{"id":217,"date":"2019-04-18T16:24:45","date_gmt":"2019-04-18T19:24:45","guid":{"rendered":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/?p=217"},"modified":"2019-04-18T16:24:45","modified_gmt":"2019-04-18T19:24:45","slug":"a-importancia-da-musica-na-educacao-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/a-importancia-da-musica-na-educacao-infantil\/","title":{"rendered":"A Import\u00e2ncia da M\u00fasica na Educa\u00e7\u00e3o Infantil"},"content":{"rendered":"<p><strong>RESUMO<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>\u00c9 sabido que atrav\u00e9s de jogos musicais, o professor pode desenvolver em seus educandos o racioc\u00ednio l\u00f3gico, lingu\u00edstico, a coordena\u00e7\u00e3o motora do corpo, a criatividade, a auto-estima, a auto-imagem, a sensibilidade art\u00edstica, a aten\u00e7\u00e3o e a mem\u00f3ria. Sendo a m\u00fasica t\u00e3o importante para o homem e sua viv\u00eancia, estudiosos no campo da educa\u00e7\u00e3o apontam para a necessidade da inclus\u00e3o da m\u00fasica na educa\u00e7\u00e3o escolar infantil, salientando como um dos pontos centrais de sua concep\u00e7\u00e3o educacional, a import\u00e2ncia da m\u00fasica no desenvolvimento dos valores espirituais e \u00e9ticos das crian\u00e7as. O presente estudo objetivou investigar qual \u00e9 o verdadeiro papel que a m\u00fasica pode desempenhar dentro da educa\u00e7\u00e3o infantil e na forma\u00e7\u00e3o social e educacional da crian\u00e7a. A aprendizagem musical, de maneira ativa e cont\u00ednua, integra pr\u00e1tica, reflex\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o, transportando a experi\u00eancia para est\u00e1gios cada vez mais elaborados de express\u00e3o e de amplia\u00e7\u00e3o do conhecimento de mundo. Foi visto que apesar de sua import\u00e2ncia a m\u00fasica ainda continua a ser considerada como um trabalho a mais que pode ser desenvolvido ou n\u00e3o na realidade escolar e muitas vezes a educa\u00e7\u00e3o musical \u00e9 apenas vista como recurso did\u00e1tico para auxiliar na aprendizagem de outras disciplinas consideradas relevantes. O professor deve utilizar a m\u00fasica e o ensino musical como meios de ajudar a aprendizagem, n\u00e3o se contentando, contudo, em apenas colocar m\u00fasicas para o aluno ouvir, ou em dar possibilidades de se tocar algum instrumento, mas explorar a musicalidade em todos os seus aspectos.\u00a0 Concluiu-se que ouvir e aprender uma can\u00e7\u00e3o, participar de brincadeiras de roda e de atividades r\u00edtmicas, s\u00e3o a\u00e7\u00f5es que despertam, estimulam e ajudam a desenvolver o gosto pela atividade musical, al\u00e9m de viabilizar a viv\u00eancia dos elementos estruturais da linguagem musical. A crian\u00e7a por meio de brincadeiras, relaciona-se com o mundo e dia ap\u00f3s dia descobre brincando como fazer m\u00fasica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Palavras-chave: Educa\u00e7\u00e3o Infantil; Aprendizagem musical; Atributos do educador<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h3><a name=\"_Toc228862778\"><\/a>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/h3>\n<p>Alguns estudos confirmam que a m\u00fasica age na afetividade, percep\u00e7\u00e3o, express\u00e3o, sentidos, na an\u00e1lise cr\u00edtica, criatividade, ou seja, influi na pessoa como um todo. Por isso, o desenvolvimento deste tema \u00e9 a oportunidade de aprofundar\u00a0 conhecimentos e de ajudar o aluno a ampliar suas refer\u00eancias de mundo, atrav\u00e9s do ensino musical.<\/p>\n<p>O estudo tem como hip\u00f3tese a vis\u00e3o de que, atrav\u00e9s de jogos musicais, o professor pode desenvolver em seus educandos o racioc\u00ednio l\u00f3gico, lingu\u00edstico, a coordena\u00e7\u00e3o motora do corpo, a criatividade, a auto-estima, a auto-imagem, a sensibilidade art\u00edstica, a aten\u00e7\u00e3o e a mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>O professor deve utilizar a m\u00fasica e o ensino musical como meios de ajudar a aprendizagem, n\u00e3o se contentando, contudo, em apenas colocar m\u00fasicas para o aluno ouvir, ou em dar possibilidades de se tocar algum instrumento, mas explorar a musicalidade em todos os seus aspectos.<\/p>\n<p>A m\u00fasica deve deixar de ser vista como algo sup\u00e9rfluo, j\u00e1 que possibilita um trabalho completo com o educando, pois envolve movimento, traz emo\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de proporcionar sensa\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis, enfim, interfere positivamente no cognitivo. Atrav\u00e9s das pesquisas com te\u00f3ricos conceituados e respeitados ao redor do mundo verifica-se que o ensino musical \u00e9 um agente transformador do comportamento das crian\u00e7as. Sendo assim, as crian\u00e7as ter\u00e3o uma contribui\u00e7\u00e3o marcante da m\u00fasica na estrutura\u00e7\u00e3o de sua personalidade, pois dos 7 aos 10 anos elas est\u00e3o mais abertas e receptivas aos conhecimentos.<\/p>\n<p>Para a maioria dos autores, a urg\u00eancia da utiliza\u00e7\u00e3o do ensino musical na educa\u00e7\u00e3o acontece devido ao atual afastamento musical das pessoas, em especial nas crian\u00e7as. Embora na sociedade moderna a m\u00fasica esteja sendo tocada em toda a parte, atrav\u00e9s do r\u00e1dio, televis\u00e3o, supermercados, \u00f4nibus e outros lugares, o que ouvimos n\u00e3o \u00e9 por prazer, nem de maneira atenta e participativa, mas de forma passiva. Para Howard (1984) o interesse pela m\u00fasica vem como conseq\u00fc\u00eancia das emo\u00e7\u00f5es que s\u00e3o despertadas por ela.<\/p>\n<p>Para o desenvolvimento da sensibiliza\u00e7\u00e3o musical no educando, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que o professor seja m\u00fasico; basta ter sensibilidade para saber us\u00e1-la, pois at\u00e9 com folhas de papel, como diz Schafer (1991), \u00e9 poss\u00edvel fazer m\u00fasica. O autor coloca que o instrumento musical mais completo, \u00e9 o corpo humano, de onde se emite suspiros, gritos, palmas, assobios, canto, chiados etc. \u00c9 poss\u00edvel, pois, ao professor, de acordo com Assano (2000), explorar, criar, construir sons com diversos materiais, podendo inclusive, fazer uma bricolagem com objetos encontrados na cozinha, dando um novo uso para os velhos utens\u00edlios dom\u00e9sticos, deixando a criatividade da crian\u00e7a fluir.<\/p>\n<p>Os professores devem, assim, passar a compreender que todos sabem e gostam de m\u00fasica, especialmente as crian\u00e7as e que a partir disso, devem utiliz\u00e1-la para a forma\u00e7\u00e3o musical dos educandos, sensibilizando-os n\u00e3o s\u00f3 para ouvir, mas compreender, e que, de maneira cr\u00edtica, saibam inclusive distinguir os produtos musicais de baixa qualidade \u00e0 que freq\u00fcentemente est\u00e3o submetidos.\u00a0N\u00e3o se deve, com isso, desrespeitar as prefer\u00eancias musicais, pois como relata Assano (2000, p. 32) \u201cpara gostar de samba, n\u00e3o \u00e9 preciso odiar o rock. Para gostar de forr\u00f3, n\u00e3o \u00e9 preciso detestar Beethoven. Podemos gostar de v\u00e1rios estilos musicais ao mesmo tempo. Eles n\u00e3o se excluem\u201d.<\/p>\n<p>Assim como o professor incentiva a crian\u00e7a desenhar ou escrever livremente, embora sabendo que isso n\u00e3o os transformar\u00e1 em grandes desenhistas ou escritores, tamb\u00e9m se espera que o ensino musical n\u00e3o venha formar m\u00fasicos, mas que sua utiliza\u00e7\u00e3o desenvolva um processo de cria\u00e7\u00e3o em que alunos e professores possam ir construindo suas pr\u00f3prias m\u00fasicas, atrav\u00e9s do ato educativo.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es que nortearam este estudo foram: Quais as reais vantagens do emprego da m\u00fasica na educa\u00e7\u00e3o infantil? Quais os benef\u00edcios da m\u00fasica para o desenvolvimento cognitivo, afetivo e educacional de crian\u00e7as? Os profissionais est\u00e3o e s\u00e3o preparados para utilizar esta modalidade e usufruir o m\u00e1ximo de seus recursos na educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as?<\/p>\n<p>O presente estudo objetivou investigar qual \u00e9 o verdadeiro papel que a m\u00fasica pode desempenhar dentro da educa\u00e7\u00e3o infantil e na forma\u00e7\u00e3o social e educacional da crian\u00e7a. Objetivou, ainda: contribuir para o ensino-aprendizagem; desvendar a atra\u00e7\u00e3o e a rela\u00e7\u00e3o criada entre a crian\u00e7a e a m\u00fasica; refletir acerca da validade da utiliza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica como instrumento educacional; contribuir na forma\u00e7\u00e3o, matura\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gia e no aprendizado dos alunos, despertando sua criatividade; contribuir para um melhor entendimento de como o educador pode realizar um trabalho com m\u00fasica; e servir de instrumento para a reflex\u00e3o da import\u00e2ncia de uma educa\u00e7\u00e3o, musical n\u00e3o s\u00f3 para o desenvolvimento cognitivo, mas para um desenvolvimento total do ser humano.<\/p>\n<p>Justifica a realiza\u00e7\u00e3o da pesquisa o fato de que a linguagem musical e sua aplica\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o infantil ainda s\u00e3o temas relacionados a uma \u00e1rea de conhecimento totalmente em constru\u00e7\u00e3o, devendo se enquadrar a novos paradigmas educacionais e musicais impostos pela sociedade atual.<\/p>\n<p>Considerando que a m\u00fasica exerce influ\u00eancia em todos nossos sentidos, desenvolvendo as percep\u00e7\u00f5es, a criatividade, a afetividade, a an\u00e1lise cr\u00edtica e o cognitivo, torna-se necess\u00e1rio um estudo aprofundado para verificar como o professor pode utiliz\u00e1-la interdisciplinarmente, no seu processo ensino-aprendizagem. Apesar de sua import\u00e2ncia a m\u00fasica ainda continua a ser considerada como um trabalho a mais que pode ser desenvolvido ou n\u00e3o na realidade escolar e muitas vezes a educa\u00e7\u00e3o musical \u00e9 apenas vista como recurso did\u00e1tico para auxiliar na aprendizagem de outras disciplinas consideradas relevantes.<\/p>\n<p>Visconti e Biagioni (2002) dizem que o objetivo do professor \u00e9 sugerir atividades l\u00fadicas, capazes de desenvolver o racioc\u00ednio, a sensibilidade r\u00edtmica e auditiva do aluno com a finalidade dos seus alunos se tornarem mais receptivos aos outros conhecimentos e mais soci\u00e1vel na intera\u00e7\u00e3o com o ser humano. Do mesmo modo, Lib\u00e2neo (2000, p.27-28) destaca que a presen\u00e7a do professor \u00e9 assim conceituada como \u201cindispens\u00e1vel para a cria\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es cognitivas e afetivas que ajudar\u00e3o o aluno a atribuir significados \u00e0s mensagens e informa\u00e7\u00f5es recebidas das m\u00eddias, das multim\u00eddias e formas variadas de interven\u00e7\u00e3o educativa urbana\u201d.<\/p>\n<p>Percebe-se que apesar das correntes te\u00f3ricas enfatizarem a import\u00e2ncia da m\u00fasica na forma\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e acerca da possibilidade de se obter resultados satisfat\u00f3rios atrav\u00e9s de seu emprego na educa\u00e7\u00e3o infantil, ainda verifica-se que a m\u00fasica \u00e9 mal explorada no contexto escolar, principalmente em raz\u00e3o do despreparo e da falta de forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica ao educador de educa\u00e7\u00e3o infantil para atuar com este tema em sala de aula.<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc228862779\"><\/a>O ENSINO DA M\u00daSICA E A FORMA\u00c7\u00c3O HUMANA<\/h4>\n<p>O som vincula-se ao movimento e n\u00e3o existe na falta dele. Em termos f\u00edsicos, o som consiste em uma vibra\u00e7\u00e3o que chega em nossos ouvidos na modo de ondas que percorrem o ar que nos cerca.\u00a0\u00a0Num texto falado, por exemplo, ouvimos sons e ritmos articulados, mas cada palavra representa uma id\u00e9ia definida, concreta. A m\u00fasica, ao contr\u00e1rio, [&#8230;] nunca expressa uma id\u00e9ia intelectual definida, nem um sentimento determinado, mas somente aspectos psicol\u00f3gicos absolutamente gerais, abstratos. Segundo Schopenhauer, essa generalidade n\u00e3o \u00e9, no entanto, uma abstra\u00e7\u00e3o vazia, mas uma esp\u00e9cie de express\u00e3o e de determina\u00e7\u00e3o diferentes das que correspondem ao pensamento conceitual (SCHNEIDER <em>apud<\/em> JEANDOT, 1997, p.12).\u00a0 Este \u00e9 o motivo pela qual uma m\u00fasica pode ser interpretada, compreendida e at\u00e9 executada de modos diferentes.<\/p>\n<p>Para Jeandot (1997, p.13), a m\u00fasica \u00e9 \u201ca linguagem do cora\u00e7\u00e3o humano\u201d. Este conceito nos leva \u00e0 uma id\u00e9ia de ritmo, que \u00e9 o b\u00e1sico elemento das manifesta\u00e7\u00f5es da vida e um princ\u00edpio fundamental tamb\u00e9m na m\u00fasica. Certos povos \u00e0s vezes desconhecem uma melodia e a harmonia, por\u00e9m nenhum desconhece o ritmo.\u00a0 O conceito de m\u00fasica varia de cultura para cultura. Embora a linguagem verbal seja um meio de comunica\u00e7\u00e3o e de relacionamento entre os povos, constatamos que ela n\u00e3o \u00e9 universal, pois cada povo tem sua pr\u00f3pria maneira de express\u00e3o atrav\u00e9s da palavra, motivo pelo qual h\u00e1 milhares de l\u00ednguas espalhadas pelo globo terrestre.<\/p>\n<p>Nesse sentido, questiona-se: \u00e9 poss\u00edvel estabelecer a ess\u00eancia da m\u00fasica? Manifesta\u00e7\u00e3o sonora de esp\u00edrito do universo? Sem nenhuma d\u00favida, pode-se dizer que a m\u00fasica, estando t\u00e3o vinculada estreitamente ao mundo pr\u00e9-verbal e \u00e0s emo\u00e7\u00f5es, constitui uma privilegiada linguagem, por meio da qual os seres humanos comunicam-se entre si e, \u00e0s vezes, dialogam com o Cosmos, como a tentativa de Voyager, que viajava pelo espa\u00e7o, em um disco de bronze que era banhado em ouro, levando a \u201cm\u00fasica delicada de v\u00e1rias culturas, o som da Terra, algumas delas expressando a nossa sensa\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o c\u00f3smica, nossa vontade de determinar contatos com outros seres no Cosmos, nosso desejo de finalizar o isolamento\u201d (SAGAN <em>apud<\/em> JEANDOT, 1997, p.13).<\/p>\n<p>Muitos s\u00e3o os achados liter\u00e1rios que postulam sobre a import\u00e2ncia da m\u00fasica na forma\u00e7\u00e3o humana. Friedenreiche (1990, p.186) afirma que \u201co ensino de m\u00fasica, em conjunto com todas as outras disciplinas, deve estar a servi\u00e7o da forma\u00e7\u00e3o humana\u201d. Para ele, \u201cna melodia, na harmonia, no ritmo, a m\u00fasica traz em si os elementos do pensar, do sentir e do querer. Numa observa\u00e7\u00e3o acurada, constata-se que a m\u00fasica n\u00e3o \u00e9 captada somente pelos ouvidos, mas por toda organiza\u00e7\u00e3o corporal\u201d (ibidem, p.187). Assim, o desenvolvimento da musicalidade na institui\u00e7\u00e3o escolar deve prever a\u00e7\u00f5es que envolvam movimento corporal.\u00a0 O musical \u00e9 vivenciado de acordo com o ponto em que se localiza no corpo astral. Se o musical for levado \u00e0 crian\u00e7a de maneira apropriada, com isto ser\u00e1 ao mesmo tempo, e da maneira certa, aperfei\u00e7oado o corpo astral.<\/p>\n<p>Assim como o corpo et\u00e9rico est\u00e1 direcionado para o elemento em que se exprime por meio de formas e imagens, assim o corpo astral que fundamenta a vida dos sentimentos e das sensa\u00e7\u00f5es \u00e9 organizado visando a natureza musical do ser humano. O corpo et\u00e9rico \u00e9 um escultor; o corpo astral, um m\u00fasico. Ele corporifica tudo que \u00e9 musical; ele \u00e9 completamente formado a partir da estrutura musical (FRIEDENREICH, 1981, p.50).<\/p>\n<p>Se penetrarmos, portanto, em antigas culturas estruturadas ainda a partir do musical, nas culturas orientais em cujos idiomas at\u00e9 se encontra a m\u00fasica, deparemos ent\u00e3o, penetrando at\u00e9 a arquitetura, com formas de constru\u00e7\u00e3o plasmadas a partir da concep\u00e7\u00e3o c\u00f3smica musical. J\u00e1 houve uma modifica\u00e7\u00e3o na Gr\u00e9cia, e principalmente uma modifica\u00e7\u00e3o no ocidente, pois a\u00ed penetrou na mec\u00e2nica e na matem\u00e1tica.\u00a0De acordo com a \u201cafina\u00e7\u00e3o\u201d k\u00e1rmica, o corpo astral da crian\u00e7a \u201ccanta\u201d para dentro do mundo material. Esta disposi\u00e7\u00e3o da alma encontra sua express\u00e3o no temperamento. O temperamento determina a disposi\u00e7\u00e3o de vida, que marca ent\u00e3o animicamente o karma.<\/p>\n<p>Se for poss\u00edvel unir a educa\u00e7\u00e3o musical de maneira singela, correspondente \u00e0 crian\u00e7a, com a eurritmia, isto resultar\u00e1 numa educa\u00e7\u00e3o verdadeiramente harm\u00f4nica da vontade. Se os pais aprendessem a ocupar-se euritmicamente com a crian\u00e7a, dentro delas seria criado algo muito diferente do que habitualmente sucede. Venceriam um certo peso que existe nos membros. Todas as pessoas t\u00eam esse peso nos membros. Este seria vencido. E o que restaria quando acontecesse a segunda denti\u00e7\u00e3o \u00e9 a predisposi\u00e7\u00e3o para todo o musical. Cada um dos sentidos \u2013 o ouvido afinado musicalmente, o olho preparado plasticamente \u2013 surge somente a partir dessemusical. \u00c9 uma especializa\u00e7\u00e3o do homem musical, sem eu aspecto total, aquilo que designamos por ouvido musical ou o olho plasto-pict\u00f3rico(STEINER <em>apud<\/em> FRIEDENREICH, 1981) . Toda a educa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a, at\u00e9 a troca dos dentes, precisa ser dirigida principalmente no sentido de uma permea\u00e7\u00e3o sadia do corpo f\u00edsico. Para tanto dever\u00e3o ser dadas, atrav\u00e9s dessas explana\u00e7\u00f5es, algumas indica\u00e7\u00f5es importantes. Naturalmente deve o educador, apoiando-se nessas no\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas generalizadas, proceder individualmente e, sem cair em atitudes esquematizadas, orientar-se sempre de acordo com o que lhe \u00e9 oferecido em cada caso espec\u00edfico.<\/p>\n<p>Quando o ser humano toca um instrumento, \u00e9 o gesto que cria e controla o som. A emiss\u00e3o vocal completa e refor\u00e7a o gesto. A palavra cantada aumenta o vigor da linguagem falada. Stockhausen <em>apud<\/em> Jeandot (1997, p.15) se manifestou sobre a m\u00fasica, dizendo ser ela [&#8230;] determinada pelos m\u00fasculos: os da laringe para o canto, os dos dedos para os instrumentos, os da respira\u00e7\u00e3o para os instrumentos de sopro, tudo \u00e9 determinado pelo corpo do homem e \u00e9 por isso que nunca se tocou segundo ritmos mais r\u00e1pidos ou mais lentos que os naturais do corpo.<\/p>\n<p>Com isto queria dizer que o homem evita tocar conforme ritmos incompat\u00edveis com os que d\u00e3o caracter\u00edsticas a sua natureza, por exemplo, sua pulsa\u00e7\u00e3o card\u00edaca, j\u00e1 que tal procedimento lhe provocaria estresse. Atualmente, com o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, o homem \u00e9 apto de programar m\u00fasicas mais lentas ou mais r\u00e1pidas, que podem ser efetuadas pelos instrumentos.<\/p>\n<p>Nicole Jeandot tamb\u00e9m contribui nesse sentido mostrando a crian\u00e7a como um ser musical, necessitando por parte dos educadores aux\u00edlio para construir seu conhecimento sobre m\u00fasica. Jeandot (1997, p.86) apresenta-nos seu ponto de vista de que \u201ca m\u00fasica representa uma importante fonte de est\u00edmulos, equil\u00edbrio e felicidade ao ser humano, especialmente no referente \u00e0s crian\u00e7as\u201d. O pensamento de Jeandot (1997, p.166) demonstra que:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[&#8230;] ao se envolverem em atividades musicais, as crian\u00e7as melhoram sua acuidade auditiva, aprimoram e ampliam a coordena\u00e7\u00e3o viso-motora, suas capacidades de compreens\u00e3o, interpreta\u00e7\u00e3o e racioc\u00ednio, descobrem sua rela\u00e7\u00e3o com o meio em que vivem, desenvolvem a express\u00e3o corporal e a linguagem oral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quanto mais elas possuem oportunidade de comparar as a\u00e7\u00f5es feitas e as sensa\u00e7\u00f5es obtidas atrav\u00e9s da m\u00fasica, mais seu conhecimento e sua intelig\u00eancia, v\u00e3o se desenvolvendo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 uma artista, nem um ser simplesmente contemplativo, por\u00e9m antes de tudo um ser \u201cr\u00edtmico-m\u00edmico\u201d, que utiliza de modo espont\u00e2neo os gestos ao saber de sensa\u00e7\u00e3o que eles despertam. \u00c9 apenas observar um beb\u00ea com uma colher \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o antes da refei\u00e7\u00e3o: ele a bate na mesa, repetindo este gesto para renovar a sensa\u00e7\u00e3o que provocou. Pode repeti-lo de v\u00e1rias maneiras e diversas vezes, diversificando seus efeitos. Este princ\u00edpio da varia\u00e7\u00e3o e da repeti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>[&#8230;] o beb\u00ea n\u00e3o se contenta mais em apenas reproduzir os movimentos e os gestos que conduziram a um efeito interessante, mas varia-os intencionalmente para estudar os resultados dessas varia\u00e7\u00f5es, entregando-se a verdadeiras explora\u00e7\u00f5es ou \u201cexperi\u00eancias para ver (PIAGET <em>apud<\/em> JEANDOT, 1997, p.20).<\/p>\n<p>Quando uma crian\u00e7a bate ou esfrega um bloquinho de madeira contra a mesa, golpeando-o, a princ\u00edpio rapidamente, depois mais devagar, jogando-o posteriormente ao ch\u00e3o ou movimentando-o de v\u00e1rias maneiras, ela obt\u00e9m sonoridades diversas. Esses gestos revelam uma pesquisa sonora, que devemos respeitar, encorajar e orientar, ainda que de imediato ela possa parecer sem sentido, pelos movimentos desordenados que envolve. Com o tempo, tal atividade ir\u00e1 sendo gradualmente aprimorada, at\u00e9 integrar-se ao corpo como um todo, transformando-se em capacidade expressiva.<\/p>\n<p>Segundo Aaron Copland (<em>apud<\/em> JEANDOT, 1997, p.22), \u201c[&#8230;] todos n\u00f3s ouvimos a m\u00fasica de acordo com nossas aptid\u00f5es, vari\u00e1veis, sob certo aspecto, em tr\u00eas planos distintos: sens\u00edvel, expressivo e puramente musical, o que corresponde a ouvir, escutar e compreender\u201d. Essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual o professor deve respeitar o n\u00edvel de desenvolvimento em que a crian\u00e7a se encontra, adaptando as atividades de acordo com suas aptid\u00f5es e seu est\u00e1gio auditivo. Snyders (<em>apud <\/em>SMOLE, 1996, p.123) afirma que:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[&#8230;] o homem entra, atrav\u00e9s da m\u00fasica, na posse unificada de seus recursos e que, desenvolvendo sua audi\u00e7\u00e3o e sensibilidade musical, chega a um momento em que a sensibilidade e a intelig\u00eancia, o afetivo e o racional, n\u00e3o podem mais constituir-se em ordens opostas.<\/p>\n<p>Segundo Snyders (<em>apud<\/em> SMOLE, 1996, p.144), atrav\u00e9s da m\u00fasica, \u201c[&#8230;] a sensibilidade n\u00e3o se confunde mais com a desordem de um sentimentalismo vago; a intelig\u00eancia, mesmo e sobretudo sob sua forma ao que parece mais abstrata, a matem\u00e1tica, abre-se \u00e0 admira\u00e7\u00e3o emotiva\u201d.<\/p>\n<p>Snyders (apudSMOLE, p.145) afirma tamb\u00e9m que \u201cdesenvolver um sentido musical \u00e9 ter uma oportunidade fascinante de comunicar-se com o mundo de modo qualitativamente diferente\u201d. Para ele, como a m\u00fasica traz consigo um elemento coletivo muito forte, estruturas e regras se criam pouco a pouco e constitui-se uma diversidade que tem tend\u00eancia \u00e0 unidade, na qual cada participante acha apoio nos outros, fortalece-se no outro.<\/p>\n<p>Para as principais civiliza\u00e7\u00f5es da antiguidade, o som organizado de forma inteligente representava a mais importante de todas as artes, e a m\u00fasica \u2013 a produ\u00e7\u00e3o inteligente do som com instrumentos musicais e cordas vocais \u2013 a mais importante das ci\u00eancias. Por\u00e9m, os grandes pensadores da antiguidade destacavam o importante efeito da m\u00fasica sobre o car\u00e1ter do homem. E, visto que ela parecia exercer tamanho poder no determinar a moral do povo, a m\u00fasica era um assunto que nenhum dos grandes fil\u00f3sofos morais poderia ignorar. Arist\u00f3teles, por exemplo, escreveu que:<\/p>\n<p>[&#8230;] emo\u00e7\u00f5es de toda esp\u00e9cie s\u00e3o produzidas pela melodia e pelo ritmo; atrav\u00e9s da m\u00fasica, por conseguinte, o homem se acostuma a experimentar as emo\u00e7\u00f5es certas; tem a m\u00fasica, portanto, o poder de formar o car\u00e1ter, e os v\u00e1rios tipos de m\u00fasica, baseados nos v\u00e1rios modos, distinguem-se pelos seus efeitos sobre o car\u00e1ter \u2013 um incentivando a ren\u00fancia o outro o dom\u00ednio de si, um terceiro o entusiasmo, e assim por diante, atrav\u00e9s da s\u00e9rie (ARIST\u00d3TELES <em>apud<\/em> TAME, 1984, p.19).<\/p>\n<p>Tanto Plat\u00e3o como Arist\u00f3teles discutem os efeitos morais da m\u00fasica em v\u00e1rias de suas obras principais.\u00a0Tame (1984, p.52) explica que, \u201cna m\u00fasica a crian\u00e7a vivencia, a princ\u00edpio, apenas o fator volitivo, expresso no ritmo\u201d. Nessa idade, a m\u00fasica r\u00edtmica atua de maneira pl\u00e1stica sobre os \u00f3rg\u00e3os. Por isso, \u00e9 muito importante, na primeira inf\u00e2ncia, que meios pedag\u00f3gicos, tais como can\u00e7\u00f5es infantis, deixem uma harmoniosa impress\u00e3o r\u00edtmica aos sentidos. Deve-se dar menor valor ao conte\u00fado e valorizar mais a bela son\u00e2ncia. Quanto mais estimulante for a atua\u00e7\u00e3o sobre a audi\u00e7\u00e3o e a vis\u00e3o, tanto melhor.<\/p>\n<p>Nesse sentido, podemos dizer que as brincadeiras musicais contribuem para o refor\u00e7o de todas as \u00e1reas do desenvolvimento infantil, representando um inestim\u00e1vel benef\u00edcio para formar e equilibrar personalidade da crian\u00e7a e a riqueza de est\u00edmulos que a crian\u00e7a recebe por meio de v\u00e1rias experi\u00eancias musicais contribui significativamente para o seu desenvolvimento intelectual.<\/p>\n<p>Sendo a m\u00fasica t\u00e3o importante para o homem e sua viv\u00eancia, estudiosos no campo da educa\u00e7\u00e3o como Tame (1984) apontam para a necessidade da inclus\u00e3o da m\u00fasica na educa\u00e7\u00e3o escolar infantil, salientando como um dos pontos centrais de sua concep\u00e7\u00e3o educacional, a import\u00e2ncia da m\u00fasica no desenvolvimento dos valores espirituais e \u00e9ticos das crian\u00e7as.<\/p>\n<h3><a name=\"_Toc228862780\"><\/a>A m\u00fasica na Educa\u00e7\u00e3o Infantil segundo o RCNEI e o DCNEI<\/h3>\n<p>No Brasil o ensino de m\u00fasica nas escolas se tornou obrigat\u00f3rio no s\u00e9culo XIX,mas foi somente com Get\u00falio Vargas, nos anos 30 do s\u00e9culo seguinte, que houve uma maioraten\u00e7\u00e3o para esta quest\u00e3o. Foi a \u00e9poca em que Villa-Lobos atuou na SEMA, conforme j\u00e1 foicomentado anteriormente. Por\u00e9m, segundo Hentschke e Oliveira (2000), por volta dos anos50 j\u00e1 havia ocorrido um arrefecimento da proposta. Mas foi nos anos 70 do s\u00e9culo XX , navis\u00e3o de talvez a unanimidade dos autores sobre o tema, que ocorreu um grande golpe contra a educa\u00e7\u00e3o musical escolar em nosso pa\u00eds, a promulga\u00e7\u00e3o da Lei 5.692\/71. Segundo Penna(2002) esta lei que implantou a educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica intentava uma maior universaliza\u00e7\u00e3o das artes e um compromisso do Estado em fornecer por 8 anos forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica para a popula\u00e7\u00e3o. A id\u00e9ia era que n\u00e3o existiria mais uma disciplina de educa\u00e7\u00e3o musical e sim uma de educa\u00e7\u00e3o art\u00edstica na qual um \u00fanico professor polivalente contemplasse, com uma carga hor\u00e1ria semanal de 1 hora aula, a m\u00fasica, o teatro e as artes visuais. Desta forma a postura do professor devia ser voltada mais para os processos envolvidos nas diversas op\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e n\u00e3o para o produto art\u00edstico final.<\/p>\n<p>Um evento que indica um reflorescimento potencial da educa\u00e7\u00e3o musical escolar foi a homologa\u00e7\u00e3o da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (LDBEN9.394\/96), em dezembro de 1996. Com ela, entre outras coisas, foram criados documentos curriculares referenciais para os ensinos de beb\u00eas como menos de 1 anos at\u00e9 o final do ensino m\u00e9dio; foram criados novos sistemas de avalia\u00e7\u00f5es de cursos; e foram criadas as diretrizes curriculares para o ensino superior, nas mais variadas \u00e1reas de conhecimento.<\/p>\n<p>Segundo Fernandes (2004) desde a Constitui\u00e7\u00e3o Nacional de 1998 j\u00e1 havia um indicativo de retorno do ensino de artes como componente do ensino obrigat\u00f3rio e, portanto,com a indica\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados. Assim, neste aspecto a LDBEN\/96 surgiu para regulamentar o dispositivo constitucional, pois indica que o Estado, por meio da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica (educa\u00e7\u00e3o infantil, ensino fundamental e ensino m\u00e9dio), deve garantir a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica e que o ensino de arte far\u00e1 parte do curr\u00edculo obrigat\u00f3rio. Para dar forma \u00e0s proposi\u00e7\u00f5es desta Lei outras normaliza\u00e7\u00f5es tiveram que ser feitas como o Referencial Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (BRASIL, 1998) e os Par\u00e2metros Curriculares Nacionais (PCN), para os ensinos fundamental e o m\u00e9dio. Ambos os regulamentos contemplaram, como se esperava, o ensino de artes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>\u00a0Referencial Curricular Nacional para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil \u2013 RCNEI<\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A atual LDBEN atual traz no seu Art. 26, \u00a7 2\u00ba, que ensino de arte constituir-se-\u00e1 \u201ccomponente obrigat\u00f3rio, nos diversos n\u00edveis de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos\u201d.\u00a0Segundo Fernandes (2004) desde a Constitui\u00e7\u00e3o Nacional de 1988 j\u00e1 havia um indicativo de retorno do ensino de artes como componente do ensino obrigat\u00f3rio e, portanto, com a indica\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados. Assim, neste aspecto a LDBEN\/96 surgiu para regulamentar o dispositivo constitucional, pois indica que o Estado, por meio da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica (educa\u00e7\u00e3o infantil, ensino fundamental e ensino m\u00e9dio), deve garantir a cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica e que o ensino de arte far\u00e1 parte do curr\u00edculo obrigat\u00f3rio. Para dar forma \u00e0s proposi\u00e7\u00f5es desta Lei outras normaliza\u00e7\u00f5es tiveram que ser feitas como o Referencial Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Infantil (BRASIL, 1998) e os Par\u00e2metros Curriculares Nacionais (PCN), para os ensinos fundamental e o m\u00e9dio. Ambos os regulamentos contemplaram, como se esperava, o ensino de artes.<\/p>\n<p>Com isto, complementando o processo da implanta\u00e7\u00e3o da LDBEN em 1996, se publicou em 1998 pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) o Referencial Curricular Nacional em Educa\u00e7\u00e3o Infantil \u2013 RCNEI. Este documento, bastante significativo, foi criado e divulgado pelo MEC (Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura) paralelamente \u00e0 discuss\u00e3o das Normas Curriculares Nacionais para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil (1999).<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do RCNEI, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o busca indicar \u201cum conjunto de refer\u00eancias e orienta\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas que visam contribuir com a implanta\u00e7\u00e3o ou implementa\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas educativas de qualidade que possam promover e ampliar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o exerc\u00edcio da cidadania das crian\u00e7as brasileiras\u201d\u00a0 (RCNEI, p.13).<\/p>\n<p>O RCNEI objetiva ajudar o professor na \u201crealiza\u00e7\u00e3o do seu trabalho educativo di\u00e1rio junto \u00e0s crian\u00e7as pequenas\u201d (BRASIL, 1998, p. 5) e organiza em tr\u00eas volumes.<\/p>\n<p>O primeiro volume, de introdut\u00f3rio car\u00e1ter, apresenta uma reflex\u00e3o a respeito das creches e pr\u00e9-escolas no Brasil, fundamentando e situando as concep\u00e7\u00f5es de de educa\u00e7\u00e3o, crian\u00e7a, do perfil do professor e de institui\u00e7\u00e3o; estabelece os objetivos gerais da Educa\u00e7\u00e3o Infantil e orienta a respeito da organiza\u00e7\u00e3o dos outros volumes do documento. O segundo se refere ao \u00e2mbito da experi\u00eancia Forma\u00e7\u00e3o Social e Pessoal, o qual trabalha com processos de constru\u00e7\u00e3o da Autonomia e Identidade das crian\u00e7as. O terceiro, trata finalmente do \u00e2mbito da experi\u00eancia de Conhecimento de Mundo, em que a m\u00fasica configura-se em um dos seis eixos de trabalho.<\/p>\n<p>V\u00e1rias cr\u00edticas foram colocadas com rela\u00e7\u00e3o a este documento por profissionais e pesquisadores da educa\u00e7\u00e3o em aspectos diferentes, a come\u00e7ar pelo \u201cdesvio de rota\u201d, segundo considera Palhares e Martinez (2005, p.6); isto \u00e9, conforme estas autoras, o caminho tra\u00e7ado pela equipe respons\u00e1vel pela Educa\u00e7\u00e3o Infantil no MEC anteriormente ao RCNEI (1998), em 1994, n\u00e3o foi considerada. O caminho indicado era \u201ca busca pela supera\u00e7\u00e3o da dicotomia da educa\u00e7\u00e3o\/assist\u00eancia incentivando estrat\u00e9gias para a articula\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios setores ou institui\u00e7\u00f5es comprometidas com a Educa\u00e7\u00e3o Infantil\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesta dire\u00e7\u00e3o, o MEC promoveu alguns debates, fez publica\u00e7\u00f5es diferentes que abordavam a pol\u00edtica para Educa\u00e7\u00e3o Infantil e tamb\u00e9m a quest\u00e3o da inclus\u00e3o, que era e continua sendo um grande desafio para este n\u00edvel de ensino. Assim, autoras consideram que atrav\u00e9s das publica\u00e7\u00f5es novas do MEC parece existir a indica\u00e7\u00e3o de um momento da descontinuidade na hist\u00f3ria da constru\u00e7\u00e3o do conhecimento na \u00e1rea da Educa\u00e7\u00e3o Infantil (PALHARES e MARTINEZ, 2005). Igualmente, Cerisara (1993) ressalta que o RCNEI, mesmo aperfei\u00e7oado, continua \u201csignificando uma ruptura com o que vinha sendo produzido e com o que vinha sendo defendido como a especificidade da Educa\u00e7\u00e3o Infantil\u201d (CERISARA, 1993, p. 44).<\/p>\n<p>Conforme Palhares e Martinez (2005), n\u00e3o existiu mudan\u00e7as significativas entre 1994 e 1998 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s p\u00fablicas pol\u00edticas de inf\u00e2ncia que justificassem o lan\u00e7amento deste referencial nacional naquela ocasi\u00e3o s\u00f3cio-hist\u00f3rico de maneira a assegurar qualidade no atendimento e nem houve mudan\u00e7as quanto \u00e0s necessidades dos investimento em forma\u00e7\u00e3o do educador de creche, quanto \u00e0s necessidades dos educadores e quanto \u00e0s m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es para efetivar o trabalho educativo.<\/p>\n<p>O que foi produzido antesdo referencial no que diz respeito ao financiamento, \u00e0s pol\u00edticas para Educa\u00e7\u00e3o Infantil, \u00e0 qualidade e quantidade do atendimento e a forma\u00e7\u00e3o de profissional de Educa\u00e7\u00e3o Infantil n\u00e3o se contemplou no documento atual e nem a produ\u00e7\u00e3o que vinha sendo constru\u00edda com certa prioridade para o atendimento de crian\u00e7as advindas de camadas populares. O RCNEI n\u00e3o contempla uma quest\u00e3o das v\u00e1rias camadas sociais.<\/p>\n<p>Dentre os problemas detectados a partir da leitura da vers\u00e3o preliminar do RCNEI, Palhares e Martinez (2005) ressaltam que:<\/p>\n<p>[&#8230;] embora em seu discurso o referencial procure considerar a import\u00e2ncia e a diversidade de situa\u00e7\u00f5es sociais no pa\u00eds, efetivamente n\u00e3o colabora para uma identifica\u00e7\u00e3o de como seriam os di\u00e1logos com as propostas constru\u00eddas no cotidiano de cada local (PALHARES; MARTINEZ, 2005, p. 11).<\/p>\n<p>Assim, \u00e9 preciso, conforme destacado pelas autoras anteriores, que a leitura deste documento seja realizada de modo cr\u00edticopara que n\u00e3o se corra risco de transferir as responsabilidades do macrossistema (p\u00fablicas pol\u00edticas para a inf\u00e2ncia) para um microssistema (profissionais da Educa\u00e7\u00e3o escolar\/crian\u00e7a Infantil\/comunidade).<\/p>\n<p>Ao estudar os pareceres elaborados por pesquisadores diferentes ligados ao Grupo de Trabalho (GT) de Educa\u00e7\u00e3o Infantil da Associa\u00e7\u00e3o Nacional da P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Educa\u00e7\u00e3o (ANPED), Cerisara (1993) mostra considera\u00e7\u00f5es a respeito de alguns aspectos do documento. Dentre eles foram questionados as seguintes quest\u00f5es: a necessidade de padronizar um estilo de linguagem; a extens\u00e3o do documento; o excesso de t\u00edtulos e subt\u00edtulos, divis\u00f5es que dificultam uma compreens\u00e3o do todo; a linguagem poderia ser clara, direta e objetiva, levando-se em considera\u00e7\u00e3o a diversidade cultural, regional, s\u00f3cio-econ\u00f4mica e, especialmente a forma\u00e7\u00e3o docente; o documento \u00e9 confuso e pouco esclarecedor; o texto, conforme os pareceristas, \u00e9 receitu\u00e1rio; existe uma indefini\u00e7\u00e3o de leitor a quem o documento dirige.<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc228862782\"><\/a>Concep\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas dos RCNEI<\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Outro aspecto criticado, sobre \u00e0s concep\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas dos RCNEI que, conforme Cerisara (1993) possuem sua fundamenta\u00e7\u00e3o apenas na psicologia quando tamb\u00e9m poderia contar com as contribui\u00e7\u00f5es de demais campos de conhecimento, como antropologia, filosofia, linguagem, sociologia e hist\u00f3ria. A concep\u00e7\u00e3o te\u00f3rica fundamentada no construtivismo piagetiano teve v\u00e1rias cr\u00edticas no sentido de conter as explica\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas pouco baseadas (CARRIJO, 2005).<\/p>\n<p>Conforme pareceres produzidos quanto ao RCNEI, Cerisara (1993) ressalta ainda a falta de integra\u00e7\u00e3o entre eixos de conhecimento a serem trabalhados dando a id\u00e9ia de disciplinas tradicionais e a exist\u00eancia de uma valoriza\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as maiores em rela\u00e7\u00e3o a beb\u00eas. Assim, para cada \u00e1rea ou eixo de conhecimento dos \u00e2mbitos de Forma\u00e7\u00e3o Pessoal e Social (Identidade e Autonomia), experi\u00eancia e Conhecimento de Mundo (M\u00fasica, Movimento, Linguagem Oral e escrita, Artes Visuais, Sociedade e Natureza e Matem\u00e1tica), foram listados conte\u00fados, objetivos, orienta\u00e7\u00f5es did\u00e1ticas e avalia\u00e7\u00e3o. Dentre as cr\u00edticas, certas salientam o fato desta organiza\u00e7\u00e3o evidenciar em um modelo escolar de trabalho e confus\u00e3o conceitual entre conte\u00fados, objetivos e avalia\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m fez jus a aten\u00e7\u00e3o o fato do documento subordinar a Educa\u00e7\u00e3o Infantil em trabalho de s\u00e9ries mais adiantadas em ensino b\u00e1sico, trazendo deste modo a impress\u00e3o de ensino preparat\u00f3rio novamente (CARRIJO, 2005; DINIZ, 2005). Este aspecto da subordina\u00e7\u00e3o do RCNEI ao Ensino Fundamental retoma uma id\u00e9ia de educa\u00e7\u00e3o compensat\u00f3ria, difundida intensamente nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980 e se configura na cr\u00edtica principal dos RCNEI a ser destacada.<\/p>\n<p>O documento de m\u00fasica presente em RCNEI segue a estrutura igual dos demais documentos e encontra-se organizado em introdu\u00e7\u00e3o, com um texto ressaltando a presen\u00e7a da m\u00fasica na Educa\u00e7\u00e3o Infantil e outro que faz considera\u00e7\u00f5es a respeito da crian\u00e7a e a m\u00fasica em diferentes fases do seu desenvolvimento. Na seq\u00fc\u00eancia o documento apresenta os conte\u00fados, os objetivos, gerais orienta\u00e7\u00f5es para o professor, registro, observa\u00e7\u00e3o e a avalia\u00e7\u00e3o formativa e termina com sugest\u00f5es das obras musicais e a discografia.<\/p>\n<p>A M\u00fasica \u00e9 uma das \u00e1reas de trabalho integrantes do \u00e2mbito da experi\u00eancia e do Conhecimento de Mundo. Neste sentido, o documento do campo de m\u00fasica traz em seu texto uma proposta de ensino musical a ser desenvolvido por profissionais de Educa\u00e7\u00e3o Infantil. A concep\u00e7\u00e3o que RCNEI adota compreende a m\u00fasica como uma linguagem e \u00e1rea de conhecimento e tem que esta tem caracter\u00edsticas e estrutura pr\u00f3prias devendo ser tida como: aprecia\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o (BRASIL, 1998).<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o encontra-se centrada na imita\u00e7\u00e3o e na experimenta\u00e7\u00e3o, tendo como produtos musicais a improvisa\u00e7\u00e3o, a interpreta\u00e7\u00e3o e a composi\u00e7\u00e3o. A aprecia\u00e7\u00e3o compreende a percep\u00e7\u00e3o tanto dos sil\u00eancios e sons quanto das organiza\u00e7\u00f5es musicais e estruturas, buscando desenvolver, atrav\u00e9s do prazer da escuta, a capacidade de an\u00e1lise, observa\u00e7\u00e3o e reconhecimento. Finalmente, a reflex\u00e3o trata das quest\u00f5es referentes \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o, aos produtos, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o e aos produtores musicais (BRASIL, 1998).<\/p>\n<p>O RCNEI traz ainda orienta\u00e7\u00f5es referentes aos conte\u00fados musicais. Os mesmos se encontram organizados em 2 blocos: \u201co fazer musical\u201d &#8211; compreendido pela composi\u00e7\u00e3o, improvisa\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o &#8211; e \u201caprecia\u00e7\u00e3o musical\u201d, ambos tamb\u00e9m abarcando quest\u00f5es referentes \u00e0 reflex\u00e3o (BRASIL, 1998). Destaca-se que embora este documento de orienta\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica para uma Educa\u00e7\u00e3o Infantil, de car\u00e1ter n\u00e3o obrigat\u00f3rio, traga uma detalhada proposta para a m\u00fasica, ainda assim, \u00e9 uma curricular proposta muito distante da realidade atual. Acreditamos que isto se deve a diversos fatores como o pr\u00f3prio percurso do hist\u00f3rico da Educa\u00e7\u00e3o Infantil, a forma\u00e7\u00e3o de professores deste n\u00edvel de ensino, a car\u00eancia de materiais e recursos m\u00ednimos para o ensino de m\u00fasica.<\/p>\n<p>Estes s\u00e3o alguns dos fatores que est\u00e3o contribuindo para a n\u00e3o concretiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o musical em termos mais amplos. Nesse sentido, segundo Brito (1998) o RCNEI \u00e9 um ponto de partida para uma efetiva reformula\u00e7\u00e3o educacional.\u00a0 Assim, entende-se que a Arte passou a ser oficialmente considerada como um campo do conhecimento mas a LDBEN n\u00e3o tem garantido sua perman\u00eancia e consolida\u00e7\u00e3o na escola. Essa aus\u00eancia da Arte se reflete, outrossim, n\u00e3o apenas no modelo de educa\u00e7\u00e3o musical que poder\u00e1 ser adotado nas escolas de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, mas, antes de tudo, no valor da m\u00fasica e da educa\u00e7\u00e3o musical nesse contexto.<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc228862783\"><\/a>Linguagem adotada na proposta de m\u00fasica do RCNEI<\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Outra quest\u00e3oque tem contribu\u00eddo para a falta da m\u00fasica no cotidiano da Educa\u00e7\u00e3o Infantil como campo de conhecimento refere-se \u00e0 linguagem que \u00e9 adotada na proposta de m\u00fasica do RCNEI. (BRITO, 1998). Apesar da id\u00e9ia inicial do RCNEI tenha sido de abrir discuss\u00e3o para socializar pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas e n\u00e3o torn\u00e1-lo um modelo de ensino, conforme Maffioletti (1998), o que vem acontecendo em certos cursos superiores \u00e9 \u201ca forma\u00e7\u00e3o de professores para \u2018aplicar\u2019 os referenciais e n\u00e3o para construir, a partir dele, uma proposta para sua escola ou regi\u00e3o\u201d (ibidem, p. 77).<\/p>\n<h4><strong>\u00a0<\/strong><a name=\"_Toc228862784\"><\/a>Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil \u2013 DCNEI<\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Presencia-se a um outro avan\u00e7o significativo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o Infantil por meio da Resolu\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica n \u00ba 1 de 07 de abril de 1999, que estabeleceu as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educa\u00e7\u00e3o Infantil.Estas diretrizes fixam novas exig\u00eancias para institui\u00e7\u00f5es que dedicam-se ao atendimento de crian\u00e7as na faixa et\u00e1ria de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, quanto, particularmente, \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es curriculares e processos da elabora\u00e7\u00e3o de seus projetos pedag\u00f3gicos e a organiza\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es de ensino. Estas Diretrizes determinam, entre outros, os princ\u00edpios pol\u00edticos, est\u00e9ticos e \u00e9ticos que precisam fundamentar as propostas pedag\u00f3gicas na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, a ado\u00e7\u00e3o de metodologia do planejamento participativo e confirmam a autonomia de escolas na defini\u00e7\u00e3o da abordagem curricular a ser adotada.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><a name=\"_Toc228862785\"><\/a><strong>Os objetivos da m\u00fasica na educa\u00e7\u00e3o infantil<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A m\u00fasica \u00e9 experienciada pelas pessoas em seu dia-a-dia, assim, pode-se afirmar que esta \u00e9 uma experi\u00eancia universal, ou seja, \u00e9 uma linguagem culturalmente constru\u00edda e diversamente experimentada de acordo com variadas fun\u00e7\u00f5es que desempenha na vida das sociedades.\u00a0\u00a0A presen\u00e7a da m\u00fasica nos mais diferentes espa\u00e7os faz com que a ela se legitime como linguagem e forma de conhecimento. No contexto escolar essa presen\u00e7a se faz tamb\u00e9m em diversas situa\u00e7\u00f5es do cotidiano e vem atendendo a v\u00e1rios objetivos juntamente com as demais \u00e1reas de conhecimento. A m\u00fasica, presente nas culturas, nas mais variadas situa\u00e7\u00f5es, faz parte de uma educa\u00e7\u00e3o desde h\u00e1 muito tempo, sendo que, na Gr\u00e9cia Antiga, era tida como fundamental para a forma\u00e7\u00e3o de futuros cidad\u00e3os ao lado da Filosofia e da Matem\u00e1tica (BEYER, 1999).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Froebel (<em>apud <\/em>FERNANDES, 2004)teve particular interesse pela educa\u00e7\u00e3o musical e pela inf\u00e2ncia. Para ele o homem tem a voca\u00e7\u00e3o de agir conforme a imagem divina e adquirir conhecimentos amplos e de uma maneira espont\u00e2nea. Desta forma a atividade criadora deve ser estimulada nas crian\u00e7as por meio de jogos e brincadeiras. Depois disso, de uma maneira natural (como o pr\u00f3prio Deus faz), vem o trabalho. Nos <em>jardins de inf\u00e2ncia <\/em>do pedagogo, al\u00e9m dos brinquedos, as crian\u00e7as seriam educadas com a gin\u00e1stica, o canto coral, a conversa\u00e7\u00e3o, os desenhos etc.\u00a0\u00c9 no s\u00e9culo XX que ocorrem as maiores revolu\u00e7\u00f5es na m\u00fasica, na pedagogia e na educa\u00e7\u00e3o musical. \u00c9 tamb\u00e9m neste s\u00e9culo que se caracteriza o educador musical como se conhece hoje em dia, inclusive no Brasil.<\/p>\n<p>No que se refere \u00e0 educa\u00e7\u00e3o em geral muitas teorias e pr\u00e1ticas novas se impuseram com o intuito de responder \u00e0s demandas da \u00e9poca. Segundo Fonterrada (2005), estava \u00e0 vista a \u201cdissolu\u00e7\u00e3o do ser humano em meio \u00e0 vida coletivizante ordenada pelas condi\u00e7\u00f5es massificadoras, pela maquinaria e pela burocracia\u201d (ibidem, p. 85). Assim, com a anula\u00e7\u00e3o do individual pelo coletivizante a arte criativa tenderia a perder sua for\u00e7a. A luta contra este estado de coisas se reproduziu na educa\u00e7\u00e3o como um todo e na educa\u00e7\u00e3o musical especificamente.<\/p>\n<p>A m\u00fasica na Educa\u00e7\u00e3o Infantil acontece de v\u00e1rias maneiras e com diferentes objetivos. Nesse sentido podemos afirmar que sua presen\u00e7a \u00e9 fundamental para o desenvolvimento das crian\u00e7as sendo que pode ser trabalhada de distintos modos no contexto escolar. Isso se confirma no cotidiano escolar em diversas atividades como a recrea\u00e7\u00e3o, as festividades ou comemora\u00e7\u00f5es, na forma\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos e tamb\u00e9m como pano de fundo e recurso did\u00e1tico para diferentes fazeres da Educa\u00e7\u00e3o Infantil. Sendo assim, at\u00e9 o momento, o que percebemos \u00e9 uma vis\u00e3o e uma pr\u00e1tica utilitaristas da m\u00fasica na escola de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, o que se distancia da concep\u00e7\u00e3o de m\u00fasica como conhecimento que possui conte\u00fados pr\u00f3prios e metodologias particulares (BEAUMONT, 2003; FONTERRADA, 2005).<\/p>\n<p>Desta forma, refletir sobre as fun\u00e7\u00f5es que o ensino de m\u00fasica poder\u00e1 assumir na escola nos motiva a considerar o cotidiano escolar, as pr\u00e1ticas culturais de professores e alunos, mas tamb\u00e9m outros variados prop\u00f3sitos pelos quais ela poder\u00e1 aparecer, de acordo com o contexto e as situa\u00e7\u00f5es particulares e suas pr\u00f3prias possibilidades como linguagem art\u00edstica.<\/p>\n<p>\u00c9 nessa perspectiva que o curr\u00edculo tamb\u00e9m se configura como resultado de equil\u00edbrio de for\u00e7as e poderes sociais. O curr\u00edculo como media\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, segundo Moreira e Silva (1994), est\u00e1 permeado por rela\u00e7\u00f5es existentes como: curr\u00edculo e cultura, curr\u00edculo, ideologia, poder e curr\u00edculo e controle social.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da ideologia, pode-se constatar que este processo est\u00e1 relacionado \u00e0s divis\u00f5es que organizam a sociedade bem como as rela\u00e7\u00f5es de poder que sustentam essas divis\u00f5es; j\u00e1 no \u00e2mbito da rela\u00e7\u00e3o entre curr\u00edculo e cultura Moreira e Silva (1994) defendem que:<\/p>\n<p>O curr\u00edculo n\u00e3o \u00e9 ve\u00edculo de algo a ser transmitido e passivamente absorvido, mas o terreno em que ativamente se criar\u00e1 e produzir\u00e1 cultura. O curr\u00edculo \u00e9, assim, um terreno de produ\u00e7\u00e3o e de pol\u00edtica cultural, no qual os materiais existentes funcionam como mat\u00e9ria-prima de cria\u00e7\u00e3o, recria\u00e7\u00e3o e sobretudo, de contesta\u00e7\u00e3o e transgress\u00e3o (MOREIRA; SILVA, 1994, p. 28).<\/p>\n<p>Reconhecer que o curr\u00edculo esteja atravessado por rela\u00e7\u00f5es de poder implica em considerar o poder se manifestar nas rela\u00e7\u00f5es sociais entre indiv\u00edduos ou grupos; o poder que se manifesta por meio das linhas divis\u00f3rias que separam os diferentes grupos sociais em termos de classe, etnia, g\u00eanero, etc., expressando assim, os interesses dos grupos e classes colocados em vantagem na din\u00e2mica social. O que percebemos ent\u00e3o \u00e9 que o curr\u00edculo est\u00e1 no centro das rela\u00e7\u00f5es de poder e \u00e9 express\u00e3o dessas rela\u00e7\u00f5es sociais de poder.<\/p>\n<p>Assim, essas rela\u00e7\u00f5es de poder que constituem o curr\u00edculo, partindo de grupos cujos interesses s\u00e3o dominantes, precisa ser transformadora, ou seja, \u201co curr\u00edculo, como campo cultural, como campo de constru\u00e7\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de significa\u00e7\u00f5es e sentido, torna-se assim um terreno central dessa luta de transforma\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de poder\u201d (MOREIRA; SILVA, 1994, p. 30). A elabora\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo n\u00e3o pode ser considerada apenas como um processo pelo qual se \u201cinventa tradi\u00e7\u00e3o\u201d, como coloca Goodson (1995), mas como algo a ser constru\u00eddo socialmente.<\/p>\n<p>Entendendo que as pr\u00e1ticas educativas desenvolvidas pelas professoras de Educa\u00e7\u00e3o Infantil no cotidiano, de algum modo procedem de orienta\u00e7\u00f5es curriculares e se traduzem em pr\u00e1ticas curriculares &#8211; uma vez que o curr\u00edculo n\u00e3o \u00e9 algo que se constitui <em>a priori <\/em>e sim decorre de experi\u00eancias e de saberes &#8211; acreditamos que, nesse contexto, a m\u00fasica estar\u00e1 ou n\u00e3o presente nos curr\u00edculos de acordo com essas pr\u00e1ticas de professoras unidocentes. Ent\u00e3o, tendo em considera\u00e7\u00e3o que o curr\u00edculo tamb\u00e9m \u00e9 express\u00e3o de princ\u00edpios pedag\u00f3gicos, ideol\u00f3gicos, sociais e pol\u00edticos, este se configura como algo que encontra-se entre o que acontece realmente na sala de aula o que \u00e9 prescrito.<\/p>\n<p>A partir dessa concep\u00e7\u00e3o, procuramos refletir acerca do curr\u00edculo da Educa\u00e7\u00e3o Infantil, no que se refere \u00e0 m\u00fasica como um dos eixos educativos a ser trabalhado na escola de Educa\u00e7\u00e3o Infantil pelas professoras.<\/p>\n<p>Como postulado acima, a Educa\u00e7\u00e3o Infantil, segundo a LDBEN de 1996 constitui a \u201cprimeira etapa da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, tendo como finalidade o desenvolvimento integral da crian\u00e7a at\u00e9 seis anos de idade, em seus aspectos f\u00edsico, intelectual e social, complementando a a\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e da comunidade\u201d (LDBEN 9.394\/96, t\u00edtulo V, cap\u00edtulo II, se\u00e7\u00e3o II, art. 29).<\/p>\n<p>Ainda segundo o artigo 30 da referida Lei, a Educa\u00e7\u00e3o Infantil deve ser oferecida em creches (para crian\u00e7as de 4 meses at\u00e9 tr\u00eas anos de idade) e pr\u00e9-escolas (para crian\u00e7as de quatro a seis anos de idade).<\/p>\n<p>O RCNEI \u00e9 um oficial documento que n\u00e3o possui impacto na pr\u00e1tica pedag\u00f3gica de professores da Educa\u00e7\u00e3o Infantil (PENNA, 2004), principalmente em tratando-se da linguagem musical. Como anteriormente abordamos, o desconhecimento de certos professores sobre o documento observa-se, ainda, no espec\u00edfico caso da m\u00fasica, uma linguagem que colabora para que hajam dificuldades para a sua efetiva\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica. Neste sentido, pautaremos em discuss\u00f5es que se seguem.<\/p>\n<p>institui\u00e7\u00f5es da Educa\u00e7\u00e3o Infantil, o RCNEI desenvolveu categorias curriculares para organiz\u00e1-los. Nesta organiza\u00e7\u00e3o &#8211; tendo em considera\u00e7\u00e3o a elabora\u00e7\u00e3o dos conhecimentos e das diferentes linguagens, a constru\u00e7\u00e3o de identidades nas crian\u00e7as, os processos da socializa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de autonomia das crian\u00e7as &#8211; optou-se pela cria\u00e7\u00e3o dos \u00e2mbitos e eixos de trabalho.<\/p>\n<p>Assim, o <em>Referencial Curricular Nacional para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil <\/em>(RCNEI<em>) <\/em>estabelece dois \u00e2mbitos das experi\u00eancias formativas: <em>Forma\u00e7\u00e3o Pessoal e Social e Conhecimento de Mundo <\/em>(RCNEI, 1998). A <em>Forma\u00e7\u00e3o Pessoal e Social <\/em>abarca um eixo de trabalho chamado: Autonomia e Identidade; o <em>Conhecimento de Mundo <\/em>abarca os eixos de trabalho. S\u00e3o eles: M\u00fasica, Movimento, Linguagem Oral e Escrita, Artes Visuais, Sociedade e Natureza, Matem\u00e1tica. Por\u00e9m, \u00e9 importante destacar que esta divis\u00e3o em eixos e \u00e2mbitos \u00e9 apresentada como sendo somente instrumental, cabendo, desta maneira, aos professores na sua pr\u00e1tica pedag\u00f3gica, trabalh\u00e1-los de modo integrado e global, segundo orienta o documento (BRASIL, 1998).<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc228862786\"><\/a>A FORMA\u00c7\u00c3O DOS PROFESSORES<\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A legisla\u00e7\u00e3o brasileira reconhece a import\u00e2ncia da m\u00fasica na Educa\u00e7\u00e3o. A Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (LDBEN 9394\/96) explicita no artigo 26, par\u00e1grafo 2, que \u201co ensino da ARTE constituir\u00e1 componente curricular obrigat\u00f3rio nos v\u00e1rios n\u00edveis da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, de maneira a promover o desenvolvimento cultural dos alunos\u201d (BRASIL, 1996). Como documentos complementares, mas n\u00e3o normativos, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) elaborou os Par\u00e2metros Curriculares Nacionais (PCNs) de 1\u00aaa 4\u00aaS\u00e9ries Iniciais do Ensino Fundamental, e os Referenciais Curriculares Nacionais para Educa\u00e7\u00e3o Infantil (RECNEI), os quais relacionam a \u00e1rea de Arte com as demais \u00e1reas e reconhece as suas especificidades, ou seja, a M\u00fasica, a Dan\u00e7a, as Artes Visuais e o Teatro.<\/p>\n<p>No entanto, em nenhum texto desta legisla\u00e7\u00e3o existe uma defini\u00e7\u00e3o clara sobre a forma\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria do professor para ministrar as aulas nas modalidades de ARTE aqui referidas. Em sua recente investiga\u00e7\u00e3o no sul do Brasil, Figueiredo (2003) apresenta dados que integraram sua Tese de Doutorado \u201cThe Music Preparation of Generalist Teachers in Brazil\u201d, falando sobre a car\u00eancia de defini\u00e7\u00f5es mais objetivas com rela\u00e7\u00e3o ao profissional previsto para o &#8220;ensino das Artes&#8221; dizendo que:<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Embora a nova legisla\u00e7\u00e3o e os documentos de apoio apresentassem perspectivas diferentes para as artes, n\u00e3o tem havido uma defini\u00e7\u00e3o clara sobre quem deveria ser o profissional respons\u00e1vel pelo ensino da m\u00fasica e das artes nos primeiros anos escolares. Esta falta da defini\u00e7\u00e3o tem mantido as artes numa posi\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria na prepara\u00e7\u00e3o de professores generalistas nos cursos de Pedagogia.\u00a0<\/strong>(FIGUEIREDO, 2003, p.139).<\/p>\n<p>Penna (2001) tamb\u00e9m confirma esta constata\u00e7\u00e3o apresentando uma an\u00e1lise das propostas dos PCNs e indagando sobre a capacita\u00e7\u00e3o do profissional para desenvolver os conte\u00fados ali propostos:<\/p>\n<p>(&#8230;) por um lado \u00e9 grande a flexibilidade na aplica\u00e7\u00e3o da proposta dos Par\u00e2metros em Arte, sendo delegada \u00e0s escolas a decis\u00e3o de como abordar as diversas modalidades art\u00edsticas e, por outro lado, n\u00e3o h\u00e1 defini\u00e7\u00f5es claras sobre a forma\u00e7\u00e3o do professor. (&#8230;) O que dizer ent\u00e3o, da capacita\u00e7\u00e3o desse professor para desenvolver de modo consistente conte\u00fados musicais? (p.114).<\/p>\n<p>No artigo 62, a LDBEN\/96 reconhece a figura do professor especialista com gradua\u00e7\u00e3o plena e prev\u00ea a forma\u00e7\u00e3o em n\u00edvel superior para professores de todas as modalidades de ensino, prescrevendo que:<\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o de docentes para atuar na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica far-se-\u00e1 em n\u00edvel superior, em curso de licenciatura, de gradua\u00e7\u00e3o plena, em universidades e institutos superiores de educa\u00e7\u00e3o, admitida, como forma\u00e7\u00e3o m\u00ednima para o exerc\u00edcio do magist\u00e9rio na educa\u00e7\u00e3o infantil e nas quatro primeiras s\u00e9ries do ensino fundamental, a oferecida em n\u00edvel m\u00e9dio, na modalidade Normal.<\/p>\n<p>Portanto, a partir da LDBEN\/96 entendemos que se reconhece a legitimidade da forma\u00e7\u00e3o dos seguintes profissionais para atuar na EI e SEIF:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Professor de EI e SIEF: aquele formado pelos cursos \u201cnormal superior\u201d e \u201cPedagogia\u201d, e\/ou ainda como forma\u00e7\u00e3o m\u00ednima, a oferecida em n\u00edvel m\u00e9dio (magist\u00e9rio).<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li>Professor especialista: aquele formado pelos cursos de \u201cLicenciatura Plena\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta legisla\u00e7\u00e3o indicou a necessidade de curso superior para professores da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, o que levou muitos professores a buscarem qualifica\u00e7\u00e3o em n\u00edvel superior em cursos de Pedagogia e Normal Superior. Mas ao mesmo tempo, esta legisla\u00e7\u00e3o faculta a forma\u00e7\u00e3o em n\u00edvel m\u00e9dio para professores de EI e SIEF.<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc228862787\"><\/a>\u00a0Forma\u00e7\u00e3o em m\u00fasica dos professores da Educa\u00e7\u00e3o Infantil<\/h4>\n<p>No Brasil, diversos pesquisadores v\u00eam discutindo a quest\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o em m\u00fasica do professor de EI e SIEF, seja em curso de \u201cPedagogia\u201d ou em \u201cNormal Superior\u201d &#8211; Bellochio (2002), Coelho de Souza (2003), Figueiredo (2003), Penna (2004), Souza (2001), entre outros.<\/p>\n<p>Esfor\u00e7os v\u00eam sendo feitos para fornecer experi\u00eancias formadoras em m\u00fasica aos professores de EI e SIEF por pesquisadores de diversas universidades, dentre elas a Universidade Federal de Santa Maria-RS, com Bellochio (2003, p.133), afirmando que:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>[&#8230;] ainda n\u00e3o temos um processo suficientemente articulado e refletido, que possamos entender e significar como educa\u00e7\u00e3o musical formal na forma\u00e7\u00e3o de professores e na escola. Esse problema se agrava nos anos iniciais de escolariza\u00e7\u00e3o, cujo espa\u00e7o profissional tem sido ocupado por profissionais de n\u00edvel m\u00e9dio e superior que, na maioria das vezes, tamb\u00e9m n\u00e3o desenvolveram conhecimentos musicais na sua forma\u00e7\u00e3o profissional. (p.129) (&#8230;) Enfim, o ensino de m\u00fasica na forma\u00e7\u00e3o de professor e no curso de pedagogia necessita ser pensado e repensado com base na a\u00e7\u00e3o\/rela\u00e7\u00e3o dos alunos com a(s) pr\u00f3pria(s) m\u00fasica(s) e nas rela\u00e7\u00f5es que a escola tem estabelecido com essa \u00e1rea do conhecimento.<\/p>\n<p>Constatamos ainda nas palavras de Penna (2004), que no Brasil ainda s\u00e3o poucas as institui\u00e7\u00f5es de ensino superior que oferecem o curso para forma\u00e7\u00e3o em Licenciatura em M\u00fasica.<\/p>\n<p>Para a educa\u00e7\u00e3o musical em todas as escolas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do pa\u00eds, ter\u00edamos de admitir que n\u00e3o haveria professores com forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em n\u00famero \u2013 e com disponibilidade \u2013 suficiente para tal. Nesse sentido vale lembrar que, em muitas localidades ou mesmo regi\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 licenciaturas na \u00e1rea de m\u00fasica (PENNA, 2004, p.13).<\/p>\n<p>Penna (2001, p.120-121) ainda se refere a esta quest\u00e3o, recorrendo a um pensamento de Subtil (1998) que confirma:<\/p>\n<p>[&#8230;] n\u00e3o seria poss\u00edvel contar a curto prazo \u2013 mesmo que houvesse decis\u00e3o pol\u00edtica para tal \u2013 com professores com forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em m\u00fasica em n\u00famero suficiente para atender a todas as escolas deste pa\u00eds, nos diversos ciclos. Faz-se necess\u00e1rio, por conseguinte, reconhecer os limites das possibilidades de atua\u00e7\u00e3o do professor especialista e buscar meios para capacitar o professor das primeiras s\u00e9ries para o trabalho musical em suas turmas, ou ent\u00e3o estaremos aceitando que a m\u00fasica, enquanto proposta [pedag\u00f3gica] sistematizada, permane\u00e7a ausente da escola, mesmo estando presente no cotidiano dos alunos de forma t\u00e3o marcante.<\/p>\n<p>Os curr\u00edculos dos cursos de Pedagogia privilegiam a forma\u00e7\u00e3o do profissional da EI e SIEF para ser um potencializador de conhecimentos e saberes relacionados a disciplinas como l\u00edngua portuguesa, matem\u00e1tica, ci\u00eancias, entre outras (FIGUEIREDO, 2003). Por que n\u00e3o poderiam ser tamb\u00e9m potencializadores com rela\u00e7\u00e3o a atividades art\u00edsticas, inclusive musicais?<\/p>\n<h3><strong>\u00a0<\/strong><a name=\"_Toc228862788\"><\/a>Forma\u00e7\u00e3o de professores curr\u00edculos e inst\u00e2ncias sociais<\/h3>\n<p>Neste in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, vivemos num tempo em que se discute intensamente sobre os caminhos da educa\u00e7\u00e3o e, conseq\u00fcentemente, sobre a forma\u00e7\u00e3o de professores, pois se verifica o esgotamento das certezas que davam dire\u00e7\u00e3o ao processo educativo. No panorama contempor\u00e2neo da reforma educacional no Brasil, reconhece-se a necessidade de uma forma\u00e7\u00e3o diferenciada do professor para que este esteja apto a atuar em uma sociedade denominada como \u201csociedade do conhecimento\u201d (RIVERO; GALLO, 2004). Sociedade esta, na qual se reconhece a preponder\u00e2ncia do conhecimento sobre os demais fatores sociais, tendo-se tornado o maior \u201cbem\u201d que o indiv\u00edduo pode possuir. Conforme Rivero e Gallo (2004, p.11),<\/p>\n<p>Se o conhecimento \u00e9 m\u00faltiplo, variado, n\u00e3o estanque e, sobretudo, se sua transmiss\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o fica restrita \u00e0 institui\u00e7\u00e3o escolar, mas se estende e se dilui pelas malhas da rede social, \u00e9 de grande import\u00e2ncia que se repense todo o processo de forma\u00e7\u00e3o de professores, para atuar no contexto dessa \u201csociedade do conhecimento\u201d. \u00c9 fundamental que tenhamos processos formativos preparando o educador para uma atitude aberta frente ao mundo, pronto a aceitar o novo e a promov\u00ea-lo, ajudando a desenvolver nas pessoas com que se relaciona um processo de subjetiva\u00e7\u00e3o aut\u00f4nomo e singular.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es formadoras de professores, bem como a legisla\u00e7\u00e3o brasileira atrav\u00e9s de suas reformas (a mais recente atrav\u00e9s da promulga\u00e7\u00e3o da Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional (LDB) &#8211; lei n.9.394\/96), v\u00eam buscando a reformula\u00e7\u00e3o de leis, curr\u00edculos e programas de curso, conscientes de que o processo de forma\u00e7\u00e3o necessita ser compreendido al\u00e9m do espa\u00e7o escolar, em suas mais diversas e complexas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>A sociedade contempor\u00e2nea exige um profissional da educa\u00e7\u00e3o que esteja em constante processo de forma\u00e7\u00e3o, sempre atualizado, preparado para atuar como produtor de conhecimentos atrav\u00e9s da pesquisa, e em busca de metodologias que lhe possibilitem um trabalho n\u00e3o mais fragmentado e compartimentalizado em disciplinas estanques. No advento da reforma de pensamento sobre a educa\u00e7\u00e3o, somos levados a refletir tamb\u00e9m sobre os processos disciplinares na forma\u00e7\u00e3o de docentes, decorrentes da disciplinariza\u00e7\u00e3o epistemol\u00f3gica. O professor necessita estar preparado para auxiliar seus alunos em um processo de constru\u00e7\u00e3o interativa de conhecimentos, que tenha como ponto de partida a reflex\u00e3o conjunta de todos os participantes do processo.<\/p>\n<p>Esta necessidade de mudan\u00e7a na forma\u00e7\u00e3o de professores se torna \u00f3bvia tamb\u00e9m, se refletirmos sobre o fato de que o professor em sua pr\u00e1tica reproduz naturalmente o sistema de ensino no qual ele \u00e9 formado. N\u00f3voa (2004, p.20) confirma esta afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Temos dito (e repetido) que o professor \u00e9 a pessoa; que a pessoa \u00e9 o professor; que \u00e9 imposs\u00edvel separar as dimens\u00f5es pessoais e profissionais; que ensinamos aquilo que somos e que, naquilo que somos, se encontra muito daquilo que ensinamos.<\/p>\n<p>Se o professor recebe uma forma\u00e7\u00e3o disciplinar, compartimentalizada, regida por um curr\u00edculo com forte enquadramento, pr\u00e9-determina\u00e7\u00e3o e controle, isso certamente se refletir\u00e1 em seu processo de ensino. Cabe aos cursos de forma\u00e7\u00e3o de docentes conceder o incentivo ao planejamento participativo, buscando um curr\u00edculo flex\u00edvel e aberto, pass\u00edvel de ser atualizado em fun\u00e7\u00e3o do curso da experi\u00eancia e das necessidades da pr\u00e1tica curricular cotidiana.\u00a0Silva (2003) ao falar sobre curr\u00edculo afirma que:<\/p>\n<p><strong>O curr\u00edculo \u00e9 lugar, espa\u00e7o, territ\u00f3rio. O curr\u00edculo \u00e9 rela\u00e7\u00e3o de poder. O curr\u00edculo \u00e9 trajet\u00f3ria, viagem, percurso. O curr\u00edculo \u00e9 autobiografia, nossa vida, curriculum vitae: no curr\u00edculo se forja nossa identidade. O curr\u00edculo \u00e9 texto, discurso, documento. O curr\u00edculo \u00e9 documento de identidade<\/strong> (SILVA, 2003, p. 150).<\/p>\n<p>Considerando que todas as inst\u00e2ncias, onde o ser humano permanece e\/ou vive, s\u00e3o formadoras de \u201ccurr\u00edculos\u201d, tamb\u00e9m a m\u00fasica \u00e9, e sempre foi, parte importante de seu curr\u00edculo.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><a name=\"_Toc228862789\"><\/a>\u00a0<strong>A IMPORT\u00c2NCIA DA M\u00daSICA NA EDUCA\u00c7\u00c3O INFANTIL<\/strong><\/p>\n<h4><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><a name=\"_Toc228862790\"><\/a>A m\u00fasica como discurso de todo ser humano<\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Para pensarmos em forma\u00e7\u00e3o musical de professores de EI e SIEF, necessitamos antes de mais nada, entender o discurso musical destes sujeitos: quais suas formas de express\u00e3o com os sons e quais os gestos musicais que lhes s\u00e3o inerentes, embora muitas vezes, estes elementos ainda lhe passem desapercebidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O professor de m\u00fasica necessita estar atento \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es sonoras destes sujeitos e traz\u00ea-las para o plano da consci\u00eancia, buscando a transforma\u00e7\u00e3o destes materiais sonoros em experi\u00eancias expressivas de forma\u00e7\u00e3o. Importa que o aluno de pedagogia na sua forma\u00e7\u00e3o possa vivenciar e fazer parte do processo de cria\u00e7\u00e3o, interpreta\u00e7\u00e3o e composi\u00e7\u00e3o musicais. Considerar o discurso musical dos alunos significa respeitar suas escolhas, suas tomadas de decis\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos seus gostos e permitir-lhes a flu\u00eancia musical antes de qualquer inten\u00e7\u00e3o de leitura ou escrita musical.<\/p>\n<p>Swanwick (2003, p.69) diz que n\u00e3o acha \u201cque a capacidade de ler ou escrever seja o objetivo final da educa\u00e7\u00e3o musical. (&#8230;) a sequ\u00eancia de procedimentos (referindo-se a educa\u00e7\u00e3o musical) mais efetiva \u00e9: ouvir, articular, depois ler e escrever\u201d.\u00a0Conforme afirma N\u00f3voa (2004), o professor ensina aquilo que \u00e9 e naquilo que \u00e9 se encontra muito do que ele ensina. Perrenoud (2002, p.39) tamb\u00e9m confirma isso, dizendo que &#8220;nossa a\u00e7\u00e3o sempre \u00e9 a express\u00e3o daquilo que somos&#8221;.<\/p>\n<p>Pensar em m\u00fasica num contexto mais amplo significa perceber que esta pode acontecer nas mais variadas formas e que ela n\u00e3o necessariamente precisa apenas ser vivenciada atrav\u00e9s do canto. A m\u00fasica \u00e9 constitu\u00edda de sons e sil\u00eancios e est\u00e1 presente no cotidiano de todo o ser humano, bastando-lhe para isso a iniciativa de come\u00e7ar a explorar suas atividades a partir destes sons e sil\u00eancios. Podemos explorar os diferentes sons corporais (bocejos, murm\u00farios, estalos, palmas, etc.). Podemos explorar os sons em diferentes materiais do cotidiano (na rua, em casa, nos objetos que nos cercam&#8230; entre muitos outros) e, a partir desta explora\u00e7\u00e3o, criar novas formas de organiza\u00e7\u00e3o destes sons. Com a voz podemos entender as diferentes possibilidades de inflex\u00e3o mel\u00f3dica. Podemos explorar os ritmos, os instrumentos, perceber diferencia\u00e7\u00f5es de timbres e buscar e analisar a m\u00fasica que encontramos na m\u00eddia em seus mais diferentes aspectos.<\/p>\n<p>Sz\u00f6nyi (1996) indica alguns pontos sobre a educa\u00e7\u00e3o musical salientados pelo educador: A educa\u00e7\u00e3o musical deve se estender e ser acess\u00edvel a todos, pois \u00e9 de vital import\u00e2ncia na forma\u00e7\u00e3o geral. Para isto deve fazer parte da educa\u00e7\u00e3o proposta pelo Estado, com organiza\u00e7\u00e3o e controle adequado. Al\u00e9m disso, deve haver uma boa forma\u00e7\u00e3o de professores e um di\u00e1logo internacional com coopera\u00e7\u00e3o e interc\u00e2mbio de id\u00e9ias.<\/p>\n<p>O primeiro educador musical da crian\u00e7a \u00e9 a fam\u00edlia, em especial a m\u00e3e. Becker (1989) fala que quando a m\u00e3e canta para a crian\u00e7a dormir, ensina seu filho a bater palmas, est\u00e1 educando musicalmente seu filho. Depois, na escola, a crian\u00e7a ter\u00e1 sua educa\u00e7\u00e3o musical formalizada.<\/p>\n<p>A autora lembra que cabe aos professores dar oportunidades para os educandos utilizar a m\u00fasica como uma forma de se comunicar e n\u00e3o deve existir a ilus\u00e3o de haver um grande interesse das crian\u00e7as pela m\u00fasica s\u00f3 por elas estarem cercadas de m\u00fasicas atrav\u00e9s do r\u00e1dio, televis\u00e3o, pois isso n\u00e3o basta para desenvolver um senso cr\u00edtico musical. Atividades l\u00fadicas como canto, brinquedos e rodas cantadas s\u00e3o importantes para despertar a sensibilidade da crian\u00e7a. Schaefer (1991) acredita que o trabalho do professor \u00e9 descobrir o potencial criativo das crian\u00e7as para fazer m\u00fasica por si, apresentar aos alunos os sons do ambiente, tratar a \u201cpaisagem sonora do mundo\u201d como um composi\u00e7\u00e3o musical da qual o homem \u00e9 o principal compositor e fazer julgamentos cr\u00edticos que levem \u00e0 melhoria de sua qualidade.Descobrir um ponto de uni\u00e3o onde todas as artes possam encontrar-se e desenvolver-se harmonicamente.<\/p>\n<p>No ensino musical os professores devem ter em mente aquilo que Jourdain (1998) considera como m\u00fasica para ele n\u00e3o se deve consider\u00e1-la apenas uma gin\u00e1stica entre a leitura de uma partitura e a t\u00e9cnica para tocar um instrumento, as pessoas tem que encontrar seu caminho musical de fazer m\u00fasica.<\/p>\n<p>Assano (2000) cr\u00edtica professores que pensam que s\u00f3 pode trabalhar com a linguagem musical quem sabe m\u00fasica, pois desta maneira deixam de criar e fazer experi\u00eancias com novos sons. Para ela isto n\u00e3o justifica a poss\u00edvel aus\u00eancia da m\u00fasica na sala de aula j\u00e1 que os m\u00fasicos contempor\u00e2neos usam justamente sons do cotidiano para compor m\u00fasicas. Comenta ainda a autora que Cec\u00edlia Conde (<em>apud<\/em> ASSANO, 2000, p. 14) em suas aulas de m\u00fasica fazia qualquer coisa transformar\u2013se em m\u00fasica: vidros, latas, pap\u00e9is, \u00e1gua, madeira, sons da natureza, do corpo, da cidade. Tudo que era capaz de ser ouvido era transformado em melodia pelos grupos que sentiam a alegria da cria\u00e7\u00e3o. A conclus\u00e3o da autora \u00e9 quem a teve como professora, h\u00e1 de se ter tornado capaz de sentir o imenso prazer de descobrir a m\u00fasica da natureza.<\/p>\n<p>O primeiro instrumento musical que o professor pode e deve utilizar \u00e9 o pr\u00f3prio corpo, algo riqu\u00edssimo que podemos explorar. S\u00e3o diversos os sons que podemos produzir com o corpo como cantar, gritar, suspirar, bater palmas, bater com os p\u00e9s, assobiar, esfregar, bater os dedos, sapatear, etc.<\/p>\n<p>Consani (2003) sugere que o educador fa\u00e7a uma an\u00e1lise das m\u00fasicas populares para n\u00e3o serem transmitidos conte\u00fados inadequados ou indesej\u00e1veis, tamb\u00e9m pode-se pesquisar temas ligados ao conhecimento humano, pois estes de uma forma ou de outra\u00a0 foram retratados musicalmente por um compositor, definir os conceitos que se deseja trabalhar, saber que a aprecia\u00e7\u00e3o musical vem do h\u00e1bito de ouvir e que analisar uma can\u00e7\u00e3o\u00a0 requer planejamento e implanta\u00e7\u00e3o gradativa.<\/p>\n<p>No in\u00edcio o professor deve preferir can\u00e7\u00f5es atuais ou regrava\u00e7\u00f5es recentes com musicas de qualidade, depois ajudar os alunos a resgatar os cl\u00e1ssicos, desenvolver estrat\u00e9gias de trabalho, pesquisa, avalia\u00e7\u00f5es, apresentar material ilustrativo sobre o compositor ou interprete da grava\u00e7\u00e3o, caso a can\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja atual.<\/p>\n<p>Segundo Amaral (1991) muitos professores de m\u00fasica adotam processos tradicionais no ensino musical pela falta de pesquisa experimental em m\u00fasica, e devido a poucos esfor\u00e7os realizados na \u00e1rea musical.<\/p>\n<p>Lembrando Lib\u00e2neo (2000), o professor deve buscar sempre \u201caprender a aprender\u201d a fim de ajudar seus alunos a constru\u00edrem seus conhecimentos. \u00c9 interessante os professores buscarem uma aprendizagem musical, e por que n\u00e3o exigir, assim como foi feito com os professores de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica, um professor especializado em Educa\u00e7\u00e3o Musical? Uma educa\u00e7\u00e3o musical de qualidade depende do professor preparado para essas exig\u00eancias.<\/p>\n<p>Cabe ao educador sentir o quanto ele \u00e9 importante na constru\u00e7\u00e3o dos conhecimentos musicais de seus alunos, e assim utilizar cada vez mais a m\u00fasica em sala de aula.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc228862791\"><\/a>Atributos do educador musical na Educa\u00e7\u00e3o Infantil<\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Em 1983 foi publicada a teoria de Howard Gardner. Segundo o cientista possu\u00edmos ao menos oito compet\u00eancias de intelig\u00eancia: \u201ca lingu\u00edstica ou verbal, a l\u00f3gico-matem\u00e1tica, a espacial, a musical, a sinest\u00e9sica corporal, a naturalista, a intrapessoal e a interpessoal\u201d. Ilari (2003) discute a intelig\u00eancia musical como uma capacidade de percep\u00e7\u00e3o sonora, identifica\u00e7\u00e3o de sons, classifica\u00e7\u00e3o de sons diferentes, de nuances de intensidade sonora, dire\u00e7\u00e3o da fonte sonora, andamentos, tonalidades, melodias, ritmos, timbres, estilos etc. Para Gardner, qualquer pessoa normal pode desenvolver todos os tipos de intelig\u00eancia, mas ter\u00e1 mais facilidade em determinados momentos da vida segundo o conceito de \u201cjanelas de oportunidades\u201d. Um dado importante sobre estas janelas \u00e9 que quase todas se abrem at\u00e9 os 10 anos de idade, da\u00ed a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o infantil em todas as \u00e1reas. Segundo Ilari (2003) a principal import\u00e2ncia disto tudo para educa\u00e7\u00e3o musical \u00e9 a id\u00e9ia de que basta para crian\u00e7a fazer m\u00fasica para que desenvolva sua intelig\u00eancia musical. Esta m\u00fasica deve ser variada e manuseada por meio de diversos dispositivos e modalidades do fazer musical. Mas a autora aponta mais especificamente para algumas atividades como o canto (que desenvolve ao menos 6 sistemas do c\u00e9rebro), os jogos musicais (que podem estimular diversos sistemas tamb\u00e9m), a execu\u00e7\u00e3o instrumental (desenvolve os sistemas de controle de aten\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria, orienta\u00e7\u00e3o espacial, ordena\u00e7\u00e3o sequencial, o sistema motor, o de pensamento superior e, no caso de grupos musicais, o sistema de pensamento social), a composi\u00e7\u00e3o e a improvisa\u00e7\u00e3o musical (desenvolve tamb\u00e9m diversos sistemas), a nota\u00e7\u00e3o musical (tanto a nota\u00e7\u00e3o \u201cinventada\u201d pela crian\u00e7a quanto a tradicional desenvolvem os sistemas de orienta\u00e7\u00e3o espacial, ordena\u00e7\u00e3o sequencial e do pensamento superior), a constru\u00e7\u00e3o de instrumentos (desenvolve sistemas como o do pensamento superior, de ordena\u00e7\u00e3o sequencial, o motor e de controle da aten\u00e7\u00e3o). Feitas estas considera\u00e7\u00f5es iniciais, apresenta-se a seguir os atributos da educa\u00e7\u00e3o musical segundo a vis\u00e3o de alguns autores.<\/p>\n<h4><a name=\"_Toc228862792\"><\/a>\u00a0Atributos para o educador musical no m\u00e9todo Suzuki<\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>O texto utilizado para indicar os atributos do educador musical no m\u00e9todo Suzuki chama-se \u201cEduca\u00e7\u00e3o \u00e9 Amor: Um novo m\u00e9todo de educa\u00e7\u00e3o\u201d. Nesta obra tem-se os principais fundamentos do m\u00e9todo Suzuki de educa\u00e7\u00e3o musical. Foi escrita pelo pr\u00f3prio criador do m\u00e9todo e visa persuadir o leitor, por meio de dados biogr\u00e1ficos e exemplos pr\u00e1ticos, o valor de suas id\u00e9ias. Suzuki (1994) n\u00e3o prescreve diretamente para o professor ou para o educador musical; \u00e9 um texto escrito para qualquer um que queira se inteirar de seus pensamentos. Muitos destes pensamentos se refletem em atributos que os professores devem ter, ou cren\u00e7as que eles devem seguir, como as seguintes: \u201cTalento n\u00e3o \u00e9 heredit\u00e1rio\u201d (ibidem,p. 17); \u201cBoas condi\u00e7\u00f5es ambientais produzem habilidades superiores\u201d (ibidem,p. 20); \u201cHabilidades naturais aparecem atrav\u00e9s do treinamento\u201d (ibidem,p. 27); \u201cTalento n\u00e3o \u00e9 inato\u201d (ibidem,p. 40); A repeti\u00e7\u00e3o e a persist\u00eancia s\u00e3o fundamentais no desenvolvimento do talento (ibidem,pp. 45-53); \u201cA educa\u00e7\u00e3o tem que ser baseada no amor para que desenvolva a verdade, a alegria e a beleza como parte do car\u00e1ter da crian\u00e7a\u201d (ibidem,p. 59). O objetivo geral do m\u00e9todo Suzuki \u00e9 \u201ctreinar as crian\u00e7as, n\u00e3o a ser m\u00fasicos profissionais mas a ser bons m\u00fasicos e mostrar toda sua habilidade em qualquer profiss\u00e3o que escolherem\u201d (ibidem,p. 76).<\/p>\n<p><a name=\"_Toc228862793\"><\/a><strong>Atributos para o educador segundo Te\u00e7a Alencar Brito<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Teca Alencar de Britotraz muitas contribui\u00e7\u00f5es sobre os atributos do educador musical. O texto que foi utilizado \u00e9 \u201cM\u00fasica na educa\u00e7\u00e3o infantil\u201d(BRITO, 2004) que direciona-se \u00e0 educa\u00e7\u00e3o musical infantil no Brasil contempor\u00e2neo. A seguir alguns fragmentos do texto ser\u00e3o extra\u00eddos com o intuito de salientar quais s\u00e3o os atributos do educador musical trazidos no bojo da refer\u00eancia bibliogr\u00e1fica.\u00a0Quando versa sobre a necessidade de respeito ao processo musical infantil, Brito (2004, p.45) indica:<\/p>\n<p>[&#8230;] <strong>nesse sentido, o professor deve atuar \u2013 sempre \u2013 como animador, estimulador, provedor de informa\u00e7\u00f5es e viv\u00eancias que ir\u00e3o enriquecer e ampliar a experi\u00eancia e o conhecimento das crian\u00e7as, n\u00e3o apenas do ponto de vista musical, mas integralmente, o que deve ser o objetivo priorit\u00e1rio de toda proposta pedag\u00f3gica, especialmente na etapa da educa\u00e7\u00e3o infantil.<\/strong><\/p>\n<p>A autora ainda contribui ao se pronunciar sobre as novas teorias e conhecimentos que v\u00eam se formando de modo a auxiliar os educadores na sua melhor compreens\u00e3o da crian\u00e7a, conforme o fragmento a seguir:<\/p>\n<p>O ensino-aprendizagem na \u00e1rea da m\u00fasica vem recebendo influ\u00eancia das teorias cognitivas, em sintonia com procedimentos pedag\u00f3gicos contempor\u00e2neos. Amplia-se o n\u00famero de pesquisas sobre o pensamento e a a\u00e7\u00e3o musicais que podem orientar os educadores e gerar contextos significativas de ensino-aprendizagem, que respeitem o modo de perceber, sentir e pensar de beb\u00eas e crian\u00e7as (BRITO, 2004, p. 53).\u00a0Outra contribui\u00e7\u00e3o est\u00e1 indicada no seguinte trecho:<\/p>\n<p><strong>O educador ou educadora deve buscar dentro de si as marcas e lembran\u00e7as da inf\u00e2ncia, tentando recuperar jogos, brinquedos e can\u00e7\u00f5es presentes em seu brincar. Tamb\u00e9m deve pesquisar na comunidade e com as pessoas mais velhas as tradi\u00e7\u00f5es do brincar infantil, devolvendo-as \u00e0s nossas crian\u00e7as, pois elas t\u00eam import\u00e2ncia fundamental para seu crescimento sadio e harmonioso<\/strong> (BRITO, 2004, p. 111).<\/p>\n<p>Finalizando as contribui\u00e7\u00f5es da autora temos que: \u201co educador ou educadora pode contar e sonorizar sua hist\u00f3ria [&#8230;]\u201d (ibidem,p. 163); \u201c\u00c9 importante que os educadores e educadoras se sintam capazes de criar arranjos simples e adequados \u00e0s possibilidades de realiza\u00e7\u00e3o musical das crian\u00e7as, pois s\u00f3 assim poder\u00e3o inserir seus alunos nesse importante e gostoso processo de cria\u00e7\u00e3o\u201d (ibidem,p. 173); \u201cO educador ou educadora dever\u00e1 observar como as crian\u00e7as registram os sons\u201d (ibidem,p. 183); e \u201cCabe ao educador ou educadora pesquisar exemplos e obras musicais que se aproximem de suas crian\u00e7as e de seu trabalho em cada fase\u201d (ibidem,p. 194).<\/p>\n<p><strong>\u00a0<a name=\"_Toc228862794\"><\/a>Atributos para o educador segundo Ilza Zenker Leme Joly<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0<\/strong>Joly (2000) inicia sua tese valorizando a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o musical para a forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, depois tra\u00e7a um hist\u00f3rico sobre seu desenvolvimento.\u00a0Joly tamb\u00e9m disserta sobre o processo de musicaliza\u00e7\u00e3o infantil, sobre a educa\u00e7\u00e3o musical no contexto escolar, sobre programa\u00e7\u00e3o de ensino e sobre a constru\u00e7\u00e3o do conhecimento pedag\u00f3gico musical. Segundo ela o processo de forma\u00e7\u00e3o de professores necessita de avan\u00e7os, e \u00e9 importante o professor conhecer as compet\u00eancias com as quais ele poder\u00e1 auxiliar seus alunos a se desenvolverem. A autora tamb\u00e9m utiliza os conceitos de Sch\u00f6n, e salienta a necessidade de que o professor tenha uma reflex\u00e3o-na-a\u00e7\u00e3o, isto \u00e9: seja capaz de planejar e adaptar procedimentos de ensino conforme as caracter\u00edsticas, necessidades, dificuldades, facilidades e interesses de seus alunos. O professor deve refletir diariamente para poder articular a teoria com a pr\u00e1tica, deve tamb\u00e9m ensinar e observar o aluno e n\u00e3o apenas realizar um seguir cego a procedimentos. A autora tamb\u00e9m valoriza a necessidade de se compreender a forma de atua\u00e7\u00e3o do professor e o ambiente onde este est\u00e1 inserido para se identificar aspectos fundamentais que influenciam na sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sobre a forma\u00e7\u00e3o de professores Joly (2000) indica como necess\u00e1rio preparar o profissional para ensinar e aprender, ser observador, ser perspicaz e ser reflexivo. O conhecimento deve funcionar como meio para o desenvolvimento das aprendizagens para que o indiv\u00edduo possa atuar na sociedade. Desta forma, em um programa para forma\u00e7\u00e3o de professores \u00e9 necess\u00e1rio definir-se os comportamentos mais significativos para o profissional. Para este fim a autora elaborou uma programa\u00e7\u00e3o que cumpriu as seguintes etapas: descri\u00e7\u00e3o das classes de comportamento do professor para planejar aulas, executar aulas e avaliar aulas de musicaliza\u00e7\u00e3o, descri\u00e7\u00e3o dos objetivos comportamentais e descri\u00e7\u00e3o das situa\u00e7\u00f5es de ensino. Segundo o texto \u00e9 necess\u00e1rio que o professor seja um observador eficaz e flex\u00edvel de modo que n\u00e3o insista em um procedimento improdutivo.<\/p>\n<p>Joly (ibidem) prop\u00f5e condi\u00e7\u00f5es para o ensino de comportamentos envolvidos num programa de forma\u00e7\u00e3o de professores de musicaliza\u00e7\u00e3o infantil. A id\u00e9ia \u00e9 tornar este mecanismo o mais real poss\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s atividades inerentes \u00e0 pr\u00e1tica e a viv\u00eancia comum do professor de musicaliza\u00e7\u00e3o.\u00a0Deve-se fazer uma an\u00e1lise dos componentes dos objetivos comportamentais e das situa\u00e7\u00f5es e condi\u00e7\u00f5es de ensino correspondentes para que se obtenha melhores evid\u00eancias sobre a aprendizagem.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4><a name=\"_Toc228862795\"><\/a>3.2.4 Atributos para o educador segundo Perrenoud<\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Perrenoud (2000), falando da educa\u00e7\u00e3o em geral trabalha com o conceito de compet\u00eancias para o educador. Neste contexto indica dez novas compet\u00eancias que devem se adicionar \u00e0s velhas compet\u00eancias dos profissionais da educa\u00e7\u00e3o. Estas dez compet\u00eancias n\u00e3o deixam de ser uma certa escolha pol\u00edtica e de vis\u00e3o de mundo, mas de qualquer forma elas buscam ser mais amplas e isentas. Segundo o te\u00f3rico da educa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>O referencial escolhido acentua as compet\u00eancias julgadas priorit\u00e1rias por serem coerentes com o novo papel dos professores, com a evolu\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, com as reformas da forma\u00e7\u00e3o inicial, com as ambi\u00e7\u00f5es das pol\u00edticas educativas. Ele \u00e9 compat\u00edvel com os eixos de renova\u00e7\u00e3o da escola: individualizar e diversificar os percursos de forma\u00e7\u00e3o, introduzir ciclos de aprendizagem, diferenciar a pedagogia, direcionar-se para uma avalia\u00e7\u00e3o mais formativa do que normativa, conduzir projetos de estabelecimento, desenvolver trabalhos em equipe docente e responsabilizar-se coletivamente pelos alunos, colocar as crian\u00e7as no centro da a\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, recorrer aos m\u00e9todos ativos, aos procedimentos de projeto, ao trabalho por problemas abertos e por situa\u00e7\u00f5es-problema, desenvolver compet\u00eancias e a transfer\u00eancia de conhecimentos, educar para a cidadania (PERRENOUD, 2000, p. 14).<\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar que este contexto que o autor chama de renova\u00e7\u00e3o da escola est\u00e1 em sincronismo com o hist\u00f3rico do desenvolvimento da educa\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XX. Baseado neste estado de coisas Perrenoud indica 10 fam\u00edlias de compet\u00eancias para o educador, que est\u00e3o indicadas no quadro 1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quadro 1 \u2013 As 10 novas compet\u00eancias de Perrenoud<\/p>\n<p>Fonte: Perrenoud (2000, p.20)<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Machado (2004, p.40) aplicou as id\u00e9ias de Perrenoud na educa\u00e7\u00e3o musical e adaptou as compet\u00eancias docentes necess\u00e1rias para a pr\u00e1tica pedag\u00f3gico-musical: 1) Elaborar e desenvolver propostas para o ensino da m\u00fasica na escola; 2) Organizar e dirigir situa\u00e7\u00f5es de aprendizagem musical \u201cinteressantes\u201d aos alunos; 3) Administrar a progress\u00e3o de aprendizagens musicais dos alunos; 4) Administrar os recursos dispon\u00edveis da escola para a realiza\u00e7\u00e3o do ensino de m\u00fasica; 5) Conquistar a valoriza\u00e7\u00e3o do ensino da m\u00fasica na escola; 6) Relacionar-se com os alunos, impondo limites; e 7) Manter-se em constante processo de forma\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4><a name=\"_Toc228862796\"><\/a>CONCLUS\u00c3O<\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Face ao exposto pode-se concluir que ouvir e aprender uma can\u00e7\u00e3o, participar de brincadeiras de roda e de atividades r\u00edtmicas, s\u00e3o a\u00e7\u00f5es que despertam, estimulam e ajudam a desenvolver o gosto pela atividade musical, al\u00e9m de viabilizar a viv\u00eancia dos elementos estruturais da linguagem musical.\u00a0A crian\u00e7a por meio de brincadeiras, relaciona-se com o mundo e dia ap\u00f3s dia descobre brincando como fazer m\u00fasica. Receptiva, curiosa, a crian\u00e7as busca por materiais sonoros, descobre instrumentos, inventa can\u00e7\u00f5es e escuta com prazer diversos tipos de m\u00fasica.<\/p>\n<p>A aprendizagem musical, de maneira ativa e cont\u00ednua, integra pr\u00e1tica, reflex\u00e3o e conscientiza\u00e7\u00e3o, transportando a experi\u00eancia para est\u00e1gios cada vez mais elaborados de express\u00e3o e de amplia\u00e7\u00e3o do conhecimento de mundo.<\/p>\n<p>Na Educa\u00e7\u00e3o Infantil, a m\u00fasica encontra-se presente em todos os instantes da rotina escolar, constituindo-se em uma fonte de prazer, aprendizagem e de express\u00e3o corporal. Se pensarmos que a Escola n\u00e3o possui condi\u00e7\u00f5es, nem nos oferece possibilidades para trabalhar com m\u00fasica, seja por falta de material sonoro, seja por falta de espa\u00e7o f\u00edsico, ou mesmo devido \u00e0 inseguran\u00e7a do professor, nada ir\u00e1 acontecer. No entanto, se formos capazes de despertar o gosto pela m\u00fasica na Educa\u00e7\u00e3o Infantil e incentivarmos que isto possua continuidade nas outras s\u00e9ries, teremos uma Escola mais feliz; uma escola onde alunos, pais e professores ir\u00e3o interagir de forma harm\u00f4nica, pois estar\u00e3o de verdade sendo os sujeitos da edifica\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria.<\/p>\n<h4><\/h4>\n<h3><a name=\"_Toc228862797\"><\/a>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/h3>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>ABRAMOVICH, F. <strong>Quem educa quem?<\/strong>5. ed. S\u00e3o Paulo: Summus, 1985.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>AMARAL, Kleide Ferreira. <strong>Pesquisa em m\u00fasica e educa\u00e7\u00e3o.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Loyola, 1991.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>ASSANO, Christiane Reis Dias Villela. Um pequeno divertissement de garrafas, sapatos e cacarecos. In: <strong>GARCIA, Regina Leite. <\/strong>Rio de Janeiro: DP&amp;A, 2000, p.17-32.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>BEAUMONT, Maria Tereza de. <strong>Paisagens polif\u00f4nicas da M\u00fasica na escola<\/strong>: saberes e pr\u00e1ticas docentes. 2003. 122f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado). Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia, Uberl\u00e2ndia: UFU, 2003.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BECKER, Rosane Nunes. <strong>Musicaliza\u00e7\u00e3o: <\/strong>Da descoberta a consci\u00eancia r\u00edtmica e sonora. 2 ed. Ijui (RS). UNIJUI, 1989.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BELLOCHIO, Claudia Ribeiro. Escola \u2013 Licenciatura em M\u00fasica- Pedagogia: compartilhando espa\u00e7os e saberes na forma\u00e7\u00e3o inicial de professores. <strong>Revista da ABEM<\/strong>, Porto Alegre, n.7, p. 41-48, setembro 2002.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BELLOCHIO, Claudia Ribeiro. Educa\u00e7\u00e3o Musical e professores dos anos iniciais de escolariza\u00e7\u00e3o: Forma\u00e7\u00e3o inicial e pr\u00e1ticas educativas. In: HENTSCHKE, L; DEL BEN, L. (Orgs). <strong>Ensino de M\u00fasica \u2013 <\/strong>propostas para pensar e agir em sala de aula. S\u00e3o Paulo: Moderna, 2003, p 127-140.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BEYER, Ester. Fazer ou entender m\u00fasica? In: BEYER, Ester (Org.). <strong>Id\u00e9ias em educa\u00e7\u00e3o musical<\/strong>. Porto Alegre: Media\u00e7\u00e3o, 1999. p. 9-31.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BRASIL. Lei n\u00ba 8.069 (1990). <strong>Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente-ECA<\/strong>. Bras\u00edlia, DF: Senado Federal, 1990.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BRASIL.<strong> Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional<\/strong>. N\u00ba 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Editora do Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BRASIL.Constitui\u00e7\u00e3o (1988). <strong>Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil<\/strong>. Bras\u00edlia, DF: Senado Federal, 1988.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BRASIL. Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e do Desporto. <strong>Referencial Curricular Nacional para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil. <\/strong>Volume 1- Introdu\u00e7\u00e3o. Bras\u00edlia: MEC\/SEF, 1998.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BRASIL. Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e do Desporto. <strong>Referencial Curricular Nacional para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil. <\/strong>v. 2- Forma\u00e7\u00e3o Pessoal e Social. Bras\u00edlia: MEC\/SEF, 1998.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BRASIL. Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e do Desporto. <strong>Referencial Curricular Nacional para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil. <\/strong>v. 3- Conhecimento de mundo. Bras\u00edlia: MEC\/SEF, 1998.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>BRITO, Te\u00e7a Alencar de. M\u00fasica na Educa\u00e7\u00e3o Infantil. <\/strong>S\u00e3o Paulo: Peir\u00f3polis, 2004.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BRITO, Teca Alencar de. A m\u00fasica como uma das formas de conhecimento de mundo: a proposta do Referencial Nacional para a educa\u00e7\u00e3o Infantil. In: ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA DE EDUCA\u00c7\u00c3O MUSICAL, 7, 1998, Pernambuco. <strong>Anais&#8230; <\/strong>Pernambuco: ABEM, 1998. p. 83-87.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>CARRIJO, Menissa C\u00edcera Fernandes de Oliveira Bessa. <strong>Educa\u00e7\u00e3o Infantil e pol\u00edticas p\u00fablicas na contemporaneidade: <\/strong>avan\u00e7os e limita\u00e7\u00f5es no discurso legal e na din\u00e2mica educacional. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado). Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o, Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia, Uberl\u00e2ndia, 2005.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>CERISARA, Ana Beatriz. A produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o infantil com base na an\u00e1lise de pareceres sobre o Referencial Curricular Nacional da Educa\u00e7\u00e3o Infantil. In: CHALMERS, A.F. <strong>O que \u00e9 ci\u00eancia afinal? <\/strong>Tradu\u00e7\u00e3o de Raul Fiker. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1993.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>COELHO DE SOUZA, C\u00e1ssia Virginia. <strong>Programa de Educa\u00e7\u00e3o Musical a Dist\u00e2ncia para Professores das S\u00e9ries Iniciais do Ensino Fundamental<\/strong>. 2003. Tese (Doutorado em M\u00fasica) Universidade Federal da Bahia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>CONSANI, Marciel. <strong>Um instante maestro. <\/strong>2003.Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.moderna.com.br\/Moderna\/arte\/musica&gt; Acesso em: 15 set. 2008.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>DINIZ, L\u00e9lia Negrine. <strong>M\u00fasica na Educa\u00e7\u00e3o Infantil<\/strong>: um <em>survey <\/em>com professoras da Rede Municipal de Ensino de Porto Alegre-RS. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado). Instituto de Artes. Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em M\u00fasica. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FERNANDES, Jos\u00e9 Nunes. Normaliza\u00e7\u00e3o, estrutura e organiza\u00e7\u00e3o nas escolas de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do Brasil: LDBEN\/96, PCN e curr\u00edculos oficiais em quest\u00e3o. <strong>Revista da ABEM<\/strong>. Porto Alegre: ABEM, v. 10, pp. 75-87, 2004.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FIGUEIREDO, S\u00e9rgio Luiz Ferreira de. <strong>The Music Preparation Of Generalist Teachers In Brazil. <\/strong>2003. Tese (Doutorado em Filosofia) &#8211; RMIT University, Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FONTERRADA, Marisa Trench de Oliveira. <strong>De tramas e fios: <\/strong>ensaio sobre m\u00fasica e educa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo: Editora UNESP, 2005.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>GOODSON, Ivor F. Curr\u00edculo \u2013 a inven\u00e7\u00e3o de uma tradi\u00e7\u00e3o. In: <strong>Curr\u00edculo \u2013 teoria e hist\u00f3ria. <\/strong>Petr\u00f3polis: Vozes, 1995, p. 7-28.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>FRIEDENREICH, Carl Albert. <strong>A Educa\u00e7\u00e3o Musical Fundamentada na Ci\u00eancia Espiritual. <\/strong>Trad. Edith Asbeck. S\u00e3o Paulo: Associa\u00e7\u00e3o Pedag\u00f3gica \u201cRudolf Steiner\u201d, 1990.<\/p>\n<p>HOWARD, Walter. <strong>A m\u00fasica e a crian\u00e7a.<\/strong> 4 ed. S\u00e3o Paulo. Summus, 1984. Novas buscas em educa\u00e7\u00e3o, v.19.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>ILARI, Beatriz Senoi. A m\u00fasica e o c\u00e9rebro: algumas implica\u00e7\u00f5es do neurodesenvolvimento para a educa\u00e7\u00e3o musical. <strong>Revista da ABEM<\/strong>. Porto Alegre: ABEM, v. 9, pp. 7-13, 2003.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>JEANDOT, Nicole. <strong>Explorando o Universo da M\u00fasica<\/strong><em>.<\/em>2. ed. S\u00e3o Paulo: Scipione, 1997.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>JOLY, Ilza Zenker Leme. <strong>Um processo de supervis\u00e3o de comportamentos de professores de musicaliza\u00e7\u00e3o infantil para adaptar procedimentos de ensino<\/strong>. Tese de doutorado. S\u00e3o Carlos \u2013 UFSCar, 2000.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>JOURDAIN, Robert. <strong>M\u00fasica, c\u00e9rebro e \u00eaxtase: <\/strong>como a m\u00fasica captura a nossa imagina\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Objetiva, 1998.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>LIB\u00c2NEO, Jos\u00e9 Carlos. <strong>Adeus professor, adeus professora?: <\/strong>novas exig\u00eancias educacionais e profiss\u00e3o docente. 4 ed. S\u00e3o Paulo: Cortez, 2000, v.67, Cole\u00e7\u00e3o Quest\u00f5es da nossa \u00e9poca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MACHADO, Daniela Dotto. A vis\u00e3o dos professores de m\u00fasica sobre as compet\u00eancias docentes necess\u00e1rias para a pr\u00e1tica pedag\u00f3gico-musical no ensino fundamental e m\u00e9dio. <strong>Revista da ABEM<\/strong>. Porto Alegre: ABEM, v. 11, pp. 37-45, 2004.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MAFFIOLETTI, Leda de A. Forma\u00e7\u00e3o de professores para a Educa\u00e7\u00e3o Infantil. In: VII ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA DE EDUCA\u00c7\u00c3O MUSICAL, out. 1998. p. 77-82.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MOREIRA, Ant\u00f4nio Fl\u00e1vio e SILVA, Tomaz Tadeu da. (Org.). <strong>Curr\u00edculo, cultura e sociedade<\/strong>. Cortez Editora: S\u00e3o Paulo, 1994.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00d3VOA, Ant\u00f3nio. Curr\u00edculo e Doc\u00eancia: a pessoa, a partilha, a prud\u00eancia. In: PEREIRA, Maria Zuleide da Costa et al. <strong>Curr\u00edculo e Contemporaneidade: quest\u00f5es emergentes. <\/strong>Campinas, SP: Al\u00ednea, 2004, p.17-30.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>PALHARES, Marina Silveira; MARTINEZ, Cl\u00e1udia Maria Sim\u00f5es. A educa\u00e7\u00e3o infantil: uma quest\u00e3o para o debate. In: FARIA, Ana L\u00facia Goulart de; PALHARES, Marina Silveira (Org.). <strong>Educa\u00e7\u00e3o Infantil p\u00f3s-LDB<\/strong>: rumos e desafios. 5 ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2005.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>PENNA, Maura. M\u00fasica na Escola: analisando a proposta dos PCN para o ensino fundamental. In: PENNA, Maura (coord.) <strong>\u00c9 este o ensino de Arte que queremos? <\/strong>Uma an\u00e1lise das propostas dos Par\u00e2metros Curriculares Nacionais. \u2013 Jo\u00e3o Pessoa: Editora Universit\u00e1ria\/CCHLA\/PPGE, 2001. p.113-134.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>PENNA, Maura. A dupla dimens\u00e3o da pol\u00edtica educacional e a m\u00fasica na escola: II \u2013 da legisla\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica escolar. <strong>Revista da ABEM<\/strong>, Porto Alegre: Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o Musical , v. 11, p. 7-16, set. 2004.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>PERRENOUD, Philippe. <strong>Dez novas compet\u00eancias para ensinar<\/strong>: convite \u00e0 viagem. Porto Alegre: Artmed, 2000.<\/p>\n<p>PERRENOUD, Philippe. <strong>A Pr\u00e1tica Reflexiva no Of\u00edcio do professor: <\/strong>profissionaliza\u00e7\u00e3o e raz\u00e3o pedag\u00f3gica.Trad. Cl\u00e1udia Schiling. Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>RIVERO, Cl\u00e9ia Maria L; GALLO, S\u00edlvio (Orgs). <strong>A Forma\u00e7\u00e3o de Professores na Sociedade do Conhecimento. <\/strong>Bauru, SP: Edusc, 2004.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SCHAFER, R. Murray. <strong>O ouvido pensante. <\/strong>S\u00e3o Paulo: UNESP, 1991.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SILVA, Tomaz Tadeu da. <strong>Documentos de Identidade: <\/strong>uma introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s teorias do curr\u00edculo. 2 ed.. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2003.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SMOLE, K\u00e1tia Cristina Stocco.<strong>A m\u00fasica na Educa\u00e7\u00e3o Infantil<\/strong><em>:<\/em>a teoria das intelig\u00eancias m\u00faltiplas na pr\u00e1tica escolar. Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas, 1996.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SOUZA, Jusamara. M\u00faltiplos espa\u00e7os e novas demandas profissionais: re-configurando o campo da Educa\u00e7\u00e3o Musical. X ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA DE EDUCA\u00c7\u00c3O MUSICAL. 2001. Uberl\u00e2ndia. <strong>Anais<\/strong>&#8230;Uberl\u00e2ndia: ABEM, 2001. p. 85-92.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SUZUKI, Shinichi. <strong>Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 amor<\/strong>: um novo m\u00e9todo de educa\u00e7\u00e3o. Santa Maria: Palotti, 1994.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SWANWICK, Keith. <strong>Ensinando M\u00fasica Musicalmente<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Moderna, 2003.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>SZ\u00d6NYI, Erzs\u00e9bet. <strong>A educa\u00e7\u00e3o musical na Hungria atrav\u00e9s do M\u00e9todo Kod\u00e1ly<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Sociedade Kod\u00e1ly do Brasil, 1996.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>TAME, David. <strong>O poder oculto da m\u00fasica<\/strong><em>.<\/em>Trad. Octavio Mendes Cajado. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 1984.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>VISCONTI, M\u00e1rcia, BIAGIONI,Maria Zei. <strong>Guia para Educa\u00e7\u00e3o e Pr\u00e1tica Musical nas escolas. <\/strong>S\u00e3o Paulo: ABEM\u00daSICA, 2002.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RESUMO \u00a0\u00c9 sabido que atrav\u00e9s de jogos musicais, o professor pode desenvolver em seus educandos o racioc\u00ednio l\u00f3gico, lingu\u00edstico, a coordena\u00e7\u00e3o motora do corpo, a criatividade, a auto-estima, a auto-imagem, a sensibilidade art\u00edstica, a aten\u00e7\u00e3o e a mem\u00f3ria. Sendo a m\u00fasica t\u00e3o importante para o homem e sua viv\u00eancia, estudiosos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":221,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[29,53,66],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/217"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=217"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/217\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/media\/221"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.neuroeducacaomusical.com.br\/ead\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}