou mesmo a m\u00fasica midi\u00e1tica e tamb\u00e9m crian\u00e7as resistentes em trabalhar com cantigas infantis ou folcl\u00f3ricas, de qualquer forma o professor sempre preocupa-se em utilizar um repert\u00f3rio de m\u00fasicas observando os elementos r\u00edtmico\/mel\u00f3dico e a letra que as constituem, que sejam adequadas a idade da crian\u00e7a e ao objetivo da atividade e por conseguinte,muitas vezes esquecemos de pensar ou investigar o gosto musical do aluno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong> O gosto musical das crian\u00e7as e a influ\u00eancia da m\u00eddia.<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Segundo Subtil (2007),a maior respons\u00e1vel pela cultura musical nos dias atuais \u00e9 a m\u00eddia, vivenciada atrav\u00e9s da televis\u00e3o em programas de audit\u00f3rio, novela, desenho animado, filme, da internet em tablet, computador e celular, tendo papel preponderante na frui\u00e7\u00e3o e consumo musical, mesmo das crian\u00e7as mais pequenas. Com todas essas novidades e mistura de estilos musicais, as crian\u00e7as tamb\u00e9m se encantam com can\u00e7\u00f5es e trilhas sonoras dos jogoseletr\u00f4nicos,que segundo o Wikip\u00e9dia \u00e9 chamado\u00a0chiptune ou VGM, m\u00fasica que antes era criada s\u00f3 em computadores, mas hoje j\u00e1 \u00e9 produzida com instrumentos ac\u00fasticos, como exemplos, o minecraft, megalovania, Five Nights, etc.<\/p>\n<p>No processo de socializa\u00e7\u00e3o, o papel das m\u00eddias tamb\u00e9m interfere nas formas de aproxima\u00e7\u00e3o dos sujeitos aos objetos da cultura. Babin; Kouloumdjian (1982) e Belloni (1995), entre outros, consideram que a cultura do som, da imagem e dos meios eletr\u00f4nicos impregna os modos de experimentar e conhecer o mundo. McLuhan (1989) constata o envolvimento profundo e sensorial com os meios, chegando a afirmar que o meio \u00e9 a mensagem. Kerkhove (1997, p.43) diz que a televis\u00e3o produz um efeito de \u201csentido pressentido\u201d, isto \u00e9, fala primeiro ao corpo, provocando uma antecipa\u00e7\u00e3o sensorial do significado que ser\u00e1 atribu\u00eddo mais tarde. Essas novas formas de apreens\u00e3o calcadas nos sentidos v\u00e3o interferir na aprendizagem formal vivenciada na escola. (SUBTIL 2011, p.183).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com Subtil (2007) \u201cna sociedade midi\u00e1tica n\u00e3o h\u00e1 delimita\u00e7\u00e3o de tipos de m\u00fasica para as diferentes idades ou um gosto musical distintivo de classe social\u201d, quando fala em frui\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, \u201cgosto\u201d ou ao \u201cbom gosto\u201d, cita as observa\u00e7\u00f5es de Canclini (1984, p. 12) e enfatiza que o est\u00e9tico \u201c\u00e9 um modo de rela\u00e7\u00e3o dos homens com os objetos, cujas caracter\u00edsticas variam segundo as culturas, os modos de produ\u00e7\u00e3o e as classes sociais [\u2026]\u201d.<\/p>\n<p>Um exemplo de influ\u00eancia midi\u00e1tica na televis\u00e3o \u00e9 o estilo funk tocado no quadro \u2018Funkeirinhos\u2019 do \u2018Programa Raul Gil\u2019, exibido nas tardes de s\u00e1bado do SBT na TV \u2018aberta\u2019,a despeito de ser dirigida a adultos \u00e9 consumida pelo p\u00fablico infantil e mesmo reprovado por muitos, ainda continua no ar sugestionando outras crian\u00e7as,foi publicado no site Revista Cifras a mat\u00e9ria com o tema<em>\u201cQuadro do programa Raul Gil \u00e9 criticado por sexualizar crian\u00e7as\u201d, <\/em><\/p>\n<p>A sensualidade e o duplo sentido, elementos t\u00edpicos desse estilo musical, causam estranhamento ao p\u00fablico que assiste ao \u2018Funkeirinhos\u2019.\u00a0Vestidas como funkeiras, as crian\u00e7as dan\u00e7am e cantam m\u00fasicas ousadas. Alguns internautas se manifestaram contra o quadro, pois acreditam que h\u00e1 sexualiza\u00e7\u00e3o infantil nele. O foco principal das cr\u00edticas est\u00e1 na maneira como as crian\u00e7as foram induzidas a dan\u00e7ar e o fato de as letras n\u00e3o serem condizentes com as idades delas, al\u00e9m de o programa exibir as meninas de maneira \u201cadulta demais\u201d. [&#8230;] \u00c9 o apocalipse da inf\u00e2ncia, cara\u201d, comentou uma das internautas se referindo \u00e0 m\u00fasica \u2018Amar, amei\u2019, do MC Don Juan. VILELA,REVISTA CIFRAS, 15 JUL 2019.<\/p>\n<p>De acordo com Camargo (2015), quando a crian\u00e7a \u00e9 exposta a uma situa\u00e7\u00e3o passiva e recorrente de uma can\u00e7\u00e3o e de seu movimento, isso acaba por mold\u00e1-la, acostumando-a aquele tipo de timbre, volume e pulsa\u00e7\u00e3o. A music\u00f3loga faz uma reflex\u00e3o sobre a influ\u00eancia midi\u00e1tica, e aponta uma destramento na percep\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o dos sentidos,enfatiza que,a repeti\u00e7\u00e3o e imita\u00e7\u00e3o caminham ao reconhecimento e o reconhecimento a aceita\u00e7\u00e3o. A m\u00fasica como entretenimento n\u00e3o exige esfor\u00e7o de aten\u00e7\u00e3o e concentra\u00e7\u00e3o que \u00e9 essencial para a aprecia\u00e7\u00e3o de uma obra de arte.<\/p>\n<p>Por outro lado, a ind\u00fastria cultural utiliza-se de v\u00e1rios artif\u00edcios para ganhar mais consumidores, oferecendo m\u00fasicas dan\u00e7antes, de divertimento e distra\u00e7\u00e3o, por isso Camargo (2015)ressalta a necessidade do cidad\u00e3o se libertar do amortecimento de suas percep\u00e7\u00f5es, munidos de um esp\u00edrito cr\u00edtico e reflexivo. Na sociedade industrializada a m\u00fasica e a fantasia infantil s\u00e3o pr\u00e9-dirigidas por objetos e experi\u00eancias prontas e atinge a crian\u00e7a interferindo na forma\u00e7\u00e3o do gosto e futuro ju\u00edzo est\u00e9tico.<\/p>\n<p>M\u00f4nica de Almeida Duarte (M\u00daSICA NA ESCOLA, SESC 2015, p.104) realizou um estudo sobre as trilhas sonoras infantis, definindo o conceito de m\u00eddia como cultura e patrim\u00f4nio sonoro, nos fazendo pensar em como a m\u00fasica \u00e9 usada para dar significa\u00e7\u00e3o ao objeto que est\u00e1 sendo veiculado ao p\u00fablico infantil.<\/p>\n<p>Busquei saber como pensar o processo pelo qual algo \u00e9 definido como significativo para algu\u00e9m. Que materiais devem ser utilizados no processo de ensino para que este seja significativo para as crian\u00e7as? (DUARTE, 2004). No caso do ensino \u00e9 necess\u00e1rio estabelecer e partir de um acordo sobre o que \u00e9 musical para as pessoas envolvidas no processo pedag\u00f3gico (DUARTE, 2004) apud (M\u00daSICA NA ESCOLA, SESC 2015, p.108.)<\/p>\n<p>Portanto \u00e9 preciso identificar os conte\u00fados simb\u00f3licos veiculados pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o social, que faz parte do cotidiano do aluno, tanto a m\u00fasica em si como tudo que faz parte da paisagem sonora, no qual n\u00e3o se deve ser ignorado na escola e na educa\u00e7\u00e3o infantil.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>1.1. A influ\u00eancia dos pais na prefer\u00eancia musical dos filhos.<\/strong><\/p>\n<p>Os pais e o meio familiar t\u00eam grande responsabilidade na forma\u00e7\u00e3o da cultura musical dos filhos, as crian\u00e7as gostam de estar junto em fam\u00edlia e participar da conversa dos pais, dos irm\u00e3os e acabam por apreciar a mesma m\u00fasica que todos ouvem e cantam, ainda que involuntariamente. De acordo com Subtil (2011), a crian\u00e7a passa por um processo de socializa\u00e7\u00e3o dos grupos sociais e o papel das m\u00eddias interfere na intera\u00e7\u00e3o do sujeito e os objetos da cultura. \u201cDiversas institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o respons\u00e1veis por essa socializa\u00e7\u00e3o: a fam\u00edlia, a escola e a igreja s\u00e3o as mais tradicionais e ensinam os valores, a cultura e as ideias v\u00e1lidas num determinado tempo e espa\u00e7o hist\u00f3rico. \u201d(SUBTIL, 2011, p. 183).<\/p>\n<p>Nos dias atuais percebemos que as crian\u00e7as conhecem menos cantigas infantis ou folcl\u00f3ricas e est\u00e3o cada vez mais consumindo m\u00fasica dos adultos com letras e movimentos de cunho sexual, em casa e nos grupos sociais, vivenciam atrav\u00e9s dos est\u00edmulos corporais, e acabam pegando gosto atrav\u00e9s da repeti\u00e7\u00e3o. As m\u00fasicas tocadas no Youtube e Netflix por exemplo, fazem parte da rotina dos pequenos, ouvem atrav\u00e9s dos desenhos, aplicativos e tutoriais infantis que a pr\u00f3pria m\u00e3e oferece no celular ou tablet, para entreter a crian\u00e7a enquanto se ocupa com seus afazeres, crescem sabendo usar aparelhos eletr\u00f4nicos com mais efici\u00eancia do que os adultos, e na maioria das vezes viciam nos jogos eletr\u00f4nicos, a merc\u00ea do que a internet pode oferecer para o bem ou para o mal, que muitas vezes passa desapercebido pelos pais e respons\u00e1veis .<\/p>\n<p>A Revista Crescer da Globo.com publicou uma pesquisa com 10 mil pais, que ao perguntar sobre g\u00eaneros musicais, descobriu que as prefer\u00eancias dos pais influenciam seus filhos at\u00e9 os 10 anos de idade. Citou o pesquisador de m\u00fasica Hauke Egermann da Universidade de York, na Inglaterra, que enfatizou os benef\u00edcios para a crian\u00e7a quando vivencia variados g\u00eaneros musicais, contribuindo com o desenvolvimento s\u00f3cio afetivo, a linguagem e acesso a gostos musicais de diferentes culturas.<\/p>\n<p>\u201cAs crian\u00e7as t\u00eam uma &#8216;abertura&#8217; para novas m\u00fasicas, e isso significa que os pais t\u00eam um papel importante a desempenhar no desenvolvimento dos gostos musicais de seus filhos. Ao apresentar \u00e0s crian\u00e7as a uma variedade de g\u00eaneros antes deste per\u00edodo cr\u00edtico, eles v\u00e3o desfrutar de muitos tipos diferentes de m\u00fasica quando adultos\u201d, explicou Hauke. (CRESCER ONLINE, 16 DEZ 2018.)<\/p>\n<p>Como influenciar seu filho de forma saud\u00e1vel? \u00c9 a pergunta pertinente desta publica\u00e7\u00e3o, as crian\u00e7as crescem ouvindo o que os pais ouvem, e al\u00e9m de interagirem com o movimento das m\u00fasicas atrav\u00e9s das pulsa\u00e7\u00f5es, do ritmos e melodias, atribuem significados, lembran\u00e7as e sentimentos aos momentos vivenciados. Muitos alunos gostam do estilo sertanejo porque sempre ouviram atrav\u00e9s dos pais no conv\u00edvio familiar ainda que indiretamente, outros gostam de determinada m\u00fasica porque lhes traz lembran\u00e7as prazerosas, quando ouviu com os pais em um passeio de carro. A Revista Crescer, ainda enfatiza que a melhor forma dos pais influenciar em seus filhos \u00e9 criar oportunidades musicais e mem\u00f3rias felizes juntos, outra publica\u00e7\u00e3o da revista d\u00e1 dicas com o educador musical F\u00e1bio Freire, de como criar um repert\u00f3rio musical rico e variado, \u201cdefende que \u00e9 papel do adulto estar aberto, sem preconceitos, para apresentar diferentes estilos de sons aos pequenos (&#8230;) Cabe aos pais a fun\u00e7\u00e3o de mostrar o novo, mas for\u00e7ar o filho a curtir \u00e9 ruim. \u201d<\/p>\n<p>\u00c9 importante que os pais se interessem pelo universo cultural dos filhos e junto a escola, aprendam a oferecer um repert\u00f3rio musical de qualidade com diferentes estilos e ritmos, buscando a sensibiliza\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o do gosto musical da crian\u00e7a, respeitando a inf\u00e2ncia, a brincadeira e o l\u00fadico.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> A m\u00fasica na escola e o trabalho do educador.<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Nas escolas de ensino regular, a m\u00fasica faz parte do curr\u00edculo em artes, \u00e9 usada como recurso did\u00e1tico, em datas comemorativas, para condicionar as crian\u00e7as em sua rotina escolar e em muitos outros momentos, apesar de toda essa intera\u00e7\u00e3o do aluno com a m\u00fasica, \u00e9 submetido a uma constante situa\u00e7\u00e3o passiva que segundo Camargo (2015), define como aliena\u00e7\u00e3o \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica enquanto linguagem, chamado por ela como adestramento sensorial e est\u00e9tico.<\/p>\n<p>Com viv\u00eancias sensoriais cada vez mais pr\u00e9 digeridas, controladas e padronizadas, e com a aus\u00eancia de um ensino regular que inclua uma sensibiliza\u00e7\u00e3o e uma forma\u00e7\u00e3o em arte enquanto \u00e1rea do conhecimento, a sociedade industrializada est\u00e1 criando consumidores adestrados e dependentes da tecnologia ao inv\u00e9s de seres humanos dotados de sensibilidade, capacidade de escolha e de avalia\u00e7\u00e3o, senso cr\u00edtico, adapta\u00e7\u00e3o e inven\u00e7\u00e3o. (CAMARGO 2015, p.275)<\/p>\n<p>Para Subtil(2007)a escola deve travar um jogo dial\u00e9tico com a m\u00eddia e ind\u00fastria cultural consideradas indutoras de gosto, mas tamb\u00e9m socializadora dos objetos musicais, afirma ainda que n\u00e3o se pode negar as potencialidades desses objetos t\u00e9cnicos em especial a TV na produ\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos e conceitos para o p\u00fablico infantil e adulto. \u201cAssim, no que concerne \u00e0s m\u00fasicas da m\u00eddia, o consumo \u00e9 tamb\u00e9m determinado pelos mecanismos psicol\u00f3gicos, emocionais e fisiol\u00f3gicos do receptor que interagem nos atos de ouvir, dan\u00e7ar e cantar\u201d (SUBTIL, 2007). Considerando essa reflex\u00e3o, sem uma boa educa\u00e7\u00e3o musical na escola, o indiv\u00edduo ser\u00e1 condicionado ao controle e como Camargo (2015) cita em seu artigo \u201cauto- sedu\u00e7\u00e3o dos sentidos\u201d, atrav\u00e9s da repeti\u00e7\u00e3o da m\u00fasica massiva dos meios de comunica\u00e7\u00e3o e a merc\u00ea do interesse da ind\u00fastria cultural. A escola n\u00e3o pode alienar-se dos meios tecnol\u00f3gicos dessa sociedade capitalista, \u00e9 preciso entender que as informa\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas s\u00e3o midiatizadas pelos meios de massa e refor\u00e7a a hegemonia da classe dominante.<\/p>\n<p>Assim como os alunos os professores tamb\u00e9m s\u00e3o consumidores e podem ser sugestionados pela m\u00eddia, por isso \u00e9 relevante a constru\u00e7\u00e3o de uma teoria cr\u00edtica da arte como mercadoria, havendo necessidade de uma experi\u00eancia de valora\u00e7\u00e3o da aprecia\u00e7\u00e3o musical atrav\u00e9s dos gostos espont\u00e2neos. Nesse mesmo vi\u00e9s, Subtil (2007) cita Snyders (1992, p. 6, grifo do autor)que,<\/p>\n<p>[&#8230;] apregoa a necessidade de guiar os estudantes rumo ao conhecimento musical \u201cde alto n\u00edvel\u201d a partir da posse tanto \u201cde suas culturas primeiras (adquiridas nas viv\u00eancias cotidianas, diretas, simples), quanto das culturas de massa (assimiladas nas experi\u00eancias com as m\u00eddias, com os meios de comunica\u00e7\u00e3o contempor\u00e2neos) \u201d. (SNYDERS, 1992, apud SUBTIL, 2007)<\/p>\n<p>M\u00f4nica de Almeida Duarte uma das escritoras do livro M\u00daSICA NA ESCOLA (SESC 2015, pag. 108), fala como a pr\u00e1tica musical \u00e9 influenciada pelo pensamento e a\u00e7\u00f5es das pessoas.\u00a0 Com esse racioc\u00ednio a autora pergunta o que os profissionais da educa\u00e7\u00e3o podem fazer perante as pr\u00e1ticas sonoras t\u00e3o diversas que existem ao nosso redor, entre pessoas de grupos sociais t\u00e3o diferentes, e a resposta que encontra para essa reflex\u00e3o \u00e9 buscar a media\u00e7\u00e3o cultural, que estimula a experimenta\u00e7\u00e3o art\u00edstica e a aproxima\u00e7\u00e3o a distintas culturas musicais.<\/p>\n<p>A media\u00e7\u00e3o cultural como um \u201cestar entre muitos\u201d (MARTINS et al., 2008) pressup\u00f5e a atua\u00e7\u00e3o do mediador entre os materiais do patrim\u00f4nio cultural, considerados art\u00edsticos ou n\u00e3o pelas pessoas de diferentes grupos sociais; as conex\u00f5es estabelecidas com outros materiais; os lugares em que encontramos esses materiais(institui\u00e7\u00e3o cultural), as pessoas que articulam os diversos momentos ou etapas de produ\u00e7\u00e3o dos materiais do patrim\u00f4nio cultural, a m\u00eddia, os te\u00f3ricos que interpreta me contextualizam esses materiais; a escola e os demais professores; n\u00f3s mesmos,\u201ctamb\u00e9m repletos de outros dentro de n\u00f3s, como vozes internas que fazem parte de nosso repert\u00f3rio pessoal e cultural\u201d (MARTINS, 2006 apud MARTINS et al. 2008, p. 25) (apud DUARTE, MUSICA NA ESCOLA SESC 2015).<\/p>\n<p>Subtil (2007), enfatiza que o sentido da comunica\u00e7\u00e3o se constr\u00f3i a partir do processo da emiss\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o, que se d\u00e1 atrav\u00e9s do cotidiano cheio das viv\u00eancias individuais e da intera\u00e7\u00e3o com diferentes objetos culturais e suas interpreta\u00e7\u00f5es. Diante disso a pesquisadora defende a escolariza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica veiculada pela m\u00eddia, atrav\u00e9s de um trabalho consciente e fundamentado, repensando a pr\u00e1tica musical escolar, ultrapassando os limites das tradicionais comemora\u00e7\u00f5es escolares com m\u00fasicas repetitivas e sem sentido est\u00e9tico. A pesquisadora ainda enfatiza que \u201c o processo de aquisi\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de conhecimentos musicais requer propostas e atividades mais complexas por parte dos professores do que apenas dublar can\u00e7\u00f5es midi\u00e1ticas (Subtil, 2003) \u201d (SUBTIL, 2007), ou ent\u00e3o reduzir o ensino infantil apenas a can\u00e7\u00f5es folcl\u00f3ricas, limitando os alunos a um determinado estilo ou cultura isolada. A forma\u00e7\u00e3o do professor especialista ou n\u00e3o, \u00e9 alvo de grande discuss\u00e3o, pois devem ser preparados para lidar com a m\u00fasica midi\u00e1tica e os diferentes g\u00eaneros musicais, sem desprezar as m\u00fasicas que fazem parte da viv\u00eancia dos alunos.<\/p>\n<p>Para Camargo (2015), a reinser\u00e7\u00e3o da disciplina de m\u00fasica no ensino regular \u00e9 essencial para compreens\u00e3o da hist\u00f3ria da m\u00fasica e da arte, e o educador com uma postura cr\u00edtica pode ajudar na cria\u00e7\u00e3o de bons h\u00e1bitos de audi\u00e7\u00e3o e diversifica\u00e7\u00e3o do gosto musical do educando, preparando-o para o desenvolvimento futuro do seu ju\u00edzo est\u00e9tico.<\/p>\n<p>A escola \u00e9 considerada como mediadora de conhecimentos e tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o do conhecimento musical como objeto cultural e art\u00edstico, a m\u00fasica n\u00e3o deve ser vista apenas como instrumento de lazer ou recursos did\u00e1ticos no ensino aprendizagem, mas como todas as outras linguagens e forma poderosa de comunica\u00e7\u00e3o e express\u00e3o humana. \u00c9 atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o que o indiv\u00edduo ser\u00e1 capaz de ouvir e interpretar o seu significado de forma ativa e reflexiva.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/strong><\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o infantil \u00e9 a base para a educa\u00e7\u00e3o escolar e os pais junto a escola e os professores podem come\u00e7ar a trabalhar a diversidade musical com as crian\u00e7as desde pequeninas, e com a musicaliza\u00e7\u00e3o infantil na idade pr\u00e9-escolar e a educa\u00e7\u00e3o musical no ensino regular, ter\u00e3o oportunidade de interagir com diferentes tipos de sons e timbres atrav\u00e9s da pratica musical, como resultado o sujeito ter\u00e1 muito mais chances de interagir com diferentes tipos de culturas e reconhecer a sua pr\u00f3pria identidade cultural, al\u00e9m de desenvolver a sensibilidade e \u201co bom gosto musical\u201d que Subtil (2007) se refere como frui\u00e7\u00e3o est\u00e9tica.<\/p>\n<p>Uma das escritoras do livro M\u00daSICA NA ESCOLA (SESC 2015, p.170),Amanda Lopes Sampaio relata que,<\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 tecnologia, a m\u00fasica deixou de ser um prazer para poucos (no s\u00e9culo 16 e 17, por exemplo, somente alguns privilegiados poderiam ter acesso \u00e0s pe\u00e7as de grandes m\u00fasicos como Beethoven e Mozart). Com a inven\u00e7\u00e3o do fon\u00f3grafo e, posteriormente, do disco de vinil, houve uma democratiza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica e, sendo assim, todos poderiam ter acesso \u00e0s obras independentemente de classe social.M\u00daSICA NA ESCOLA (SESC 2015, p. 170)<\/p>\n<p>Neste mundo de novas tecnologias a sociedade tem maior acesso \u00e0 internet e novos meios de comunica\u00e7\u00e3o, consequentemente \u00e0 cultura musical, \u00e0s diversas formas de express\u00e3o art\u00edstica e a uma pluralidade de significados. Com este grande avan\u00e7o da tecnologia Amanda Lopes Sampaio do M\u00daSICA NA ESCOLA (SESC 2015, p. 170), ainda enfatiza com a cita\u00e7\u00e3o de (BENJAMIN, 1996)que a reprodutividade t\u00e9cnica favoreceu a massifica\u00e7\u00e3o da arte e da est\u00e9tica, prevalecendo a hegemonia da ind\u00fastria cultural e do consumismo.Infelizmente nem sempre nos deparamos com conte\u00fado saud\u00e1vel e construtivo ao p\u00fablico infantil e mesmo ao adulto, para isso \u00e9 preciso um filtro est\u00e9tico do conhecimento e da sensibilidade para reconhecermos a diversidade musical e cultural, que s\u00f3 conseguimos atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para a music\u00f3loga Cristina Camargo (2015), ouvir \u00e9 um ato involunt\u00e1rio, mas o modo como se ouve \u00e9 particular, constituindo-se na interpreta\u00e7\u00e3o peculiar do ser humano, por isso o educador deve trabalhar de forma significativa, respeitando o gosto diversificado das crian\u00e7as, para que desenvolvam o senso est\u00e9tico e mais que isso, adquiram pensamento cr\u00edtico e sejam capazes de ouvir, escutar e interpretar aquilo que faz parte da sua viv\u00eancia e tamb\u00e9m o que ainda ser\u00e1 experienciado.<\/p>\n<p>Assim como Maria J. D. Subtil, Cristina M. E. C. J. Camargo, educadores e especialistas do livro (Musica na escola SESC 2015) e outros pesquisadores do assunto aqui citados, concordam que,assim como toda express\u00e3o art\u00edstica do homem, a m\u00fasica deve ser trabalhada como linguagem no ensino aprendizagem e como objeto cultural que faz parte da identidade do ser humano.O universo musical da crian\u00e7a deve ser ampliado, onde ela mesma possa refletir, criticar e avaliar suas pr\u00f3prias escolhas. Quanto mais repert\u00f3rios os sujeitos conhecerem mais chances de escolhas ter\u00e3o.<\/p>\n<p>Cabe distribuir a todos o patrim\u00f4nio musical (erudito, popular, folcl\u00f3rico, ou como se queira denominar), constru\u00eddo em diferentes tempos e contextos sociais, mas ainda presentes na hist\u00f3ria e no padr\u00e3o do que se ouve canta e consome no Brasil. A humaniza\u00e7\u00e3o dos sentidos e a educa\u00e7\u00e3o musical s\u00e3o tarefas para a escola, tamb\u00e9m.(SUBTIL, 2007,<\/p>\n<p>A m\u00fasica faz parte do patrim\u00f4nio cultural e deve ser compreendida como tal, o educador precisa se libertar do preconceito elitista e da padroniza\u00e7\u00e3o musical, abertos a diversidade de g\u00eaneros, trabalhando o erudito ou o popular, o folclore ou a m\u00fasica midi\u00e1tica e outros estilos constru\u00eddos com a midiatiza\u00e7\u00e3o e a ind\u00fastria cultural, chamados pelos fil\u00f3sofos de hibrida\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n<p>\u00c9 imprescind\u00edvel que a escola introduza a m\u00fasica que \u00e9 algo nato do ser humano e a educa\u00e7\u00e3o musical com mais responsabilidade e agregue aos outros saberes. Assim como o livro \u201cM\u00daSICA NA ESCOLA (SESC 2015) \u201d felizmente encontramos projetos que constroem seus princ\u00edpios com base na abordagem triangular de Ana Mae Barbosa: o fazer musical atrav\u00e9s da experimenta\u00e7\u00e3o e pr\u00e1tica musical, a frui\u00e7\u00e3o por meio da aprecia\u00e7\u00e3o em diferentes g\u00eaneros de obras musicais, a contextualiza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, mediante a um pensamento cr\u00edtico \u00e0s hegemonias culturais e a valoriza\u00e7\u00e3o e resgate da cultura popular e suas tradi\u00e7\u00f5es.O livro da pesquisadora Maria Jos\u00e9 Dozza Subtil \u201cM\u00fasica midi\u00e1tica &amp; o gosto musical das crian\u00e7as\u201d \u00e9 resultado de suas teses de doutorado em Engenharia da Produ\u00e7\u00e3o apresentada \u00e0 Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que muito contribuiu para o estudo desse artigo e para futuras reflex\u00f5es.<\/p>\n<p>Baseando-nos nos estudos e fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica\/pr\u00e1tica desses pesquisadores, mediante a problem\u00e1tica que n\u00f3s educadores encontramos em nossa realidade, no qual sentimos a necessidade de compreender como se forma o gosto musical,\u00a0 se inteirar do que a crian\u00e7a consomem e intervir no seu universo musical de maneira significativa, conclu\u00edmos que n\u00e3o temos uma \u201creceita pronta\u201d, mas podemos nos reciclar, buscar novos conceitos e educar nossos pr\u00f3prios sentidos, atrav\u00e9s de uma criteriosa e permanente an\u00e1lise entre os conhecimentos cotidianos provenientes da m\u00eddia, os que acontecem no contexto escolar e na viv\u00eancia com os pais e familiares.<\/p>\n<p>Podemos ser mediadores e junto com os alunos ampliarmos nosso repert\u00f3rio musical, estimulando-os a constru\u00edrem uma experi\u00eancia est\u00e9tica significativa, a serem apreciadores ativos, co-produtores do fazer musical e conscientes da diversidade cultural que est\u00e3o inseridos, contribuindo para a humaniza\u00e7\u00e3o dos sentidos do cidad\u00e3o e da sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias <\/strong><\/p>\n<p>Camargo, Cristina Moura Emboaba da Costa Juli\u00e3o de. <strong>Ouvir \u00e9 escutar?<\/strong>Revista da Tulha, Ribeir\u00e3o Preto, SP, v. 1, n. 1, p. 264-277, jan. -jun. 2015.Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.revistas.usp.br\/revistadatulha\/article\/view\/107707. Acesso em: 25 fev. 2019.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Duarte, M\u00f4nica de Almeida. <strong>A m\u00fasica dos professores de m\u00fasica: representa\u00e7\u00e3o social da \u201cm\u00fasica de qualidade\u201d na categoriza\u00e7\u00e3o de repert\u00f3rio musical.<\/strong> Revista da ABEM, v.19, n. 26, Londrina: Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o Musical, jul\/dez 2011. pag. 60, 2014. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.abemeducacaomusical.com.br\/revistas\/revistaabem\/index.php\/revistaabem\/article\/view\/174&gt;. Acesso em: 08 Dec. 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Escola, M\u00fasica Na:<strong>Caminhos e possibilidades para a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/strong> \u2013 Rio de Janeiro: Sesc, Departamento Nacional, 2015.380 p.: 23 cm. \u2013 (Educa\u00e7\u00e3o em rede; v. 4).Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.sesc.com.br\/portal\/publicacoes\/sesc\/livros\/educacao+em+rede\/educacao+em+rede-+vol+4\">http:\/\/www.sesc.com.br\/portal\/publicacoes\/sesc\/livros\/educacao+em+rede\/educacao+em+rede-+vol+4<\/a> . Acesso em: 25 fev. 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Online, Revista Crescer. <strong>\u00c9 poss\u00edvel influenciar o gosto musical dos filhos, mas s\u00f3 at\u00e9 certa idade. Saiba qual.<\/strong> Dispon\u00edvel em: https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Curiosidades\/noticia\/2018\/12\/e-possivel-influenciar-o-gosto-musical-dos-filhos-mas-so-ate-certa-idade-saiba-qual.html Acesso em 25 fev. 2019.<\/p>\n<p>OnLine, Revista Crescer, <strong>6 dicas para criar um rico repert\u00f3rio musical com seu filho<\/strong>, 09 SET 2019 .Dispon\u00edvel em: https:\/\/revistacrescer.globo.com\/Diversao\/Musica\/noticia\/2019\/09\/6-dicas-para-criar-um-rico-repertorio-musical-com-seu-filho.html Acesso em 12 de novembro de 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Subtil, Maria Jos\u00e9 Dozza. <strong>M\u00eddias, m\u00fasicas e escola: a articula\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria.<\/strong> Revista da ABEM, Porto Alegre, V. 16, 75-82, mar.2007.Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/abemeducacaomusical.com.br\/revista_abem\/ed16\/revista16_artigo9.pdf\">http:\/\/abemeducacaomusical.com.br\/revista_abem\/ed16\/revista16_artigo9.pdf<\/a>Acesso em: 25 fev. 2019.<\/p>\n<p><u>\u00a0<\/u><\/p>\n<p>Subtil, Maria Jos\u00e9 Dozza. <strong>Apropria\u00e7\u00e3o e frui\u00e7\u00e3o da m\u00fasica midi\u00e1tica por crian\u00e7as de quarta s\u00e9rie do ensino fundamental<\/strong>. 2003. Tese. (Doutorado em Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o)\u2013Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Engenharia de Produ\u00e7\u00e3o, Universidade Federal de Santa Catarina, Florian\u00f3polis, 2003. 227 f.<\/p>\n<p>Subtil, Maria Jos\u00e9 Dozza. <strong>M\u00fasicas, m\u00eddias e escola: rela\u00e7\u00f5es e contradi\u00e7\u00f5es evidenciadas por crian\u00e7as e adolescentes.<\/strong> ISSN 0104-4060 Educar em Revista. [online]. Editora UFPR. Curitiba, Brasil, n. 40, p. 177-194, abr.\/jun. 2011. Dispon\u00edvel em:http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/S0104-40602011000200012. Acesso em: 25 fev. 2019.<\/p>\n<p>Vilela, Maysa,<strong>Funkeirinhos: Quadro do Programa Raul Gil \u00e9 criticado por sexualizar crian\u00e7as,<\/strong>RevistaCifras, 15 Jul2019 , Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/revista.cifras.com.br\/noticia\/funkeirinhos-raul-gil-criticas\">https:\/\/revista.cifras.com.br\/noticia\/funkeirinhos-raul-gil-criticas<\/a><strong>\u00a0 .<\/strong>Acesso em: 23 nov. 2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div dir=\"auto\">Elaine da Silva Cicilini &#8211; Gradua\u00e7\u00e3o com licenciatura plena em\u00a0 com \u00eanfase no viol\u00e3o;\u00a0 Graduada em Artes Visuais com licenciatura plena ; P\u00f3s Graduada em Musicaliza\u00e7\u00e3o Infantil; Graduada \u00a0em Psicopedagogia; Cursos livres e de extens\u00e3o em Viol\u00e3o, Violino, Canto B\u00e1sico e T\u00e9cnica vocal;\u00a0Professora Volunt\u00e1ria na Escola Livre de M\u00fasica da OFARDERP\/IEADERP ; Leciona em Escolas de M\u00fasica e particular h\u00e1 tempos como professora de canto, viol\u00e3o, violino, ukulel\u00ea e musicaliza\u00e7\u00e3o infantil;\u00a0 Atua como Backing Vocal\u00a0 em est\u00fadios de grava\u00e7\u00e3o e eventos musicais.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este trabalho leva o educador a repensar a educa\u00e7\u00e3o musical de forma significativa a partir da viv\u00eancia cultural da crian\u00e7a, analisando como se forma o gosto e a prefer\u00eancia musical do educando e busca conhecer como se d\u00e1 a apropria\u00e7\u00e3o e frui\u00e7\u00e3o musical pelo aluno em contato com o meio&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":605,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[14,30,47,88],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/604"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=604"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/604\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/media\/605"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=604"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=604"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=604"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}