{"id":416,"date":"2019-05-24T17:06:23","date_gmt":"2019-05-24T20:06:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/?p=416"},"modified":"2019-05-24T17:06:23","modified_gmt":"2019-05-24T20:06:23","slug":"a-psicomotricidade-na-aprendizagem-e-sua-relacao-com-a-pratica-psicopedagogica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/a-psicomotricidade-na-aprendizagem-e-sua-relacao-com-a-pratica-psicopedagogica\/","title":{"rendered":"A Psicomotricidade na  Aprendizagem e sua Rela\u00e7\u00e3o com a Pr\u00e1tica  Psicopedag\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<p><em>Maria Celina de Mesquita<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup><strong>[1]<\/strong><\/sup><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Miriam Gomes Avelar de Morais<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup><strong>[2]<\/strong><\/sup><\/a><\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Resumo<\/strong>: Este trabalho busca desenvolver um estudo sobre a Psicomotricidade como uma forma\u00e7\u00e3o de base a toda crian\u00e7a, permitindo que ela se organize internamente ao conhecer o seu pr\u00f3prio corpo, e assim, perceber-se e ajustar-se ao meio. Nesta a\u00e7\u00e3o, a pr\u00e1tica psicomotora e a pr\u00e1tica psicopedag\u00f3gica tornam-se aliadas no processo interventivo, pois ambas visam \u00e0 aprendizagem e desenvolvimento das crian\u00e7as de modo integral. Do ponto de vista te\u00f3rico metodol\u00f3gico, esta pesquisa intenta contemplar as contribui\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas da Psicomotricidade e Psicopedagogia, com a possibilidade de favorecer a reflex\u00e3o e pr\u00e1tica quanto \u00e0 import\u00e2ncia destas \u00e1reas do conhecimento para a aprendizagem humana, principalmente na aquisi\u00e7\u00e3o da leitura, escrita e racioc\u00ednio l\u00f3gico. As informa\u00e7\u00f5es obtidas por meio do desenvolvimento psicomotor e da organiza\u00e7\u00e3o funcional do c\u00e9rebro permitir\u00e3o visualizar as dificuldades de aprendizagem, suas poss\u00edveis causas para a n\u00e3o internaliza\u00e7\u00e3o do conhecimento, bem como o reconhecimento das estruturas b\u00e1sicas que levam a aprendizagem por meio do processo interventivo. Este artigo apresenta tamb\u00e9m um estudo de caso, no qual foi poss\u00edvel verificar entraves e dificuldades na leitura e na aten\u00e7\u00e3o, relacionadas a aspectos psicomotores, de uma aprendente de 11 anos, de uma escola particular na regi\u00e3o metropolitana de Goi\u00e2nia, que apresenta queixa na constru\u00e7\u00e3o de sua aprendizagem. A metodologia aplicada caracterizou-se de forma bibliogr\u00e1fica descritiva, pois procurou explicar o tema abordado com base nas refer\u00eancias te\u00f3ricas em autores como Al\u00edcia Fernandez, Maria L\u00facia Weiss, N\u00e1dia Bossa, Vitor da Fonseca, F\u00e1tima Gon\u00e7alves e Gislene Oliveira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Palavras-chave:<\/strong> Psicomotricidade. Psicopedagogia. Aprendizagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Abstract:<\/strong> This work aims to develop a study about Psychomotricity, as a base of children formation, supporting the children to internally organize themselves, having knowledge of their own body and thus perceiving themselves and adjusting to the social environment. Therefore, the psychomotor development aspects, and the Psych pedagogy practice, become allies in the intervention process as the basis of the learning process from a theoretical and methodological point of view. This research try to contemplate the tertiary contributions of Psychomotricity with the possibility of favoring reflection and practice, as to the importance it has in learning, especially in the acquisition of reading, writing and logical reasoning. The information obtained through the psychomotor development and the functional organization of the brain, together with the psychomotor and psych pedagogical action, will allow the visualization of the difficulties, their possible causes for the non-internalization and knowledge of basic structures that carry to the learning and the interventive process. This article presents a case study in which it was possible to verify obstacles and difficulties in learning related to Psychomotor difficulties. To clarify the study, we discussed the case of an 11-year-old student from a private network in the metropolitan region of Goiania, who presents a complaint in the construction of her learning. The applied methodology was characterized in a descriptive bibliographical form, as it sought to study the topic approached based on the theoretical references, in authors such as Al\u00edcia Fernandes, Maria L\u00facia Weiss, N\u00e1dia Bossa, Vitor de Fonseca, F\u00e1tima Gon\u00e7alves, Gislene Oliveira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Key words<\/strong>: Psychomotricity. Psychopedagogy. Learning.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Este artigo procura investigar, analisar e compreender como se desenvolve o processo de aprendizagem na crian\u00e7a, de forma a contribuir para que ela se desenvolva sem trope\u00e7os, aproveitando ao m\u00e1ximo seu potencial cognitivo. Para atender esse objetivo, buscou-se realizar um estudo sobre as contribui\u00e7\u00f5es das \u00e1reas de Psicomotricidade e Psicopedagogia Cl\u00ednica. O trabalho comp\u00f5e-se de estudo de caso e fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, no que diz respeito \u00e0 aprendizagem, em termos gerais, e as poss\u00edveis causas do n\u00e3o aprender.<\/p>\n<p>Atualmente observa-se que o \u00edndice de alunos com dificuldades escolares aumenta a cada dia, muitas vezes n\u00e3o conseguem produzir e acompanhar a turma. Os estudos da Psicopedagogia mostram que as dificuldades de aprendizagem podem ser geradas por v\u00e1rias causas ou aspectos, s\u00e3o eles: cognitivos, afetivos, sensoriais, motores, pedag\u00f3gicos, culturais e socioecon\u00f4micos. Os educadores, em sua a\u00e7\u00e3o educativa, muitas vezes, n\u00e3o conseguem lidar coerentemente com tal situa\u00e7\u00e3o por n\u00e3o saberem a verdadeira causa. As duas \u00e1reas do conhecimento aqui citadas podem trabalhar estes aspectos e contribuir para que o aprendente consiga superar suas dificuldades.<\/p>\n<p>Para discorrer sobre esta tem\u00e1tica, procuramos responder alguns questionamentos: Como a Psicomotricidade, norteada pela teoria hist\u00f3rico-cultural, pode contribuir para a forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo como cidad\u00e3o? Como as pr\u00e1ticas psicomotoras, aliadas \u00e0s pr\u00e1ticas psicopedag\u00f3gicas, atuam no desenvolvimento humano e na aprendizagem? Como a pr\u00e1tica psicomotora pode contribuir na melhoria da leitura e escrita?<\/p>\n<p>Para elucidar tais quest\u00f5es, este artigo visa aprofundar acerca do conhecimento sobre os significados que a Psicomotricidade e a Psicopedagogia trazem e tamb\u00e9m suas contribui\u00e7\u00f5es para a Educa\u00e7\u00e3o escolar.<\/p>\n<p>Por acreditar que atrav\u00e9s do movimento a crian\u00e7a organiza melhor o seu pr\u00f3prio esquema corporal, percebendo-se a si mesma, o outro e o meio em que est\u00e1 inserida, adquirindo assim, novas aquisi\u00e7\u00f5es intelectuais, \u00e9 que se pretende analisar a import\u00e2ncia da Psicomotricidade no processo de ensino-aprendizagem.<\/p>\n<p>Estudos comprovam uma inter-rela\u00e7\u00e3o entre a Psicomotricidade e Psicopedagogia. Esta \u00faltima visa, por meio de seu arcabou\u00e7o te\u00f3rico, compreender a aprendizagem humana, bem como os obst\u00e1culos que interferem nesse processo, os quais comprometem o aprender. Al\u00e9m disso, prop\u00f5e apreender a forma como o sujeito constr\u00f3i conhecimento. J\u00e1 a primeira, a Psicomotricidade, busca, por meio da a\u00e7\u00e3o motora, estabelecer um equil\u00edbrio entre a organiza\u00e7\u00e3o motora, cognitiva e s\u00f3cio-afetiva desse ser (GON\u00c7ALVES, 2012). Ambas as ar\u00e9as do conhecimento consideram o sujeito em sua totalidade.<\/p>\n<p>A Psicopedagogia \u00e9 facilitadora, mediadora na constru\u00e7\u00e3o da aprendizagem, tendo como objeto de estudo,<\/p>\n<p>(&#8230;) o ato de aprender e ensinar, levando sempre em conta as realidades interna e externa da aprendizagem, tomadas em conjunto. [&#8230;] Procurando estudar a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento em toda a sua complexidade, procurando colocar em p\u00e9 de igualdade os aspectos cognitivos, afetivos e sociais que lhe est\u00e3o impl\u00edcitos (NEVES <em>apud<\/em> BOSSA, 1994, p.29).<\/p>\n<p>Atualmente, a Psicomotricidade tem sido enfatizada por Vitor da Fonseca (2008, 2012), F\u00e1tima Gon\u00e7alves (2012) e Gislene de Oliveira (1992, 2003), como potencial indispens\u00e1vel no processo de ensino-aprendizagem. A relev\u00e2ncia do desenvolvimento psicomotor da crian\u00e7a como um todo \u00e9 fundamental para a constru\u00e7\u00e3o de sua aprendizagem e esta n\u00e3o \u00e9 constru\u00edda sem o seu desenvolvimento. H\u00e1 aqui uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica e indissoci\u00e1vel. Ressalta-se ainda que a ludicidade deve ser inclu\u00edda nesse processo, pois \u00e9 considerada um importante instrumento na media\u00e7\u00e3o do processo de aprendizagem, considerando que as crian\u00e7as vivem num universo de encantamento, fantasia e sonhos onde o faz de conta e realidade se misturam, favorecendo o uso do pensamento, da concentra\u00e7\u00e3o, do desenvolvimento social, pessoal e cultural, facilitando assim, o processo de constru\u00e7\u00e3o do pensamento.<\/p>\n<p>A Psicomotricidade existe nos menores gestos e em todas as atividades que desenvolve a motricidade da crian\u00e7a, visando o conhecimento e o dom\u00ednio do seu corpo. Por essa raz\u00e3o, dizemos que esta \u00e1rea do conhecimento constitui-se em um fator essencial e indispens\u00e1vel ao desenvolvimento global e uniforme da crian\u00e7a. \u00c9 a base fundamental para o processo intelectivo e de aprendizagem. O desenvolvimento psicomotor evolui do geral para o espec\u00edfico. A crian\u00e7a cujo desenvolvimento \u00e9 mal constru\u00eddo poder\u00e1 apresentar problemas na escrita, na leitura e no racioc\u00ednio l\u00f3gico-matem\u00e1tico. Ou seja, poder\u00e1 revelar dificuldades na dire\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, na distin\u00e7\u00e3o de letras, na ordena\u00e7\u00e3o de s\u00edlabas, na abstra\u00e7\u00e3o (matem\u00e1tica), na an\u00e1lise gramatical, entre outras.<\/p>\n<p>Para entendermos esta afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso compreender como se d\u00e1 o desenvolvimento psicomotor, o qual acontece num processo conjunto de distintos aspectos, s\u00e3o eles: motores, intelectuais, sociais, emocionais e expressivos, iniciando-se antes mesmo do nascimento e contemplando-se no decorrer das etapas de desenvolvimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li><strong> Psicomotricidade, desenvolvimento psicomotor e aprendizagem<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A Psicomotricidade, historicamente, tem seus estudos marcados pela Filosofia, passando pela Neurologia e Psican\u00e1lise, tendo como objeto de estudo o ser humano e suas rela\u00e7\u00f5es com o corpo. Seu in\u00edcio foi marcado tamb\u00e9m por estudos voltados para a patologia. Wallon, Piaget e Ajuriaguerra tiveram a preocupa\u00e7\u00e3o de aprofundar esses estudos, direcionando-os para o campo do desenvolvimento.<\/p>\n<p>Os estudos de Wallon (1925, 1966) relacionaram os aspectos motores ao afeto e \u00e0 emo\u00e7\u00e3o. J\u00e1 Piaget (1896 &#8211; 1980), foi o te\u00f3rico que mais estudou as inter-rela\u00e7\u00f5es entre a motricidade e a percep\u00e7\u00e3o, por meio da ampla experimenta\u00e7\u00e3o. Preocupou-se com a rela\u00e7\u00e3o evolutiva da psicomotricidade com a intelig\u00eancia e considerou que a motricidade interfere na intelig\u00eancia, antes mesmo da aquisi\u00e7\u00e3o da linguagem. As contribui\u00e7\u00f5es de Ajuriaguerra (1960 &#8211; 1976) vieram consolidar as bases da evolu\u00e7\u00e3o psicomotora, voltou sua aten\u00e7\u00e3o mais especificamente para o corpo, dando \u00eanfase especial \u00e0s rela\u00e7\u00f5es, \u00e0s emo\u00e7\u00f5es e ao movimento.<\/p>\n<p>Na atualidade, podemos contar com autores como Vitor da Fonseca, F\u00e1tima Gon\u00e7alves e Gislene de Oliveira, os quais contribuem para os estudos da aprendizagem e das dificuldades de aprendizagem. Vitor da Fonseca (2008, 2012) aborda tamb\u00e9m as quest\u00f5es do desenvolvimento neuropsicomotor e as quest\u00f5es neuropsicol\u00f3gicas da aprendizagem.<\/p>\n<p>\u201cO conceito de Psicomotricidade ganhou assim uma express\u00e3o significativa, uma vez que traduz a solidariedade profunda e original entre a atividade ps\u00edquica e a atividade motora. O movimento \u00e9 equacionado como parte integrante do comportamento. A Psicomotricidade \u00e9 hoje concebida como integra\u00e7\u00e3o superior da motricidade, produto de uma rela\u00e7\u00e3o intelig\u00edvel entre a crian\u00e7a e o meio, e tem instrumento privilegiado por meio do qual a consci\u00eancia se forma e materializa-se.\u201d \u00a0(FONSECA, 2012, p.14).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesta abordagem, o autor chama a aten\u00e7\u00e3o de como o movimento e sua express\u00e3o refletem na Psicomotricidade e na estrutura\u00e7\u00e3o do psiquismo de cada indiv\u00edduo. Corroborando com esta an\u00e1lise, Gon\u00e7alves (2012, p. 85) aponta que \u201ca estimula\u00e7\u00e3o psicomotora adequada vem colaborar com a aquisi\u00e7\u00e3o desse psiquismo, pois p\u00f5e a crian\u00e7a em jogo com o objeto, com o meio e com ela pr\u00f3pria, criando uma comunica\u00e7\u00e3o corporal repleta de significados\u201d.<\/p>\n<p>A estrutura\u00e7\u00e3o do psiquismo e o desenvolvimento psicomotor da crian\u00e7a, segundo Fonseca (2008, p. 386)<strong>,<\/strong> est\u00e1 intimamente relacionada com o contexto s\u00f3cio-hist\u00f3rico, por isso \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o tipicamente humana.<\/p>\n<p>A crian\u00e7a, ao ser inserida em seu contexto sociocultural de forma din\u00e2mica, se organiza e se estrutura atrav\u00e9s de media\u00e7\u00f5es e intera\u00e7\u00f5es com o outro. Ela se apropria das aquisi\u00e7\u00f5es motoras, sensoriais, emocionais e cognitivas que v\u00e3o se desenvolvendo ao longo dos anos. Com o desenvolvimento psicomotor, seu c\u00e9rebro vai modificando a estrutura f\u00edsica em raz\u00e3o de seu aprendizado, e de suas experi\u00eancias, realizando assim, novas conex\u00f5es de acordo com as exig\u00eancias do meio. Assim, \u00e9 importante levar em considera\u00e7\u00e3o o aparato biol\u00f3gico individual que cada crian\u00e7a traz em sua carga gen\u00e9tica, e tamb\u00e9m as experi\u00eancias adquiridas pela intera\u00e7\u00e3o com o meio em que faz parte (GON\u00c7ALVES, 2012).<\/p>\n<p>Quanto ao aparato do desenvolvimento biol\u00f3gico, temos duas leis b\u00e1sicas: a lei <em>c\u00e9falo caudal<\/em> e a lei <em>pr\u00f3ximo distal<\/em>. Na lei <em>c\u00e9falo caudal<\/em>, o desenvolvimento segue das partes mais pr\u00f3ximas da cabe\u00e7a para os p\u00e9s, a crian\u00e7a firma a cabe\u00e7a antes do tronco, os membros superiores antes dos inferiores. Portanto, ela segura a cabe\u00e7a, rola, arrasta, senta, engatinha e depois fica de p\u00e9 e anda. Na lei <em>pr\u00f3ximo distal<\/em>, o desenvolvimento se d\u00e1 das partes mais pr\u00f3ximas ao eixo corporal para as extremidades. Seria, portanto, as articula\u00e7\u00f5es dos ombros antes dos cotovelos, estes antes das m\u00e3os e dedos que ser\u00e3o os \u00faltimos a se especializarem. (GON\u00c7ALVES, 2012, p.60).<\/p>\n<p>Com toda esta estrutura\u00e7\u00e3o de desenvolvimento biol\u00f3gico \u00e9 importante que ocorra um equil\u00edbrio, caso contr\u00e1rio, pode desencadear uma desestrutura\u00e7\u00e3o no processo de aprendizagem da crian\u00e7a. Para Vygotsky (<em>apud<\/em> FONSECA, 2008, p. 390), a aprendizagem est\u00e1 sempre relacionada com o desenvolvimento, s\u00e3o express\u00f5es que se inter-relacionam reciprocamente, e um, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sem o outro, e vice versa.<\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Nesse sentido, observou-se que \u201c[&#8230;] a aprendizagem pode ir n\u00e3o s\u00f3 atr\u00e1s do desenvolvimento, n\u00e3o s\u00f3 passo a passo com ele, mas pode super\u00e1-lo, projetando-o para frente e suscitando nele novas forma\u00e7\u00f5es\u201d (VYGOTSKY, 2000, p. 303).<\/p>\n<p>O conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal \u2013 ZDP<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> deve ser lembrado, pois atribui uma relevante import\u00e2ncia \u00e0 dimens\u00e3o social da aprendizagem e do desenvolvimento individual<strong>,<\/strong> na medida em que os est\u00edmulos culturais do ambiente fa\u00e7am a intera\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com o mundo exterior em que ela se desenvolve (FONSECA, 2008). Portanto, as condi\u00e7\u00f5es funcionais, ideais de estimula\u00e7\u00e3o recebida pela crian\u00e7a<strong>,<\/strong> \u00e9 que v\u00e3o sustentar o seu desenvolvimento cognitivo, motor e emocional. A estimula\u00e7\u00e3o constante ajudar\u00e1 nas aquisi\u00e7\u00f5es e processos maturacionais, lembrando que, devem ser respeitados os ritmos individuais de cada crian\u00e7a. \u201cA estimula\u00e7\u00e3o psicomotora, se estabelece, ent\u00e3o, como um instrumento facilitador de novas formas de comunica\u00e7\u00e3o e aprendizagem\u201d (GON\u00c7ALVES, 2012, p.63).<\/p>\n<p>Segundo Fonseca (2008), a aprendizagem \u00e9 um processo pelo qual o indiv\u00edduo adquire informa\u00e7\u00f5es, compet\u00eancias, atitudes, valores, cren\u00e7as, etc., a partir de seu contato e intera\u00e7\u00e3o cultural com grupos sociais. Desenvolve, portanto, sua intelig\u00eancia. A esse respeito, Fonseca (2008) afirma que,<\/p>\n<p>o desenvolvimento da intelig\u00eancia \u00e9, pois, em grande medida, fun\u00e7\u00e3o do contexto social e hist\u00f3rico-cultural, isto \u00e9, da qualidade e do tipo de intera\u00e7\u00f5es e media\u00e7\u00f5es que os outros exercem sobre o indiv\u00edduo. Ou seja, \u00e9 fruto da incorpora\u00e7\u00e3o ou integra\u00e7\u00e3o do que est\u00e1 fora ou, melhor dito, de como o extracorporal que consusbstanciam a cultura s\u00e3o transmitidos pelos outros mais experientes e s\u00e3o apropriados pelo pr\u00f3prio indiv\u00edduo (FONSECA, 2008, p. 40).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Podemos assim, perceber a import\u00e2ncia da estimula\u00e7\u00e3o psicomotora para facilitar a comunica\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com seu mundo interno e externo. \u201cA psicomotricidade tem o objetivo de enxergar o ser humano em sua totalidade, ela busca por meio da a\u00e7\u00e3o motora, estabelecer um equil\u00edbrio entre a organiza\u00e7\u00e3o motora, cognitiva e s\u00f3cio-afetiva desse ser\u201d (GON\u00c7ALVES, 2012).<\/p>\n<p>As compet\u00eancias trabalhadas por meio da estimula\u00e7\u00e3o psicomotora facilitar\u00e3o o desenvolvimento da crian\u00e7a nos aspectos relativos \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o da postura, da locomo\u00e7\u00e3o, da manipula\u00e7\u00e3o de objetos e da linguagem. Fonseca (2012) definiu essas compet\u00eancias como bases psicomotoras ou fatores psicomotores. S\u00e3o estes relacionados \u00e0 tonicidade, equilibra\u00e7\u00e3o, lateraliza\u00e7\u00e3o, no\u00e7\u00e3o corporal, estrutura\u00e7\u00e3o espa\u00e7o-temporal e praxia global e fina.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> Organiza\u00e7\u00e3o funcional do c\u00e9rebro, fatores psicomotores e aprendizagem<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Para falarmos em Organiza\u00e7\u00e3o funcional do c\u00e9rebro, citaremos Aleksander Romanovich Luria, um dos seguidores de Vygotsky. Luria, era russo, estudou Psicologia, foi m\u00e9dico neurocirurgi\u00e3o, pedagogo, com ampla vis\u00e3o da cogni\u00e7\u00e3o, sendo pioneiro mundial em Neuropsicologia. Luria estudou os mecanismos do c\u00e9rebro e seus sistemas funcionais adquiridos ao longo do processo s\u00f3cio hist\u00f3rico da esp\u00e9cie humana. Traduziu o funcionamento cerebral em sistemas funcionais e os dividiu em tr\u00eas unidades funcionais. Cada unidade funcional desempenha uma fun\u00e7\u00e3o espec\u00edfica na realiza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es, por\u00e9m elas s\u00e3o indissoci\u00e1veis no processo funcional cerebral, ou seja, uma depende da matura\u00e7\u00e3o da outra para organizar e integrar novas aprendizagens (GON\u00c7ALVES, 2012).<\/p>\n<p>Conforme Fonseca (2012), a fun\u00e7\u00e3o da Primeira Unidade Funcional, criada por Luria, \u00e9 de alerta e de aten\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 localizada no tronco cerebral (bulbo, ponte e mesenc\u00e9falo) e cerebelo; a Segunda Unidade Funcional tem a fun\u00e7\u00e3o de recep\u00e7\u00e3o, de integra\u00e7\u00e3o, de codifica\u00e7\u00e3o, de armazenamento e de processamento sensorial. Est\u00e1 localizada nos lobos temporais, ocipitais e parietais; e a fun\u00e7\u00e3o da Terceira Unidade \u00e9 de execu\u00e7\u00e3o motora, de planifica\u00e7\u00e3o e de autoregula\u00e7\u00e3o, localizada no lobo frontal.<\/p>\n<p>Ainda segundo Fonseca (2012), as bases psicomotoras referentes \u00e0 Primeira Unidade Funcional s\u00e3o a tonicidade e a equilibra\u00e7\u00e3o. As \u00e0reas referentes \u00e0 Segunda Unidade Funcional s\u00e3o a lateraliza\u00e7\u00e3o, a no\u00e7\u00e3o corporal e a estrutura\u00e7\u00e3o espa\u00e7o- temporal, e as que s\u00e3o referentes \u00e0 Terceira Unidade Funcional s\u00e3o praxias global e fina. Portanto, todas as fun\u00e7\u00f5es motoras est\u00e3o diretamente ligadas \u00e0s fun\u00e7\u00f5es cerebrais.<\/p>\n<p>Percebe-se que a Psicomotricidade est\u00e1 imbu\u00edda nos fatores acima citados e<strong>,<\/strong> do ponto de vista psicomotor<strong>,<\/strong> existem alguns pr\u00e9-requisitos para que uma crian\u00e7a se desenvolva e aprenda. \u00c9 necess\u00e1rio que possua um n\u00edvel de realiza\u00e7\u00e3o completa e adequada nesses fatores psicomotores. Tais fatores s\u00e3o assim mencionados<strong>,<\/strong> segundo Fonseca (2012):<\/p>\n<p>A <strong>tonicidade<\/strong> \u201c\u00e9 o alicerce fundamental da organiza\u00e7\u00e3o da Psicomotricidade, garante<strong>,<\/strong> por consequ\u00eancia<strong>,<\/strong> as atitudes, as posturas, as m\u00edmicas, as emo\u00e7\u00f5es, etc., de onde emergem todas as atividades motoras humanas\u201d (p.110). Est\u00e1 integrada \u00e0 primeira unidade de Luria<strong>,<\/strong> e suas fun\u00e7\u00f5es psiconeurol\u00f3gicas s\u00e3o de aten\u00e7\u00e3o, de alerta e de vigil\u00e2ncia, que sem as quais nenhuma atividade mental se realizaria. A tonicidade abrange todos os m\u00fasculos respons\u00e1veis pelas fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas e psicol\u00f3gicas. Esse fator psicomotor reflete o primeiro degrau de maturidade neurol\u00f3gica do ser humano, pois, suporta os padr\u00f5es antigrav\u00edticos e prepara a sequ\u00eancia ordenada das aquisi\u00e7\u00f5es do desenvolvimento postural e do desenvolvimento da preens\u00e3o (p. 128).<\/p>\n<p>A<strong> equilibra\u00e7\u00e3o<\/strong> \u00e9 tamb\u00e9m uma condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da organiza\u00e7\u00e3o psicomotora, pois envolve uma multiplicidade de ajustamentos posturais antigrav\u00edticos, os quais d\u00e3o suporte a qualquer resposta motora. \u201dA equilibra\u00e7\u00e3o re\u00fane um conjunto de aptid\u00f5es est\u00e1ticas e din\u00e2micas, abrangendo o controle e desenvolvimento das aquisi\u00e7\u00f5es de locomo\u00e7\u00e3o\u201d (p. 310). A equilibra\u00e7\u00e3o tem as fun\u00e7\u00f5es de vigil\u00e2ncia, de alerta e de aten\u00e7\u00e3o, contribui com a seguran\u00e7a gravitacional e \u00e9 sin\u00f4nimo de desenvolvimento da aten\u00e7\u00e3o seletiva e de manuten\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o primordial do c\u00e9rebro, contribuindo tamb\u00e9m na organiza\u00e7\u00e3o da fun\u00e7\u00e3o ps\u00edquica superior.<\/p>\n<p>A <strong>lateraliza\u00e7\u00e3o<\/strong> traduz a capacidade de integra\u00e7\u00e3o sens\u00f3rio-motora dos dois lados do corpo e contribui com todas as formas de orienta\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. Ela surge no final do primeiro ano de vida e se estabelece por volta dos 4 a 5 anos. \u00c9 governada por fatores gen\u00e9ticos, por\u00e9m poder\u00e1 ser influenciada por treinabilidade, ou por press\u00e3o de fatores sociais. Os dois hemisf\u00e9rios cerebrais, direito e esquerdo, se especializam em simb\u00f3lico e n\u00e3o simb\u00f3lico. As fun\u00e7\u00f5es da lateralidade s\u00e3o de recep\u00e7\u00e3o, de an\u00e1lise e de armazenamentos da informa\u00e7\u00e3o. Quando a lateralidade n\u00e3o est\u00e1 bem definida, a crian\u00e7a tem dificuldade em assimilar os conceitos de direita e esquerda, pois n\u00e3o distingue o seu lado dominante. Pode apresentar dificuldades na discrimina\u00e7\u00e3o visual, na dire\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, na no\u00e7\u00e3o espacial e tamb\u00e9m na caracteriza\u00e7\u00e3o de letras sim\u00e9tricas pela invers\u00e3o do \u201csentido direito-esquerda\u201d, como por exemplo, \u201cb\u201d, \u201cd\u201d, \u201cp\u201d, \u201cq\u201d, ou ainda por invers\u00e3o das letras ora, aro, etc. (OLIVEIRA, 2003, p. 72).<\/p>\n<p>A <strong>no\u00e7\u00e3o corporal<\/strong> \u201c\u00e9 a conscientiza\u00e7\u00e3o e conhecimento cada vez mais profundo do corpo, a crian\u00e7a \u00e9 seu corpo, pois \u00e9 atrav\u00e9s dele que ela elabora todas as suas experi\u00eancias vitais e organiza toda a sua personalidade\u201d (AJURIAGUERRA, <em>Apud<\/em>, FONSECA, 2012, p.164). O desenvolvimento de uma crian\u00e7a \u00e9 o resultado da intera\u00e7\u00e3o de seu corpo com os objetos de seu meio, com as pessoas com quem convive e com o mundo onde estabelece liga\u00e7\u00f5es afetivas e emocionais (LE BOULCH, 2001).<\/p>\n<p>O corpo, portanto, \u00e9 a maneira de ser da crian\u00e7a, e \u00e9 atrav\u00e9s dele que ela estabelece contato com o ambiente, que se engaja no mundo, que compreende o outro. Todo ser tem seu mundo constru\u00eddo a partir de suas pr\u00f3prias experi\u00eancias corporais. Nesse sentido, atrav\u00e9s das experi\u00eancias de aprendizagem, a crian\u00e7a constr\u00f3i seu esquema corporal e amplia seu repert\u00f3rio psicomotor, adquirindo autonomia e seguran\u00e7a (OLIVEIRA, 1992).<\/p>\n<p>Uma perturba\u00e7\u00e3o no esquema corporal pode levar a uma impossibilidade de se adquirirem os esquemas din\u00e2micos que correspondem ao h\u00e1bito visomotor e tamb\u00e9m intervem na leitura e escrita. Na escrita, por exemplo, pode n\u00e3o dispor bem e nem obedecer aos limites de uma folha, n\u00e3o conseguindo trabalhar v\u00edrgulas, pontos nem armar corretamente contas de somar<strong>. <\/strong>(OLIVEIRA, 2003, p.62).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o corporal tem como fun\u00e7\u00f5es a recep\u00e7\u00e3o, a an\u00e1lise e o armazenamento das informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A <strong>estrutura\u00e7\u00e3o espa\u00e7o-temporal <\/strong>emerge da motricidade, da rela\u00e7\u00e3o com os objetos localizados no espa\u00e7o, da posi\u00e7\u00e3o relativa que o corpo ocupa, enfim<strong>,<\/strong> das m\u00faltiplas rela\u00e7\u00f5es integradas da tonicidade, da equilibra\u00e7\u00e3o, da lateraliza\u00e7\u00e3o e da no\u00e7\u00e3o do corpo. A crian\u00e7a localiza a si pr\u00f3pria antes de se localizar no espa\u00e7o ou de localizar os objetos no espa\u00e7o. Localiza-os em rela\u00e7\u00e3o a si pr\u00f3pria e, posteriormente, localiza cada objeto (FONSECA, 2012).<\/p>\n<p>A estrutura\u00e7\u00e3o <strong>espacial<\/strong> est\u00e1 relacionada \u00e0 modalidade sens\u00f3rio-visual e tem como fun\u00e7\u00f5es a an\u00e1lise, o processamento e o armazenamento das informa\u00e7\u00f5es. A crian\u00e7a com problemas neste fator, pode apresentar dificuldades na discrimina\u00e7\u00e3o visual como na discrimina\u00e7\u00e3o de letras no sentido de cima para baixo, como<strong>,<\/strong> por exemplo<strong>: <\/strong>\u201cb\u201d, \u201cd\u201d, \u201cp\u201d, \u201cq\u201d, \u201cn\u201d, \u201cu\u201d, \u201cou\u201d, \u201con\u201d, bem como incapacidade em orientar-se no espa\u00e7o. Para escrever \u00e9 necess\u00e1rio que consiga situar as letras no papel, adequando-as<strong>, <\/strong>em forma e tamanho<strong>,<\/strong> ao espa\u00e7o que se disp\u00f5e e que compeenda os conceitos como: perto\/longe; dentro\/fora; mais perto\/ bem longe; atr\u00e1s\/\u00e0 frente, embaixo\/em cima; alto\/mais alto (OLIVEIRA, 2003, p. 79 e 83).<\/p>\n<p>A estrutura\u00e7\u00e3o <strong>temporal<\/strong> est\u00e1 relacionada \u00e0 modalidade sens\u00f3rio-auditiva<strong>. <\/strong>A crian\u00e7a com problemas neste aspecto poder\u00e1 apresentar confus\u00e3o na ordena\u00e7\u00e3o dos elementos, n\u00e3o percebendo o que \u00e9 primeiro e o que \u00e9 \u00faltimo; n\u00e3o situando no antes e o depois; n\u00e3o percebendo intervalos e nem a diferen\u00e7a de sons, como, por exemplo: \u201ct\u201d; \u201cd\u201d; \u201cb\u201d; \u201cm\u201d; \u201cn\u201d, podendo demonstrar tamb\u00e9m dificuldades no ritmo ao realizar a leitura. Pode tamb\u00e9m, n\u00e3o ser capaz de organizar seu tempo, pois n\u00e3o prev\u00ea suas atividades, demorando muito em realizar uma tarefa e n\u00e3o conseguindo terminar as outras (OLIVEIRA, 2003, p.103).<\/p>\n<p>A <strong>Praxia<\/strong> <strong>Global<\/strong> (coordena\u00e7\u00e3o motora ampla) est\u00e1 integrada na terceira unidade de Luria, cujas fun\u00e7\u00f5es envolvem a organiza\u00e7\u00e3o da atividade consciente e sua programa\u00e7\u00e3o, regula\u00e7\u00e3o e verifica\u00e7\u00e3o (FONSECA, 2012, p.202). \u00c9 relativa \u00e0 coordena\u00e7\u00e3o din\u00e2mica geral e \u00e0 generaliza\u00e7\u00e3o motora<strong>,<\/strong> que integra a postura, a locomo\u00e7\u00e3o, o contato, a recep\u00e7\u00e3o e a propuls\u00e3o de objetos. Isto \u00e9, a integra\u00e7\u00e3o sist\u00eamica dos movimentos do corpo com movimentos do pr\u00f3prio envolvimento. Segundo Oliveira (2003, p.41)<strong>,<\/strong> este fator diz respeito \u00e0 atividade dos grandes m\u00fasculos e depende da capacidade de equil\u00edbrio postural do indiv\u00edduo. Refere-se tamb\u00e9m \u00e0 capacidade de realizar movimentos coordenados e dissociados.<\/p>\n<p>A<strong> Praxia Fina <\/strong>(coordena\u00e7\u00e3o motora fina), integrada tamb\u00e9m na terceira unidade de Luria, procura estudar na crian\u00e7a a sua capacidade construtiva manual e a sua destralidade bimanual como um componente psicomotor relevante para todos os processos de aprendizagem. \u201cA preens\u00e3o manual com a preens\u00e3o visual s\u00e3o fatores determinantes na captura de informa\u00e7\u00f5es do meio exterior, por isso grandes polos da aprendizagem sens\u00f3rio-motora e psicomotora\u201d (FONSECA, 2012, p. 222). Essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o relevantes para este trabalho, pois pretende-se relacionar estes fatores psicomotores com a escrita.<\/p>\n<p>Oliveira (2003) menciona que o desenvolvimento da escrita depende de v\u00e1rios fatores como: a matura\u00e7\u00e3o do sistema nervoso, o desenvolvimento psicomotor, a tonicidade, a lateralidade, a percep\u00e7\u00e3o corporal, a coordena\u00e7\u00e3o motora global e fina. Estes est\u00e3o relacionados entre si e interagem na forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. Quando bem desenvolvidos na crian\u00e7a, ajudam-na em sua constru\u00e7\u00e3o da aprendizagem e na supera\u00e7\u00e3o de suas dificuldades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> Psicopedagogia <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A Psicopedagogia dedica-se ao estudo da aprendizagem humana nos diversos aspectos das rela\u00e7\u00f5es interpessoais observando o contexto social em que o sujeito est\u00e1 inserido. Tem o papel de compreender as causas e as consequ\u00eancias que afetam o aprender desse sujeito<strong>,<\/strong> bem como o seu desenvolvimento s\u00f3cio afetivo.<\/p>\n<p>Segundo N\u00e1dia Bossa, a Psicopedagogia refere-se a um saber e a um saber fazer, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es subjetivas e relacionais \u2013 em especial familiares e escolares \u2013 \u00e0s inibi\u00e7\u00f5es, atrasos, desvios do sujeito ou grupo a ser diagnosticado.<\/p>\n<p>O conhecimento psicopedag\u00f3gico n\u00e3o se cristaliza numa delimita\u00e7\u00e3o fixa, nem nos d\u00e9ficits e altera\u00e7\u00f5es subjetivas do aprender, mas avalia a possibilidade do sujeito, a disponibilidade afetiva de saber e fazer, reconhecendo que o saber \u00e9 pr\u00f3prio do sujeito (BOSSA, 1994, p. 127).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A autora afirma ainda que h\u00e1 necessidade da escuta na atua\u00e7\u00e3o psicopedag\u00f3gica quando salienta a percep\u00e7\u00e3o do inter jogo entre o desejo de conhecer e o de ignorar. Para tanto, \u00e9 importante saber lidar com poss\u00edveis rea\u00e7\u00f5es como resist\u00eancias, bloqueios e sentimentos na constru\u00e7\u00e3o da aprendizagem.<\/p>\n<p>Nem sempre as causas da dificuldade de aprendizagem est\u00e3o localizadas somente no aluno e professor, pois a aprendizagem e dificuldade de aprendizagem fazem parte de um processo com in\u00fameras vari\u00e1veis que precisam ser compreendidas e cuidadas pelo professor e psicopedagogo.<\/p>\n<p>O psicopedagogo, ao perceber que o aluno apresenta problemas de aprendizagem, pode verificar se suas dificuldades est\u00e3o relacionadas com a sua parte motora, com o desenvolvimento psicomotor, ou mesmo com os d\u00e9ficits psicomotores.\u00a0 Como j\u00e1 mencionado anteriormente, a crian\u00e7a cujo desenvolvimento psicomotor \u00e9 mal constitu\u00eddo poder\u00e1 apresentar problemas na escrita, na leitura, na dire\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, na distin\u00e7\u00e3o de letras (ex: b\/d), na ordena\u00e7\u00e3o de s\u00edlabas, no pensamento abstrato (matem\u00e1tica), na an\u00e1lise gramatical, dentre outras. \u00a0Da\u00ed a relev\u00e2ncia da Psicomotricidade e da Psicopedagogia estarem diretamente ligadas nesse processo.<\/p>\n<p>A Psicopedagogia<strong>,<\/strong> durante uma avalia\u00e7\u00e3o<strong>,<\/strong> utiliza os elementos b\u00e1sicos da Psicomotricidade, com frequ\u00eancia de testes, que permitem investigar a forma como o sujeito instrumentaliza suas fun\u00e7\u00f5es motoras. Esses elementos de an\u00e1lise permitem correlacionar os poss\u00edveis dist\u00farbios psicomotores com caracter\u00edsticas da aprendizagem (SAFRA, <em>apud<\/em> BOSSA, 1994, p. 41).<\/p>\n<p>Os jogos, as brincadeiras e o brinquedo s\u00e3o elementos comuns na pr\u00e1tica psicopedag\u00f3gica e na pr\u00e1tica psicomotora. Quando se recorre aos jogos, cria-se um ambiente de experi\u00eancias e informa\u00e7\u00f5es, incorporando atitudes e valores. Para que a aprendizagem ocorra de forma natural \u00e9 necess\u00e1rio respeitar e resgatar o movimento humano, respeitando a bagagem espont\u00e2nea de conhecimento da crian\u00e7a, seu mundo cultural, movimentos, atitudes l\u00fadicas, criatividades e fantasias. Assim, s\u00e3o ferramentas utilizadas tanto na avalia\u00e7\u00e3o como na interven\u00e7\u00e3o psicopedag\u00f3gica.<\/p>\n<p>De acordo com Freud (<em>apud<\/em> BOSSA, 1994, p. 85)<strong>,<\/strong> \u201co jogo \u00e9 uma atividade criativa e curativa, pois permite \u00e0 crian\u00e7a (re) viver ativamente as situa\u00e7\u00f5es dolorosas que viveu passivamente, modificando os enlaces dolorosos e ensaiando na brincadeira as suas expectativas da realidade\u201d.<\/p>\n<p>Na din\u00e2mica psicopedag\u00f3gica, o jogo abre espa\u00e7o que permite a crian\u00e7a imaginar e fantasiar. Ao sentir necessidade de colocar em cena os objetos concretos, expressam sentimentos, reproduzem comportamentos e atitudes, fazendo os brinquedos representarem o seu mundo real.<\/p>\n<p>Conforme Fern\u00e1ndez (1991)<strong>,<\/strong> o aprender \u00e9 um di\u00e1logo com o outro. Sup\u00f5e a energia desejante, o desejo de dominar. Sa\u00edda da onipot\u00eancia, contato com a fragilidade humana, alegria da descoberta, desprender-se, libertar-se.<\/p>\n<p>Neste contexto, compreende-se que tanto a proposta de trabalho da Psicopedagogia como o da Psicomotricidade se interligam para contribuir para a aprendizagem humana. De modo que, pesquisando os processos necess\u00e1rios para que o indiv\u00edduo adquira novos conhecimentos, de forma satisfat\u00f3ria, e a partir das habilidades existentes, resolvam ou mediem os poss\u00edveis entraves no processo de aprender.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong> Metodologia<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O estudo de caso em an\u00e1lise consiste em uma pesquisa qualitativa na qual foram utilizados instrumentos avaliativos com embasamento te\u00f3rico para o tratamento dos dados. O per\u00edodo de coleta de informa\u00e7\u00f5es deu-se a partir do segundo semestre de 2017, durante o est\u00e1gio curricular de Psicopedagogia da Faculdade Araguaia Goi\u00e2nia &#8211; GO, cujo objetivo era realizar uma Avalia\u00e7\u00e3o Psicopedag\u00f3gica na \u00e1rea cl\u00ednica.<\/p>\n<p>As sess\u00f5es foram realizadas com uma crian\u00e7a do sexo feminino, L.L.S.S. de \u00a011 anos, com queixa de \u201cd\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o\u201d, no per\u00edodo de 04 de dezembro de 2017 a 22 de janeiro de 2018, em 09 sess\u00f5es de 1 hora em m\u00e9dia, sendo 06 sess\u00f5es com a crian\u00e7a, 02 sess\u00f5es com os pais (Anamnese e Devolutiva) e 01 sess\u00e3o com a professora, na escola (Entrevista).<\/p>\n<p>Foi adotado como objeto de estudo uma crian\u00e7a do sexo feminino de 11 anos, que cursa o Ensino Fundamental I em uma rede particular, no turno vespertino, na cidade de Goi\u00e2nia &#8211; GO, por apresentar dificuldades relacionadas ao desempenho escolar. As queixas, tanto dos pais quanto da escola, referiam-se as dificuldades da aluna em Portugu\u00eas, na leitura, interpreta\u00e7\u00e3o, compreens\u00e3o de texto e no racioc\u00ednio l\u00f3gico matem\u00e1tico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s quatro opera\u00e7\u00f5es. A crian\u00e7a se encontra com n\u00edvel de aprendizagem aqu\u00e9m dos seus pares, apresentando desaten\u00e7\u00e3o e lentid\u00e3o em suas produ\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para iniciar o trabalho fez-se o contato com os pais\/respons\u00e1veis para marcar data e hora dos atendimentos. Na sequ\u00eancia foram feitas as sess\u00f5es de atendimento<strong>,<\/strong> na configura\u00e7\u00e3o cl\u00ednica<strong>,<\/strong> com a utiliza\u00e7\u00e3o\u00a0de alguns instrumentos de pesquisa, como:<\/p>\n<ol>\n<li>A Anamnese, entrevista que ocorre com os pais, por meio de um question\u00e1rio semiestruturado, tem como objetivo acessar, conhecer a hist\u00f3ria, as particularidades numa diversidade de contextos e situa\u00e7\u00f5es da vida regressa e atual da aprendente. Posteriormente, visa estabelecer o contrato com a fam\u00edlia, explicar e apresentar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), o qual evidencia a participa\u00e7\u00e3o no est\u00e1gio, garantindo o direito de autonomia.<\/li>\n<li>A EOCA, \u00e9 realizada com a inten\u00e7\u00e3o de investigar o modelo de aprendizagem do sujeito. Para Visca (1987, p.72), dever\u00e1 ser um instrumento simples, por\u00e9m rico em seus resultados. Consiste em solicitar ao sujeito que mostre o que ele sabe fazer, o que lhe ensinaram a fazer e o que aprendeu a fazer, utilizando-se de materiais dispostos sobre a mesa. Esse material did\u00e1tico deve ser de acordo com a idade da crian\u00e7a.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li>\u00a0\u00a0 As Provas Projetivas<strong>,<\/strong> t\u00eam como objetivo<strong>,<\/strong> segundo Visca (1995)<strong>,<\/strong> verificar as significa\u00e7\u00f5es do ato de aprender e as rela\u00e7\u00f5es vinculares que \u00a0\u00a0se\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 formam<\/li>\n<\/ol>\n<p>com o conhecimento e as figuras de ensinante. Foram aplicados os Testes: da Fam\u00edlia Educativa, que investiga a rela\u00e7\u00e3o do aprendente individualmente e com seus familiares; do Par Educativo, que busca compreender que rela\u00e7\u00e3o o aprendente possui com a figura de ensinante e de O V\u00ednculo Consigo Mesmo, o qual aponta para as rela\u00e7\u00f5es que o pr\u00f3prio indiv\u00edduo estabelece em si, em termos de emo\u00e7\u00f5es e percep\u00e7\u00f5es do mundo.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li>As Provas Operat\u00f3rias, segundo Sampaio (2012), buscam compreender o funcionamento e o desenvolvimento das fun\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas do aprendente. Sua aplica\u00e7\u00e3o consiste em averiguar o n\u00edvel cognitivo em que o aprendente se encontra e se h\u00e1 defasagem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 idade cronol\u00f3gica. Os testes utilizados foram: de Seria\u00e7\u00e3o; de Conserva\u00e7\u00e3o de Massa, de Comprimento e de L\u00edquido; de Classifica\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Na visita escolar utilizou-se um question\u00e1rio semiestruturado com o professor. Os autores Ghiringhello e Borges (2013) prop\u00f5em que na entrevista investigue-se como a crian\u00e7a se comporta em sala de aula e como \u00e9 seu relacionamento consigo mesma e com seus colegas. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m procura compreender, por meio dos relatos da professora, como os pais acompanham a escolaridade do filho e se participam de festividades e reuni\u00f5es pedag\u00f3gicas, e ainda, como a professora lida com as dificuldades apresentadas pela crian\u00e7a.<\/li>\n<li>Nas Provas Pedag\u00f3gicas foram empregadas, no diagn\u00f3stico, testes de leitura de texto liter\u00e1rio intitulado \u201c<em>A minha vida \u00e9 uma festa<\/em>\u201d, de escrita e de Matem\u00e1tica.<\/li>\n<li>Na Avalia\u00e7\u00e3o Psicomotora<strong>,<\/strong> foi utilizada a <em>Bateria Psicomotora<\/em> de Vitor da Fonseca (2012) e teve os objetivos de avaliar a aprendente em todos os aspectos psicomotores como: tonicidade, equilibra\u00e7\u00e3o, lateraliza\u00e7\u00e3o, no\u00e7\u00e3o corporal, estrutura\u00e7\u00e3o espa\u00e7o temporal e praxias global e fina, bem como de observar as dificuldades psicomotoras encontradas e relacion\u00e1-las com as dificuldades de aprendizagem apresentadas nas queixas iniciais.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Al\u00e9m dos instrumentos listados, tamb\u00e9m foram incorporados \u00e0 pesquisa: registros pessoais, relat\u00f3rios, planejamentos, leituras e conversas informais com a educanda e com a fam\u00edlia. Posteriormente, foi elaborado o Informe Psicopedag\u00f3gico e entregue aos pais e escola, com as devidas orienta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong> Apresenta\u00e7\u00e3o, an\u00e1lise e discuss\u00e3o do caso<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>O caso aqui apresentado<strong>,<\/strong> traz como queixa que a crian\u00e7a \u201cpossui d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o\u201d, observado pela professora, no in\u00edcio do terceiro ano do Ensino Fundamental I. Ap\u00f3s a consulta m\u00e9dica, passou a usar Ritalina (0,5mg por dia), para melhorar a concentra\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o em suas atividades. M\u00e3e relatou que a filha era lenta \u201cn\u00e3o conseguia acompanhar os colegas na escola\u201d (SIC) e que tinha dificuldade na leitura, s\u00f3 compreendia a leitura quando algu\u00e9m lia para ela.<\/p>\n<p>O seu desenvolvimento neuropsicomotor foi normal, sem qualquer intercorr\u00eancia. Sempre demonstrou independ\u00eancia, buscando fazer tudo com autonomia e rapidez. Quanto \u00e0 sa\u00fade, a m\u00e3e apontou que a crian\u00e7a necessita fazer uso de \u00f3culos, pois possui <em>astigmatismo<\/em>, e co\u00e7a bastante os olhos. Possui um sono tranquilo, alimenta-se bem, come de tudo um pouco.<\/p>\n<p>Deu in\u00edcio \u00e0 vida escolar aos 4 anos de idade sem problemas de adapta\u00e7\u00e3o. Come\u00e7ou seus estudos na atual escola no ano de 2010, quando demonstrou um bom desenvolvimento e j\u00e1 iniciou o aprendizado de algumas fam\u00edlias sil\u00e1bicas, conseguindo ler pequenas palavras. A crian\u00e7a possui rotina e sempre faz as tarefas escolares com a supervis\u00e3o da m\u00e3e.<\/p>\n<p>Foi indicada pela institui\u00e7\u00e3o escolar a passar pelo processo de avalia\u00e7\u00e3o psicopedag\u00f3gica, por apresentar desaten\u00e7\u00e3o e dificuldade na aquisi\u00e7\u00e3o da leitura e na escrita. Sua atitude durante o processo de avalia\u00e7\u00e3o foi de interesse, motiva\u00e7\u00e3o, extrovers\u00e3o e interagiu de forma positiva com a terapeuta.<\/p>\n<p>Segundo Fern\u00e1ndez (1991), modalidade de aprendizagem \u00e9 a forma pela qual cada ser humano, em particular, estabelece sua rela\u00e7\u00e3o com o conhecimento. \u00c9 o modo como ocorre o processo de constru\u00e7\u00e3o de conhecimento no interior do sujeito que aprende.<\/p>\n<p>De acordo com os testes realizados verificou-se que o modelo de aprendizagem da aprendente foi o hipoassimilativo\/hiperacomodativo, pois n\u00e3o criou algo novo, repetiu conhecimentos adquiridos anteriormente utilizando esquema de pensamento empobrecido, demonstrou falta de envolvimento com o objeto de aprendizagem e, consequentemente, com o conhecimento. Tamb\u00e9m n\u00e3o apresentou iniciativa durante a execu\u00e7\u00e3o das atividades. Al\u00e9m disso, referente aos tra\u00e7os hiperacomodativos apresentou caracter\u00edsticas de falta de iniciativa, obedi\u00eancia extrema \u00e0s regras, acr\u00edtica, n\u00e3o questionamentos e submiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo Weiss (2012, p.117), os testes projetivos mostram a maneira como o sujeito se percebe, interpreta e estrutura um material ou uma situa\u00e7\u00e3o. Refletem os aspectos fundamentais do seu psiquismo. \u00c9 poss\u00edvel, desse modo, buscar rela\u00e7\u00f5es com a apreens\u00e3o do conhecimento por meio da busca, da evita\u00e7\u00e3o, da distor\u00e7\u00e3o, da omiss\u00e3o, do esquecimento de algo que lhe \u00e9 apresentado. Podem-se detectar, assim, obst\u00e1culos afetivos existentes nesse processo de aprendizagem de n\u00edvel geral e especificamente escolar. Desse modo, na an\u00e1lise deste estudo de caso<strong>,<\/strong> a aprendente revelou um bom v\u00ednculo consigo mesma e com a fam\u00edlia e tamb\u00e9m com situa\u00e7\u00f5es de aprendizagem sistematizada, o que se pode considerar que h\u00e1 um desejo pelo processo de aprender.<\/p>\n<p>Visca (1995, p. 11), afirma que a aplica\u00e7\u00e3o das provas operat\u00f3rias tem como objetivo determinar o n\u00edvel de pensamento do sujeito<strong>,<\/strong> realizando uma an\u00e1lise quantitativa para reconhecer as diferen\u00e7as funcionais efetivando um estudo predominantemente qualitativo. Nesta an\u00e1lise, a aprendente opera com uma estrutura de pensamento em transi\u00e7\u00e3o do est\u00e1gio Operat\u00f3rio para o Formal. Demostrou limita\u00e7\u00f5es na aten\u00e7\u00e3o e na mem\u00f3ria, dificultando a compreens\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o de textos. Embora, em suas produ\u00e7\u00f5es, revelaram coes\u00e3o, coer\u00eancia e significado, entretanto, com repeti\u00e7\u00f5es, aqu\u00e9m do esperado para sua faixa et\u00e1ria, o que pode estar dificultando o processo de aquisi\u00e7\u00e3o da leitura e da escrita.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o das provas pedag\u00f3gicas relacionadas \u00e0 leitura e a escrita, Ferreiro e Teberosky (1991) descrevem que o aprendiz deve formular hip\u00f3teses a respeito do c\u00f3digo, percorrendo um caminho que pode ser representado nos n\u00edveis pr\u00e9-sil\u00e1bico, sil\u00e1bico, sil\u00e1bico alfab\u00e9tico e alfab\u00e9tico.<\/p>\n<p>Nesta an\u00e1lise a aprendente se encontra no n\u00edvel de escrita alfab\u00e9tico (ortogr\u00e1fico). Sua leitura foi lenta, sem respeito aos sinais de pontua\u00e7\u00e3o e de entona\u00e7\u00e3o das s\u00edlabas t\u00f4nicas das palavras. Observou-se dificuldades na coer\u00eancia e coes\u00e3o de textos mais complexos. Sua escrita foi de tra\u00e7ado gr\u00e1fico leg\u00edvel de boa qualidade e \u00e0s vezes oscilou no tamanho das letras. Todavia, a realiza com boa orienta\u00e7\u00e3o no papel e n\u00e3o foram percebidas letras espelhadas, por\u00e9m apresentou preens\u00e3o inadequada ao pegar o l\u00e1pis.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise do racioc\u00ednio l\u00f3gico matem\u00e1tico, a crian\u00e7a realizou as sequ\u00eancias num\u00e9ricas com autonomia e as quatro opera\u00e7\u00f5es com capacidade de abstra\u00e7\u00e3o. Entretanto, indicou dificuldades na reversibilidade do pensamento ao relacionar com as situa\u00e7\u00f5es vivenciais e conte\u00fados sistematizados.<\/p>\n<p>Na Avalia\u00e7\u00e3o Psicomotora, a aprendente<strong>,<\/strong> obteve uma realiza\u00e7\u00e3o controlada e adequada, revelando um perfil psicomotor bom. Por\u00e9m, com dificuldades em alguns fatores como<strong>:<\/strong> na tonicidade demonstrou m\u00e1 postura e pouca for\u00e7a muscular<strong>;<\/strong> na equilibra\u00e7\u00e3o, apresentou desequil\u00edbrios e quedas; e nas praxias global e fina, revelou dificuldades na coordena\u00e7\u00e3o e dissocia\u00e7\u00e3o dos movimentos e na coordena\u00e7\u00e3o \u00f3culo manual e pedal. Al\u00e9m disso, demonstrou entraves em alguns subfatores, tais como: organiza\u00e7\u00e3o espacial, estrutura r\u00edtmica, agilidade e destreza dos movimentos micromotores.<\/p>\n<p>Estes d\u00e9ficits psicomotores apresentados pela aprendente, justificam as queixas. A tonicidade e o equil\u00edbrio, por exemplo, segundo Fonseca (2012, p.110 e 131), tem a fun\u00e7\u00e3o primordial de alerta, vig\u00edlia e aten\u00e7\u00e3o; garantem tamb\u00e9m as atitudes, o controle postural, as m\u00edmicas e emo\u00e7\u00f5es, as quais a aprendente apresentou fraca realiza\u00e7\u00e3o. A organiza\u00e7\u00e3o espacial e a estrutura\u00e7\u00e3o r\u00edtmica, as quais tamb\u00e9m apresentou limita\u00e7\u00f5es, est\u00e3o diretamente ligadas ao desenvolvimento das percep\u00e7\u00f5es psicomotoras necess\u00e1rias \u00e0 leitura e escrita. E por \u00faltimo, os d\u00e9ficits nas praxias global e fina, que est\u00e3o diretamente ligadas \u00e0 programa\u00e7\u00e3o, ao planejamento, \u00e0 compreens\u00e3o e \u00e0 execu\u00e7\u00e3o da escrita, os quais dependem tamb\u00e9m, de forma hierarquizada, de todos os outros fatores psicomotores.<\/p>\n<p>Assim, no caso da aprendente L.L.S.S confirma-se as queixas familiar e escolar. Percebeu-se dificuldades de car\u00e1ter pedag\u00f3gico na constru\u00e7\u00e3o da leitura e do racioc\u00ednio l\u00f3gico matem\u00e1tico, quadro sugestivo de fragilidade nos est\u00edmulos psicomotores e ambientais. No aspecto psicomotor foi observado pobreza de est\u00edmulos nos fatores de tonicidade, equil\u00edbrio, estrutura\u00e7\u00e3o espa\u00e7o\/temporal, e coordena\u00e7\u00e3o motora global\/fina. No aspecto cognitivo percebeu-se d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 longo o caminho a percorrer quando \u00e9 diagnosticada uma dificuldade de aprendizagem, as quais familiares e educadores se concentram em trat\u00e1-las e super\u00e1-las. Para isso, \u00e9 preciso dedica\u00e7\u00e3o e empenho por parte de todos os envolvidos neste processo.<\/p>\n<p>Nesse estudo, foi analisada uma crian\u00e7a plena de suas fun\u00e7\u00f5es, alegre, mas com sintomas de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o e lentid\u00e3o na aprendizagem escolar, sinalizados pela escola e fam\u00edlia.<\/p>\n<p>A compreens\u00e3o dos resultados obtidos no processo do diagn\u00f3stico foi de total relev\u00e2ncia para direcionar os caminhos a serem percorridos no tratamento das dificuldades apresentadas e, consequentemente, para melhor formular objetivos e programar a\u00e7\u00f5es interventivas visando \u00e0 supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o amparo das teorias da Psicomotricidade e da Psicopedagogia, pode-se formular hip\u00f3teses e estabelecer crit\u00e9rios que fundamentar\u00e3o os dados encontrados. A Psicomotricidade permitiu compreender que os entraves observados na aprendizagem sistematizada podem ser amenizadas ou superadas no processo de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Portanto, os aspectos aqui analisados s\u00e3o pass\u00edveis de serem contornados por meio de uma interven\u00e7\u00e3o criteriosa, que busque as causas desencadeadoras ou determinantes das dificuldades da crian\u00e7a. E assim, cabe ao psicopedagogo escolher o caminho metodol\u00f3gico que melhor se adapte ao caso. Para tanto, o profissional de Psicopedagogia deve buscar conhecimentos e trabalho em parceria com profissionais da Psicomotricidade, adotar novas abordagens ao se dirigir ao aprendiz, sempre levando-o a acreditar que \u00e9 capaz de superar os seus pr\u00f3prios obst\u00e1culos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>BOSSA, N. A.<strong> A Psicopedagogia no Brasil: contribui\u00e7\u00f5es a partir da pr\u00e1tica<\/strong>. Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas, 1994.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FERNANDEZ, A. <strong>A intelig\u00eancia aprisionada: abordagens psicopedag\u00f3gicas cl\u00ednicas da crian\u00e7a e sua fam\u00edlia<\/strong>. Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas, 1991.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FERRERO, E.; TEBEROSKY, A. <strong>Psicog\u00eanese da l\u00edngua escrita<\/strong>. Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas, 1991.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FONSECA, V. <strong>Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem<\/strong>. Porto Alegre: Artemed, 2008.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>__________. Manual de observa\u00e7\u00e3o psicomotora: significa\u00e7\u00e3o psiconeurol\u00f3gica dos fatores psicomotores<\/strong>. Rio de Janeiro: Wak, 2012.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>GHIRINGHELLO, L.; BORGES, S. L. P. <strong>Interlocu\u00e7\u00f5es entre a cl\u00ednica psicol\u00f3gica e a escola no psicodiagn\u00f3stico interventivo<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2013.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>GON\u00c7ALVES, F. <strong>Psicomotricidade e Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Cultural RBL Editora LTDA, 2012.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>OLIVEIRA, G. C. <strong>Psicomotricidade: um estudo em escolares com dificuldades em leitura e escrita<\/strong><em>.<\/em> 1992. [371]. Tese de doutorado &#8211; Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Campinas, 1992.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>____________. <strong>Psicomotricidade educa\u00e7\u00e3o e reeduca\u00e7\u00e3o num enfoque psicopedag\u00f3gico<\/strong>. 8\u00aa. ed. Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 2003.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>PA\u00cdN, S. <strong>Diagn\u00f3stico e tratamento dos problemas de aprendizagem<\/strong>. 4\u00aa ed. Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas, 1992.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SAMPAIO, S. <strong>Manual pr\u00e1tico do diagn\u00f3stico psicopedag\u00f3gico cl\u00ednico<\/strong>. 3\u00aa ed. Rio de Janeiro: Wak, 2012.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>VISCA, J. <strong>Cl\u00ednica Psicopedag\u00f3gica. Epistemologia Convergente<\/strong>. Porto Alegre, Artes M\u00e9dicas, 1987.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad____________. <strong>O diagn\u00f3stico operat\u00f3rio na pr\u00e1tica psicopedag\u00f3gica<\/strong>. Buenos Aires: Ag.Serv,G., 1995.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>WEISS, M. L. L. <strong>Psicopedagogia cl\u00ednica: uma vis\u00e3o diagn\u00f3stica dos problemas de aprendizagem escolar<\/strong>. 14\u00aa. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Lamparina, 2012.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Graduada em Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica pela ESEFEGO\/GO. Especialista em Administra\u00e7\u00e3o Escolar pela Universidade Salgado de Oliveira. Especialista em Psicomotricidade pela Universidade C\u00e2ndido Mendes. E-mail: mcmcelina2@gmail.com<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Graduada em Pedagogia. Especialista em Psicopedagogia. Mestra em Educa\u00e7\u00e3o \u2013 PUC\/Goi\u00e1s. E-mail: miriamgomes4m@hotmail.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Zona de Desenvolvimento Proximal \u00e9 a dist\u00e2ncia entre o N\u00edvel de Desenvolvimento Real e o N\u00edvel de Desenvolvimento Potencial da crian\u00e7a, ou seja, a dist\u00e2ncia entre o que a crian\u00e7a j\u00e1 sabe e o que ela e capaz de aprender.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Celina de Mesquita[1] Miriam Gomes Avelar de Morais[2] \u00a0 Resumo: Este trabalho busca desenvolver um estudo sobre a Psicomotricidade como uma forma\u00e7\u00e3o de base a toda crian\u00e7a, permitindo que ela se organize internamente ao conhecer o seu pr\u00f3prio corpo, e assim, perceber-se e ajustar-se ao meio. Nesta a\u00e7\u00e3o, a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":419,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/416"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=416"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/416\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/media\/419"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=416"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=416"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=416"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}